Texto Interlinear (Grego/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Colossenses 3
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Bruce, F.F. (1984). The Epistles to the Colossians, to Philemon, and to the Ephesians. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans Publishing.
- Dunn, J. D. G. (1996). The Epistles to the Colossians and to Philemon. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans Publishing.
- Moo, D. J. (2008/2024). The Letters to the Colossians and to Philemon. Pillar New Testament Commentary (PNTC). Eerdmans Publishing.
Análise dos Autores
-
Autor A: F.F. Bruce The Epistles to the Colossians, to Philemon, and to the Ephesians
- Lente Teológica: Evangélica Clássica / Reformada Moderada. Bruce representa uma erudição bíblica conservadora britânica, equilibrando rigor histórico com uma sensibilidade devocional.
- Metodologia: Adota uma exegese histórico-teológica. Bruce foca na continuidade entre o Querigma (a pregação apostólica) e a Didaché (o ensino ético), enfatizando a união mística e prática com Cristo. Ele tende a ler as listas de vícios e virtudes como expressões da nova natureza implantada, fazendo pontes frequentes com o ensino ético de Jesus e paralelos paulinos (Romanos e Efésios).
-
Autor B: James D. G. Dunn The Epistles to the Colossians and to Philemon.
- Lente Teológica: Crítico-Histórica / Nova Perspectiva sobre Paulo. Dunn é conhecido por reavaliar o judaísmo do Segundo Templo e a relação de Paulo com a Lei.
- Metodologia: Sócio-histórica e Filológica. Dunn ataca o texto buscando reconstruir a “filosofia” de Colossos, que ele identifica fortemente com um misticismo judaico apocalíptico e a observância da Torá, em vez de um gnosticismo incipiente. Sua análise de Colossenses 3 foca em como a exortação de Paulo serve como uma contra-apologética a uma espiritualidade visionária judaica, enfatizando a Cristologia Adâmica e a formação social da comunidade.
-
Autor C: Douglas J. Moo The Letters to the Colossians and to Philemon
- Lente Teológica: Evangélica Reformada / Teologia Bíblica. Moo foca na coerência teológica do cânon e na soteriologia paulina.
- Metodologia: Exegese Gramatical e Teológica. Moo prioriza a estrutura sintática e o fluxo lógico do argumento (“portanto”, “visto que”). Ele enfatiza fortemente a tensão escatológica do “Já e Ainda Não” e a natureza corporativa do “Novo Homem” como uma Nova Humanidade. Sua abordagem aos códigos domésticos é marcada por uma hermenêutica de continuidade das estruturas sociais transformadas pelo Senhorio de Cristo.
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
Tese de F.F. Bruce
Resumo: A vida cristã em Colossenses 3 é a manifestação externa de uma união interna e vital com o Cristo exaltado, onde a ética é uma resposta de gratidão à graça divina e uma reprodução do caráter de Jesus.
- Argumento Expandido: Bruce argumenta que a transição da teologia para a prática (indicativo para imperativo) é baseada na união com Cristo. Para Bruce, “buscas as coisas do alto” não é uma fuga gnóstica, mas um reconhecimento de que a verdadeira vida do crente está escondida com Cristo. Ele enfatiza que o “velho homem” e o “novo homem” referem-se a naturezas opostas: a antiga natureza adâmica e a nova natureza crística. Bruce destaca que as exortações éticas, incluindo os Haustafeln (códigos domésticos), são “cristianizadas da maneira mais simples possível” através da frase “no Senhor”, que introduz uma dinâmica revolucionária de reciprocidade e serviço voluntário, transformando as relações sociais sem necessariamente abolir as estruturas existentes de imediato (Bruce, “Here is a new and powerful dynamic… The added words, simple as they are, transform the whole approach to ethics”).
Tese de J. D. G. Dunn
Resumo: Colossenses 3 apresenta uma alternativa cristocêntrica à ascese e ao misticismo visionário da “filosofia” judaica local, propondo uma ética comunitária baseada na Cristologia Adâmica onde Cristo é a imagem de Deus que restaura a humanidade.
- Argumento Expandido: Dunn postula que a polêmica de Paulo visa uma sinagoga local influenciada por tendências apocalípticas. A ordem para “buscar as coisas do alto” (3:1-2) é uma apropriação irônica da linguagem dos oponentes, reorientando-a não para visões místicas dos anjos, mas para o caráter de Cristo. Dunn enfatiza que o “Novo Homem” (3:10) deve ser entendido através da Cristologia de Adão: Cristo é o último Adão e a imagem do Deus invisível. A ética, portanto, é a restauração da imagem divina na comunidade. Ele vê os códigos domésticos como uma estratégia de estabilização social e apologética para demonstrar que os cristãos eram bons cidadãos, combatendo acusações de subversão, mas transformando as motivações internas pelo “temor do Senhor” (Dunn, “The underlying motif, however, is the thought of restoration of the divine image… And it is certainly present in the thought that this becoming like Christ involves a transformation into the heavenly glory”).
Tese de Douglas J. Moo
Resumo: A vida cristã exige uma reorientação radical da mente (“pensamento celestial”) fundamentada na realidade escatológica da ressurreição com Cristo, resultando em uma santidade corporativa que substitui vícios por virtudes comunitárias.
- Argumento Expandido: Moo centra sua análise na tensão escatológica. Ele defende que “ressuscitados com Cristo” (3:1) refere-se a uma realidade espiritual presente (inaugurada), e não apenas futura. O foco central é a união com Cristo que quebra o poder do pecado. Diferente de uma leitura individualista, Moo argumenta que o “Novo Homem” não é apenas uma nova natureza individual, mas uma entidade corporativa (a nova humanidade em Cristo), onde as barreiras raciais e sociais são derrubadas (3:11). Nos códigos domésticos, Moo sustenta que as estruturas de autoridade (como submissão) são mantidas mas reconfiguradas pelo amor e pela justiça, rejeitando tanto o igualitarismo secular moderno quanto a aprovação da escravidão como instituição, focando no Senhorio de Cristo sobre todas as esferas (Moo, “The ‘new self’ is not a part of an individual or even an individual as a whole, but some kind of corporate entity… It is therefore our ‘Adamic’ identification… that we have ‘put off’“).
3. Análise Comparativa Crítica dos Tópicos Chaves
A. A Natureza de “Buscar as Coisas do Alto” (3:1-4)
- Bruce: Interpreta como uma união mística e vital. A vida do crente é uma extensão da vida de Cristo. A ênfase é na segurança e na “guarda” da vida do crente em Deus.
- Dunn: Interpreta polemicamente. “As coisas do alto” contrasta com a visão mística dos oponentes judeus em Colossos. É uma mudança de perspectiva (mindset) apocalíptica, não ontológica completa.
- Moo: Interpreta escatologicamente. Enfatiza a realidade presente da ressurreição espiritual. A identidade celestial é real e segura, mas “escondida”, exigindo uma reorientação contínua da vontade (“set your minds”).
B. O Velho e o Novo Homem (3:9-11)
- Bruce: Tende a ver como naturezas pessoais. O despojar do velho homem é comparado à remoção de uma roupa suja (hábitos) e a renovação é progressiva e individual em conformidade com Cristo.
- Dunn: Foca na Imagem de Deus / Adão. O “velho homem” é a humanidade sob a queda; o “novo homem” é a participação na nova criação iniciada por Cristo. Destaca o caráter judaico dos vícios listados (idolatria sexual).
- Moo: Enfatiza a Dimensão Corporativa. O “velho homem” é Adão (e a solidariedade nele); o “novo homem” é Cristo (e a nova humanidade). Não é apenas uma mudança interna, mas uma transferência de domínio/reino.
C. Os Códigos Domésticos (Haustafeln) (3:18-4:1)
- Bruce: Vê como reciprocidade ética. O elemento revolucionário não é a abolição das estruturas, mas a introdução do amor (agape) e da fraternidade que torna a escravidão e o patriarcado, em essência, irrelevantes espiritualmente, embora estruturalmente mantidos.
- Dunn: Vê como estratégia apologética e conformidade social. Os cristãos adotam a ética de “boa gestão doméstica” (oikonomia) comum no estoicismo e judaísmo helenístico para provar que não são subversivos. O diferencial é a motivação cristológica (“no Senhor”).
- Moo: Vê como ordem criacional e redenção. Defende que as estruturas hierárquicas (marido/esposa, pais/filhos) são preservadas como parte da ordem de Deus, mas o abuso de poder é vetado. No caso da escravidão, ele argumenta que Paulo não endossa a instituição, mas regula o comportamento dentro dela para minar sua base ideológica através da igualdade espiritual.
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de F.F. Bruce | Visão de J. D. G. Dunn | Visão de Douglas J. Moo |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave / Conceito Grego | União Mística (sýn). Bruce interpreta “buscar as coisas do alto” como o exercício de uma “união vital” e mística. A vida do crente é uma “extensão daquela vida indissolúvel” de Cristo (Bruce,). | Perspectiva Apocalíptica (phroneō). Dunn define o termo não como misticismo visionário, mas como uma “mudança de perspectiva” ou mindset. É uma alternativa à ascese judaica, focada na restauração da imagem divina (Dunn,,). | Esferas de Domínio (anthrōpos). Moo define o “Velho/Novo Homem” não como naturezas individuais, mas como entidades corporativas. O “Velho” é Adão (solidariedade no pecado); o “Novo” é a nova humanidade em Cristo (Moo,). |
| Problema Central do Texto | Inconsistência Prática. O problema é a desconexão entre a posição teológica (ressuscitados) e a prática ética. O foco é pastoral: “Sede o que sois” (Bruce,). | A “Filosofia” Colossense. O problema é a polêmica contra um sincretismo judaico que exigia visões e ascese. Paulo usa a linguagem deles (“coisas do alto”) ironicamente para reorientar a ética (Dunn,,). | Tensão Escatológica. O problema é viver o “Já” da ressurreição no “Ainda Não” da glorificação final. O crente foi transferido de reino, mas ainda luta contra a influência da era antiga (Moo,,). |
| Resolução Teológica | Gratidão e Reprodução. A ética é a resposta de gratidão à graça. As virtudes (amor, paz) são a reprodução do caráter de Jesus na vida do crente através do Espírito/Palavra (Bruce,,). | Cristologia Adâmica. A solução é comportamental e social, restaurando a imagem do Criador (Adão) através de Cristo. A ética estabiliza a comunidade contra a desordem da “filosofia” visionária (Dunn,,). | Transformação da Nova Humanidade. A solução é o reconhecimento da morte para os “elementos do mundo” e a apropriação do poder da ressurreição para viver como a Nova Humanidade corporativa (Moo,,). |
| Tom/Estilo | Pastoral e Devocional. Enfatiza a piedade, a união com Cristo e o amor como vínculo da perfeição. | Histórico-Crítico e Polêmico. Foca na reconstrução dos oponentes e na estratégia retórica de Paulo. | Teológico e Exegético. Foca na estrutura gramatical, na história da salvação e na coerência paulina. |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: J. D. G. Dunn. Sua análise é insuperável para situar Colossenses 3 como uma contra-narrativa específica à “filosofia” local. Ele fornece o background mais rico sobre o caráter judaico-apocalíptico dos oponentes, explicando por que Paulo usa termos específicos como “humildade” e “culto dos anjos” (reapropriados na ética doméstica e litúrgica), evitando que o leitor moderno projete anacronismos gnósticos no texto.
- Melhor para Teologia: Douglas J. Moo. Moo oferece a melhor sistematização doutrinária, conectando a exortação ética de Colossenses com a soteriologia paulina mais ampla (Romanos/Gálatas). Sua explicação sobre o “Velho” e “Novo Homem” como categorias corporativas (Adão vs. Cristo) e a tensão escatológica resolvem dificuldades que uma leitura puramente individualista não consegue, oferecendo uma base sólida para a ética cristã.
- Síntese: Para uma compreensão holística de Colossenses 3, deve-se adotar a estrutura de história da salvação de Moo (a transição de domínios de Adão para Cristo) como fundamento teológico. Sobre este alicerce, aplica-se a lente sócio-histórica de Dunn para entender a polêmica específica contra o misticismo judaico, percebendo que as regras domésticas (Haustafeln) não são apenas conservadorismo social, mas uma estratégia de estabilidade comunitária. Finalmente, o conteúdo deve ser “preenchido” com a sensibilidade pastoral de Bruce, que lembra que toda essa teologia visa uma união vital e mística com Cristo, expressa em gratidão e louvor.
Cristologia Adâmica, Haustafeln, Tensão Escatológica e União Mística são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: Versículos [3:1-4] — A Perspectiva Celestial
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Buscar” (zēteite) vs. “Pensar” (phroneite): Bruce nota que o imperativo presente implica um hábito contínuo da mente (Bruce,). Moo distingue que “buscar” (v.1) é uma orientação da vontade, enquanto “pensar” (phroneite, v.2) refere-se a uma “atitude interior básica” ou mentalidade, não um processo puramente intelectual (Moo,). Dunn sugere que zēteite tem a força de “continuar procurando” aquilo que é de Cristo nas situações diárias, em contraste com um desejo de possuir visões místicas (Dunn,).
- “Escondida” (kekryptai): Dunn conecta este termo ao conceito apocalíptico de “mistério” divino, uma realidade oculta aos de fora mas determinante para a história (Dunn,). Moo acrescenta a nuance de segurança: “esconder em um lugar seguro”, citando o Salmo 27:5 (Moo,).
- “Cristo… vossa vida” (zōē): Bruce destaca a “união vital”: a vida do crente é uma extensão da vida indissolúvel de Cristo (Bruce,).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bruce: Destaca a segurança espiritual da frase “escondida com Cristo em Deus”. Ele usa a analogia cultural de um “life-token” (objeto externo onde a vida de alguém é guardada), embora note que Paulo não tinha essa superstição em mente, mas sim uma “dupla proteção divina” (Bruce,).
- Dunn: Interpreta a seção inteira como uma contra-apologética apocalíptica. Ele argumenta que Paulo está usando a linguagem dos oponentes (“coisas do alto”) para redefinir a espiritualidade deles. Para Dunn, a ênfase na “revelação” futura (v.4) é uma resposta à obsessão dos oponentes por visões celestiais presentes (Dunn,,).
- Moo: Defende vigorosamente a realidade presente da ressurreição (3:1 “fostes ressuscitados”) contra críticos que veem isso como uma escatologia “sobre-realizada” ou gnóstica. Ele argumenta que, no contexto de combater falsos mestres ascéticos, Paulo precisava afirmar que a plenitude espiritual já foi dada em união com Cristo (Moo,).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Natureza da Orientação Celestial (3:1-2):
- Dunn vê uma polêmica direta: os oponentes buscavam “coisas do alto” através de visões místicas e culto aos anjos. Paulo redefine “as coisas do alto” como o caráter de Cristo, não a mobília do céu (Dunn,).
- Moo concorda com a polêmica, mas enfatiza o contraste ético/valórico. “Coisas do alto” são os valores do Reino, em contraste com as “coisas terrenas” que, ironicamente, incluem as regras religiosas dos falsos mestres (Moo,).
- Veredito: Dunn apresenta o argumento mais forte contextualmente, explicando por que Paulo usaria uma linguagem que poderia soar gnóstica (“buscar as coisas do alto”) se não fosse para subverter a terminologia específica dos oponentes.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Salmo 110:1: Todos concordam que a referência a Cristo “assentado à direita de Deus” é uma alusão direta a este Salmo, o texto do AT mais citado no NT, indicando autoridade régia (Bruce,; Dunn,; Moo,).
- Literatura Apocalíptica: Dunn conecta a linguagem de “coisas do alto” e “vida escondida” com textos como 2 Baruque e a tradição de mistérios judaicos (Dunn,).
5. Consenso Mínimo
- A base da ética cristã é a união do crente com a morte, ressurreição e exaltação atual de Cristo (Indicativo antecede Imperativo).
📖 Perícope: Versículos [3:5-11] — O Velho e o Novo Homem
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Fazei morrer” (nekrōsate): Dunn nota que o verbo deriva do uso médico referindo-se à atrofia ou paralisia de um membro (Dunn,). Bruce interpreta como “tratar como morto” ou “reconhecer como morto” (Bruce,).
- “Cobiça/Avareza” (pleonexia): Moo define como um “desejo incontrolável por mais”, conectando-o a experiências sexuais insaciáveis no contexto da lista (Moo,).
- “Scythian” (Cita): Termo debatido no v.11 (veja abaixo).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bruce: Fornece um detalhe histórico rico sobre os Citas (v.11). Ele nota que, em Atenas (séc. V e IV a.C.), escravos Citas atuavam como força policial e eram ridicularizados na comédia ática por seu comportamento inculto. Ele enfatiza que o Cita era visto como o “bárbaro dos bárbaros” (Bruce,).
- Dunn: Destaca o caráter judaico da lista de vícios. Ele aponta que a associação entre imoralidade sexual (porneia) e idolatria (v.5) é uma característica distintiva da polêmica judaica contra os gentios (ex: Testamento de Rúben). Para Dunn, Paulo está insistindo que a ética cristã deve manter o alto padrão moral judaico, em contraste com o ritualismo (Dunn,,).
- Moo: Traz uma distinção teológica crucial sobre o Velho e Novo Homem (v.9-10). Ele argumenta que estes não são “naturezas” individuais (como Bruce tende a sugerir), mas entidades corporativas/esferas de existência: o “Velho Homem” é Adão, e o “Novo Homem” é Cristo (a nova humanidade). A troca de roupa é uma transferência de domínio (Moo,).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Membros (melē) no v.5:
- Bruce vê uma dificuldade gramatical (“membros” em apposição com “fornicação”) e sugere que Paulo identifica os membros com os pecados cometidos por eles (Bruce,).
- Moo entende “membros” figurativamente como “faculdades” que pertencem à natureza terrena, citando Rom 6:19 (Moo,).
- Dunn insiste na força da metáfora da atrofia: “matar” a interação do crente com o mundo através desses canais viciados (Dunn,).
- Significado de “Scythian” (v.11):
- Moo sugere que pode ser apenas um exemplo extremo de “bárbaro” ou talvez uma distinção geográfica (Norte do Mar Negro), mas admite incerteza (Moo,).
- Bruce e Dunn são mais específicos ao verem o Cita como o epítome da selvageria, com Dunn citando Josefo sobre eles serem “pouco diferentes de bestas selvagens” (Dunn,).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Gênesis 1:26-27 (Imagem de Deus): Todos identificam a “renovação… segundo a imagem daquele que o criou” (v.10) como uma clara alusão à criação adâmica. Dunn desenvolve isso extensivamente como Cristologia Adâmica: Cristo é o arquétipo da humanidade restaurada (Dunn,).
- Ira de Deus (v.6): Dunn conecta o conceito de “ira” e “filhos da desobediência” à teologia judaica de aliança e julgamento contra a idolatria gentílica (Dunn,).
5. Consenso Mínimo
- A conversão cristã exige uma ruptura radical com o comportamento sexual e social anterior, descrito como uma troca de identidade (vestimentas).
📖 Perícope: Versículos [3:12-17] — A Roupage da Nova Humanidade
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Entranhas” (splanchna): Bruce traduz literalmente como “bowels” (entranhas), o assento das emoções ternas no idioma bíblico (Bruce,).
- “Arbitre” (brabeuetō): O termo vem do contexto atlético (atuar como juiz/árbitro). Bruce vê como a paz decidindo disputas internas (Bruce,). Moo traduz como “ser o fator decisivo” (Moo,).
- “Palavra de Cristo” (logos tou Christou): Debate se é a palavra de Cristo (subjetivo) ou sobre Cristo (objetivo).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bruce: Fornece o contexto litúrgico histórico para o v.16 (“cantando…”). Ele cita Plínio, o Jovem (Carta a Trajano) e Tertuliano para ilustrar como os primeiros cristãos usavam o canto antifonal e salmos em suas reuniões antes do amanhecer ou nas festas de ágape (Bruce,).
- Dunn: Destaca a apropriação de títulos de eleição de Israel. “Eleitos, santos e amados” (v.12) são termos exclusivos da aliança judaica agora aplicados a gentios incircuncisos. Dunn vê isso como uma provocação deliberada ou uma afirmação de continuidade com a herança judaica (Dunn,). Também nota que agapē (amor) é descrito como um “ligamento” (syndesmos), ecoando a fisiologia do corpo de 2:19 (Dunn,).
- Moo: Argumenta que a “Palavra de Cristo” (v.16) deve ser entendida primariamente como a mensagem do evangelho sobre Cristo (genitivo objetivo), em paralelo com “a palavra do evangelho” em 1:5. Ele enfatiza que o ensino e a admoestação são responsabilidades mútuas de todos os membros, não apenas de líderes (Moo,,).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Paz de Cristo como Árbitro (v.15):
- Bruce: Vê a paz atuando quando “diferenças ameaçam surgir”, resolvendo conflitos interpessoais (Bruce,).
- Dunn: Vê um contraste com os falsos mestres. A verdadeira “paz” (shalom/bem-estar escatológico) deve ser o árbitro, não as regras ascéticas ou visões dos oponentes que tentavam “desqualificar” (usando katabrabeuō em 2:18) os colossenses (Dunn,).
- Salmos, Hinos e Cânticos Espirituais (v.16):
- Moo e Bruce tentam categorizar (Salmos = AT; Hinos = sobre Cristo; Cânticos = espontâneos/carismáticos), mas admitem que as distinções são fluidas.
- Dunn é mais enfático sobre o caráter carismático de “cânticos espirituais” (pneumatikais), sugerindo que poderiam incluir glossolalia (canto em línguas), dado o paralelo com 1 Cor 14:15, embora note o risco de confusão com o culto aos anjos (Dunn,).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Deuteronômio 7:6-7: Dunn identifica a fonte dos títulos “povo escolhido, santo e amado” (Dunn,).
- Salmos/Culto Levítico: A ênfase em “agradecimento” e “louvor” reflete a piedade do AT reconfigurada em torno de Jesus (Moo,).
5. Consenso Mínimo
- A adoração corporativa e o ensino mútuo são essenciais para a manutenção da identidade cristã e a paz comunitária.
📖 Perícope: Versículos [3:18-4:1] — O Código Doméstico (Haustafeln)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Ser submisso” (hypotassō): Moo explica que não significa obediência cega, mas reconhecer uma ordem estabelecida por Deus (“ordenar abaixo”). Ele distingue de “obedecer” (hypakouō), usado para filhos e escravos (Moo,).
- “Não irriteis” (erethizō): Dunn nota que o verbo tem o sentido de “provocar a um desafio” ou exasperar (Dunn,).
- “Igualdade/Justiça” (isotēs): Dunn argumenta que no contexto legal antigo, isso não significa “igualdade de status”, mas “equidade” ou justiça (Dunn,). Bruce traduz como “fairly” (justamente) (Bruce,).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bruce: Observa a assimetria revolucionária no tratamento dos escravos. Bruce nota que Paulo trata os escravos como pessoas responsáveis, cujas ações têm dignidade espiritual (“fazei-o de coração”). Ele cita o impacto histórico disso, mencionando mártires escravas como Blandina e Felicidade que foram honradas pela igreja (Bruce,,).
- Dunn: Enquadra o código como apologética social. Ele argumenta que a igreja precisava demonstrar que não era subversiva para sobreviver no Império. Adotar a ética de oikonomia (gestão doméstica) aristotélica era uma forma de provar boa cidadania. O elemento distintivo não é a estrutura, mas a motivação “no Senhor” (Dunn,).
- Moo: Foca na cristologia do Senhorio. Ele conta sete menções a “Senhor” nestes versículos, argumentando que isso transforma o código de uma acomodação cultural em uma “subversão interna”. Ele levanta a questão de Onesimo (escravo fugitivo) como a razão pela qual a seção de escravos é desproporcionalmente longa em Colossenses comparada a Efésios (Moo,).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Submissão das Esposas (v.18):
- Dunn vê como conformidade aos costumes sociais da época (“patriarcalismo”), necessária para a estabilidade da comunidade (Dunn,).
- Bruce concorda que a estrutura é mantida, mas enfatiza que a frase “como convém no Senhor” introduz um novo padrão que essencialmente dignifica a mulher (Bruce,).
- Moo é mais conservador teologicamente, vendo a submissão não apenas como cultural, mas como parte de uma ordem criacional reconfigurada pelo amor (agapē) do marido (Moo,).
- Recompensa da Herança para Escravos (v.24):
- Moo e Dunn concordam que isso é paradoxal, pois escravos não herdavam legalmente.
- Dunn enfatiza a conexão com a Promessa a Abraão: gentios e escravos agora participam da herança da terra/Reino prometida aos patriarcas (Dunn,).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Decálogo (Honrar pai e mãe): Embora o v.20 abrevie o mandamento, todos veem o eco de Êxodo 20:12. Dunn nota que o texto de Deuteronômio 21:18-21 (filho rebelde) pode estar no fundo da advertência aos pais para não provocarem os filhos à rebeldia (Dunn,).
- Temor do Senhor: A instrução aos escravos para temerem o Senhor (v.22) é vista por Dunn como uma aplicação direta da sabedoria judaica (Provérbios/Sirácida) sobre viver coram Deo (Dunn,).
5. Consenso Mínimo
- As estruturas sociais existentes não são abolidas imediatamente, mas são radicalmente relativizadas e transformadas pela lealdade suprema a Cristo (“o Senhor”).