Análise Comparativa: Lucas 21

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

Bock, D. L. (1994). Luke. 2 vols. Baker Exegetical Commentary on the New Testament (BECNT). Baker Academic. Edwards, J. R. (2015). The Gospel according to Luke. Pillar New Testament Commentary (PNTC). Eerdmans. Green, J. B. (1997). The Gospel of Luke. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: Bock, D. L. (1994). Luke. 2 vols. Baker Exegetical Commentary on the New Testament (BECNT).

    • Lente Teológica: Evangélica com forte ênfase na historicidade e na crítica das formas/fontes. Bock opera dentro de uma estrutura que defende a autenticidade dos ditos de Jesus contra o ceticismo crítico (ex: Jesus Seminar), mantendo uma visão da profecia preditiva genuína e uma teologia do “já e ainda não”.
    • Metodologia: Utiliza uma exegese detalhada, versículo por versículo, com foco na filologia grega e na comparação sinótica (prioridade de Marcos). Sua abordagem distingue claramente eventos de curto prazo (Queda de Jerusalém) de eventos de longo prazo (Parusia), interpretando o discurso como um padrão profético onde o julgamento histórico espelha o julgamento escatológico final.
  • Autor/Obra: Edwards, J. R. (2015). The Gospel according to Luke. Pillar New Testament Commentary (PNTC).

    • Lente Teológica: Evangélica conservadora, com foco na teologia bíblica e na cristologia. Edwards destaca a continuidade com o Antigo Testamento e a apresentação de Jesus como o servo justo sofredor.
    • Metodologia: Expositiva e teológica. Uma característica distintiva de sua metodologia é a hipótese de que Lucas utilizou, além de Marcos, uma Fonte Hebraica (Hebrew Gospel) para materiais exclusivos, identificando hebraísmos no texto grego de Lucas 21 para sustentar essa teoria. Ele classifica o capítulo não como “apocalíptico”, mas como um discurso escatológico hortatório.
  • Autor/Obra: Green, J. B. (1997). The Gospel of Luke. New International Commentary on the New Testament (NICNT).

    • Lente Teológica: Crítica Narrativa e literária. Green foca menos na reconstrução histórica “por trás” do texto e mais no mundo “dentro” do texto, analisando como a narrativa molda a identidade do leitor e a comunidade de fé.
    • Metodologia: Análise holística da narrativa. Ele interpreta Lucas 21 como o clímax do conflito sobre a autoridade legítima no templo. Sua leitura enfatiza a função sociorretórica do texto: como o discurso define quem é o verdadeiro povo de Deus em contraste com a liderança de Jerusalém que falhou em sua mordomia.

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de Bock: O discurso é uma unidade profética que utiliza a destruição iminente de Jerusalém (A.D. 70) como um tipo ou garantia do julgamento final, exortando os discípulos à perseverança.

    • Argumento: Bock defende que Lucas distingue cronologicamente a queda da cidade do fim dos tempos, focando mais na desolação da cidade do que na profanação do templo (em contraste com Marcos/Mateus). Para Bock, “a queda de Jerusalém em 70 d.C. é parte do plano e julgamento de Deus. Esta queda retrata o fim” (Bock, “B. Jerusalem’s Destruction and the End”). Ele enfatiza que os eventos de curto prazo validam a autoridade de Jesus sobre o futuro distante: “Jerusalém cercada por exércitos” é um sinal histórico concreto, distinto dos sinais cósmicos da Parusia (Bock, “Picture of the End”).
  • Tese de Edwards: Lucas 21 é um discurso escatológico (não apocalíptico) onde o fim último da história é prefigurado através da lente de um evento histórico imediato: a destruição de Jerusalém.

    • Argumento: Edwards argumenta que o discurso visa fornecer uma visão do Fim distante através do evento próximo. Ele rejeita o termo “Apocalipse Sinótico” para Lucas 21, pois faltam visões bizarras e o foco é na exortação ética (vigilância) e não na revelação esotérica (Edwards, “The Fall of Jerusalem…”). Edwards identifica uma “dúzia de hebraísmos” na fonte especial de Lucas neste capítulo, sugerindo uma tradição antiga semítica por trás do texto (Edwards, “The Fall of Jerusalem…”).
  • Tese de Green: O discurso pronuncia o fim da velha ordem centrada no templo devido à infidelidade da liderança de Jerusalém, inaugurando um tempo de testemunho e missão para os seguidores de Jesus antes da consumação.

    • Argumento: Green situa o discurso como resposta direta à rejeição da liderança judaica (os “lavradores” da parábola anterior). Ele vê o texto funcionando como um anúncio proléptico das experiências que os discípulos enfrentarão em Atos (perseguição e testemunho diante de reis). Para Green, a “época dos gentios” (Lucas 21:24) tem uma referência dupla: o julgamento de Jerusalém pelas nações e o tempo da proclamação do evangelho aos gentios (Green, “6.2. The Coming of the End”).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de BockVisão de EdwardsVisão de Green
Palavra-Chave/Termo GregoGenea (Geração). Bock analisa seis visões e tende a interpretar como a geração que testemunhar os sinais do fim, indicando rapidez na consumação uma vez iniciada (Bock, “The End: All Within a Generation”).Eschatological vs. Apocalyptic. Edwards define o gênero literário não como “Apocalipse Sinótico” (que foca em visões bizarras e especulação), mas como “discurso escatológico” focado no propósito final da história e exortação (Edwards, “The Fall of Jerusalem…”).Kairoi Ethnōn (Tempos dos Gentios). Green define como uma dupla referência: o tempo da dominação gentílica sobre Jerusalém e, simultaneamente, o tempo da proclamação do evangelho às nações (Green, “6.2. The Coming of the End”).
Problema Central do TextoA distinção cronológica e profética entre a destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a Parusia final, evitando a confusão de que o fim viria imediatamente após a queda da cidade (Bock, “Jerusalem’s Destruction and the End”).A natureza da profecia bíblica que “telescopa” eventos distantes (o Fim) através de eventos próximos (Queda de Jerusalém), e como manter a fé diante do atraso da Parusia (Edwards, “The Fall of Jerusalem…”).O conflito de autoridade legítima entre Jesus e a liderança do templo. O problema é a falha da liderança em reconhecer a visitação divina, resultando em julgamento sobre o sistema do templo, não necessariamente sobre todo o povo (Green, “6. Teaching in the Jerusalem Temple”).
Resolução TeológicaTipologia Profética. A queda de Jerusalém é um “tipo” ou garantia do julgamento final. Os eventos de curto prazo validam a autoridade de Jesus sobre o futuro distante (Bock, “Summary”).Prefiguração Histórica. O evento histórico (A.D. 70) funciona como uma realização preliminar e uma “lente” para visualizar o objetivo final da história, exigindo vigilância ética (Edwards, “The Fall of Jerusalem…”).Transferência de Liderança. A destruição é o julgamento da liderança infiel (“lavradores maus”). O “fim” inaugura uma nova fase de testemunho e missão para os discípulos antes da consumação cósmica (Green, “6.1.2. Jerusalem’s Unfaithful Leadership”).
Tom/EstiloAnalítico-Exegético. Detalhado na análise de variantes textuais, gramática e debate acadêmico sobre fontes.Teológico-Expositivo. Focado na aplicação cristológica e na distinção de gêneros literários para a igreja.Literário-Sociológico. Focado na narrativa, nos personagens (liderança vs. povo) e na crítica social interna do texto.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Bock. Sua análise é insuperável no detalhamento das fontes históricas (como Josefo e Tácito) e na discussão minuciosa das opções interpretativas para termos difíceis como “esta geração”, fornecendo um panorama completo do debate acadêmico e das evidências históricas da queda de Jerusalém.
  • Melhor para Teologia: Green. Ele oferece a leitura mais integrada à narrativa de Lucas, conectando o discurso escatológico ao conflito de autoridade no templo e à missão da igreja em Atos. Sua interpretação de conceitos como “Tempos dos Gentios” e a função sociológica do discurso para a comunidade de fé é teologicamente rica e aplicável.
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Lucas 21, deve-se utilizar a estrutura cronológica e histórica de Bock para distinguir os eventos de 70 d.C. do fim dos tempos; adotar a sensibilidade de Edwards quanto ao gênero literário para evitar especulações apocalípticas indevidas, focando na ética da vigilância; e aplicar a lente de Green para entender como este discurso legitima a autoridade de Jesus sobre a liderança do templo e define a missão da igreja durante o tempo de espera.

Tipologia Profética, Tempos dos Gentios, Escatologia Inaugurada e Filho do Homem são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: O Templo e a Profecia de Destruição (Versículos 5-6)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Anathēma (Ofertas votivas/Ornamentos): Bock destaca que este é um hapax legomenon no NT, referindo-se a presentes dedicados a Deus, como as portas e videiras banhadas a ouro descritas por Josefo (Bock, “1. Setting (21:5–6)”).
  • Kosmeō (Adornado): Bock nota o uso emotivo deste verbo para destacar o respeito sentido pelo Templo, implicando que os discípulos estavam impressionados com a opulência (Bock, “1. Setting (21:5–6)”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Bock: Fornece detalhes arqueológicos precisos de Josefo (Guerra Judaica 5.5.1), notando que as pedras de mármore branco mediam até 45 côvados (aprox. 20 metros). Ele observa que a profecia de Jesus (“não ficará pedra sobre pedra”) não é uma descrição literal de nivelamento total, mas uma expressão geral de destruição catastrófica (Bock, “1. Setting (21:5–6)”).
  • Green: Conecta a admiração dos discípulos à crítica anterior de Jesus (19:45-46). Para ele, a magnificência arquitetônica esconde o fato de que o templo se tornou um “covil de salteadores”. A profecia de destruição é o clímax da rejeição de Jesus ao sistema de liderança do templo (Green, “6.2. The Coming of the End”).
  • Edwards: Observa que a frase introdutória “Dias virão” (v. 6) é um hebraísmo clássico, sugerindo uma fonte semítica subjacente que coloca a narrativa não como mito, mas como tempo histórico sob a soberania divina (Edwards, “The Birth of Jesus…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Historicidade da Profecia: Bock defende que a ausência de qualquer menção ao cumprimento da profecia nos Evangelhos sugere que o texto foi escrito antes de 70 d.C., sendo uma previsão genuína (Bock, “1. Setting (21:5–6)”). Green foca menos na datação e mais na função teológica: a destruição é apresentada como consequência inevitável da falha de Israel em reconhecer a visitação divina (Green, “6.2. The Coming of the End”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Bock e Green concordam na alusão a Jeremias (7:11-14) e Miqueias (3:12), onde a destruição do santuário é a resposta de Deus à infidelidade da aliança.

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que Jesus prediz a destruição física do Templo de Herodes como um julgamento divino, não como um acidente histórico.

📖 Perícope: Sinais Preliminares e Falsos Messias (Versículos 7-11)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Ptoeo (Aterrorizado): Bock nota que este é um termo exclusivo de Lucas no NT (exceto 24:37), denotando um terror profundo ou angústia emocional, derivado da LXX (Bock, “c. Social Chaos Before the End”).
  • Kairos (O Tempo): Bock define como uma alusão ao fim escatológico, um período decisivo no plano de Deus, distinto de chronos (Bock, “b. False Claims”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Green: Interpreta a advertência “Não os sigais” (v. 8) especificamente contra movimentos revolucionários messiânicos (como os Zelotes) que viam a guerra contra Roma como o prelúdio do Reino. Jesus dissocia a violência política da vinda do Reino (Green, “6.2. The Coming of the End”).
  • Edwards: Destaca a ausência de imagens bizarras típicas da literatura apocalíptica judaica (bestas, viagens celestiais), classificando o texto como um “discurso escatológico” sóbrio e hortatório, e não “apocalíptico” no sentido de gênero literário (Edwards, “19. The Fall of Jerusalem…”).
  • Bock: Enfatiza a gramática do v. 9 (dei genesthai proton), argumentando que o caos social e as guerras são “necessários primeiro”, estabelecendo uma clara cronologia onde o caos não é o fim imediato (outhen eutheōs), mas parte do plano (Bock, “c. Social Chaos Before the End”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Natureza dos “Sinais”: Bock vê os eventos dos vv. 8-11 como “não-sinais” do fim (eventos que não sinalizam a iminência), enquanto Green os vê como parte das dores de parto que, embora não sejam o fim, são teologicamente significativas como desconstrução da ordem mundial vigente.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Bock cita Ezequiel 38:19 e Ageu 2:6 para o imaginário de terremotos e caos cósmico.
  • Green aponta para Isaías 19:2 (“nação contra nação”) como pano de fundo para o conflito civil e internacional (Green, “6.2. The Coming of the End”).

5. Consenso Mínimo

  • Existe uma separação temporal: guerras e desastres naturais acontecem, mas o “Fim” não segue imediatamente a esses eventos.

📖 Perícope: Perseguição e Testemunho (Versículos 12-19)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Apobaino (Resultar/Tornar-se): Bock traduz como “resultará em oportunidade para testemunho”, indicando providência divina na perseguição (Bock, “a. Persecution and Testimony”).
  • Ktaomai (Ganhar/Adquirir): Discutido no v. 19. Bock prefere o imperativo aoristo “Ganhai vossas almas”, implicando que a perseverança garante a salvação (Bock, “e. Endurance Leading to Salvation”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Green: Conecta a promessa de “boca e sabedoria” (v. 15) diretamente com Estêvão em Atos 6:10, vendo este discurso como uma profecia proléptica da experiência da igreja primitiva em Atos (Green, “6.2. The Coming of the End”).
  • Bock: Resolve o aparente paradoxo entre “alguns de vós serão mortos” (v. 16) e “nenhum cabelo da vossa cabeça perecerá” (v. 18). Ele argumenta que o v. 18 é retórico/espiritual (salvação final), enquanto o v. 16 é físico/histórico. Rejeita a visão de que v. 18 seria uma contradição lucana por descuido editorial (Bock, “d. Divine Protection of Others”).
  • Edwards: Nota que a “sabedoria” prometida aqui é uma característica que Lucas frequentemente associa ao Espírito, embora a menção explícita ao Espírito (presente em Marcos 13:11) esteja ausente aqui (Edwards, “19. The Fall of Jerusalem…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Proteção Física vs. Espiritual (v. 18): Bock insiste numa leitura espiritual/escatológica da proteção (“não perecerá” = salvação eterna). Green sugere que a promessa assegura que nada acontece fora da supervisão divina, ecoando Lucas 12:7 (“cabelos contados”), sem garantir sobrevivência física.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Bock: Liga a promessa de “dar uma boca e sabedoria” a Êxodo 4:11-12 (promessa a Moisés) e Ezequiel 29:21 (Bock, “b. Divine Wisdom”).

5. Consenso Mínimo

  • A perseguição é inevitável para os discípulos, mas serve ao propósito divino de testemunho (martírio) e não sinaliza o abandono de Deus.

📖 Perícope: O Cerco de Jerusalém e os Tempos dos Gentios (Versículos 20-24)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Eremōsis (Desolação): Refere-se à destruição da cidade. Bock nota que Lucas foca na desolação da cidade (v. 20) em vez da “abominação da desolação” no templo (Marcos/Mateus), adaptando a mensagem para leitores gentios ou focando no cerco militar (Bock, “a. Jerusalem Surrounded”).
  • Kairoi Ethnōn (Tempos dos Gentios): Termo crucial e exclusivo de Lucas (v. 24).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Bock: Oferece uma exegese detalhada de “Tempos dos Gentios”. Ele vê três implicações: 1) A queda é limitada no tempo; 2) Há um período de dominação gentílica; 3) Isso sugere uma restauração futura de Israel (rompendo com a teologia da substituição total), citando Romanos 11:25-26 (Bock, “c. Woe for the Great Distress…”).
  • Green: Interpreta “Tempos dos Gentios” com dupla referência: é o tempo do julgamento sobre Jerusalém (pisada pelos gentios), mas também o tempo da proclamação do evangelho aos gentios, conforme Atos 1:6-8. Ele é mais cauteloso sobre a restauração nacional de Israel do que Bock (Green, “6.2. The Coming of the End”).
  • Edwards: Argumenta que a queda de Jerusalém (70 d.C.) funciona como uma “lente” através da qual o fim dos tempos é visualizado. O evento histórico próximo valida a profecia do evento distante (Edwards, “19. The Fall of Jerusalem…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Futuro de Israel: Bock vê no versículo 24 uma forte evidência de pré-milenismo ou restauração futura de Israel após o período gentílico. Green foca na transição da missão para os gentios, vendo o “fim” desses tempos mais como a consumação escatológica do que uma restauração política de Israel.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Bock e Green identificam Daniel 9:26-27 e 12:7 como pano de fundo para a “desolação” e o pisar de Jerusalém. Também citam Zacarias 12:3 (LXX) sobre Jerusalém ser pisada.

5. Consenso Mínimo

  • A destruição de Jerusalém em 70 d.C. é um cumprimento histórico de profecia, caracterizado como “dias de vingança” divina contra a cidade.

📖 Perícope: A Vinda do Filho do Homem (Versículos 25-28)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Synochē (Angústia/Aperto): Bock nota que este termo (v. 25) sugere um estado psicológico de estar “preso” ou “atormentado”, usado apenas aqui e em 2 Coríntios 2:4 (Bock, “a. Signs in the Heavens”).
  • Apolytrosis (Redenção): Green destaca que este termo, usado no v. 28, conecta o fim com a esperança inicial do evangelho (Lucas 1:68, 2:38), mas agora aplicada aos fiéis que resistiram (Green, “6.2. The Coming of the End”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Edwards: Observa que a descrição da vinda do Filho do Homem é o ponto onde o discurso se torna mais “apocalíptico”, mas insiste que o foco permanece na esperança (“levantai as vossas cabeças”) e não no medo especulativo (Edwards, “19. The Fall of Jerusalem…”).
  • Bock: Defende vigorosamente que a imagem do “Filho do Homem vindo na nuvem” refere-se a uma figura real/messiânica recebendo autoridade do reino (exegese de Daniel 7), rejeitando interpretações que veem o Filho do Homem apenas como um símbolo corporativo para os santos ou Israel (Bock, “b. The Authoritative Return…”).
  • Green: Enfatiza o caráter de teofania da vinda. As imagens cósmicas (sol, lua, mar bramindo) sinalizam o “Dia do Senhor”, onde Jesus assume o papel divino de juiz e redentor (Green, “6.2. The Coming of the End”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Natureza da Linguagem Cósmica: Bock tende a ver uma realização literal futura nos sinais celestiais. Green foca na linguagem como “colagem de textos das escrituras” que evocam a dissolução da ordem criada, sem necessariamente exigir uma literalidade astrofísica, mas sim teológica.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Unânime: Daniel 7:13-14 é a chave mestra para o v. 27 (“Filho do Homem”).
  • Bock adiciona Isaías 13:10 e Joel 2:30-31 para os sinais celestes.

5. Consenso Mínimo

  • A vinda do Filho do Homem é o clímax da história, trazendo julgamento para o mundo e redenção final para os discípulos.

📖 Perícope: A Parábola da Figueira e a Geração (Versículos 29-33)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Genea (Geração): O termo mais debatido.
    • Bock lista 6 visões. Rejeita “raça judaica”. Prefere a visão de que a geração que ver os sinais (o início do fim) não passará até que o fim chegue (rapidez da consumação) (Bock, “b. The End: All Within a Generation”).
    • Green interpreta genea não cronologicamente, mas qualitativamente: refere-se ao tipo de pessoas perversas e resistentes a Deus (como em Lucas 7:31, 9:41). “Esta geração” (os infiéis) persistirá até o fim (Green, “6.2. The Coming of the End”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Edwards: Nota a presença de uma dúzia de hebraísmos nesta seção da “fonte especial” de Lucas, sugerindo uma tradição muito antiga e possivelmente semítica por trás do texto grego (Edwards, “19. The Fall of Jerusalem…”).
  • Bock: Destaca a certeza da Palavra de Jesus no v. 33 (“Céus e terra passarão…”). Ele vê isso como uma afirmação cristológica de autoridade divina, colocando as palavras de Jesus no mesmo nível da torah eterna (Bock, “c. The Certainty of Jesus’ Words”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • “Esta Geração” (v. 32): Este é o ponto de maior fricção. Bock busca uma solução escatológica/cronológica (a geração final). Green busca uma solução antropológica/moral (a humanidade rebelde). Edwards tende a alinhar-se com a visão de que a destruição de Jerusalém (70 d.C.) cumpre a profecia dentro da geração dos ouvintes de Jesus, servindo como garantia do fim distante.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Bock cita Salmo 102:26 e Isaías 51:6 para o contraste entre a transitoriedade da criação e a permanência da Palavra de Deus.

5. Consenso Mínimo

  • A Palavra de Jesus é mais estável e permanente do que o próprio universo físico.

📖 Perícope: Exortação à Vigilância (Versículos 34-36)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Kraipalē (Dissipação/Ressaca): Bock nota que é um hapax legomenon (termo médico) referindo-se à náusea ou torpor causado pela embriaguez, usado metaforicamente para insensibilidade espiritual (Bock, “a. The Call to Heed…”).
  • Agrypneō (Vigiar/Manter-se acordado): Imperativo presente indicando ação contínua.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Green: Conecta o aviso sobre corações “carregados” (v. 34) com a teologia do endurecimento do coração (Faraó) e com as preocupações da vida mencionadas na Parábola do Semeador (8:14). Ele vê isso como um aviso contra a assimilação dos valores do mundo (Green, “6.2. The Coming of the End”).
  • Bock: Discute a variante textual no v. 35 sobre a posição de gar (pois), argumentando que o dia virá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra, enfatizando a universalidade do julgamento (Bock, “a. The Call to Heed…”).
  • Edwards: Ressalta que o discurso termina não com uma previsão cronológica, mas com um imperativo moral e espiritual (oração e força), distinguindo-o de apocalipses que focam em datas e cálculos (Edwards, “19. The Fall of Jerusalem…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Pouca fricção aqui; os autores convergem na aplicação pastoral. A ênfase recai sobre como viver o “já e ainda não”.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Bock identifica Isaías 24:17 para a imagem do “laço” ou “armadilha” (v. 35) que cai sobre os habitantes da terra.

5. Consenso Mínimo

  • A atitude correta do discípulo diante da escatologia não é a especulação, mas a vigilância ética e a oração constante para “estar em pé” (ser aprovado) diante do Juiz.