Análise Comparativa: Lucas 17

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

Bock, D. L. (1994). Luke. 2 vols. Baker Exegetical Commentary on the New Testament (BECNT). Baker Academic. Edwards, J. R. (2015). The Gospel according to Luke. Pillar New Testament Commentary (PNTC). Eerdmans. Green, J. B. (1997). The Gospel of Luke. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: Bock, D. L. (1994). Luke. 2 vols. Baker Exegetical Commentary on the New Testament (BECNT).

    • Lente Teológica: Evangélica Conservadora com ênfase na Historicidade. Bock opera dentro de uma tradição que valoriza a harmonização histórica e a crítica das fontes, frequentemente engajando-se com a crítica (como o Jesus Seminar) para defender a autenticidade dos ditos de Jesus. Sua escatologia reflete a tensão do “já e ainda não” do Reino.
    • Metodologia: Utiliza o método Histórico-Gramatical e Crítica das Fontes. Bock analisa detalhadamente a relação entre Lucas, Mateus e Marcos (Q, L e Marcos), focando na filologia grega e na estrutura sintática. Em Lucas 17, ele decompõe o texto em unidades menores (períopes), debatendo a origem de cada dito (se de Q ou material L) e oferecendo uma exegese versículo a versículo com forte interação com a literatura secundária e o contexto judaico do primeiro século (Bock, “IV. Jerusalem Journey…”).
  • Autor/Obra: Edwards, J. R. (2015). The Gospel according to Luke. Pillar New Testament Commentary (PNTC).

    • Lente Teológica: Evangélica com ênfase Literária e Teológica. Edwards foca menos na reconstrução atomística das fontes e mais na narrativa canônica final e na Cristologia, destacando a “dupla natureza” (divina e humana) na apresentação de Jesus.
    • Metodologia: Abordagem Narrativa e Intertextual. Ele observa como Lucas alterna audiências (discípulos vs. fariseus) e mistura gêneros (narrativa, ensino, parábolas). Uma característica distintiva de sua obra geral é a atenção à hipótese de um “Evangelho Hebraico” como fonte, embora no trecho específico de Lucas 17 sua análise foque na tensão teológica entre o presente e o futuro do Reino (Edwards, “16. Discipleship and the Kingdom…”).
  • Autor/Obra: Green, J. B. (1997). The Gospel of Luke. New International Commentary on the New Testament (NICNT).

    • Lente Teológica: Crítica Narrativa e Sócio-Científica. Green se afasta das preocupações históricas tradicionais (como a precisão geográfica da viagem) para focar na teologia do “Caminho” e na formação da identidade da comunidade dos discípulos.
    • Metodologia: Análise Literária e Sócio-Retórica. Green examina como a narrativa serve a “necessidades narrativas” específicas (como a salvação universal e a divisão dentro de Israel). Ele enfatiza conceitos como status, hospitalidade, e a redefinição de parentesco em torno da Palavra de Deus. Nota: A análise específica de Green para o capítulo 17 não consta nos excertos fornecidos, portanto, a caracterização baseia-se na sua introdução à “Narrativa de Viagem” (9:51–19:48) presente nos autos (Green, “5. On the Way to Jerusalem…“).

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de Bock: O capítulo apresenta um compêndio de instruções sobre o discipulado seguido por uma escatologia do “já e ainda não”, onde o Reino está presente na pessoa de Jesus mas aguarda uma consumação visível e repentina.

    • Argumento Expandido: Bock argumenta que Lucas 17:1-10 funciona como uma coleção de provérbios sobre o “caminhar do discípulo”, abordando falsos ensinos, perdão e serviço, sem necessariamente uma conexão cronológica rígida, tratando-se de material da fonte L ou Q (Bock, “I. False Teaching…”). Na seção escatológica (17:20-37), Bock defende vigorosamente que a frase entos hymōn (17:21) deve ser traduzida como “em vosso meio” (referindo-se à presença de Jesus) e não “dentro de vós” (interno/espiritual), refutando a ideia de que o Reino é apenas uma realidade interna. Ele sustenta que o Reino “já chegou” em Jesus, mas o “Dia do Filho do Homem” será um evento futuro, visível e de julgamento definitivo, contrapondo-se à visão de que Jesus não tinha uma teologia apocalíptica (Bock, “J. Faithfulness in Looking…”).
  • Tese de Edwards: A seção final da narrativa central (incluindo Lucas 17) destaca o Reino de Deus como uma realidade paradoxal: simultaneamente um presente “incógnito” acessível pela graça e uma esperança futura garantida pela soberania divina.

    • Argumento Expandido: Edwards observa que Lucas estrutura esta seção (17:1–18:34) alternando o foco entre os fariseus e os discípulos. A ênfase recai sobre a natureza surpreendente do Reino: como realidade presente, ele está “no meio” (18:21) das pessoas através de Jesus, acessível a constituintes inesperados (como cobradores de impostos penitentes). Como realidade futura, o Reino virá “subitamente e quando menos se espera”. Edwards conecta teologicamente o Reino presente e futuro à predição da paixão, convergindo a esperança escatológica com o sofrimento necessário em Jerusalém (Edwards, “16. Discipleship and the Kingdom…”).
  • Tese de Green: A “Narrativa de Viagem” (onde Lucas 17 se insere) não é um itinerário geográfico, mas um dispositivo teológico para ensinar que a salvação de Deus exige uma reorientação radical de valores, criando divisão e exigindo que o discipulado seja definido por “ouvir e praticar” a palavra.

    • Argumento Expandido: Embora o comentário específico de Green para o capítulo 17 não esteja disponível, sua tese geral para a seção (9:51–19:48) estabelece que o propósito de Lucas é desenvolver o tema da salvação universal e o conflito que Jesus gera em Israel. Green argumenta que a viagem serve para treinar os discípulos, cuja compreensão permanece obtusa. A ênfase não está no movimento físico para Jerusalém, mas no “Caminho” como metáfora para o cumprimento do propósito divino e a formação de um povo que encarna a Palavra, muitas vezes em contraste com a liderança judaica estabelecida (Green, “5. On the Way to Jerusalem…“).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de Bock (1994)Visão de Edwards (2015)Visão de Green (1997)
Palavra-Chave / Termo GregoEntos hymōn (17:21). Traduz enfaticamente como “em vosso meio” (disponível na pessoa de Jesus), rejeitando vigorosamente as leituras “dentro de vós” (interior) ou “ao vosso alcance” (potencial) (Bock, p. 1161, 1177).Entos hymōn (17:21). Traduz como “in the midst” (no meio), alinhando-se à ideia de que o Reino é uma realidade presente, porém oculta, acessível através de Jesus antes de sua revelação final (Edwards, cap. 16).Hodos (Caminho) / Analēmpsis (Assunção). Foca na metanarrativa da “Viagem” (9:51-19:48) não como itinerário geográfico, mas como dispositivo teológico para a “exaltação” de Jesus e treinamento no “caminho” (Green, p. 256-258).
Problema Central do TextoA tensão escatológica do “já e ainda não”. O erro dos fariseus em buscar sinais apocalípticos (“observação”) enquanto ignoram o Rei presente, e o perigo do desânimo dos discípulos ante a demora da parusia (Bock, p. 1159, 1168).O paradoxo da natureza do Reino. Como conciliar um Reino que é uma realidade presente e acessível pela graça (aos indignos) com a promessa futura de soberania e julgamento repentino (Edwards, cap. 16).A crise de identidade e a divisão dentro de Israel. O problema é a obtusidade dos discípulos e a hostilidade da liderança judaica, exigindo uma redefinição de quem pertence ao povo de Deus (Green, p. 250, 254).
Resolução TeológicaO Reino já chegou na atividade de Jesus (inauguração), mas o “Dia do Filho do Homem” (consumação) será um evento futuro, visível como um relâmpago e de julgamento definitivo. A ética do discípulo é viver fielmente neste “interim” (Bock, p. 1180, 1184).A convergência do presente e do futuro na Paixão. O Reino “incógnito” presente prepara o caminho para o Reino triunfante futuro; ambos são mediados pela necessidade do sofrimento de Cristo (Edwards, cap. 16).A salvação é universal, mas exige uma reorientação radical de valores (arrependimento/conversão). O discipulado no “caminho” é a resposta correta à visitação divina, contrastando com a rejeição oficial (Green, p. 249, 255).
Tom/EstiloTécnico e Exegético. Minucioso na crítica das fontes (Q vs. L), análise léxica detalhada e interação extensa com variantes textuais e história da interpretação.Teológico e Sintético. Foca na coerência narrativa e nos grandes temas cristológicos (como a “dupla natureza”), com menos ênfase na atomização dos versículos.Sócio-Narrativo. Analisa as dinâmicas de honra, status e a estrutura literária ampla da “Narrativa de Viagem” como recurso pedagógico.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Bock (1994). É insuperável no detalhamento histórico-gramatical. Ele fornece a análise mais robusta sobre as opções de tradução do controverso entos hymōn (17:21), discute variantes textuais cruciais (como em 17:33 e 17:36) e disseca a relação entre as fontes Lucanas e Mateanas (Q e L) para explicar a estrutura escatológica única de Lucas (Bock, p. 1161, 1164).
  • Melhor para Teologia: Edwards (2015). Oferece a síntese doutrinária mais coesa, articulando brilhantemente a tensão entre o Reino como “presente incógnito” e “futuro triunfante”. Sua análise conecta organicamente a escatologia de Lucas 17 com a cristologia do sofrimento (paixão) e a graça oferecida aos marginalizados, evitando a fragmentação excessiva do texto (Edwards, cap. 16).
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Lucas 17, deve-se utilizar a estrutura de Bock para fundamentar a exegese versículo a versículo e resolver questões críticas sobre a terminologia do Reino (Escatologia Inaugurada). Sobre essa base, aplica-se a lente de Edwards para captar a profundidade teológica do Reino Incógnito e sua relação com a graça. Finalmente, a perspectiva de Green (aplicada à seção maior) é vital para entender como este discurso escatológico funciona como formação de identidade para o Discipulado no Caminho, preparando a comunidade para a missão em meio à rejeição, um tema central na teologia de Lucas-Atos sobre o Filho do Homem.

5. Exegese Comparada

📖 Perícope: Advertências e Deveres do Discípulo (17:1-10)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Skandalon (17:1): Bock destaca que este termo (traduzido como tropeço ou escândalo) refere-se a uma “armadilha” ou incitamento ao pecado, especificamente à apostasia ou falsa fé. No LXX, traduz termos hebraicos ligados a “iscar” ou “fazer tropeçar” (Bock, “1. Warning About False Teaching”).
  • Mikrōn (17:2): Termo “pequenos”. Bock argumenta que não se refere necessariamente a crianças, mas a “novos discípulos” ou aos “pobres” que ouvem o evangelho, que precisam de proteção como um pai dá a um filho (Bock, “1. Warning About False Teaching”).
  • Sykomorea vs. Sykaminos (17:6): Há um debate botânico. Bock nota que Lucas usa sykaminos (amoreira negra, com raízes profundas), distinguindo-a da sykomorea (figueira brava) de Lucas 19:4. A distinção é relevante para a imagem de desenraizamento pela fé (Bock, “3. Exhortation to Exercise…”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Bock: Observa o tom jurídico e comercial do termo hapax legomenon lysiteleō (“ser vantajoso” ou “melhor negócio”) em 17:2. A morte violenta por afogamento seria um “negócio melhor” do que o julgamento divino por fazer um “pequeno” tropeçar (Bock, “1. Warning About False Teaching”). Ele também identifica a estrutura do texto como uma coleção de provérbios desconexos (L e Q) unidos pelo tema do discipulado, contra a visão de que formam uma narrativa contínua cronológica (Bock, “I. False Teaching…”).
  • Edwards: Enfatiza a alternância de audiências nesta seção central (17:1–18:34), onde Lucas oscila entre discípulos e fariseus. Edwards vê nesta seção uma preparação para a convergência entre o “Reino incógnito” e o futuro “Reino triunfante” (Edwards, “16. Discipleship and the Kingdom…”).
  • Green: Embora focado na narrativa de viagem maior, Green destaca que a instrução sobre o perdão e a fé é parte da redefinição de parentesco e comunidade que Jesus estabelece no “Caminho”, onde o status é definido pelo serviço e não pela honra (Green, “5. On the Way…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Natureza da Fé (17:5-6):
    • O debate gira em torno do pedido dos apóstolos: “Aumenta a nossa fé”.
    • Bock argumenta que Jesus corrige a premissa quantitativa dos discípulos. O problema não é o tamanho da fé (quantidade), mas a sua presença genuína. Ele nota que a resposta de Jesus muda o foco para “se tiverdes fé” (condicional), implicando que mesmo uma fé do tamanho de uma semente de mostarda é suficiente para o impossível (desenraizar a amoreira) (Bock, “3. Exhortation to Exercise…”).
    • A divergência é sutilmente teológica: Jesus não está prometendo poder mágico, mas ensinando que a dependência total de Deus (fé) realiza o que parece impossível, contrastando com a autossuficiência dos fariseus.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Levítico 19:17: Bock identifica este texto como base para a instrução de 17:3 (“repreende-o”), mostrando que a repreensão é uma responsabilidade familiar/comunitária para buscar a justiça, não para julgar hipocritamente (Bock, “2. Instruction About Confronting…”).
  • Salmo 119:165 (LXX): Citado em relação ao termo skandalon (tropeço) (Bock, “1. Warning About False Teaching”).

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que esta seção trata da ética comunitária rigorosa exigida dos discípulos, onde o serviço a Deus é um dever que não gera mérito (17:10) e o perdão deve ser ilimitado.

📖 Perícope: Os Dez Leprosos (17:11-19)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Epistatēs (17:13): Traduzido como “Mestre”. Bock nota que é um termo exclusivo de Lucas no NT, usado aqui por não-discípulos para reconhecer a autoridade de Jesus (Bock, “ii. Ten Lepers Call…”).
  • Allogenēs (17:18): “Estrangeiro”. Bock destaca que é um hapax legomenon no NT, encontrado na LXX e nas inscrições do Templo que proibiam a entrada de estrangeiros, carregando uma carga emotiva de exclusão (Bock, “(2) Observation”).
  • Sōzō (17:19): “Salvou”. Existe um debate se refere-se apenas à cura física ou salvação espiritual.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Bock: Analisa detalhadamente a geografia problemática de 17:11 (“pelo meio de Samaria e Galileia”). Ele defende que não é um erro geográfico de Lucas, mas uma descrição literária/teológica de Jesus nas fronteiras, “perto” de Jerusalém em termos de destino, não necessariamente quilometragem (Bock, “i. Setting”).
  • Green: Conecta este episódio explicitamente ao tema da “salvação em plenitude para todos os povos”, usando a cura do samaritano como evidência chave da missão universal de Jesus que rompe barreiras sociais (Green, “5. On the Way…”).
  • Bock: Destaca a ironia de que o samaritano, um “cismático” distante da promessa da aliança, é o único a exibir a teologia correta de gratidão (Bock, “i. The Samaritan’s Gratitude…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Fé que Salva (17:19):
    • Bock vs. Críticos: Alguns críticos (como Luce) veem a frase “a tua fé te salvou” como uma adição lucana redundante, pois todos foram curados. Bock refuta isso vigorosamente, argumentando que a frase indica “salvação completa” (soteriológica) e não apenas cura física (limpeza). O samaritano recebeu algo que os outros nove (presumivelmente judeus) perderam: um relacionamento com Deus através da fé em Jesus (Bock, “(3) Commendation of Faith…”).
    • O argumento de Bock é teologicamente superior ao notar o uso consistente de sōzō em Lucas (7:50; 8:48) para vincular fé e salvação final.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • 2 Reis 5 (Naamã): Bock e Green reconhecem o paralelo com a cura de Naamã, o sírio. A instrução para “ir mostrar-se aos sacerdotes” (17:14) ecoa o teste de obediência de Eliseu, mas Bock nota que os detalhes são distintos, evitando uma cópia direta (Bock, “iii. Healing”).
  • Levítico 13-14: O protocolo para purificação de leprosos é a base legal para a ordem de Jesus (Bock, “iii. Healing”).

5. Consenso Mínimo

  • É indisputável que o texto destaca a ingratidão de Israel (os nove) em contraste com a fé exemplar de um marginalizado (o samaritano), um tema central na teologia de Lucas.

📖 Perícope: A Vinda do Reino (17:20-37)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Entos hymōn (17:21): O termo mais debatido.
    • Bock: Rejeita “dentro de vós” (interno/espiritual) porque Jesus falava aos fariseus. Rejeita “ao vosso alcance”. Traduz enfaticamente como “em vosso meio” ou “na vossa presença”, referindo-se à presença do Rei Jesus (Bock, “iii. Where the Kingdom is”).
    • Edwards: Traduz como “in the midst” (no meio), concordando que o Reino é uma realidade presente na pessoa de Jesus (Edwards, “16. Discipleship and the Kingdom…”).
  • Paratērēsis (17:20): “Observação” ou “sinais visíveis”. Refere-se à especulação apocalíptica judaica e à busca por sinais cósmicos (Bock, “ii. How the Kingdom Does Not Come”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Bock: Oferece uma defesa robusta da Escatologia Inaugurada. Ele argumenta que 17:20-21 refere-se ao presente (Reino chegou em Jesus), enquanto 17:22-37 refere-se ao futuro (consumação). Ele nota que Jesus muda os verbos de “vem” (futuro) para “é” (presente) em 17:21b para marcar essa distinção (Bock, “iii. Where the Kingdom is”).
  • Edwards: Caracteriza o Reino presente como “incógnito” e o futuro como “triunfante”. Ele conecta a necessidade do sofrimento (17:25) como o elo entre o presente oculto e o futuro glorioso (Edwards, “16. Discipleship and the Kingdom…”).
  • Bock: Sobre a imagem dos “abutres” (17:37), rejeita interpretações positivas ou de rapidez. Ele define a imagem como puramente de julgamento e morte: onde houver cadáveres espirituais (julgamento), ali o juízo será final e visível (Bock, “(2) Jesus’ Picture of Vultures…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Quem é levado e quem é deixado? (17:34-35):
    • A passagem diz que “um será tomado, e deixado o outro”.
    • Bock discute se ser “tomado” é para julgamento ou salvação. Baseado nos exemplos de Noé e Ló (onde os justos são removidos/salvos e os ímpios destruídos), Bock argumenta que ser tomado é para a salvação, enquanto ser “deixado” é ser abandonado para o julgamento (exposto aos abutres do v. 37) (Bock, “(4) Judgment Will Be Quick”).
    • Isso contrasta com interpretações populares (raptos pré-tribulacionistas modernos) que muitas vezes invertem a lógica, mas Bock se atém estritamente ao contexto literário de Lucas (dilúvio/fogo).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Gênesis 6-8 (Noé) e Gênesis 19 (Ló): Jesus usa esses textos não apenas como cronologia, mas como modelos de despreparo social (“comiam, bebiam, casavam”) diante do julgamento repentino (Bock, “(1) Like Noah’s Day”).
  • Daniel 7: A figura do “Filho do Homem” em seu dia (17:24, 30) é central para a autoridade escatológica (Bock, “i. The Timing…”).

5. Consenso Mínimo

  • Os autores concordam que o Reino possui uma dimensão presente na pessoa de Jesus, mas que sua consumação será um evento futuro, repentino, visível universalmente e inevitável, exigindo vigilância constante.