Texto Interlinear (Grego/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Lucas 13
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
Bock, D. L. (1994). Luke. 2 vols. Baker Exegetical Commentary on the New Testament (BECNT). Baker Academic. Edwards, J. R. (2015). The Gospel according to Luke. Pillar New Testament Commentary (PNTC). Eerdmans. Green, J. B. (1997). The Gospel of Luke. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
Análise dos Autores
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Autor/Obra: Bock, D. L. (1994). Luke. 2 vols. Baker Exegetical Commentary on the New Testament (BECNT).
- Lente Teológica: Evangélica Conservadora com nuances de Dispensacionalismo Progressivo. Bock opera com uma forte ênfase na historicidade dos relatos e na distinção entre a tradição judaica e a novidade do Reino trazida por Jesus. Ele frequentemente engaja em debates com a crítica histórica (especificamente o Jesus Seminar) para defender a autenticidade dos logia de Jesus (Bock, “The Jesus Seminar and the Gospel of Luke”).
- Metodologia: Utiliza o método histórico-gramatical rigoroso. Sua análise de Lucas 13 foca na exegese detalhada de palavras (ex: metanoeō para arrependimento), sintaxe grega e crítica das fontes (Q, L, Marcos). Bock preocupa-se em demonstrar como Lucas organiza o material de forma teológica, mas sem sacrificar a cronologia geral da “Jornada para Jerusalém”, vendo-a como um resumo da fase final do ministério de Jesus (Bock, “IV. Jerusalem Journey…”).
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Autor/Obra: Edwards, J. R. (2015). The Gospel according to Luke. Pillar New Testament Commentary (PNTC).
- Lente Teológica: Evangélica com ênfase na Teologia Bíblica e Narrativa. Edwards destaca a continuidade das promessas do AT (tipologia de Elias/Eliseu) e a cristologia do “Servo Sofredor” e do “Messias Senhor” (Edwards, “2. Birth and Boyhood…”).
- Metodologia: Adota uma abordagem de crítica literária e narrativa. Em Lucas 13, ao contrário da análise versículo por versículo minuciosa de Bock, Edwards foca na estrutura quiástica do capítulo para revelar seu significado teológico central. Ele busca identificar padrões literários que organizam a teologia de Lucas, vendo o capítulo como o “ponto médio matemático” da Seção Central (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”).
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Autor/Obra: Green, J. B. (1997). The Gospel of Luke. New International Commentary on the New Testament (NICNT).
- Lente Teológica: Sócio-Narratológica. Green foca na soteriologia universal de Lucas e na formação de uma nova comunidade definida por “ouvir e fazer a palavra de Deus”, em contraste com as definições de status por parentesco ou pureza ritual (Green, “5. On the Way to Jerusalem”).
- Metodologia: Utiliza a análise do discurso e a crítica social. Ele interpreta a “Jornada para Jerusalém” (onde Lucas 13 se insere) não como um itinerário geográfico preciso, mas como um dispositivo literário para o discipulado e a revelação do “êxodo” de Jesus. O foco está nas “necessidades narrativas” (como o conflito com a liderança judaica e a inclusão dos marginalizados) mais do que na cronologia estrita (Green, “5. On the Way to Jerusalem”). (Nota: As fontes fornecidas detalham a introdução de Green à seção de viagem e capítulos 9-11, mas a exegese específica de Green para Lucas 13 não consta nos excertos, portanto sua análise aqui é inferida a partir de sua metodologia geral para a seção 9:51–19:48).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese do Bock (BECNT): Lucas 13 apresenta um ultimato nacional e individual para o arrependimento diante da iminência do julgamento, contrastando a esterilidade da nação com o crescimento inevitável do Reino.
- Argumento: Bock argumenta que a ênfase de Lucas 13:1-9 não é a teodiceia (por que tragédias acontecem), mas o arrependimento universal (“se não se arrependerem, todos perecerão”). Ele vê a parábola da figueira estéril como uma representação da nação de Israel, a quem foi dado um “tempo curto” extra pela paciência de Deus antes do corte final (Bock, “E. Knowing the Nature of the Time…”). Bock também destaca que as parábolas do grão de mostarda e do fermento (13:18-21) servem para corrigir a expectativa judaica de um reino instantâneo e grandioso, mostrando que o Reino começa pequeno e cresce gradualmente, oferecendo “abrigo” inclusive para os gentios, conforme sugerido pela imagem dos pássaros nos ramos (Bock, “4. Kingdom Parables…”).
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Tese do Edwards (PNTC): Lucas 13 é estruturado como um quiasmo literário que centraliza o conflito entre Jesus e o judaísmo oficial, servindo como o ponto de virada na narrativa da viagem para Jerusalém.
- Argumento: Edwards propõe que o capítulo não é uma miscelânea de ditos, mas uma estrutura intencional (A-B-C-C1-B1-A1) que começa e termina com referências a Jerusalém e ao julgamento de Israel (vv. 1-9 e vv. 31-35). No centro do quiasmo (C e C1) estão as parábolas do Reino (mostarda e fermento), indicando que, apesar da hostilidade de Jerusalém (“a matadora de profetas”), o Reino de Deus expandirá inevitavelmente. Ele define o capítulo como o momento em que a relação de Jesus com o judaísmo atinge sua dimensão crítica: “O quiasmo clímax em duas breves parábolas do reino que profetizam o crescimento e influência do reino apesar do antagonismo de Jerusalém” (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”).
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Tese do Green (NICNT): A narrativa da viagem (9:51–19:48) utiliza o movimento para Jerusalém para redefinir a salvação como universal e o discipulado como uma reordenação de lealdades em face da rejeição.
- Argumento: Embora o comentário específico de Green para o capítulo 13 não esteja disponível nos excertos, sua tese para a seção maior (9:51–19:48) estabelece que o foco de Lucas não é a geografia, mas a formação de um povo que ouve a palavra de Deus em contraste com a liderança judaica. Ele argumenta que a viagem serve para desenvolver o tema da salvação estendendo-se aos marginalizados (mulheres, samaritanos, pobres) e para solidificar o conflito que levará à morte de Jesus em Jerusalém. Para Green, a jornada é “soteriológica em foco”, onde Jesus demole barreiras sociais, prefigurando a missão aos gentios (Green, “5. On the Way to Jerusalem”). Isso se alinha tematicamente com a “porta estreita” e a entrada de pessoas do “oriente e ocidente” em Lucas 13 mencionadas pelos outros autores.
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão do Bock (BECNT) | Visão do Edwards (PNTC) | Visão do Green (NICNT) |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Grego | Metanoeō (Arrepender-se). Bock foca na urgência temporal do arrependimento individual e nacional diante da crise iminente (Bock, “2. Lessons for Israel…”). | Quiasmo (Estrutura Literária). Edwards define o capítulo não por uma palavra, mas pela estrutura A-B-C-C1-B1-A1 que centraliza teologicamente o texto (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”). | Poreuesthai (Viajar/Ir). Green destaca o verbo que marca o movimento inexorável de Jesus e a formação itinerante dos discípulos no “Caminho” (Green, “5. On the Way to Jerusalem”). |
| Problema Central do Texto | A falsa segurança da multidão e a incapacidade de discernir os “sinais dos tempos” e a iminência do julgamento divino (Bock, “1. Knowing the Time…”). | O antagonismo de Jerusalém e da liderança judaica oficial contra Jesus, simbolizado pela cidade que “mata os profetas” (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”). | A redefinição da salvação e a necessidade de romper com as fronteiras sociais e religiosas estabelecidas pelo sistema de pureza judaico (Green, “5.1. Discipleship…”). |
| Resolução Teológica | O arrependimento imediato é a única via para evitar perecer; a porta é estreita e o tempo é curto, exigindo esforço (agōnizesthe) para entrar (Bock, “5. The Narrow…”). | O triunfo inevitável do Reino. Apesar da rejeição de Israel (a figueira), o Reino crescerá (mostarda/fermento) e incluirá os gentios (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”). | A inclusão universal. A jornada para Jerusalém serve para solidificar um novo povo de Deus caracterizado por “ouvir e fazer”, não por status ou etnia (Green, “5. On the Way to Jerusalem”). |
| Tom/Estilo | Exegético/Histórico. Detalhista na gramática, análise de fontes e defesa da historicidade contra o Jesus Seminar (Bock, “Excursus 12”). | Literário/Estrutural. Focado na arquitetura narrativa e simetria do texto como chave hermenêutica (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”). | Sócio-Narratológico. Focado nas dinâmicas sociais, inversão de status e teologia do “Caminho” (Green, “5. On the Way to Jerusalem”). |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Bock (BECNT). É insuperável na análise do background histórico-cultural, fornecendo detalhes precisos sobre incidentes como o massacre de Pilate e a queda da torre de Siloé, debatendo as fontes de Josefo e as implicações políticas do texto (Bock, “2. Lessons for Israel…”). Ele também oferece a defesa mais robusta da autenticidade dos ditos de Jesus contra a crítica moderna.
- Melhor para Teologia: Edwards (PNTC). Embora conciso, Edwards oferece a chave de leitura mais profunda para a estrutura de Lucas 13. Ao identificar o quiasmo central, ele demonstra como o capítulo funciona como o “ponto médio matemático” da Seção Central, equilibrando o julgamento de Israel com a promessa inabalável do crescimento do Reino, evitando uma leitura fragmentada das perícopes (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Lucas 13, deve-se utilizar a estrutura quiástica de Edwards como o esqueleto organizador do sermão ou estudo, preenchendo-o com a exegese detalhada e histórica de Bock sobre a urgência do arrependimento e a natureza das tragédias (Siloé/Pilatos). Finalmente, a aplicação deve ser temperada pela perspectiva missiológica de Green, que situa esses avisos duros dentro do movimento mais amplo de Deus para incluir os marginalizados e formar uma nova comunidade no “Caminho” para a cruz.
Arrependimento Escatológico, Quiasmo Literário, Soteriologia Universal e Teologia do Caminho são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
Nota preliminar: A análise detalhada a seguir baseia-se predominantemente no texto completo fornecido de Bock (BECNT) e na estrutura teológica delineada por Edwards (PNTC). As fontes fornecidas para Green (NICNT) encerram-se em Lucas 11:54; portanto, ele não consta na análise verso a verso abaixo para garantir o cumprimento estrito da instrução de “não inventar citações”.
📖 Perícope: Arrependimento e a Figueira Estéril (Versículos 13:1-9)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Metanoeō (Arrepender-se): Bock destaca que o verbo no presente (metanoēte, v. 5) indica uma chamada contínua para o arrependimento, em contraste com variantes textuais no aoristo que sugeririam um ato único e imediato. O foco é a reorientação fundamental da vida em direção a Deus (Bock, “Additional Notes: 13:5”).
- Opheiletai (Devedores/Pecadores): No v. 4, Bock nota o uso deste termo para “pecadores”, sugerindo uma nuance de “dívida” espiritual para com Deus. É o único uso deste substantivo com tal precisão no NT, ligando a tragédia de Siloé à teologia da dívida moral (Bock, “ii. Tower of Siloam…”).
- Koprion (Estrume/Adubo): Bock analisa o termo no v. 8 como indicativo de cuidado agrícola intensivo (“fertilizar”), simbolizando a paciência divina e a oferta de recursos extras para estimular o fruto espiritual (Bock, “ii. Delay and Warning…”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bock (BECNT): Oferece uma análise histórica exaustiva sobre o “massacre de Pilatos” (v. 1). Ele lista e refuta cinco tentativas comuns de ligar este evento a incidentes em Flávio Josefo (ex: o levante samaritano de 36 d.C. ou o massacre de Arquelau em 4 a.C.), concluindo que se trata de um evento não atestado fora de Lucas, provavelmente ocorrido na Páscoa, dado o contexto de sacrifícios (Bock, “i. Massacre by Pilate…”).
- Edwards (PNTC): Identifica esta seção como a parte “A” de seu quiasmo (A-B-C-C1-B1-A1), definindo o tema não apenas como arrependimento individual, mas corporativo: “A necessidade de Israel se arrepender”. Ele situa a parábola como o início temático que será espelhado pelo julgamento de Jerusalém no final do capítulo (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Conexão com 70 d.C.: Bock debate contra a visão de que “perecerão da mesma maneira” (v. 3, 5) refere-se especificamente à destruição nacional de Jerusalém em 70 d.C. (posição de C.A. Creed). Bock argumenta que a presença de temas de julgamento escatológico (como em 12:57-59) e o contexto de “dívida espiritual” indicam que Jesus fala de um “risco espiritual geral diante de Deus”, onde a morte física trágica é apenas um prenúncio da perdição eterna (Bock, “i. Massacre by Pilate…”).
- Simbolismo da Figueira: Enquanto Bock vê a figueira como a nação de Israel (seguindo uma tradição interpretativa comum), ele adverte contra pressionar os detalhes, como tentar identificar o “vinhedo” separadamente da figueira ou os “três anos” como a duração literal do ministério de Jesus. Para ele, os três anos servem apenas para indicar um “tempo adequado” de espera por frutos (Bock, “i. Instruction to Destroy…”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Miqueias 7: Bock sugere que a parábola da figueira pode aludir a Miqueias 7:1 (a busca por figos temporãos e não encontrar nenhum), dado que Miqueias 7:6 é aludido logo antes em Lucas 12:53. Isso reforçaria o tema da esterilidade nacional (Bock, “i. Instruction to Destroy…”).
- Isaías 5: A imagem do vinhedo é reconhecida universalmente como um topos do AT para Israel (Isaías 5:1-7), embora Bock note que aqui a imagem muda para uma figueira dentro de um vinhedo.
5. Consenso Mínimo
- Ambos concordam que a tragédia física (Siloé/Pilatos) não é correlata ao grau de pecaminosidade da vítima, mas serve como um aviso universal da urgência do arrependimento diante do julgamento iminente.
📖 Perícope: Cura da Mulher Encurvada e o Sábado (Versículos 13:10-17)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Pneuma astheneias (Espírito de enfermidade): Bock destaca que Lucas atribui a condição médica (spondylitis ankylopoietica ou fusão espinhal) diretamente a uma causa espiritual/demoníaca, introduzindo o tema do conflito cósmico (Bock, “a. Setting”).
- Hypokritai (Hipócritas): Jesus usa o plural no v. 15. Bock nota que isso expande a repreensão do líder da sinagoga para todo o grupo que partilha da teologia dele, contrastando o cuidado com animais (bous - boi) com a negligência humana (Bock, “ii. Jesus’ Rebuke”).
- Edoxen (Gloriosas): No v. 17, o termo refere-se às “coisas gloriosas” feitas por Jesus. Bock aponta que é uma resposta litúrgica da multidão à vergonha dos oponentes.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bock (BECNT): Classifica este milagre como um “milagre espelho” (mirror miracle), pois reflete e repete as curas no sábado de Lucas 4:31-41 e 6:6-11, testando se a liderança aprendeu algo (não aprendeu). Ele também fornece o detalhe cultural da Qumran (CD 11.5-6), que permitia pastorear animais por 2.000 côvados no sábado, para destacar a hipocrisia de permitir movimento para animais mas não libertação para a mulher (Bock, “ii. Jesus’ Rebuke”).
- Edwards (PNTC): Enquadra esta seção como parte “B” do quiasmo: “Verdadeiros versus falsos filhos de Abraão”. A cura da “filha de Abraão” (v. 16) é o ponto teológico central que contrasta com a atitude do líder da sinagoga (falso filho), ilustrando a libertação que o Reino traz (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Simbolismo da Mulher: Bock rejeita a interpretação de Loisy de que a mulher representa a Igreja e a figueira (da parábola anterior) representa a Sinagoga. Bock insiste que o texto não sugere tal alegoria e que os eventos devem ser lidos como retratos da realidade do ministério de Jesus: a libertação de Satanás (Bock, “Sources and Historicity”).
- Argumento A Fortiori: Bock explicita a lógica rabínica do v. 15-16: um argumento do menor para o maior (qal wahomer). Se a tradição permite desatar (lyō) um boi para beber, quanto mais “necessário” (edei) é desatar (lythēnai) uma filha de Abraão da escravidão de Satanás (Bock, “ii. Jesus’ Rebuke”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Salmo 145 (144 LXX): A humilhação dos oponentes e a alegria da multidão (v. 17) ecoam temas de Isaías 45:16 e Êxodo 34:10, segundo Bock, mostrando a divisão que a glória de Deus provoca.
5. Consenso Mínimo
- A cura não é apenas médica, mas uma libertação do poder de Satanás, e a controvérsia do sábado serve para expor a inversão de valores da liderança religiosa que prioriza a tradição sobre a compaixão humana.
📖 Perícope: Parábolas do Grão de Mostarda e Fermento (Versículos 13:18-21)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Kateskēnōsen (Aninharam-se): Bock analisa este verbo no v. 19 como termo técnico escatológico para a incorporação dos gentios no povo de Deus, baseando-se no uso da LXX (Bock, “a. Kingdom Parable…”).
- Zymē (Fermento): Bock argumenta que, contra o uso comum negativo de “fermento” no NT (como símbolo de corrupção), aqui o uso é inequivocamente positivo, indicando permeação total e crescimento transformador (Bock, “b. Kingdom Parable…”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bock (BECNT): Destaca o elemento “surpresa” da mostarda. A expectativa judaica era de um cedro majestoso (Ezequiel 17), mas Jesus escolhe um arbusto humilde que se torna árvore. Isso corrige a expectativa de um reino político instantâneo para um de crescimento gradual e humilde (Bock, “a. Kingdom Parable…”).
- Edwards (PNTC): Identifica estas parábolas como o centro do quiasmo (C e C1). A sua função estrutural é profetizar o “crescimento e influência do reino apesar do antagonismo de Jerusalém” descrito nas seções A e B. Elas são a garantia teológica do triunfo de Deus no meio da rejeição (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Os Pássaros nos Ramos: Bock refuta a interpretação dispensacionalista antiga (ex: Gaebelein) de que os pássaros representam “crentes falsos” ou corrupção na igreja. Ele insiste que, baseado no pano de fundo do AT (Ezequiel 17:22-24; Daniel 4), a imagem é positiva: proteção, sombra e inclusão das nações (Bock, “a. Kingdom Parable…”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Ezequiel 17 e 31 / Daniel 4: Bock identifica estas passagens como a fonte da imagem da árvore que abriga as aves do céu. Em Daniel, representa um reino imperial; em Ezequiel 17, a restauração davídica. Jesus apropria-se disso para descrever o alcance universal do Reino (Bock, “a. Kingdom Parable…”).
5. Consenso Mínimo
- O Reino de Deus começa de forma insignificante e doméstica, mas possui um poder intrínseco que garante uma expansão vasta e inevitável.
📖 Perícope: A Porta Estreita (Versículos 13:22-30)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Agōnizesthe (Esforçai-vos/Lutai): Bock define este imperativo presente como uma chamada para uma luta atlética ou militar intensa. Não implica salvação por obras, mas a necessidade de uma resposta ativa e diligente à oferta de Deus, oposta a uma atitude passiva ou de “direito adquirido” (Bock, “ii. The Picture Proper”).
- Stenos (Estreita): Bock conecta a “porta estreita” não apenas à dificuldade de entrada, mas à exclusividade do caminho de Jesus em contraste com as expectativas de acesso garantido por etnia (Bock, “ii. The Picture Proper”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Bock (BECNT): Observa a fusão de imagens: a porta é estreita (v. 24) e logo será fechada (v. 25). Ele argumenta que Jesus combina a dificuldade do caminho com a urgência do tempo (“Profeta do aviso”). Bock também nota a ironia trágica do v. 26 (“comemos e bebemos na tua presença”), onde a familiaridade social com o Jesus histórico é usada como argumento para entrar, mas é rejeitada porque não houve relacionamento de fé (Bock, “ii. The Picture Proper”).
- Edwards (PNTC): Classifica esta seção como “B1” no quiasmo, espelhando a cura da mulher (B). Ambas tratam de quem são os verdadeiros participantes do Reino (“filhos de Abraão” vs. “obreiros da iniquidade”). O foco é a redefinição de quem pertence à família de Deus (Edwards, “12. Jerusalem, Jerusalem”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Origem da Porta Fechada: Bock discute se a imagem da porta fechada (v. 25) é uma criação da igreja primitiva baseada em Mateus 25 (virgens). Ele defende a autenticidade lucana/jesuítica, argumentando que o tema do “tempo curto” é consistente com o ministério profético de Jesus e não precisa ser uma alegoria posterior (Bock, “Sources and Historicity”).
- Salvação Universal vs. Judaica: Bock interpreta a vinda do “oriente, ocidente, norte e sul” (v. 29) e a expulsão dos “filhos do reino” como uma reversão escatológica onde gentios tomam lugares à mesa patriarcal. Ele vê isso como um cumprimento surpreendente das promessas do AT que choca a audiência judaica (Bock, “(2) Many Will Sit…”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Salmo 6:8: Jesus cita “Apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade” (v. 27). Bock nota que Jesus assume o papel de YHWH/Juiz ao aplicar este Salmo a si mesmo, rejeitando aqueles que não têm intimidade real com ele (Bock, “13:27”).
- Banquete Messiânico (Isaías 25): A imagem de sentar-se à mesa com Abraão, Isaque e Jacó (v. 28-29) evoca a esperança judaica do banquete final, mas Jesus subverte a lista de convidados.
5. Consenso Mínimo
- A proximidade física ou étnica com Jesus não garante a salvação; a entrada no Reino exige uma resposta deliberada e urgente antes que a oportunidade cesse.