Análise Comparativa: Marcos 13

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

France, R. T. (2002). The Gospel of Mark. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans. Edwards, J. R. (2001). The Gospel according to Mark. Pillar New Testament Commentary (PNTC). Eerdmans. Garland, D. E. (1996). Mark. NIV Application Commentary (NIVAC). Zondervan.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: France, R. T. (2002). The Gospel of Mark. New International Greek Testament Commentary (NIGTC).

    • Lente Teológica: Crítico-Histórica / Preterista Parcial. France adota uma postura exegética rigorosa focada no texto grego e no contexto do primeiro século, desafiando a leitura escatológica futurista tradicional da maior parte do capítulo.
    • Metodologia: Sua abordagem é de Exegese Gramatical e Análise Literária. Ele enfatiza fortemente a estrutura narrativa e o uso do Antigo Testamento como chave hermenêutica. France argumenta que a linguagem apocalíptica deve ser lida como simbolismo político-religioso veterotestamentário (ex: Isaías e Daniel) referente a eventos históricos (queda do templo), e não como descrições literais do fim do cosmos (France, “The Coming of the Son of Man”).
  • Autor/Obra: Edwards, J. R. (2001). The Gospel according to Mark. Pillar New Testament Commentary (PNTC).

    • Lente Teológica: Evangélica / Teologia Bíblica. Edwards busca equilibrar a realidade histórica da queda de Jerusalém com a expectativa futura da Parusia, vendo uma tensão dialética entre o “já” e o “ainda não”.
    • Metodologia: Utiliza uma abordagem de Tipologia e Paradigma. Ele vê a destruição do Templo como um “prefigurement” (prefiguração) ou “type” (tipo) do fim dos tempos. Sua exegese foca na aplicação pastoral da vigilância e no discipulado em meio ao sofrimento, rejeitando tanto o preterismo total quanto a especulação futurista excessiva (Edwards, “Watchfulness”).
  • Autor/Obra: Garland, D. E. (1996). Mark. NIV Application Commentary (NIVAC).

    • Lente Teológica: Pastoral / Contextualização. Garland foca na relevância contemporânea, combatendo o “fervor apocalíptico” moderno e a “histeria escatológica”.
    • Metodologia: Adota uma estrutura tripartida: Significado Original, Ponte Contextual e Significado Contemporâneo. Ele analisa o texto para extrair princípios éticos de fidelidade, interpretando o discurso não como um mapa do futuro (“horoscope of the future”), mas como uma exortação moral para viver em tempos difíceis (Garland, “Contemporary Significance”).

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de France (NIGTC): O discurso de Marcos 13:1-31 refere-se exclusivamente à destruição do Templo em 70 d.C., sendo a Parusia (Segunda Vinda) tratada apenas a partir do versículo 32.

    • Argumento Expandido: France sustenta que a linguagem cósmica dos versículos 24-27 (sol escurecendo, estrelas caindo) é uma metáfora profética padrão para a queda de dinastias e mudanças políticas, e não o fim do universo físico (France, “The Coming of the Son of Man”). Ele afirma que a vinda do Filho do Homem “nas nuvens” (v. 26) deve ser lida à luz de Daniel 7 como uma cena de entronização e vindicação nos céus, e não uma descida à terra. Para France, “o assunto do discurso até o v. 31 é para Marcos, como foi para Jesus, a destruição do templo” (France, “Explanatory Discourse”). Ele resolve o problema da “geração” (v. 30) aplicando-o literalmente aos contemporâneos de Jesus que veriam a queda de Jerusalém.
  • Tese de Edwards (PNTC): A destruição de Jerusalém funciona como um paradigma misterioso e uma prefiguração do fim dos tempos, onde os eventos históricos (70 d.C.) e escatológicos (Parusia) se misturam telescopicamente.

    • Argumento Expandido: Edwards rejeita a separação rígida proposta por France. Ele argumenta que o “abominável da desolação” (v. 14) é um “duplo referente”: refere-se historicamente à destruição por Tito, mas tipologicamente ao Anticristo final (Edwards, “The Tribulation”). Diferente de France, Edwards insiste que os versículos 24-27 descrevem a Parusia literal e o fim da história, não apenas a queda de Jerusalém (Edwards, “The Return of the Son of Man”). Ele enfatiza que o objetivo do capítulo não é fornecer um calendário (“timetable”), mas exortar ao discipulado fiel: “O único preparo para o Fim é a vigilância e fidelidade no presente” (Edwards, “Expectancy and Vigilance”).
  • Tese de Garland (NIVAC): O discurso tem o propósito prático de arrefecer o entusiasmo apocalíptico equivocado, ensinando que os sinais (guerras, terremotos) não indicam o fim, e que o fim virá sem aviso prévio.

    • Argumento Expandido: Garland divide o capítulo em três unidades, concordando parcialmente com France que os vv. 5-23 tratam da guerra na Judeia e a destruição do templo, enquanto a vinda do Filho do Homem (vv. 24-27) é o evento final inconfundível (Garland, “Original Meaning”). No entanto, sua ênfase recai sobre a inutilidade de calcular datas. Ele argumenta que Jesus deu aos discípulos “não o que eles queriam… mas o que eles precisavam: instruções sobre como discernir os sinais dos tempos para não ficarem desanimados” (Garland, “Introduction”). Ele interpreta a parábola da figueira (vv. 28-29) como referente à queda de Jerusalém, confirmando que a “geração” (v. 30) refere-se aos contemporâneos de Jesus, mas mantém que o “dia e a hora” (v. 32) da Parusia permanecem incognoscíveis (Garland, “Final Warnings”).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de France (NIGTC)Visão de Edwards (PNTC)Visão de Garland (NIVAC)
Palavra-Chave/Termo GregoGenea (Geração) e Erchomenon (Vindo): France define genea estritamente como os contemporâneos de Jesus. Ele reinterpreta erchomenon (a vinda do Filho do Homem) não como uma descida à terra, mas como uma ascensão/entronização diante de Deus, baseada em Daniel 7:13-14 (France, “The Coming of the Son of Man”).Bdelygma tēs erēmōseōs (Abominável da desolação): Edwards trata este termo como um “duplo referente” misterioso (Gk. mysterion implícito), que aponta historicamente para a destruição do Templo e escatologicamente para a figura do Anticristo final (Edwards, “The Tribulation”).Blepete / Agrypneite (Vede / Vigiai): Garland foca nos imperativos de alerta. Ele destaca blepete (discernimento espiritual além da visão física) como a chave para não ser enganado por falsos profetas ou alarmismo político (Garland, “Warnings About the Destruction”).
Problema Central do TextoO “embaraço” da profecia não cumprida: O problema principal para France é a leitura tradicional que faz Jesus prever o fim do mundo dentro de uma geração, o que historicamente não ocorreu. Ele busca salvar a integridade preditiva de Jesus (France, “The Coming of the Son of Man within ‘This Generation’”).A tensão escatológica: O problema é como equilibrar o evento histórico local (queda de Jerusalém) com o evento cósmico universal (Parusia) sem dissolver um no outro, mantendo a relevância de ambos para a fé cristã (Edwards, “The Tribulation”).A histeria especulativa: O problema central é a tendência dos discípulos (e leitores modernos) de buscar um “horóscopo do futuro” ou sinais visíveis para calcular datas, desviando-se da missão presente (Garland, “Contemporary Significance”).
Resolução TeológicaPreterismo Parcial e Entronização: A solução é dividir o capítulo radicalmente no v. 32. Tudo antes (vv. 1-31) refere-se a 70 d.C., incluindo a “vinda” nas nuvens, que é simbologia profética para a vindicação de Jesus sobre o Templo judaico, não o Fim do Mundo (France, “The Coming of the Son of Man”).Paradigma e Tipologia: A destruição de Jerusalém serve como um “prefigurement” (prefiguração) e um paradigma misterioso do fim. Os eventos da Encarnação e da Parusia são facetas de um único evento divino, vistos telescopicamente através da história (Edwards, “The Return of the Son of Man”).Distinção Prática: A solução está em distinguir entre “estas coisas” (sinais previsíveis da queda do Templo, vv. 14-23) e “aquele dia” (a Parusia imprevisível, vv. 32-37). Jesus ensina como viver na incerteza, não quando o fim virá (Garland, “Final Warnings”).
Tom/EstiloTécnico e Polêmico: Desafia o consenso acadêmico e a leitura tradicional da igreja com rigor exegético focado no Antigo Testamento.Teológico e Paradoxal: Enfatiza o mistério, a ironia divina e a cristologia do “Filho sofredor” que também é o Juiz cósmico.Pastoral e Aplicativo: Focado na ética cristã, exortação contra o medo e a complacência espiritual.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: France (NIGTC) fornece o melhor background histórico e literário. Sua análise detalhada do uso de Daniel 7 e da linguagem apocalíptica do Antigo Testamento (ex: Isaías 13 e 34) desmistifica a leitura literalista moderna dos fenômenos cósmicos (sol escurecendo), ancorando-os firmemente na simbologia política do primeiro século e na queda de dinastias (France, “The Coming of the Son of Man”).
  • Melhor para Teologia: Edwards (PNTC) aprofunda melhor as doutrinas, especialmente a Cristologia e a Escatologia. Ele navega habilmente pelo paradoxo do “Filho” que é onipotente mas confessa ignorância quanto ao dia e hora (v. 32), conectando a humilhação da cruz com a glória da Parusia sem cair no racionalismo excessivo (Edwards, “Expectancy and Vigilance”).
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Marcos 13, deve-se adotar a estrutura exegética de France para resolver a tensão temporal do versículo 30 (“esta geração”), aceitando que a linguagem cósmica descreve a vindicação de Jesus na destruição do Templo. No entanto, deve-se equilibrar esse preterismo com a sensibilidade teológica de Edwards, reconhecendo que o julgamento de 70 d.C. é um tipo do julgamento final. Por fim, a aplicação deve seguir a ênfase de Garland na vigilância ética, evitando a especulação de datas em favor da fidelidade no discipulado presente.

Escatologia Inaugurada, Abominável da Desolação, Vigilância e Filho do Homem são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: A Pergunta dos Discípulos e o Templo (Versículos 1-4)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Oikodomai (Edifícios) / Lithoi (Pedras): Edwards destaca que as pedras do templo de Herodes chegavam a medir 12 metros de comprimento e pesar mais de um milhão de libras, criando um contraste visual entre a solidez humana e o julgamento divino (Edwards, “The Destruction of the Temple”).
  • Tauta (Estas coisas) vs. Synteleisthai (Cumprir-se/Consumar-se): France argumenta vigorosamente que o termo tauta refere-se estritamente à destruição do templo mencionada no versículo 2, sem introduzir um segundo sujeito escatológico (France, “The Disciples’ Question”). Garland observa que synteleisthai pode ter uma conotação técnica de “fim dos tempos” (como em Dn 12:6 LXX), sugerindo que os discípulos conectavam a queda do templo ao fim do mundo (Garland, “Introduction”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France (NIGTC): Observa que Jesus está sentado no Monte das Oliveiras “de fronte” (katenanti) ao templo, evocando Ezequiel 11:23, onde a glória de Deus abandona a cidade e pousa no monte a leste. Para France, Jesus posiciona-se “contra” (enantios) o templo não apenas geograficamente, mas teologicamente (France, “The Disciples’ Question”).
  • Edwards (PNTC): Identifica um “silêncio do discípulo”: um discípulo anônimo aponta para as pedras (possivelmente Judas, dado o foco materialista), enquanto apenas os quatro primeiros chamados (Pedro, Tiago, João e André) ouvem a resposta, fechando um círculo narrativo com o chamado em Marcos 1 (Edwards, “The Destruction of the Temple”).
  • Garland (NIVAC): Destaca a ironia visual: o templo era revestido de ouro e refletia o sol de tal forma que cegava quem olhasse (citando Josefo), mas os discípulos estavam “cegos” para a sua vacuidade espiritual. Jesus os repreende não por admirarem a arquitetura, mas por não terem “percepção” (blepe) da realidade do julgamento (Garland, “Introduction”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Escopo da Pergunta: France insiste que a pergunta dos discípulos é singular e focada apenas na destruição arquitetônica (“Quando o templo cairá?”). Ele rejeita a leitura que importa a “consumação dos séculos” de Mateus 24:3 para dentro de Marcos. Edwards discorda levemente, sugerindo que o verbo synteleisthai já carrega uma carga escatológica que mistura os dois eventos na mente dos discípulos.
  • Veredito Textual: France é mais convincente gramaticalmente ao manter o antecedente de tauta (“estas coisas”) ligado estritamente à predição de Jesus no v. 2, evitando anacronismos teológicos.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Ageu 2:15: Garland contrasta a atitude de Jesus com a de Ageu; enquanto o profeta via a construção do templo como garantia de bênção, Jesus vê sua magnificência como prelúdio de destruição (Garland, “Introduction”).
  • Ezequiel 11:23 e Zacarias 14:4: Ambos France e Edwards notam que o Monte das Oliveiras é o local tradicional da partida da Glória de Deus e do início do julgamento divino.

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que a magnificência física do Templo de Herodes é usada por Jesus como um contraponto irônico à sua iminente e total destruição histórica.

📖 Perícope: Os Enganadores e o Início das Dores (Versículos 5-8)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Ego Eimi (Eu sou): A frase usada pelos enganadores. France interpreta não como uma reivindicação de divindade (o Nome Divino), mas como a usurpação do papel messiânico (“Eu sou [o Messias]”) (France, “The End Is Not Yet”). Edwards vê uma ironia mais profunda: eles usam a mesma fórmula de auto-revelação que Jesus usa no mar (6:50) e no julgamento (14:62) (Edwards, “Standing Firm”).
  • Odinon (Dores de parto): Garland nota que este termo implica sofrimento intenso, mas com uma esperança de “nascimento” ou resultado positivo, não sendo um sofrimento terminal e sem sentido (Garland, “Warnings About the Destruction”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France (NIGTC): Desmistifica o “terremoto” e a “fome” como sinais especiais, listando eventos específicos do período de Cláudio e Nero (ex: fome em 46 d.C., terremoto na Laodiceia em 60 d.C.) para provar que eram ocorrências normais da época, não sinais do fim (France, “The End Is Not Yet”).
  • Edwards (PNTC): Enfatiza que o maior perigo para a igreja não é a perseguição externa, mas a sedução interna (“falsos cristos”). Ele conecta isso ao contexto de seus leitores romanos sob Nero (Edwards, “Standing Firm”).
  • Garland (NIVAC): Argumenta que Jesus está “des-apocaliptizando” a guerra. Guerras são sinais da pecaminosidade humana, não da vinda do reino. Ele foca na instrução pastoral: não entrem em pânico (throeisthe) (Garland, “Warnings About the Destruction”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Natureza dos “Falsos Cristos”: France sugere líderes rebeldes políticos e nacionalistas (como Teudas ou o Egípcio citados por Josefo). Edwards parece sugerir uma ameaça mais teológica/espiritual de figuras dentro da comunidade de fé que usurpam a autoridade de Jesus.
  • Resolução: A evidência histórica de Josefo (citada por France) favorece a interpretação de líderes revolucionários que misturavam política e religião antes de 70 d.C.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Isaías 19:2 e 2 Crônicas 15:6: France identifica a linguagem de “nação contra nação” como idioma profético padrão para instabilidade política, não necessariamente o fim do cosmos.

5. Consenso Mínimo

  • Guerras, desastres naturais e falsos messias não são sinais do fim imediato, mas o prelúdio necessário (“início das dores”) que exige perseverança, não cálculo de datas.

📖 Perícope: A Abominação da Desolação (Versículos 14-23)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Bdelygma tēs erēmōseōs (Abominação da Desolação): Termo técnico de Daniel.
  • Hestēkota (Estando/Parado): Particípio masculino modificando um substantivo neutro (bdelygma). France vê isso como crucial: sugere uma pessoa (masculina) usurpando o lugar, não apenas um objeto ou altar (France, “The Beginning of the End”). Edwards concorda, ligando ao “Homem da Iniquidade” de 2 Tessalonicenses (Edwards, “The Tribulation”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France (NIGTC): Propõe que o “leitor entenda” é uma nota de Marcos pedindo discernimento sobre a aplicação da profecia de Daniel, e sugere que a “fuga para os montes” faz sentido historicamente antes do cerco final de 70 d.C., quando a fuga se tornou impossível (France, “The Beginning of the End”).
  • Edwards (PNTC): Argumenta que a profecia tem um “duplo referente”. O evento histórico (Tito/70 d.C.) é como um “filme de reconhecimento” para o evento escatológico final (Anticristo). Ele rejeita a identificação direta com a destruição por Tito porque, historicamente, a fuga tornou-se impossível uma vez que o cerco começou, apontando para uma discrepância se lido apenas como vaticinium ex eventu (Edwards, “The Tribulation”).
  • Garland (NIVAC): Foca na inutilidade de lutar pelo templo. Fugir significa dissociar-se da ideologia nacionalista que acreditava que Deus defenderia o templo a qualquer custo. O templo já não garante a segurança divina (Garland, “Warnings About the Destruction”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Identificação da Abominação:
    • France: Tentativa de Calígula (40 d.C.) ou, mais provável, os Zelotes profanando o templo sob João de Gischala (67-68 d.C.). Ele vê o masculino hestēkota apontando para um líder pessoal.
    • Garland: Concorda com a possibilidade dos Zelotes e cita Josefo sobre “mãos nativas” poluindo o santuário.
    • Edwards: É cético quanto à aplicação exata em 70 d.C. devido às discrepâncias de detalhes (fuga no inverno, etc.), preferindo ver uma tipologia para o Anticristo final.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Daniel 9:27, 11:31, 12:11: Todos concordam que esta é a fonte primária.
  • 1 Macabeus 1:54: France e Garland citam o precedente histórico de Antíoco Epifânio erguendo um altar a Zeus como o modelo para entender a profecia.

5. Consenso Mínimo

  • A “Abominação” envolve uma profanação sacrílega do Templo que sinaliza o momento de fuga urgente para os habitantes da Judeia, marcando o fim da proteção divina sobre Jerusalém.

📖 Perícope: A Vinda do Filho do Homem (Versículos 24-27)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • En ekeinais tais hēmerais (Naqueles dias): France argumenta que isso conecta temporalmente esta seção à tribulação de 70 d.C., sem intervalo (France, “The Coming of the Son of Man”). Edwards vê como um termo técnico profético (ex: Jeremias 3:16) para o fim da história (Edwards, “The Return of the Son of Man”).
  • Erchomenon (Vindo): O debate central.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France (NIGTC): Posição Única/Minoritária: Interpreta a linguagem cósmica (sol escurecendo) como metáfora padrão do AT para queda de dinastias e juízo político (ex: queda de Babilônia em Is 13). O “Vindo nas nuvens” é uma ascensão ao trono de Deus (Dn 7), simbolizando a vindicação de Jesus após a destruição do Templo. Para France, isso não é a Segunda Vinda, mas a transferência de autoridade do Templo para Jesus no século I (France, “The Coming of the Son of Man”).
  • Edwards (PNTC): Posição Tradicional/Futurista: Insiste que a linguagem descreve um colapso cósmico literal e o fim da história. O Filho do Homem vem para reunir os eleitos na Parusia. Ele vê a “tribulação” de 70 d.C. e a Parusia fundidas telescopicamente (Edwards, “The Return of the Son of Man”).
  • Garland (NIVAC): Adota uma postura pastoral: a linguagem descreve o terror e confusão da criação diante do Criador. Ele enfatiza que não há sinais preliminares para este evento específico; é repentino e inconfundível (Garland, “The Coming of the Son of Man”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Preterismo vs. Futurismo:
    • France: Tudo nos vv. 24-27 refere-se ao século I e à destruição de Jerusalém/Vindicação de Jesus. Argumento: O uso do AT e a insistência em “esta geração” (v. 30).
    • Edwards & Garland: Referem-se à Segunda Vinda literal. Argumento: A magnitude da linguagem cósmica e a reunião dos eleitos “dos quatro ventos” transcendem 70 d.C.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Isaías 13:10 e 34:4: France usa estes textos para provar que “estrelas caindo” é metáfora para queda de nações (Babilônia/Edom).
  • Daniel 7:13-14: A base para a “vinda nas nuvens”. France lê como entronização (movimento para Deus); Edwards lê como retorno (movimento para a terra).

5. Consenso Mínimo

  • A “vinda” do Filho do Homem é a resposta divina e a vindicação final sobre os poderes que se opõem a Deus, garantindo a reunião segura dos eleitos.

📖 Perícope: A Figueira e “Esta Geração” (Versículos 28-31)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Genea hautē (Esta geração):
    • France: Contemporâneos de Jesus. Ponto não negociável para sua exegese (France, “The Coming of the Son of Man within ‘This Generation’”).
    • Edwards: Tenta resolver a tensão sugerindo que a geração de 70 d.C. vê o “início” ou o “paradigma” do fim, mantendo a integridade da profecia (Edwards, “The Lesson of the Fig Tree”).
    • Garland: Concorda com France que se refere aos contemporâneos de Jesus, mas limita o referente de “todas estas coisas” (tauta panta) apenas à destruição do templo, excluindo a Parusia final para salvar a profecia de erro (Garland, “Final Warnings”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France (NIGTC): Usa a parábola da figueira para reforçar que os eventos de 70 d.C. (tauta) são observáveis e datáveis, em contraste absoluto com o “Dia e Hora” (v. 32) que não tem sinais. A figueira prova que “estas coisas” (destruição do templo) têm precursores visíveis (France, “The Coming of the Son of Man”).
  • Edwards (PNTC): Vê na afirmação “Minhas palavras não passarão” uma reivindicação implícita de divindade, equiparando as palavras de Jesus à imutabilidade do próprio Deus (Edwards, “The Lesson of the Fig Tree”).
  • Garland (NIVAC): Destaca que a figueira é uma das poucas árvores em Israel que perde folhas no inverno, tornando seu brotar um sinal inconfundível de verão, assim como os sinais históricos (abominação) tornam a queda do templo inconfundível (Garland, “Final Warnings”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • O referente de “Estas Coisas” (Tauta):
    • France e Garland: Tauta refere-se exclusivamente aos eventos até o v. 23 (ou v. 27 para France, interpretado historicamente). Isso permite que “esta geração” seja literal.
    • Edwards: Luta mais com o texto, vendo uma sobreposição telescópica onde “esta geração” vê o tipo (70 d.C.) do antítipo (Fim).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Isaías 40:8 / 51:6: A base para a afirmação “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não” (Edwards).

5. Consenso Mínimo

  • A expressão “esta geração” deve ser levada a sério como referindo-se aos contemporâneos de Jesus, e a destruição de Jerusalém em 70 d.C. cumpre, pelo menos parcialmente ou tipologicamente, a profecia de “todas estas coisas”.

📖 Perícope: O Dia Desconhecido e a Vigilância (Versículos 32-37)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Peri de (Mas quanto a…): France argumenta que esta conjunção adversativa marca uma mudança total de assunto: de “estas coisas” (templo/70 d.C., que tem sinais) para “aquele dia” (Parusia final, que não tem sinais) (France, “An Unknown Day and Hour”).
  • Oiden (Saber): A ignorância do Filho.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France (NIGTC): Destaca o contraste estrutural: A destruição do templo (vv. 1-31) é previsível, tem sinais e data limite (“esta geração”). A Parusia (vv. 32-37) é imprevisível, sem sinais e sem data. Confundir os dois gera histeria (France, “An Unknown Day and Hour”).
  • Edwards (PNTC): Foca no “embaraço cristológico” da ignorância de Jesus. Vê nisso uma prova de autenticidade (a igreja não inventaria isso) e uma lição de submissão filial: Jesus renuncia ao controle do futuro confiando no Pai. O “Filho” é usado de forma absoluta, indicando divindade mesmo na ignorância (Edwards, “Expectancy and Vigilance”).
  • Garland (NIVAC): Aplica a parábola do porteiro. A vigilância não é especulação de calendário, mas fidelidade na tarefa designada. O “porteiro” tem apenas um trabalho: vigiar. Dormir é metáfora para complacência espiritual (Garland, “Final Warnings”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Cristologia da Ignorância:
    • Edwards: Enfatiza o paradoxo da encarnação e a teologia kenótica implícita.
    • France: Vê menos problema teológico e mais foco escatológico: o ponto não é a natureza de Jesus, mas a absoluta imprevisibilidade da Parusia, diferenciando-a da queda do templo.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Zacarias 14:7: “Será um dia singular, conhecido do Senhor” — ecoando que só o Pai sabe.

5. Consenso Mínimo

  • Qualquer tentativa de marcar datas para a volta de Jesus é desobediência direta ao próprio Cristo, que afirmou desconhecer o dia. A única postura válida é a vigilância ética constante.