Análise Comparativa: Mateus 9

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Zondervan.
  • France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
  • Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: France, R. T., The Gospel of Matthew .

    • Lente Teológica: Evangélica crítica, com foco na narrativa literária e na teologia do evangelista.
    • Metodologia: Adota uma Crítica da Redação focada na composição literária. France observa como Mateus reorganiza o material de Marcos não por cronologia, mas por design teológico, para construir um retrato específico da autoridade messiânica. Ele destaca a estrutura de “interweaving” (entrelaçamento) de seções de Marcos para criar blocos temáticos (France, “NICNT_002…”).
  • Autor/Obra: Nolland, J., The Gospel of Matthew .

    • Lente Teológica: Acadêmica exegética com ênfase na filologia e crítica textual (série NIGTC).
    • Metodologia: Utiliza rigorosa Exegese Gramatical e Crítica das Fontes. Nolland foca intensamente na estrutura literária (identificando quiasmos) e nas alterações redacionais que Mateus faz em relação a Marcos e Q. Ele analisa o texto grego detalhadamente, buscando a intenção do autor na estruturação das perícopes de milagres e discipulado (Nolland, “Set 1 (13:3b-23)”).
  • Autor/Obra: Carson, D. A., Matthew .

    • Lente Teológica: Evangélica Reformada / Conservadora.
    • Metodologia: Combina Teologia Bíblica com uma abordagem histórica robusta. Carson frequentemente defende a historicidade dos relatos e busca harmonizações plausíveis entre os Sinóticos, rejeitando ceticismos form-críticos excessivos. Ele prioriza a leitura do texto como um documento que situa Jesus na história da redenção e no cumprimento escatológico do AT (Carson, “Jesus’ early Galilean ministry”).

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de France: A narrativa de Mateus nos capítulos 8 e 9 é uma construção cuidadosa que reorganiza o material de Marcos para realçar a autoridade de Jesus em palavras e obras.

    • France argumenta que Mateus “aumentou consideravelmente a impressão da autoridade de Jesus” através de uma construção cuidadosa da seção de abertura do ministério na Galileia (France, “NICNT_002…”). Ele observa que os capítulos 8-9 são compostos principalmente por um “cuidadoso entrelaçamento de duas seções de Marcos” (Marcos 1:29–2:22 e 4:35–5:43), reordenadas para servir ao propósito teológico de Mateus antes do discurso das parábolas (France, “NICNT_002…”).
  • Tese de Nolland: Mateus estrutura o capítulo 9 dentro de um arranjo quiástico e temático, onde os milagres são intercalados com ensino sobre discipulado, demonstrando a novidade do Reino e a autoridade cristológica de Jesus.

    • Nolland identifica que o capítulo 9 faz parte de uma estrutura maior (8:2–9:34) organizada em conjuntos de três histórias de milagres. Ele vê a seção 9:1-8 (o paralítico) como portadora de uma ênfase na autoridade de Jesus para perdoar pecados (Nolland, “4. Jesus Forgives…”). Nolland argumenta que a perícope do “vinho novo” (9:14-17) fornece a “perspectiva interpretativa maior” para o terceiro conjunto de milagres, indicando que a obra de Jesus traz uma novidade radical que vai além do jejum ou rituais antigos (Nolland, “1. New Wine…”). Ele também destaca a “moldura de discipulado” (8:18-22 e 9:9-13) que cerca os milagres, sugerindo que a cura física está ligada ao chamado para seguir Jesus (Nolland, “5. Jesus Heals…”).
  • Tese de Carson: Os eventos do capítulo 9 são apresentados em um arranjo tópico (não cronológico) para demonstrar que Jesus cumpre sua missão messiânica de pregar, ensinar e curar, entrelaçando temas de , discipulado e a extensão do Reino aos marginalizados.

    • Carson rejeita esboços simplistas que dividem os capítulos rigidamente (ex: apenas cristologia ou apenas discipulado), argumentando que Mateus “entrelaça seus temas, mantendo vários em andamento ao mesmo tempo como um malabarista literário” (Carson, “A. Narrative (8:1–10:4)”). Ele defende a precisão histórica de Mateus, propondo soluções de harmonização para a cronologia do chamado de Mateus e a refeição com pecadores (Carson, “b. Healing a paralytic…”). Carson enfatiza a autoridade divina de Jesus, notando que a capacidade de perdoar pecados (9:6) é uma prerrogativa divina (Carson, “A. Narrative…”). Além disso, ele vê na citação de Oseias 6:6 em 9:13 uma chave hermenêutica: as demandas morais de misericórdia têm prioridade sobre a piedade cerimonial (Carson, “6. Eating with sinners”).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de CarsonVisão de NollandVisão de France
Palavra-Chave/Termo GregoKalesai (9:13): Define como “convidar”, distinguindo do uso paulino de chamado eficaz. Enfatiza que a missão de Jesus é caracterizada pela graça e busca pelos perdidos (Carson, p. 743).Eleos (9:13): Analisa a mudança semântica do hebraico hesed (lealdade pactual) para o grego eleos, focando na “interação humana” e bondade, ligada à compaixão divina (Nolland, p. 272).Exousia (Autoridade): Destaca que a construção literária de Mateus visa “aumentar consideravelmente a impressão da autoridade de Jesus” em relação a Marcos (France, p. 2).
Problema Central do TextoHistoricidade e Harmonização: Preocupa-se em defender a coerência cronológica (ex: chamado de Mateus) e rejeita a visão de que relatos como o do paralítico sejam construções artificiais da igreja (Carson, p. 737, 740).Estrutura Literária: Foca na organização quiástica e temática. Vê as perícopes (ex: 9:1-8) organizadas em conjuntos de três, com inserções de discipulado servindo de moldura interpretativa (Nolland, p. 266, 324).Composição Redacional: O problema é explicar a reorganização radical do material de Marcos (1:29–2:22 e 4:35–5:43) para criar blocos temáticos de “Palavra e Obra” (France, p. 2).
Resolução TeológicaNovidade do Reino (9:17): Argumenta contra a preservação do judaísmo; o “ambos são preservados” refere-se ao vinho novo e odres novos. O judaísmo antigo não pode conter o Reino (Carson, p. 744).Cristologia da Ação (9:6): Vê a cura do paralítico como validação da autoridade invisível de perdoar. Entende o versículo 6 como um “aparte ao leitor” para clarificar a autoridade do Filho do Homem (Nolland, p. 267-268).Revelação Messiânica: A seção 8-9 é uma preparação teológica deliberada, estabelecendo as credenciais do Messias antes do discurso das parábolas no capítulo 13 (France, p. 2).
Tom/EstiloPolêmico e Pastoral: Defende a historicidade contra críticos (como Bultmann) e extrai aplicações devocionais sobre a graça e o discipulado (Carson, p. 737, 743).Técnico e Filológico: Densamente focado em crítica textual, análise sintática grega e estruturas literárias (quiasmos) (Nolland, p. 265, 271).Redacional e Sintético: Analisa o “grande quadro” da composição do evangelho e a teologia do autor bíblico através de sua estrutura (France, p. 1-2).

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Nolland. Sua análise filológica detalhada (ex: a discussão sobre eleos em 9:13 e o background de Oseias 6:6) e atenção às variantes textuais fornecem o suporte técnico mais robusto para a exegese gramatical (Nolland, p. 272, 335).
  • Melhor para Teologia: Carson. Ele aprofunda as implicações doutrinárias, especialmente a relação entre a autoridade cristológica e a Lei (ex: a discussão sobre odres novos e a descontinuidade com o judaísmo), conectando a narrativa à história da redenção de forma coesa (Carson, p. 744).
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Mateus 9, deve-se utilizar a estrutura literária macroscópica de France para situar o capítulo na narrativa do “Messias da Palavra e Obra”; preencher a exegese versículo a versículo com a precisão filológica e estrutural (quiasmos) de Nolland; e aplicar as conclusões teológicas e históricas de Carson para entender a autoridade de Jesus sobre o pecado e a natureza da nova comunidade do Reino.

Autoridade Messiânica, Crítica da Redação, Harmonização e Misericórdia são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: A Cura do Paralítico (9:1–8)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Idōn vs. Eidōs (9:4): Há um debate textual entre “vendo” (idōn) e “sabendo” (eidōs) os pensamentos deles. Carson argumenta que “vendo” é a leitura correta e mais difícil, funcionando como uma metáfora para conhecimento, enquanto escribas posteriores teriam suavizado para “sabendo” (Carson, p. 669). Nolland concorda que eidōs é a leitura mais fácil e provavelmente secundária (Nolland, p. 217).
  • Exousia (Autoridade): Termo central para ambos. Nolland nota que as multidões glorificaram a Deus por dar tal autoridade aos “homens” (plural), sugerindo uma extensão dessa autoridade à comunidade (Nolland, p. 218).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Carson: Destaca a conexão geográfica, identificando a “sua própria cidade” (9:1) como Cafarnaum, baseando-se em 4:13 (Carson, p. 665). Ele também defende vigorosamente a leitura de que as multidões ficaram com “medo” (ephobēthēsan) em 9:8, argumentando que copistas suavizaram para “maravilharam-se” (ethaumasan), mas que o medo é a reação apropriada diante de uma manifestação divina (Carson, p. 668).
  • Nolland: Observa uma estrutura quiástica na perícope, centrada no desafio probatório de Jesus em 9:4-5 (“Por que pensais mal…?”). Ele também sugere que a menção aos escribas em 9:3 (em vez de “escribas dos fariseus” como em Marcos) reflete a tendência de Mateus de tratar escribas e fariseus como um par coordenado ao longo do evangelho (Nolland, p. 218, 281).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • O “Aparte” de 9:6:
    • Nolland interpreta a frase “Ora, para que saibais…” como um aparte direto ao leitor feito pelo evangelista, argumentando que isso suaviza a transição para a ordem “levanta-te” (Nolland, p. 219).
    • Carson não aborda explicitamente a teoria do “aparte” nesta seção específica, focando mais na demonstração de autoridade messiânica dentro da narrativa. A divergência é retórica: Nolland vê uma quebra na narrativa; Carson lê como fluxo contínuo de autoridade.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Não há citações diretas debatidas aqui, mas Carson alude ao conceito de blasfêmia (assumir prerrogativas divinas) que permeia a acusação dos escribas.

5. Consenso Mínimo

  • Ambos concordam que Mateus abrevia drasticamente o relato de Marcos (omitindo a descida pelo telhado) para focar na autoridade de Jesus sobre o pecado.

📖 Perícope: O Chamado de Mateus e o Jantar (9:9–13)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Telōnion (9:9): Carson especifica que se trata de uma cabine de alfândega e impostos na fronteira entre os territórios de Filipe e Herodes Antipas (Carson, p. 770).
  • Eleos (Misericórdia - Os 6:6): Nolland discute a tradução de hesed para eleos, argumentando que Mateus foca na interação humana (bondade para com os necessitados) e não apenas na lealdade pactual a Deus, embora ambas estejam ligadas (Nolland, p. 223).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Carson: Oferece uma harmonização cronológica detalhada. Ele argumenta que há um intervalo de tempo significativo entre o chamado (v. 9) e o jantar (v. 10), que Mateus agrupa por razões tópicas, enquanto Marcos e Lucas preservam a sequência histórica (Carson, p. 666-667). Ele também nota o tom sardônico na fórmula “ide e aprendei”, usada para repreender aqueles que se orgulhavam de seu conhecimento bíblico (Carson, p. 670).
  • Nolland: Destaca que a frase “não vim chamar justos…” utiliza uma imagem médica (o médico busca o doente), sugerindo que a “misericórdia” de Oseias 6:6 é a compaixão de Deus expressa na obra “médica” de Jesus (Nolland, p. 223).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A omissão de “ao arrependimento” (9:13):
    • Lucas 5:32 adiciona “ao arrependimento”.
    • Carson defende que Mateus não omitiu isso por desinteresse, mas porque não estava em sua fonte principal (Marcos) e não contribuía para o tema imediato da misericórdia versus sacrifício (Carson, p. 671).
    • Nolland concorda que a ênfase recai sobre a iniciativa da graça e não sobre a resposta humana imediata.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Oseias 6:6 (“Misericórdia quero, e não sacrifício”):
    • Carson vê isso como uma “antítese semítica” onde “não A mas B” significa “B é mais fundamental que A”, sem rejeitar totalmente o sacrifício (Carson, p. 670).
    • Nolland concorda, notando que Mateus não menospreza o culto, mas prioriza a misericórdia como chave hermenêutica (Nolland, p. 223).

5. Consenso Mínimo

  • A citação de Oseias é a chave interpretativa inserida por Mateus para justificar a comunhão de Jesus com os marginalizados.

📖 Perícope: A Questão do Jejum e os Odres (9:14–17)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Airei (9:16): Carson insiste que este verbo é transitivo na voz ativa, significando que o remendo novo “arranca” ou “puxa” parte do tecido velho, piorando o rasgo (Carson, p. 672).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Propõe uma função estrutural macroscópica para esta seção. Ele vê 9:14-17 como a “perspectiva interpretativa maior” para o terceiro conjunto de milagres (9:18-34), sob a rubrica de “vinho novo em odres novos”. A “novidade” de Jesus vai além do jejum, abrangendo a ressurreição e a cura (Nolland, p. 262).
  • Carson: Foca na cristologia implícita da metáfora do noivo. A presença do noivo (Jesus) instaura uma alegria messiânica que torna o jejum por luto inapropriado até que ele seja “tirado” (referência à morte/ascensão) (Carson, p. 774 - nota: inferido do contexto geral e paralelos, o trecho específico fornecido foca no v. 16).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Significado da Metáfora:
    • Nolland enfatiza a incompatibilidade radical e a “novidade” explosiva do Reino.
    • Carson (em sua teologia geral de Mateus) tende a ver isso como o cumprimento que transcende as categorias do judaísmo antigo, onde o “preservar ambos” (9:17) se refere ao vinho novo e odres novos, não à preservação do judaísmo antigo.

5. Consenso Mínimo

  • As práticas de piedade antiga (como o jejum ritual) são incompatíveis com a alegria da presença messiânica.

📖 Perícope: A Filha do Chefe e a Mulher (9:18–26)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Archōn heis (9:18): Carson discute a rara construção (“um certo chefe”), rejeitando emendas textuais que tentam harmonizar com a entrada na casa (eiselthōn) (Carson, p. 675).
  • Kraspedon (Orla/Franja - 9:20): Carson nota isso como um “acordo menor” importante entre Mateus e Lucas contra Marcos, sugerindo uma fonte comum ou conhecimento independente, recusando teorias complexas de dependência mútua (Carson, p. 676).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Vê este milagre como o primeiro exemplo da rubrica “vinho novo” (de 9:17). Jesus não lamenta a morte (como os flautistas), mas traz vida (vinho novo). Ele também nota que Mateus remove a gradação da fé vista em Marcos, onde a mulher é levada a confessar publicamente; em Mateus, o foco é mais imediato (Nolland, p. 265).
  • Carson: Destaca a abreviação radical de Mateus (um terço do tamanho de Marcos). Ele refuta a ideia de que o relato se reduz apenas à “fé”, apontando que Mateus agrupa aqui novos tipos de milagres (ressurreição) para preparar a defesa de Jesus em 11:2-5 (Carson, p. 673).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A “Morte” da Menina:
    • Em Marcos, Jairo diz que ela está “morrendo”; em Mateus, diz que “acabou de morrer” (9:18).
    • Carson vê isso como compressão narrativa típica de Mateus, que foca no resultado final e na autoridade imediata de Jesus, sem necessariamente contradizer a cronologia estendida de Marcos (Carson, p. 674).

5. Consenso Mínimo

  • Mateus condensa a narrativa para acelerar o ritmo e focar na autoridade absoluta de Jesus sobre a impureza ritual (fluxo de sangue) e a morte.

📖 Perícope: Dois Cegos e o Mudo (9:27–34)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Huios David (9:27): Carson observa o uso do nominativo (Huios) funcionando como vocativo, uma construção que pode refletir influência hebraica, enfatizando o título messiânico (Carson, p. 677).
  • Kōphos (9:32): Nolland discute a tradução como “surdo e mudo” ou apenas “mudo”, notando a ambiguidade do termo grego e sua conexão com Isaías 35 (Nolland, p. 270).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Argumenta que a cura do mudo (9:32-34) é contada de forma mínima porque o foco real de Mateus está nas reações contrastantes: a maravilha das multidões (“Nunca se viu tal coisa em Israel”) versus a acusação dos fariseus (Nolland, p. 271).
  • Carson: Defende vigorosamente a genuidade do versículo 34 (a acusação dos fariseus), que está ausente no texto ocidental (Códice D). Ele argumenta que a omissão é que é a aberração e que o versículo é necessário para explicar a advertência em 10:25 (Carson, p. 678).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Duplicatas (Doublets):
    • Muitos críticos veem 9:27-31 (cegos) como uma duplicata de 20:29-34 e 9:32-34 (mudo) como duplicata de 12:22-24.
    • Carson rejeita a teoria da duplicata literária artificial. Ele argumenta que a correspondência verbal é baixa e que, dado o ministério extenso de Jesus (4:24), é natural que ele tenha curado cegos e exorcizado mudos múltiplas vezes. A repetição temática serve à teologia de Mateus, não à pobreza de fontes (Carson, p. 677, 804).
    • Nolland é mais aberto à ideia de que Mateus está “pré-utilizando” tradições que aparecerão mais tarde (como a cura de Jericó) para construir este clímax da seção de milagres, reunindo motivos teológicos (Nolland, p. 268).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Zacarias 11 e Isaías 35: Nolland sugere que a lista de curas (cegos, mudos) e a reação de Israel preparam o cenário para a resposta a João Batista em 11:5, que ecoa Isaías 35:5-6 (Nolland, p. 268, 289).

5. Consenso Mínimo

  • Estas curas servem como clímax da seção de milagres (caps. 8-9), demonstrando as credenciais messiânicas (“Filho de Davi”) e provocando a divisão final entre as multidões e a liderança religiosa.

📖 Perícope: A Seara e os Trabalhadores (9:35–38)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Esplagchnisthē (Compaixão - 9:36): Termo visceral que denota a motivação profunda do ministério de Jesus.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Observa a inclusão estrutural com 4:23 (ambos sumários de ensino, pregação e cura), criando uma moldura para os capítulos 5-9 (Nolland, p. 95). Ele conecta a imagem das ovelhas sem pastor a Números 27:17 e Ezequiel 34 (Nolland, p. 123).
  • Carson: Vê 9:35-38 não apenas como conclusão, mas como preparação ativa para o segundo discurso (Cap. 10). A novidade aqui não é a atividade de Jesus, mas a constatação de que a obra é vasta demais, exigindo a multiplicação de trabalhadores (Carson, p. 829).

5. Consenso Mínimo

  • Esta passagem funciona como uma dobradiça literária: resume o ministério anterior e fundamenta a necessidade da missão dos Doze no capítulo 10.