Análise Comparativa: Mateus 4

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Zondervan.
  • France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
  • Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: France, R. T., The Gospel of Matthew (NICNT).

    • Lente Teológica: Evangélica Crítica com ênfase na Teologia Bíblica e Crítica Narrativa. France evita harmonizações forçadas, focando na estrutura literária distinta de Mateus.
    • Metodologia: Aborda o texto através de uma análise da estrutura literária (os cinco discursos) e do uso do Antigo Testamento como cumprimento (“fulfillment”). Em Mateus 4, ele observa como o evangelista tece uma “rica tapeçaria de cenas e reflexões” bíblicas (France, “NICNT… I. INTRODUCING THE MESSIAH”). Ele trata 4:12-16 como a explicação teológica e geográfica necessária para o início da proclamação pública em 4:17.
  • Autor/Obra: Nolland, J., The Gospel of Matthew (NIGTC).

    • Lente Teológica: Crítico-Histórica com forte rigor filológico. Foca na redação mateana sobre as fontes (Marcos/Q) e no texto grego.
    • Metodologia: Exegese Gramatical e Crítica Textual. Nolland dedica atenção minuciosa às variações do texto grego (ex: a forma de Is 9:1-2 citada em Mt 4:15-16 em comparação com o TM e a LXX). Sua abordagem em Mateus 4 destaca a intertextualidade precisa e a geografia histórica, investigando como Mateus manipula suas fontes para criar conexões teológicas, como a relação entre “luz” e “região e sombra da morte” (Nolland, “NIGTC… A. Preaching the Kingdom”).
  • Autor/Obra: Carson, D. A., Matthew (REBC).

    • Lente Teológica: Reformada/Evangélica Conservadora. Preocupação com a historicidade, harmonização com outros evangelhos (especialmente João) e implicações dogmáticas (como a impecabilidade de Cristo).
    • Metodologia: Teologia Sistemática e História da Redenção. Carson ataca o texto defendendo a historicidade das narrativas (como a Tentação) contra leituras puramente mitológicas ou midráshicas. Em Mateus 4, ele enfatiza a Tipologia Israel-Cristo, onde Jesus recapitula a experiência de Israel no deserto, e a função preparatória de João Batista dentro de uma cronologia coerente com o quarto evangelho (Carson, “REBC… c. The temptation of Jesus”).

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de France (NICNT): Mateus 4:12-17 marca uma transição narrativa decisiva onde Jesus, após provar sua fidelidade filial no deserto, cumpre a geografia teológica de Isaías ao estabelecer a Galileia como o local onde a luz messiânica amanhece.

    • Argumento Expandido: France argumenta que 1:1–4:11 serve como um preâmbulo prolongado para introduzir o Messias, culminando na vitória sobre Satanás. A mudança para a Galileia não é apenas biográfica, mas teológica: “Mateus começa a contar a história da revelação do Messias a Israel… em 4:17” (France, “NICNT… I. INTRODUCING THE MESSIAH”). Ele destaca que a citação de Isaías em 4:15-16 explica por que a luz deve amanhecer na Galileia, contrapondo a opinião judaica padrão da época.
  • Tese de Nolland (NIGTC): O capítulo 4 estrutura a transição da preparação privada (tentação) para o estabelecimento do ministério público, onde Jesus recapitula a história de Israel e define a Filiação Divina não como privilégio a ser explorado, mas como obediência à vontade de Deus.

    • Argumento Expandido: Nolland enfatiza a filiação em 4:1-11, observando que o diabo sugere que “a filiação é um privilégio a ser explorado”, enquanto Jesus responde com Deuteronômio, mostrando que “o desejo por pão não deve determinar o uso que o Filho faz das possibilidades” (Nolland, “NIGTC… B. Led by the Spirit”). Na seção 4:12-17, Nolland foca na redação mateana da citação de Isaías, notando que Mateus ajusta o texto para obter “uma concretude de foco ao atentar para detalhes específicos” como a ligação de Jesus com Nazaré (Zebulom) e Cafarnaum (Naftali) (Nolland, “NIGTC… A. Preaching the Kingdom”).
  • Tese de Carson (REBC): Mateus 4 apresenta Jesus como o Novo Josué e o verdadeiro Israel que, triunfando onde o Israel antigo falhou (Tentações) e cumprindo a profecia da luz aos Gentios (Ministério na Galileia), inaugura o Reino dos Céus através de um chamado ao arrependimento.

    • Argumento Expandido: Carson defende vigorosamente a historicidade da Tentação, argumentando que o relato provém do próprio Jesus (Carson, “REBC… c. The temptation of Jesus”). Ele vê uma tipologia forte: “Jesus não é tanto um novo Moisés, mas um novo Josué… que lidera seu povo para dentro [do reino]” (Carson, “REBC… a. The beginning”). Carson também se preocupa em harmonizar a cronologia de 4:12 com João, sugerindo que o “retorno” à Galileia pressupõe um ministério anterior na Judeia omitido pelos sinóticos.

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de France (NICNT)Visão de Nolland (NIGTC)Visão de Carson (REBC)
Palavra-Chave/Termo GregoAnakchorein (Retirar-se): France vê o retiro de Jesus para a Galileia não apenas como geográfico, mas como um cumprimento teológico da profecia de Isaías, onde a “luz” deve amanhecer (France,).Peirazō (Tentar/Testar): Destaca que o diabo não insinua dúvida com o “se”, mas encoraja Jesus a explorar os privilégios da Filiação para benefício próprio, transformando pedras em pães (Nolland,).Euangelion tēs basileias (Evangelho do Reino): Define gramaticalmente como um genitivo objetivo (“as boas novas sobre o reino”), enfatizando a irrupção do reinado salvífico de Deus na pessoa do Messias (Carson,).
Problema Central do TextoA estrutura literária: Como Mateus tece uma “rica tapeçaria” de citações do AT para apresentar Jesus não apenas biograficamente, mas como o cumprimento do destino de Israel antes do ministério público (France,).A precisão textual e intertextualidade: O problema da forma textual de Isaías 9:1-2 em Mt 4:15-16, onde Mateus diverge da LXX e do TM para focar geograficamente em Zebulom e Naftali (Nolland,,).A historicidade e a tipologia: Defende a realidade da Tentação contra leituras de “midrash haggádico” e aborda a lacuna cronológica entre a tentação e o ministério na Galileia (Carson,,).
Resolução TeológicaA transição de 4:12-16 é a explicação teológica necessária para o início da proclamação em 4:17. Jesus recapitula a história de Israel e inaugura a luz messiânica na “Galileia dos Gentios” (France,,).A filiação divina (4:1-11) não é isenção de sofrimento, mas obediência. Em 4:17, o “Reino dos Céus” aproximou-se não apenas no tempo, mas como uma nova realidade de atividade preparatória divina (Nolland,,).Jesus é o Novo Josué (4:12-17). Assim como Josué sucedeu Moisés, Jesus sucede João Batista, não para abolir, mas para liderar o povo para dentro do repouso/reino, triunfando onde o Israel antigo falhou (Carson,).
Tom/EstiloTeológico-Narrativo: Foca na estrutura literária e no desenrolar do drama messiânico.Técnico-Filológico: Foca na crítica textual, sintaxe grega e nuances das fontes (Q/Marcos).Histórico-Redentivo: Foca na defesa apologética, harmonização com João e tipologia bíblica.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Carson (REBC). Ele fornece a melhor harmonização cronológica com o Evangelho de João (explicando o “retiro” para a Galileia) e detalha o cenário geográfico e histórico (como a tetrarquia de Herodes e a geografia do Mar da Galileia) de forma robusta para defender a historicidade (Carson,,).
  • Melhor para Teologia: Nolland (NIGTC). Embora Carson seja forte na tipologia, Nolland oferece uma exegese mais precisa sobre a natureza da Filiação e da Tentação, definindo a impecabilidade não como uma incapacidade metafísica, mas como uma recusa ética de “explorar privilégios” divinos para o conforto pessoal, o que é crucial para a cristologia de Mateus (Nolland,,).
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Mateus 4, deve-se utilizar a estrutura literária de France para entender como o capítulo serve de “preâmbulo” ao ministério público; a análise filológica de Nolland para compreender as nuances do uso do Antigo Testamento nas tentações e na geografia da Galileia; e a tipologia de Carson para situar Jesus como o “Novo Josué” e o verdadeiro Israel que vence no deserto. Juntos, eles revelam que o capítulo não é apenas biográfico, mas a legitimação divina do Messias através do teste, da profecia e da inauguração do Reino.

Filiação Divina, Novo Josué, Cumprimento Profético e Reino dos Céus são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: A Tentação no Deserto (Versículos 1-11)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Peirazō (πειράζω): Nolland destaca um jogo de palavras entre “testar” (sentido divino) e “tentar” (sentido satânico/seduzir para o pecado). Ele observa a dupla atribuição: o Espírito conduz para testar, o diabo vem para tentar (Nolland, “NIGTC… B. Led by the Spirit”).
  • Huios tou theou (υἱὸς τοῦ θεοῦ): Na frase “Se tu és o Filho de Deus”, Carson argumenta que a cláusula grega (ei + indicativo) não expressa dúvida, mas assume a filiação como base para um “imperativo duvidoso”. O sentido é: “Já que você é o Filho…” (Carson, “REBC… c. The temptation”). Nolland concorda que não há insinuação de dúvida, mas sim um encorajamento para que Jesus explore os privilégios da filiação para benefício próprio (Nolland, “NIGTC… B. Led by the Spirit”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [France]: Enfatiza que este período de preparação pessoal prova a fidelidade de Jesus antes que a missão messiânica pública possa ser lançada. Ele vê 1:1–4:11 como uma unidade introdutória coesa onde Jesus recapitula a história de Israel (France, “NICNT… I. INTRODUCING THE MESSIAH”).
  • [Nolland]: Traz uma nuance única sobre a transformação de pedras em pães, ligando-a ao Salmo 78:25 (“pão dos anjos”) e à provisão de Elias (1 Rs 19), sugerindo que a tentação é sobre definir o caminho da vida diferente daquele determinado pelo Pai (Nolland, “NIGTC… B. Led by the Spirit”).
  • [Carson]: Defende vigorosamente a historicidade do relato contra a visão de que seria um “midrash haggádico”, argumentando que a narrativa deve ter se originado do próprio Jesus, pois ninguém mais estava lá. Ele também destaca que a recusa de Jesus em testar a Deus no templo (v. 7) é uma recusa em testar sua filiação contra a promessa de proteção de Deus (Carson, “REBC… c. The temptation”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Natureza da Tentação:
    • Nolland foca na tensão ética: a filiação não é isenção de sofrimento. O diabo tenta Jesus a usar poder para aliviar sua fome, o que seria “explorar privilégios” (Nolland, “NIGTC… B. Led by the Spirit”).
    • Carson foca na tensão cristológica e tipológica: Jesus, diferentemente de Adão (no jardim) e Israel (no deserto), triunfa. Ele vê uma forte tipologia Israel-Cristo, onde Jesus recapitula a experiência de Deuteronômio 6–8 (Carson, “REBC… c. The temptation”).
    • Veredito: Carson oferece a conexão tipológica mais robusta com o AT, enquanto Nolland fornece a melhor análise da psicologia da tentação (o uso do poder para si mesmo).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Todos concordam que Deuteronômio 6–8 é o subtexto primário.
  • Salmo 91:11-12: Citado pelo diabo. Nolland observa que Mateus omite a frase “para te guardar em todos os teus caminhos” (do LXX), mas Carson argumenta que essa omissão não prova manuseio enganoso por parte de Satanás, mas que o engano está na má aplicação teológica da promessa de proteção (Carson, “REBC… c. The temptation”).

5. Consenso Mínimo

  • A tentação foi um evento real de teste onde Jesus, como o verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Israel, reafirmou sua obediência exclusiva à vontade do Pai, rejeitando o uso messiânico de poder para benefício próprio ou glória política.

📖 Perícope: O Início do Ministério na Galileia (Versículos 12-17)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Anechōrēsen (ἀνεχώρησεν): Traduzido como “retirou-se” ou “voltou”. Carson nota que é um verbo característico de Mateus, frequentemente usado para retirada diante de perigo ou ameaça (Carson, “REBC… a. The beginning”). France vê isso menos como uma fuga e mais como um movimento teológico para cumprir a profecia (France, “NICNT… II. GALILEE”).
  • Hodon thalassēs (ὁδὸν θαλάσσης): “Caminho do mar”. Nolland fornece uma extensa análise textual comparando o Texto Massorético (TM) e a Septuaginta (LXX) de Isaías 9:1-2, concluindo que Mateus segue a estrutura da LXX mas com variações verbais que sugerem uma leitura independente do hebraico ou uma conformidade intencional para focar em Zebulom e Naftali (Nolland, “NIGTC… A. Preaching the Kingdom”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Carson]: Preocupa-se com a harmonização cronológica. Argumenta que o versículo 12 pressupõe um ministério anterior na Judeia (conforme João 1–3) e que a prisão de João Batista é o gatilho para Jesus ir para a Galileia, não o início absoluto de seu ministério (Carson, “REBC… a. The beginning”).
  • [Nolland]: Destaca a geografia teológica. Ele observa que Mateus ajusta a citação de Isaías para criar uma “concretude de foco”, ligando Nazaré (Zebulom) e Cafarnaum (Naftali) para mostrar que Jesus cobre toda a região profetizada (Nolland, “NIGTC… A. Preaching the Kingdom”).
  • [France]: Enfatiza a estrutura literária. Ele vê 4:12-16 como a explicação necessária para 4:17. A mudança para a Galileia e a citação de Isaías explicam por que a luz messiânica deve amanhecer ali, contrapondo a expectativa de que o Messias se centraria em Jerusalém (France, “NICNT… II. GALILEE”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Citação de Isaías (Mt 4:15-16 / Is 9:1-2):
    • Nolland argumenta que o texto de Mateus diverge tanto da LXX quanto do TM em pontos cruciais para servir à sua teologia geográfica (Nolland, “NIGTC… A. Preaching the Kingdom”).
    • Carson sugere que “além do Jordão” pode refletir a perspectiva de Isaías (assírios vindo do nordeste) ou a própria perspectiva de Mateus (escrevendo da Transjordânia/Decápolis?), mas foca mais no cumprimento tipológico do “exílio” terminando com a chegada do Messias (Carson, “REBC… a. The beginning”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Isaías 9:1-2: A citação central. Os autores concordam que Mateus vê a Galileia não como um remanso, mas como o local teologicamente designado para a irrupção da luz messiânica aos “gentios” (ou à região influenciada por eles).

5. Consenso Mínimo

  • A mudança de Jesus para Cafarnaum na Galileia não foi acidental, mas o cumprimento deliberado da profecia de Isaías, inaugurando a pregação do Reino em uma região associada às trevas e aos gentios.

📖 Perícope: O Chamado dos Primeiros Discípulos (Versículos 18-22)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Haliēs (ἁλιεῖς): “Pescadores”. O termo é literal, mas carregado de simbolismo profético.
  • Akolouthein (ἀκολουθεῖν): “Seguir”. Termo técnico para discipulado. Nolland observa a repetição estrutural de quatro palavras nos versículos 20 e 22 para enfatizar a resposta imediata (Nolland, “NIGTC… B. Calling Co-workers”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Nolland]: Observa que o nome “Pedro” nunca está longe quando Simão é mencionado (4:18), indicando uma perspectiva pós-pascal ou eclesiástica de Mateus sobre a primazia de Pedro (Nolland, “NIGTC… B. Calling Co-workers”).
  • [Carson]: Defende a plausibilidade histórica rejeitando o ceticismo de Bultmann. Ele sugere que, embora o relato seja estilizado, não há razão para duvidar que Jesus usou a metáfora da pesca, dado o ofício dos homens (Carson, “REBC… b. Calling the first disciples”).
  • [France]: (Infere-se da sua teologia geral de Mateus) Vê este chamado como a ilustração prática do “pescar homens”, iniciando a formação da comunidade messiânica que substituirá o Israel étnico.

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Natureza do Chamado:
    • Existe uma discussão implícita sobre se o chamado foi o primeiro encontro (como a narrativa simples sugere) ou se houve contato prévio (como João 1 sugere).
    • Carson harmoniza, sugerindo que o chamado em Mateus é um chamado ao discipulado permanente, pressupondo um conhecimento anterior (Carson, “REBC… b. Calling the first disciples”).
    • Nolland foca menos na cronologia e mais na autoridade da palavra de Jesus que cria o discipulado instantaneamente (Nolland, “NIGTC… B. Calling Co-workers”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Jeremias 16:16: Frequentemente citado sobre “pescadores”. Nolland adverte que, embora Jeremias use a metáfora para julgamento, Jesus a transforma em uma metáfora de salvação/missão, ou pelo menos de reunião do povo (Nolland, “NIGTC… B. Calling Co-workers”).

5. Consenso Mínimo

  • O chamado de Jesus exige uma ruptura radical e imediata com a vida anterior (família e profissão) para uma nova vocação centrada na missão do Reino.

📖 Perícope: Sumário do Ministério (Versículos 23-25)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Euangelion tēs basileias (εὐαγγέλιον τῆς βασιλείας): “Evangelho do Reino”. Carson define como as “boas novas sobre o reino” (Carson, “REBC… c. Spreading the news”).
  • Basanos (βάσανος): Traduzido como “dores” ou “tormentos”. Nolland nota que Mateus usa termos fortes para descrever a aflição humana que Jesus alivia (Nolland, “NIGTC… C. Itinerant Ministry”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Nolland]: Destaca que este sumário serve para mostrar que Jesus não apenas iguala, mas “ofusca” João Batista, atraindo multidões de uma área geográfica muito mais ampla (Decápolis, Transjordânia) (Nolland, “NIGTC… C. Itinerant Ministry”).
  • [Carson]: Observa que a expressão “os que tinham males” (tous kakōs echontas) é idiomática e distingue este sumário de 9:35-38, notando que aqui o foco é estabelecer a fama e a extensão do ministério antes do Sermão da Montanha (Carson, “REBC… c. Spreading the news”).
  • [France]: Vê este bloco como a preparação essencial para os capítulos 5–7, estabelecendo a autoridade de Jesus através de atos antes de apresentá-la através de palavras (France, “NICNT… II. GALILEE”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Geografia da “Síria”:
    • Nolland discute se “Síria” refere-se à província romana (incluindo a Palestina) ou à região gentia ao norte. Ele sugere que Mateus pode estar usando o termo para indicar que a fama de Jesus ultrapassou as fronteiras de Israel, chegando aos gentios, o que se encaixa com o tema da “Galileia dos Gentios” (Nolland, “NIGTC… C. Itinerant Ministry”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Isaías 35:5-6 / 61:1: Embora não citados explicitamente, as curas e a pregação do evangelho são vistas como o cumprimento dessas profecias messiânicas de restauração.

5. Consenso Mínimo

  • Este sumário não é apenas uma transição, mas uma declaração teológica de que o Reino de Deus irrompeu na história através de Jesus, manifestando-se em poder (curas) e palavra (pregação), atraindo uma resposta de “todo” Israel e além.