Análise Comparativa: Mateus 22

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Zondervan.
  • France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
  • Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: France, R. T., The Gospel of Matthew (NICNT).

    • Lente Teológica: Evangélica crítica, com forte ênfase na Teologia do Reino e na estrutura narrativa literária (Drama em Atos).
    • Metodologia: Adota uma abordagem de Crítica da Redação moderada e Análise Literária. Ele situa o capítulo 22 dentro de um bloco maior de confronto em Jerusalém (21:1–25:46), focando em como Mateus estrutura o conflito entre a autoridade de Jesus e a “coalizão” de líderes judeus. Ele observa padrões numéricos (três parábolas, três perguntas hostis).
  • Autor/Obra: Nolland, J., The Gospel of Matthew (NIGTC).

    • Lente Teológica: Acadêmica rigorosa com foco filológico e Histórico-Crítica.
    • Metodologia: Exegese gramatical detalhada do texto grego. Nolland foca na análise textual, na sintaxe e no uso do Antigo Testamento (LXX e MT). Ele busca entender a lógica interna dos oponentes (Saduceus e Fariseus) para demonstrar como Jesus expõe a “inadequação da imaginação” teológica deles.
  • Autor/Obra: Carson, D. A., Matthew (REBC).

    • Lente Teológica: Reformada/Evangélica Conservadora.
    • Metodologia: Teologia Bíblica e História da Redenção (Heilsgeschichte). Carson defende vigorosamente a historicidade dos relatos contra a crítica radical, focando na Cristologia e no cumprimento profético. Ele analisa as disputas do capítulo 22 como um desvelamento progressivo da identidade messiânica de Jesus e da autoridade das Escrituras.

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de France (NICNT): O capítulo 22 é parte integrante do clímax do confronto entre Jesus e as autoridades de Jerusalém, onde a questão central é a autoridade messiânica e a redefinição do “verdadeiro Israel”.

    • France argumenta que Mateus estruturou esta seção para apresentar uma “coalizão” de oponentes que, embora divergentes entre si, unem-se contra Jesus. Ele destaca o padrão de “três parábolas polêmicas” (21:28–22:14) seguidas por “três perguntas hostis e respostas” (22:15–40). Para France, a parábola do banquete nupcial (22:1-14) foca no “contraste entre o verdadeiro e o falso, aqueles que cumprem suas responsabilidades e aqueles que não o fazem”, servindo como um julgamento sobre a antiga liderança (France, “NICNT_004_21_1-25_46…”).
  • Tese de Nolland (NIGTC): O capítulo revela a incapacidade teológica e a “falta de imaginação” das lideranças judaicas frente à escatologia e à identidade de Cristo, enquanto Jesus demonstra que a fidelidade à Escritura aponta para uma realidade nova e superior.

    • Nolland foca na lógica dos argumentos. Na disputa sobre a ressurreição (22:23-33), ele argumenta que a “inadequação de imaginação que paralisou a compreensão dos saduceus sobre a ressurreição… também limita a compreensão dos fariseus sobre o significado e o papel do Cristo” (Nolland, “NIGTC_180…”). Na parábola das bodas (22:1-14), Nolland destaca a “natureza política” da celebração no relato mateano, onde a recusa ao convite é uma afronta direta à realeza do Filho (Nolland, “NIGTC_175…”).
  • Tese de Carson (REBC): As controvérsias do capítulo 22 servem para demonstrar a sabedoria superlativa de Jesus e sua autoridade como o intérprete definitivo da Escritura e o Messias Davídico e Divino.

    • Carson enfatiza que Jesus transforma armadilhas em auto-revelação. Sobre a questão do tributo (22:15-22), ele afirma que Jesus “transforma uma questão projetada para encurralá-lo em uma nova oportunidade para afirmar a reivindicação de Deus sobre a pessoa inteira” (Carson, “REBC_177…”). Em relação à pergunta final sobre o Filho de Davi (22:41-46), Carson argumenta contra a visão crítica de que Jesus nega a filiação davídica; em vez disso, Jesus “sintetiza o conceito de um Messias humano na linhagem de Davi com o conceito de um Messias divino que transcende as limitações humanas” (Carson, “REBC_217…“).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de France (NICNT)Visão de Nolland (NIGTC)Visão de Carson (REBC)
Palavra-Chave/Termo GregoCoalizão (Conceito Narrativo). France destaca o agrupamento de oponentes (“Herodianos”, “Saduceus”, “Fariseus”) como uma frente unida literária contra Jesus, mais do que uma análise lexical isolada (France, NICNT_004…).Kremannynai (κρεμάννυμαι - “Depender/Pender”). Nolland liga este verbo em 22:40 ao termo rabínico kelal (princípio geral), sugerindo que a Lei encontra sua estrutura e ethos no amor, sem invalidar os mandamentos específicos (Nolland, NIGTC_179…).Apodote (ἀπόδοτε - “Dai/Pagai”). Carson argumenta contra a tradução “devolver” em 22:21; o termo significa pagar uma dívida legítima, estabelecendo que César tem direitos reais, embora limitados, sobre seus súditos (Carson, REBC_214…).
Problema Central do TextoO confronto de Autoridade. O capítulo é visto como uma peça dramática onde a “velha liderança desacreditada” tenta, sem sucesso, desafiar a autoridade do “Filho do Homem” que veio cumprir a missão messiânica (France, NICNT_004…).A Inadequação da Imaginação. Nolland identifica que tanto Saduceus quanto Fariseus falham por não conseguirem imaginar a realidade de Deus e da Escritura para além de suas projeções limitadas, seja na ressurreição ou na identidade do Messias (Nolland, NIGTC_178…).A Entrapment (Armadilha) e Auto-revelação. O foco é a tentativa maliciosa de “ensaiar” Jesus em dilemas teológicos/políticos, que ele converte em oportunidades para revelar sua identidade messiânica e a natureza do Reino (Carson, REBC_213…).
Resolução TeológicaSubstituição Institucional. A parábola das bodas e os conflitos subsequentes servem para confirmar o julgamento sobre Jerusalém e a transferência do Reino para aqueles que produzem frutos, o “verdadeiro Israel” (France, NICNT_004…).Hermenêutica da Fidelidade. A solução para os dilemas (ressurreição, lei, tributo) reside em uma leitura correta da Escritura que reconhece o poder de Deus e a prioridade do amor como chave interpretativa (Nolland, NIGTC_179…).História da Redenção. Jesus não apenas vence debates, mas inaugura uma nova era onde a fidelidade a Deus (Imago Dei) transcende e engloba as obrigações civis, e onde Ele se revela como o Senhor Davídico Divino (Carson, REBC_214…).
Tom/EstiloNarrativo-Estrutural. Foca na progressão dramática do texto e nos padrões numéricos (três parábolas, três perguntas).Filológico-Exegético. Foco técnico na sintaxe grega, variantes textuais e paralelos rabínicos precisos.Teológico-Apologético. Defende a historicidade contra críticos radicais e enfatiza a Cristologia.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Nolland (NIGTC) destaca-se pelo rigor no background judaico e filológico. Sua análise da lógica interna dos Saduceus sobre o levirato (22:24) e a conexão do mandamento do amor com a exegese rabínica fornece a melhor reconstrução do ambiente intelectual do debate (Nolland, NIGTC_178…).
  • Melhor para Teologia: Carson (REBC) oferece a articulação doutrinária mais robusta, especialmente ao conectar as disputas de Mateus 22 com a História da Redenção. Sua explicação sobre a resposta de Jesus a César — movendo-se da efígie na moeda para a Imago Dei no homem — oferece uma profundidade teológica superior sobre a soberania divina (Carson, REBC_214…).
  • Síntese: Para uma exegese completa de Mateus 22, deve-se utilizar a estrutura dramática de France para situar o capítulo no clímax do conflito em Jerusalém, preenchendo os detalhes dos diálogos com a precisão léxica e rabínica de Nolland, e finalizando com a aplicação teológica de Carson, que demonstra como Jesus utiliza essas controvérsias para se auto-revelar como o Senhor davídico que exige uma lealdade total, superando as categorias limitadas de seus oponentes.

Autoridade Messiânica, Hermenêutica do Amor, Ressurreição Corporal e História da Redenção são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: A Parábola do Banquete Nupcial (Versículos 1-14)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Ariston (ἄριστον): Traduzido geralmente como “banquete” ou “jantar”. Carson nota que o termo refere-se tecnicamente à primeira das duas refeições do dia, tomada no meio da manhã (café da manhã/almoço), sugerindo que este convite era apenas o início de uma festividade prolongada (Carson, “REBC_213…”). Nolland concorda que a distinção entre ariston e deipnon (usado em Lucas) é marcante, mas foca no aspecto de que o banquete já estava “pronto” (Nolland, “NIGTC_175…”).
  • Diexodous (διεξόδους): Em 22:9, Carson interpreta como “bifurcações das estradas” ou esquinas onde se encontrariam muitas pessoas (Carson, “REBC_213…”). Nolland define como “pontos de saída” da cidade, sugerindo uma busca por pessoas que estavam viajando ou fora dos limites urbanos habituais (Nolland, “NIGTC_175…”).
  • Eklektoi (ἐκλεκτοί - “eleitos/escolhidos”): Carson argumenta que o uso desta palavra em 22:14 nega implicitamente que as reviravoltas da parábola tenham pego Deus de surpresa; a graça soberana permanece no controle (Carson, “REBC_213…”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France: Destaca o aspecto estrutural de “coalizão”. Ele nota que em 22:15-16 e versículos subsequentes, Mateus retrata uma união de grupos díspares (Fariseus, Herodianos, Saduceus) contra Jesus, algo que esta parábola introduz tematicamente ao tratar da rejeição generalizada (France, “NICNT_004…”).
  • Nolland: Traz um paralelo judaico exclusivo do Apocryphon of Ezekiel (citado por Epiphanius), onde um rei prepara um banquete militar, para ilustrar que os motivos da parábola (rei, banquete, recusa) faziam parte de um repertório judaico existente (Nolland, “NIGTC_175…”). Ele também observa a ironia trágica de 22:3: “chamar os chamados” (kalein tem duplo sentido de convidar e intimar), enfatizando que eles já estavam na lista (Nolland, “NIGTC_175…”).
  • Carson: Observa um detalhe sociológico sobre a roupa nupcial (22:11-13). Ele rejeita a ideia popular de que o anfitrião fornecia as roupas, considerando as evidências inadequadas. Para Carson, a falta de roupa simboliza que o homem não se preparou “aceitavelmente” para a festa, deixando o simbolismo vago propositalmente, em vez de alegorizar estritamente como “justiça” imputada (Carson, “REBC_213…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Queima da Cidade (v. 7):
    • Nolland vê a destruição dos assassinos e a queima da cidade como uma violação da integridade narrativa da parábola, servindo como uma inserção alegórica clara sobre o destino de Jerusalém e seus líderes (Nolland, “NIGTC_175…”).
    • Carson, embora reconheça o tom chocante, sugere que strateumata (tropas/exércitos) pode ser uma expressão idiomática para “enviar a polícia” ou força militar local, tentando manter a coerência dentro da história, embora admita a alusão ao julgamento (Carson, “REBC_213…”).
  • Identidade do Homem sem Veste (v. 11-14):
    • Existe um debate sobre se este homem veio do grupo “bom e mau” (v. 10) ou se entrou separadamente. Nolland discute a possibilidade de ele ser um intruso separado, dado que a pergunta “como entraste aqui?” (v. 12) sugere uma entrada irregular (Nolland, “NIGTC_175…”).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Os autores concordam que a imagem do banquete ecoa Isaías 25:6 (o banquete messiânico). Nolland também conecta a violência dos convidados (v. 6) e a reação do rei aos relatos de 2 Crônicas 36:16 sobre a rejeição dos mensageiros de Deus (Nolland, “NIGTC_175…”).

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que a parábola trata da história da salvação, onde a rejeição de Israel (ou seus líderes) abre caminho para a extensão do convite a um grupo mais amplo (os marginalizados ou Gentios), mas que a entrada no Reino exige conformidade com as normas do Rei.

📖 Perícope: O Tributo a César (Versículos 15-22)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Pagideuō (παγιδεύω - “apanhar/armar laço”): Carson nota que este verbo (v. 15) revela a malícia: não é uma consulta ética, mas uma armadilha para acusação de traição ou alienação popular (Carson, “REBC_214…”).
  • Nomisma (νόμισμα): Termo técnico para a moeda usada no imposto (kēnsos), que Nolland e Carson destacam como prova de que eles já possuíam e usavam a moeda romana, aceitando tacitamente o sistema econômico de César (Nolland, “NIGTC_177…”; Carson, “REBC_214…”).
  • Apodote (ἀπόδοτε):
    • Carson rejeita a tradução “devolver” (pay back) em favor de “pagar/dar” (pay/give), argumentando que César não “devolveu” o dinheiro aos súditos para que eles o devolvessem; eles pagam o que é devido (Carson, “REBC_214…”).
    • Nolland concorda que “dar” produz um sentido melhor, implicando o cumprimento de uma obrigação ou direito (Nolland, “NIGTC_177…”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France: Identifica a união de Fariseus e Herodianos como uma “coalizão” improvável, unida apenas pela hostilidade a Jesus, destacando a natureza política da aliança (France, “NICNT_004…”).
  • Nolland: Analisa profundamente a gramática de ou gar blepeis eis prosōpon (“não olhas para a cara dos homens”), conectando-a idiomáticamente a Deuteronômio 16:19 (imparcialidade judicial), mostrando como os oponentes usam linguagem teológica precisa para lisonjear Jesus (Nolland, “NIGTC_177…”).
  • Carson: Destaca a ironia suprema: os líderes religiosos estão preocupados com a pureza teológica do pagamento de impostos, mas carregam a moeda idólatra dentro do recinto sagrado (templo), enquanto Jesus precisa pedir uma emprestada (Carson, “REBC_214…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • O Significado de “O que é de Deus”:
    • Carson vê aqui uma hierarquia implícita. Se a moeda tem a imagem de César, o ser humano tem a Imago Dei (Gênesis 1:26). Portanto, dar a César é limitado (dinheiro), mas dar a Deus é total (o próprio ser). Carson vê nisso uma base teológica para a separação limitada de esferas, mas com a lealdade a Deus englobando tudo (Carson, “REBC_214…”).
    • Nolland foca menos na antropologia da Imago Dei e mais na reivindicação de Jesus sobre a lealdade exclusiva devida ao Deus de Israel, sugerindo que a resposta de Jesus ironiza a preocupação com o imposto diante da falha maior em dar a Deus o que Ele merece (Nolland, “NIGTC_177…”).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Nolland identifica uma possível alusão a Eclesiastes 8:2 (“Eu aconselho: obedece às ordens do rei, e isso por causa do juramento a Deus”) como pano de fundo para a tensão entre lealdade civil e divina (Nolland, “NIGTC_177…”).

5. Consenso Mínimo

  • Jesus não evade a pergunta, mas redefine as categorias: o pagamento do imposto é lícito, mas secundário e não compete com a lealdade absoluta devida a Deus.

📖 Perícope: A Questão da Ressurreição (Versículos 23-33)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Epigambreusei (ἐπιγαμβρεύσει): Nolland nota que Mateus substitui o verbo comum de Marcos por este termo técnico para “casamento levirato” (Gênesis 38:8), mostrando precisão jurídica (Nolland, “NIGTC_178…”).
  • Dynamis (δύναμις - Poder): Carson enfatiza que o “poder de Deus” aqui refere-se especificamente à capacidade divina de criar uma nova ordem de existência, não apenas de reanimar cadáveres (Carson, “REBC_215…”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Observa que Mateus altera a apresentação dos Saduceus de uma descrição em terceira pessoa (“que dizem não haver ressurreição”) para uma afirmação direta deles a Jesus (“dizendo que não há…”), tornando o confronto mais direto e teologicamente agressivo (Nolland, “NIGTC_178…”).
  • Carson: Argumenta contra a visão de que Jesus está introduzindo um dualismo neoplatônico (imortalidade da alma vs. ressurreição). Ele insiste que Jesus usa Êxodo 3:6 para provar a ressurreição porque, na antropologia bíblica, se os patriarcas estão vivos para Deus, isso exige uma corporificação futura final, pois Deus não é Deus de “espíritos desencarnados” permanentemente (Carson, “REBC_215…”).
  • France: (Citado via inferência temática) Vê este episódio como parte do desmascaramento da incompetência exegética da liderança de Jerusalém (France, “NICNT_004…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Lógica de Êxodo 3:6:
    • Nolland foca na fidelidade da promessa: Deus não continuaria a se identificar com o nome de pessoas que foram abandonadas à aniquilação total. A relação pactual exige continuidade de vida (Nolland, “NIGTC_178…”).
    • Carson concorda, mas adiciona que a resposta de Jesus ataca a premissa saducéia de que a morte é o fim absoluto. Se Deus ainda é o Deus deles, a morte não rompeu o vínculo, garantindo a esperança futura (Carson, “REBC_215…”).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • A citação central é Êxodo 3:6 (A sarça ardente). Nolland aponta que a escolha do Pentateuco é estratégica, pois era a única autoridade aceita plenamente pelos Saduceus.
  • Daniel 12:2-3 é identificado por Carson e Nolland como o pano de fundo para a descrição dos ressurretos como “anjos” ou “estrelas”, embora os Saduceus rejeitassem Daniel (Carson, “REBC_215…”; Nolland, “NIGTC_178…”).

5. Consenso Mínimo

  • A ressurreição não é uma mera continuação da vida biológica terrestre (refutando o problema do casamento) e está enraizada na natureza da aliança de Deus com os patriarcas.

📖 Perícope: O Grande Mandamento (Versículos 34-40)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Nomikos (νομικός): Carson observa que Mateus usa este termo (raro para ele) para especificar um perito teológico fariseu, criando um cenário de “banca examinadora” para testar a ortodoxia de Jesus (Carson, “REBC_216…”).
  • Kremannynai (κρεμάννυμαι - “pender/depender”):
    • Nolland conecta este verbo (v. 40) ao termo rabínico kelal (princípio geral), sugerindo que a Torá é estruturada nestes comandos (Nolland, “NIGTC_179…”).
    • Carson clarifica que “depender” não significa que o resto da lei é deduzido logicamente do amor, mas que sem o amor, nenhuma outra lei tem validade ou coerência (Carson, “REBC_216…”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Carson: Destaca que a combinação de Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18 não era uma inovação absoluta de Jesus (cita paralelos nos Testamentos dos Doze Patriarcas), mas que a autoridade com que Jesus centraliza tudo nestes dois é distintiva. Ele refuta a ideia de que o “amor” ab-roga a lei cerimonial; antes, ele é a hermenêutica para cumpri-la (Carson, “REBC_216…”).
  • Nolland: Nota a mudança de Mateus em relação a Marcos: Mateus omite “ouve, ó Israel” e foca diretamente no imperativo ético. Nolland também sugere que a pergunta sobre o “grande” mandamento reflete debates rabínicos sobre mandamentos “leves” e “pesados” (Nolland, “NIGTC_179…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Relação entre os Dois Mandamentos:
    • Carson insiste que o segundo mandamento é impossível sem o primeiro (“disciplina altruísta não é amor”), mantendo uma prioridade teológica clara do amor a Deus (Carson, “REBC_216…”).
    • Nolland enfatiza a união funcional: Mateus altera Marcos (“não há outro maior”) para “nestes dois… pende toda a lei”, sugerindo uma inseparabilidade pragmática na ética do Reino (Nolland, “NIGTC_179…”).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Deuteronômio 6:5 (Shema) e Levítico 19:18. Carson nota que Mateus segue o Texto Massorético para o primeiro e a LXX para o segundo, mostrando flexibilidade textual (Carson, “REBC_216…”).

5. Consenso Mínimo

  • O amor a Deus e ao próximo não substitui a Lei, mas constitui o fundamento hermenêutico e a essência da obediência exigida por Deus.

📖 Perícope: O Filho de Davi (Versículos 41-46)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Kyrios (κύριος): O debate gira em torno da ambiguidade e autoridade deste título no Salmo 110. Carson argumenta que Jesus explora a distinção entre um “senhor” humano e o Senhor Divino (Yahweh) para elevar a messianidade (Carson, “REBC_217…”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Ressalta que a pergunta de Jesus não nega a filiação davídica, mas expõe a “inadequação” de definir o Messias apenas nesses termos políticos/nacionais (Nolland, “NIGTC_180…”).
  • Carson: Enfatiza a necessidade da autoria davídica do Salmo 110 para o argumento funcionar. Se Davi não é o autor, a lógica de Jesus colapsa. Carson defende que Jesus assume e valida a autoria davídica tradicional contra a crítica moderna (Carson, “REBC_217…”).
  • France: Vê este clímax como o silenciamento final da “velha liderança”, preparando o caminho para as denúncias do capítulo 23 (France, “NICNT_004…”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • O Objetivo da Pergunta:
    • Carson: É cristológico e apologético. Jesus está ensinando que o Messias é uma figura de transcendência divina, sentada à direita de Deus, fundindo o Rei Davídico com o Filho do Homem celestial (Carson, “REBC_217…”).
    • Nolland: É primariamente hermenêutico. Jesus está demonstrando que os Fariseus, que se orgulham de conhecer a Escritura, não conseguem explicar seus textos fundamentais sobre o Messias. É um xeque-mate exegético (Nolland, “NIGTC_180…”).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Salmo 110:1 (LXX 109:1). Carson nota que este é o texto do AT mais citado no NT. A mudança de “escabelo” para “debaixo dos pés” em Mateus pode ser uma influência do Salmo 8:6 (Carson, “REBC_217…”).

5. Consenso Mínimo

  • O Messias é maior que Davi; a filiação davídica é uma verdade insuficiente para descrever a glória e a autoridade do Cristo.