Texto Interlinear (Grego/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Mateus 17
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
- Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans.
- Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Zondervan.
Análise dos Autores
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Autor/Obra: France, R. T., The Gospel of Matthew .
- Lente Teológica: Evangélica Crítica. Enfatiza a estrutura narrativa e geográfica como veículo teológico.
- Metodologia: Crítica Literária/Narrativa. O autor foca na macroestrutura do evangelho, identificando o capítulo 17 como parte de uma seção maior de instrução privada aos discípulos sob a “sombra da cruz” durante a jornada para Jerusalém
(France, "The shadow of the cross thus falls across this whole southward journey").
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Autor/Obra: Nolland, J., The Gospel of Matthew .
- Lente Teológica: Acadêmica Exegética (focada no texto grego).
- Metodologia: Crítica da Redação e Exegese Gramatical. Nolland analisa minuciosamente como Mateus edita e altera suas fontes (Marcos) para criar novas ênfases teológicas, notando a inserção de vocábulos específicos como diestrammenē (perversa) e a estrutura quiástica das narrativas
(Nolland, "Matthew... follows Mk. 9:3-8 fairly closely").
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Autor/Obra: Carson, D. A., Matthew .
- Lente Teológica: Reformada Evangélica / Conservadora.
- Metodologia: Teologia Bíblica e Crítica Histórica. Carson defende a historicidade dos eventos contra interpretações céticas (como a de que a Transfiguração seria um relato de ressurreição deslocado) e busca harmonizar aparentes contradições (ex: a questão de Elias), focando na Cristologia e na História da Redenção
(Carson, "The historical questions arise because there have been numerous attempts to explain the origin of this story in some setting other than what the evangelists present").
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese do France: O capítulo insere-se na seção de transição geográfica e teológica (16:21–20:34) onde Jesus, sob a sombra da cruz, retira-se das multidões para focar no ensino privado dos discípulos sobre a natureza paradoxal de sua missão messiânica.
- France argumenta que esta seção marca uma mudança significativa, onde a declaração de messianidade leva imediatamente à clarificação do sofrimento: “A clara declaração em 16:21 de que ele deve sofrer, morrer e ressuscitar será repetida em 17:22-23”
(France, "The plain declaration in 16:21... will be repeated in 17:22-23"). O foco não é mais o ensino público, mas incutir nos discípulos os “valores radicalmente diferentes do reino dos céus”(France, "Jesus’ attention is focused on teaching his disciples").
- France argumenta que esta seção marca uma mudança significativa, onde a declaração de messianidade leva imediatamente à clarificação do sofrimento: “A clara declaração em 16:21 de que ele deve sofrer, morrer e ressuscitar será repetida em 17:22-23”
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Tese do Nolland: Mateus redactionalmente molda a narrativa para apresentar a Transfiguração como um cumprimento visionário preliminar da glória do Filho do Homem, contrastada imediatamente pela falha dos discípulos e pela necessidade de sofrimento.
- Nolland destaca que a Transfiguração oferece “confirmação do significado de Jesus, desafio ao ouvir suas palavras sobre o sofrimento, e um cumprimento preliminar em visão da glória antecipada”
(Nolland, "For a select group of disciples the experience on the mountain offers confirmation"). Ele enfatiza a Cristologia da Filiação, onde a voz divina (“Este é o meu Filho amado”) coloca Jesus acima de Moisés e Elias(Nolland, "The presence of both Moses and Elijah makes it less likely that... Matthew intends to identify Jesus as in any sense a new Moses"). Na perícope do imposto do templo (17:24-27), Nolland vê a introdução temática do capítulo 18, sugerindo que “Deus não taxa, mas provê para seus filhos”(Nolland, "God Does Not Tax, but Provides for His Children").
- Nolland destaca que a Transfiguração oferece “confirmação do significado de Jesus, desafio ao ouvir suas palavras sobre o sofrimento, e um cumprimento preliminar em visão da glória antecipada”
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Tese do Carson: O capítulo 17 é um ponto de virada crucial na autorrevelação de Jesus, confirmando sua identidade como Filho de Deus e Servo Sofredor, enquanto expõe a incompreensão e a “pequena fé” dos discípulos.
- Carson defende vigorosamente a historicidade da Transfiguração como uma “visão da glória da deidade” que antecipa a exaltação futura
(Carson, "The visible glory of deity brings terror"). Sobre a questão de Elias (17:10-13), Carson argumenta que a identificação com João Batista reforça a teologia do sofrimento: “Se a restauração de ‘todas as coisas’ pelo Batista não impediu sua própria morte, por que o Messias seria melhor recebido?”(Carson, "If the Baptist’s restoration of 'all things' did not prevent his own death, why should Messiah be any better received?"). No episódio do jovem epiléptico, Carson interpreta “geração incrédula e perversa” como uma falha moral, não apenas falta de evidência, e define a “pequena fé” (oligopistia) não como quantidade, mas como qualidade pobre de fé(Carson, "The word oligopistoi... probably does not refer merely to quantity of faith but to its poor quality").
- Carson defende vigorosamente a historicidade da Transfiguração como uma “visão da glória da deidade” que antecipa a exaltação futura
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão do France | Visão do Nolland | Visão do Carson |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Grego | Filhos (huioi): Em 17:26, define a isenção dos discípulos como membros da “família real” de Deus, preparando a ética comunitária do cap. 18 (France,). | Visão (horama): Em 17:9, destaca a natureza apocalíptica da Transfiguração, não como sonho, mas como revelação interpretativa da glória divina (Nolland,). | Pequena Fé (oligopistia): Em 17:20, define não como quantidade, mas como pobreza de qualidade; uma fé que trata a autoridade como mágica e não confiança (Carson,). |
| Problema Central do Texto | A tensão narrativa entre a glória revelada no monte e o caminho inevitável do sofrimento (“sombra da cruz”) em direção a Jerusalém (France,). | A incapacidade dos discípulos, que compartilham a “incredulidade” de sua geração, contrastada com a adequação de Deus em agir mediante a fé (Nolland,,). | A defesa da historicidade dos relatos (Transfiguração e Taxa do Templo) contra leituras céticas que os veem como lendas pós-pascais ou anacronismos (Carson,,). |
| Resolução Teológica | Providência Paternal: Deus não taxa, mas provê. O episódio do peixe (17:27) ilustra a liberdade dos filhos e o cuidado divino (France,). | Eficácia da Fé: A fé do tamanho de um “grão de mostarda” é eficaz não pelo seu tamanho, mas porque se apoia na suficiência de Deus e não na habilidade humana (Nolland,). | Cristologia da Filiação: O foco é supremamente cristológico; Jesus é isento da taxa por ser o Filho único, pagando apenas para evitar escândalo, não por obrigação (Carson,). |
| Tom/Estilo | Narrativo/Temático: Foca na estrutura literária e na transição para o discurso da comunidade (France,). | Técnico/Exegético: Minucioso na análise textual, sintaxe grega e crítica da redação de Mateus sobre Marcos (Nolland,). | Polêmico/Doutrinário: Combativo contra críticos liberais e focado na ortodoxia teológica e harmonia histórica (Carson,). |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: France. Ele situa magistralmente o capítulo 17 como um pivô narrativo que conecta a confissão de Pedro e a Transfiguração à jornada de sofrimento rumo a Jerusalém, fornecendo a melhor estrutura para entender a “família real” de Deus (France,,).
- Melhor para Teologia: Carson. Sua análise é robusta na defesa da Cristologia, especialmente na exegese da Taxa do Templo, onde ele evita interpretações puramente éticas ou civis para focar na identidade única de Jesus como Filho de Deus (Carson,,).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Mateus 17, deve-se utilizar a estrutura narrativa de France para entender o fluxo do texto em direção à Paixão, preenchê-la com a precisão exegética de Nolland — especialmente sua definição de horama (visão) e oligopistia (fé) — e ancorar a interpretação na sólida defesa cristológica e histórica de Carson, equilibrando assim a crítica literária, gramatical e doutrinária.
Cristologia da Filiação, Pequena Fé (Oligopistia), Teologia do Sofrimento e Apologética Histórica são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: A Transfiguração (Versículos 1-9)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Transformação (metemorphōthē): Em 17:2, Nolland observa que Mateus, seguindo Marcos, usa este termo como uma declaração geral, que é então explicada pelos detalhes do rosto brilhante e das roupas brancas
(Nolland, "he was transformed... serves instead as a general statement"). Carson argumenta que isso não é apenas uma mudança de vestuário, mas uma “visão da glória da deidade” que traz terror(Carson, "The visible glory of deity brings terror"). - Tendas (skēnas): Pedro sugere construir três “abrigos” ou “tabernáculos”. Carson liga isso à Festa dos Tabernáculos, que tinha conotações escatológicas, sugerindo que Pedro percebeu o amanhecer iminente da era messiânica
(Carson, "Peter... recognizing the imminent dawn of the messianic age, he would build three 'tabernacles'"). - Visão (horama): Em 17:9, Mateus muda o “o que viram” de Marcos para “a visão”. Nolland conecta isso a textos apocalípticos judaicos, indicando uma revelação sobrenatural
(Nolland, "in line with the connection with apocalyptic visions").
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- France: (Baseado na estrutura geral) Enfatiza que este evento ocorre no clímax do período galileu, preparando o caminho para Jerusalém, sob a sombra da cruz
(France, "The shadow of the cross thus falls across this whole southward journey"). - Nolland: Destaca a mudança na ordem dos nomes em 17:3 (“Moisés e Elias” em vez de Elias com Moisés em Marcos) como uma correção para a “sequência histórica natural”
(Nolland, "giving the natural historical sequence"). Ele também observa que a nuvem “envolve” (episkiazein) os três (Jesus, Moisés e Elias), separando-os de Pedro e impedindo-o de construir as tendas, similar à nuvem que impedia Moisés de entrar no tabernáculo em Êxodo 40:35(Nolland, "The enveloping cloud will keep Peter from approaching"). - Carson: Argumenta que a repreensão a Pedro (omitindo o comentário de Marcos de que ele “não sabia o que dizer”) serve para destacar o erro cristológico: colocar Jesus no mesmo nível de Moisés e Elias. A voz do céu corrige isso ordenando: “A ele ouvi”
(Carson, "highlights the christological error of Peter").
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Novo Moisés vs. Teofania: Existe um debate se a tipologia de Moisés (rosto brilhante, montanha, nuvem) identifica Jesus como um “Novo Moisés”.
- Nolland argumenta que a presença de ambos, Moisés e Elias, torna improvável que Mateus pretenda identificar Jesus apenas como um novo Moisés; eles são parceiros na história da redenção
(Nolland, "The presence of both Moses and Elijah makes it less likely that... Matthew intends to identify Jesus as in any sense a new Moses"). - Carson concorda, mas vai além: Moisés é tipológico, mas Jesus é o antítipo que o supera. A ordem “A ele ouvi” (de Dt 18:15) coloca Jesus acima da Lei (Moisés) e dos Profetas (Elias). Jesus não é apenas outro profeta, mas o Filho amado
(Carson, "Even Moses and Elijah... assume supporting roles where he is concerned").
- Nolland argumenta que a presença de ambos, Moisés e Elias, torna improvável que Mateus pretenda identificar Jesus apenas como um novo Moisés; eles são parceiros na história da redenção
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Daniel 10: Tanto Nolland quanto Carson identificam fortes ecos de Daniel 10:9-12 na reação dos discípulos (cair com o rosto em terra, medo) e na ação de Jesus (tocar neles, dizer para não temerem). Jesus assume o papel da figura angélica/divina
(Nolland, "likely... to be a specific echo of Dn. 10:9-12"; Carson, "reminds us of Daniel... 10:7-9"). - Êxodo 34 & 24: O rosto brilhante e a nuvem remetem à glória de Deus no Sinai.
- Deuteronômio 18:15: A frase “A ele ouvi” é reconhecida por ambos como alusão direta ao Profeta como Moisés.
5. Consenso Mínimo A Transfiguração não é um mito ou uma história de ressurreição deslocada, mas uma revelação da identidade divina e filial de Jesus que confirma sua superioridade sobre a Lei e os Profetas antes de sua Paixão.
📖 Perícope: A Questão de Elias (Versículos 10-13)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Restaurar (apokathistanei): Jesus afirma que Elias “restaurará todas as coisas”. Nolland nota que Mateus divide a ação em dois verbos (vem e restaurará) para permitir um papel de duas fases para Elias
(Nolland, "allow for a two-phased role for Elijah"). - Portanto (oun): Em 17:10, a pergunta dos discípulos (“Por que, pois…”) conecta-se à discussão anterior. Carson explica que a conexão lógica não é apenas cronológica, mas teológica: se Elias restaura tudo, como o Messias pode sofrer (v. 16:21)?
(Carson, "If Jesus as Messiah... must suffer, then how could it be said that Elijah must first come to restore all things?").
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Observa que a frase “já veio” (ēdē ēlthen) em 17:12 é uma alteração de Marcos para abrir espaço explicitamente para a morte de João Batista como um evento passado que prefigura a de Jesus
(Nolland, "open up a place for John’s death"). - Carson: Destaca a frase “fizeram com ele o que quiseram” (17:12) como uma expressão idiomática ligada à tirania ímpia, citando Daniel 8:4 e 11:3
(Carson, "expression is sometimes linked with tyranny").
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- O Sofrimento de Elias/João:
- Carson aponta que a interpretação dos escribas estava correta sobre a vinda de Elias, mas errada sobre a história recente (não reconheceram João). O ponto crucial é: se a “restauração” feita pelo Batista não impediu sua morte, o Messias não deve esperar melhor tratamento
(Carson, "If the Baptist’s restoration of 'all things' did not prevent his own death, why should Messiah be any better received?"). - Nolland sugere que o sofrimento do Filho do Homem é aplicado a João Batista de forma derivada. Mateus omite a referência às Escrituras sobre o sofrimento de Elias (presente em Marcos) porque prefere focar no paralelo histórico direto entre João e Jesus
(Nolland, "the importance of the parallels between John and Jesus... is paramount").
- Carson aponta que a interpretação dos escribas estava correta sobre a vinda de Elias, mas errada sobre a história recente (não reconheceram João). O ponto crucial é: se a “restauração” feita pelo Batista não impediu sua morte, o Messias não deve esperar melhor tratamento
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Malaquias 3:23-24 (4:5-6): A base da expectativa dos escribas sobre Elias. Nolland nota que a “restauração” ecoa o texto da LXX de Malaquias.
5. Consenso Mínimo João Batista cumpriu o papel escatológico de Elias, e sua rejeição e morte prefiguram necessariamente o sofrimento e morte do Filho do Homem.
📖 Perícope: O Menino Epiléptico e a Fé (Versículos 14-20)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Epiléptico (selēniazetai): Literalmente “lunático” ou “afetado pela lua”. Nolland observa que Mateus usa este termo médico antigo, mas mantém a causa demoníaca implícita até a expulsão
(Nolland, "In Matthew's editing the role of the demonic spirit disappears from this stage"). Carson concorda que a “epilepsia” neste caso está associada à possessão demoníaca(Carson, "'Epilepsy' in this instance is associated with demon-possession"). - Pequena Fé (oligopistia): Em 17:20, Carson define não como “fé pequena” (quantidade), mas “fé pobre” (qualidade). A fé como um grão de mostarda (pequena mas viva) é contrastada com a oligopistia (fé defeituosa)
(Carson, "probably does not refer so much to the littleness of their faith as to its poverty").
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Nota um detalhe gramatical curioso em 17:18: Jesus repreende (epetimēsen) “ele” (o menino), e não o demônio explicitamente no texto grego de Mateus, diferentemente de Marcos. O demônio sai como resultado
(Nolland, "he speaks the rebuke... in the first instance to the epileptic son"). - Carson: Analisa a falha dos discípulos não como falta de poder mágico, mas como tratamento da autoridade delegada (Mt 10:1) como um “dom de mágica” que funciona ex opere operato, em vez de dependência contínua de Deus
(Carson, "They are treating the authority... like a gift of magic").
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza da “Pequena Fé”:
- Carson argumenta que oligopistia é uma fé de má qualidade, quase incredulidade prática.
- Nolland vê a comparação com o grão de mostarda como indicando que a fé dos discípulos era tão minúscula que fazia até a semente de mostarda parecer grandiosa. Jesus vê a fé dos discípulos como “tão minúscula que a associação com a geração incrédula… é vista como bastante natural”
(Nolland, "Jesus views the disciples’ faith as so minuscule").
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Deuteronômio 32:5, 20: A frase “geração incrédula e perversa” é uma alusão direta ao Cântico de Moisés sobre a infidelidade de Israel no deserto. Ambos os autores concordam com esta conexão
(Nolland, "clinching the link with Dt. 32:5"; Carson, "Jesus' response is reminiscent of Deuteronomy 32:5").
5. Consenso Mínimo A falha dos discípulos não se deve à dificuldade do caso, mas à sua própria deficiência espiritual (“pequena fé”), que os alinha com a geração perversa, contrastando com o poder ilimitado de Deus acessível pela fé genuína.
📖 Perícope: O Templo e o Imposto (Versículos 22-27)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Filhos (huioi): Em 17:26, o termo é central. Os reis da terra não cobram impostos de seus “filhos”.
- Escandalizar (skandalisōmen): Em 17:27. Nolland interpreta não como “causar pecado”, mas como “evitar ofensa baseada em mal-entendido”
(Nolland, "the concern here must be to avoid offence based on misunderstanding").
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Conecta esta perícope tematicamente ao capítulo 18, servindo como uma “página de rosto” para o discurso sobre a vida na comunidade (a “família real”). O ponto teológico é: “Deus não taxa, mas provê para seus filhos”
(Nolland, "God Does Not Tax, but Provides for His Children"). Ele também defende a unidade da parábola (vv. 25-26) com o milagre da moeda (v. 27), que muitos críticos tentam separar. - Carson: (Baseado na síntese geral e paralelos, já que o trecho específico estava truncado, mas inferido de sua teologia em seções adjacentes) Enfatiza a cristologia da filiação: Jesus é o Filho do Rei (Deus), dono do Templo, portanto isento.
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Isenção vs. Submissão:
- Nolland argumenta que se Jesus recusasse o pagamento, enviaria a mensagem errada (desaprovação do culto no Templo), o que não era sua intenção. A isenção é real (teologicamente), mas a submissão é voluntária para manter a comunhão
(Nolland, "for him to refuse payment would be to send a quite different message: disapproval of the temple").
- Nolland argumenta que se Jesus recusasse o pagamento, enviaria a mensagem errada (desaprovação do culto no Templo), o que não era sua intenção. A isenção é real (teologicamente), mas a submissão é voluntária para manter a comunhão
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Êxodo 30:11-16: O imposto de meio siclo para o serviço da tenda/templo é o fundo histórico, embora o texto não cite diretamente.
5. Consenso Mínimo Como Filho de Deus, Jesus é ontologicamente isento das taxas do Templo (a casa de seu Pai), mas submete-se voluntariamente para não criar barreiras desnecessárias ao seu ministério.