Análise Comparativa: Mateus 16

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Carson, D. A. (2010). Matthew. Em: The Expositor’s Bible Commentary, Revised Edition. Grand Rapids: Zondervan.
  • France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. The New International Commentary on the New Testament. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
  • Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. The New International Greek Testament Commentary. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.

Análise dos Autores

  • Autor A: France, R. T. (The Gospel of Matthew)

    • Lente Teológica: Evangélica Crítica / Teologia Bíblica. France foca na narrativa literária e na estrutura dramática do Evangelho, enfatizando o cumprimento das promessas do Antigo Testamento em Jesus como o Messias de Israel.
    • Metodologia: Abordagem redacional e narrativa. Ele presta atenção especial às fórmulas estruturais e às transições geográficas e teológicas, como a mudança de foco da Galileia para Jerusalém em Mateus 16:21, tratando o texto como uma unidade literária coesa (France, Trecho 2).
  • Autor B: Nolland, J. (The Gospel of Matthew)

    • Lente Teológica: Acadêmica Crítica / Filológica. Nolland prioriza a análise técnica do texto grego, discutindo variantes textuais e a história da tradição (fontes como Marcos e Q) antes de chegar à teologia redacional de Mateus.
    • Metodologia: Exegese gramatical rigorosa. Ele disseca o texto palavra por palavra, analisando o uso da LXX (Septuaginta) versus Texto Massorético e debatendo a autenticidade histórica de logia específicos através da crítica das formas (Nolland, Trecho 339).
  • Autor C: Carson, D. A. (Matthew)

    • Lente Teológica: Evangélica Reformada / Histórico-Redentiva. Carson defende a historicidade dos relatos evangélicos contra o ceticismo crítico, enfatizando a continuidade da história da salvação e a coerência interna do cânon.
    • Metodologia: Teologia Sistemática e Histórica aplicada à exegese. Ele frequentemente engaja em polêmicas acadêmicas para refutar interpretações minimalistas (como as que negam a autenticidade de “igreja” em 16:18), buscando harmonizar tensões teológicas e históricas (Carson, Trecho 669).

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de France (Autor A): O capítulo 16 marca o ponto de virada decisivo na narrativa, onde a confissão de Pedro (16:16) encerra o ministério galileu e a fórmula “Desde aquele tempo…” (16:21) inaugura a marcha para a crucificação em Jerusalém.

    • France destaca que a seção central (16:21–20:34) vive sob a “sombra da cruz”, onde Jesus se foca no ensino privado dos discípulos, que se provam “lentos para aprender” ao tentarem impor valores humanos à missão divina (France, Trecho 3).
  • Tese de Nolland (Autor B): Mateus 16 ilustra a dicotomia entre a rejeição pelos líderes judeus, incapazes de ler os “sinais dos tempos” (16:3), e a revelação divina concedida aos discípulos, centrada na identidade de Jesus e na necessidade apocalíptica do sofrimento.

    • Nolland argumenta que o termo dei (“é necessário”, 16:21) reflete uma influência da linguagem apocalíptica (cf. Dn 2:28), indicando que o trauma da paixão era entendido como parte inevitável da inauguração do futuro escatológico (Nolland, Trecho 341). Ele também oferece uma análise detalhada do jogo de palavras entre Petros e petra, sugerindo que as “portas do Hades” podem ser vistas tanto como agressoras (morte reivindicando pessoas) quanto defensivas (igreja resgatando da morte) (Nolland, Trecho 197, 198).
  • Tese de Carson (Autor C): O capítulo expõe uma polarização progressiva onde a revelação da identidade messiânica de Jesus exige uma compreensão correta de sua missão sacrificial, validando a autoridade de Pedro na história da salvação sem, contudo, idealizá-lo.

    • Carson defende vigorosamente a autenticidade dos versículos 16:17-19 (o logion sobre a Igreja) contra críticos que o consideram anacrônico. Ele sustenta que a “primazia histórico-salvífica” de Pedro é real, mas funcional, ligada à confissão de fé e ao uso das “chaves” para abrir o reino através do evangelho, uma autoridade derivada da revelação do Pai e não de “carne e sangue” (Carson, Trecho 667, 677). Ele também interpreta a vinda do Filho do Homem em 16:28 não como a Parusia final, mas como a manifestação do reino através da transfiguração, ressurreição e ascensão (Carson, Trecho 706).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de France (Autor A)Visão de Nolland (Autor B)Visão de Carson (Autor C)
Palavra-Chave/Termo GregoApo tote ērksato (“Desde aquele tempo começou”, 16:21). France define como uma fórmula estrutural crucial que divide o Evangelho, marcando a transição geográfica e teológica para a “sombra da cruz” (France, Trecho 5).Dei (“É necessário”, 16:21). Nolland define não apenas como destino, mas como necessidade apocalíptica (cf. Dn 2:28), indicando que o sofrimento é parte intrínseca do desenrolar do plano escatológico divino (Nolland, Trecho 377).Ekklēsia (“Igreja/Assembleia”, 16:18). Carson define como a comunidade messiânica do remanescente fiel, defendendo a autenticidade do termo contra Bultmann, que o via como anacronismo pós-pascal (Carson, Trecho 700, 702).
Problema Central do TextoA incompreensão narrativa dos discípulos. O problema é literário e pedagógico: os discípulos reconhecem o Messias (16:16) mas rejeitam sua missão de sofrimento, provando-se “lentos para aprender” os novos valores do reino (France, Trecho 5).A tensão entre a confissão e o escândalo. O problema é como Pedro pode ser a “rocha” (16:18) e imediatamente se tornar skandalon (“pedra de tropeço”, 16:23), uma paródia da função da rocha em Is 8:14 (Nolland, Trecho 380).O ceticismo crítico moderno. O problema central para Carson é refutar interpretações que negam a historicidade da confissão de Pedro ou da promessa da Igreja, ou que veem a previsão da morte (16:21) como vaticinium ex eventu (Carson, Trecho 697, 800).
Resolução TeológicaA confissão de Pedro não é o fim, mas o ponto de virada. A resolução está na redefinição do messianismo: a glória de Cesareia de Filipe deve ser submetida à humilhação de Jerusalém, criando um paradoxo narrativo deliberado (France, Trecho 4).A autoridade de Pedro (“ligar e desligar”, 16:19) é conservadora e derivada. Não é uma autoridade autônoma, mas a função de regular a conduta comunitária estritamente baseada no ensino recebido de Jesus, sob a proteção divina contra o Hades (Nolland, Trecho 211, 360).A primazia histórico-salvífica de Pedro. Jesus constrói a igreja sobre Pedro (não apenas sua fé), mas como o primeiro a confessar e abrir o reino. O “reino” em 16:28 refere-se a manifestações de poder (Transfiguração, Ressurreição) e não à Parusia, salvando a veracidade de Jesus (Carson, Trecho 693, 736).
Tom/EstiloNarrativo/Estrutural. Foca na arquitetura literária do Evangelho e no drama da jornada para a cruz.Técnico/Filológico. Aborda variantes textuais, etimologias (Hades, Petra) e paralelos intertestamentários com rigor acadêmico.Polemicamente Ortodoxo. Engaja-se vigorosamente com a crítica liberal para defender a coerência histórica e teológica do texto.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Nolland (Autor B). Ele oferece o background mais rico sobre o uso semítico de termos como Hades, skandalon e as complexas tradições rabínicas de “ligar e desligar” (cf. b. Sanh. 38a), evitando simplificações e explorando as nuances da LXX e do Texto Massorético (Nolland, Trecho 207, 379).
  • Melhor para Teologia: Carson (Autor C). Sua análise conecta a cristologia de Mateus 16 com a história da redenção de forma robusta. Ele brilha ao explicar a tensão entre a autoridade de Pedro e a fundação da Igreja, refutando tanto o minimalismo crítico quanto excessos eclesiásticos, e ao harmonizar a escatologia de 16:28 com o restante do Novo Testamento (Carson, Trecho 707, 804).
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Mateus 16, deve-se utilizar a estrutura de France para situar o capítulo como o eixo narrativo central do Evangelho; preencher essa estrutura com a exegese detalhada de Nolland sobre o significado judaico-apocalíptico dos termos chaves (especialmente a relação entre Petra e Skandalon); e aplicar a lente teológica de Carson para entender as implicações eclesiológicas e a historicidade da confissão petrina. O capítulo revela-se assim como o momento onde a identidade de Jesus é firmada (Carson), a missão sofredora é revelada (Nolland) e o caminho para a cruz é inaugurado (France).

Primazia de Pedro, Eclesiologia Messiânica, Necessidade Apocalíptica e Confissão Cristológica são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: Versículos 1-4 (Os Buscadores de Sinais)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Sēmeion (Sinal): Carson observa que o pedido por um “sinal do céu” é uma tentativa de manipular o Messias, contrastando os milagres que Jesus já realizava, que exigiam fé para serem percebidos, com sinais coercitivos que compeliriam a fé (Carson, Trecho 724).
  • Pyrrhazei (Vermelhidão do céu): Nolland discute a variante textual dos versículos 2b-3 (os sinais do tempo), notando que palavras como pyrrhazei não aparecem até séculos mais tarde na literatura grega, embora o cognato apareça na LXX. Ele argumenta pela autenticidade do trecho, sugerindo que a omissão em alguns manuscritos (como o Sinaítico e o Vaticano) pode dever-se à incompreensão dos escribas sobre as imagens meteorológicas ou a um erro visual (homoioarcton) (Nolland, Trecho 178, 260).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • France (via Histórico): Enfatiza a estrutura narrativa onde a rejeição dos líderes judeus atinge seu clímax, preparando o cenário para a confissão de Pedro.
  • Nolland: Destaca que a recusa de Jesus em dar um sinal, exceto o de Jonas, ecoa a resposta dada em Mateus 12:39, mas aqui a forma abreviada serve para evocar a memória do leitor sobre a morte e ressurreição (o “três dias e três noites”) sem repeti-la explicitamente. Ele nota que a partida de Jesus (kataleipein) marca um rompimento físico provocado pelos visitantes hostis (Nolland, Trecho 182).
  • Carson: Aponta que a união de “Fariseus e Saduceus” é historicamente estranha, dado que eles discordavam em quase tudo, mas se unem aqui na incredulidade. Carson argumenta que o “sinal de Jonas” refere-se inequivocamente à morte e ressurreição, rejeitando interpretações que o limitam apenas à pregação de arrependimento (Carson, Trecho 583).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Variante Textual (vv. 2-3): Existe um debate sobre a inclusão dos versículos sobre o clima. Nolland defende a inclusão com base no argumento de que a leitura mais difícil (com termos raros e uso plural de kairos) é provavelmente original (Nolland, Trecho 178). Carson tende a aceitar o texto como está, focando na teologia da “geração má e adúltera” sem se deter na crítica textual deste ponto específico nos trechos fornecidos.

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Jonas: Ambos concordam que a referência a Jonas (Jn 1:17) tipifica a morte e ressurreição.

5. Consenso Mínimo

  • O pedido por um sinal é uma expressão de incredulidade obstinada, e o “sinal de Jonas” aponta para a vindicação futura de Jesus através da ressurreição.

📖 Perícope: Versículos 5-12 (O Fermento dos Fariseus)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Zymē (Fermento): Carson define “fermento” neste contexto especificamente como “uma atitude de incredulidade em relação à revelação divina” que exigia sinais manipulativos, em vez de aceitar as evidências abundantes já dadas (Carson, Trecho 724).
  • Oligopistoi (Homens de pequena fé): Carson argumenta que este termo não denota apenas uma quantidade pequena de fé, mas uma “fé pobre” ou de má qualidade, contrastando com o medo (Carson, Trecho 528).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Oferece uma leitura pragmática da confusão dos discípulos, sugerindo uma “conversa com propósitos cruzados”: Jesus fala a partir de sua experiência com os fariseus (vv. 1-4), enquanto os discípulos estão presos à sua própria falha logística de não trazer pão (Nolland, Trecho 190).
  • Carson: Defende vigorosamente Mateus contra a acusação de que ele “idealiza” os discípulos. Ele argumenta que, embora Mateus mostre os discípulos começando a entender (v. 12), a repreensão de Jesus permanece severa. A compreensão final é resultado da explicação de Jesus, não da intuição natural deles (Carson, Trecho 724).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Natureza do “Fermento”: Nolland vê o fermento como o “ensino” (didachē), conforme explicitado no v. 12, ligando-o à rejeição da autoridade de Jesus. Carson nuanceia isso, argumentando que Jesus não poderia estar condenando todo o ensino dos fariseus e saduceus (pois eles discordavam entre si), mas sim a atitude compartilhada de ceticismo antimesiânico (Carson, Trecho 724).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Não há citações diretas, mas a imagem do “fermento” ecoa a exclusão do mal/corrupção nas festas judaicas (cf. Êx 12).

5. Consenso Mínimo

  • A incompreensão dos discípulos sobre o pão literal revela uma falha em perceber a provisão sobrenatural de Jesus demonstrada nas multiplicações anteriores.

📖 Perícope: Versículos 13-20 (A Confissão de Pedro)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Petros / Petra (Pedro / Rocha):
    • Nolland: Discute o jogo de palavras grego (Petros/petra) e a provável base aramaica (kypa). Ele nota que não há um antecedente óbvio para “esta rocha” (tautē tē petra) que não seja Pedro, rejeitando distinções artificiais entre Pedro e sua fé (Nolland, Trecho 209).
    • Carson: Afirma que ekklēsia (Igreja) não é um anacronismo, mas traduz o hebraico qāhāl (assembleia do povo de Deus). Ele insiste que a “rocha” é Pedro, argumentando que um Messias sem uma comunidade messiânica seria impensável para um judeu (Carson, Trecho 668, 669).
  • Pylai Hadou (Portas do Hades):
    • Nolland: Explora se as portas são agressoras (morte atacando) ou defensivas (igreja invadindo). Ele cita 1QH 11:16-18 e Sabedoria 16:13 para mostrar que “portas do Hades” referem-se ao poder da morte de aprisionar (Nolland, Trecho 358).
    • Carson: Define como “o poder da morte” que não será capaz de aprisionar a igreja ou o Messias (Carson, Trecho 669).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Traz um background detalhado sobre “ligar e desligar”, citando b. Sanh. 38a e a tradição de “abrir e fechar” discussões haláquicas, sugerindo que a autoridade de Pedro é conservadora: ele deve regular a conduta baseada no que aprendeu de Jesus (Nolland, Trecho 211, 215).
  • Carson: Enfatiza a revelação divina (“não foi carne e sangue”). Ele refuta a ideia de que o título “Filho do Deus vivo” seja uma redação posterior de Mateus, argumentando que, para Pedro, o termo tinha um significado messiânico funcional naquele momento, mesmo que tenha adquirido conotações de divindade mais tarde (Carson, Trecho 664).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Identidade da Rocha: Ambos concordam que a “rocha” é Pedro, contra a interpretação protestante clássica que vê a rocha como a “confissão de fé” ou “Cristo”. Carson é explícito: “Você é Pedro e sobre esta pedra (Pedro)…” é a leitura natural. A diferença é funcional: para Carson, Pedro é a rocha fundacional na história da salvação (inaugurando a igreja); para Nolland, a função está ligada à autoridade de ensino (Nolland, Trecho 209; Carson, Trecho 669).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Isaías 22:22: Ambos identificam este texto como o pano de fundo para as “chaves do reino”, indicando autoridade delegada para governar a casa de Deus (Carson, Trecho 669; Nolland, Trecho 212).
  • Jeremias: Carson discute por que Mateus menciona Jeremias em 16:14, sugerindo uma tipologia de “profeta da condenação” rejeitado (Carson, Trecho 663).

5. Consenso Mínimo

  • Pedro recebe uma primazia histórica e autoridade real, dada por revelação divina, para liderar a comunidade messiânica emergente.

📖 Perícope: Versículos 21-23 (O Escândalo da Cruz)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Dei (É necessário): Nolland destaca que este termo implica uma necessidade divina/apocalíptica, não apenas fatalismo (Nolland, Trecho 399).
  • Skandalon (Pedra de tropeço): Jesus chama Pedro de skandalon. Nolland nota a ironia: aquele que foi nomeado “Rocha” (fundação) agora age como “Pedra de tropeço” (obstáculo), uma paródia de Deus como rocha de tropeço em Isaías 8:14 (Nolland, Trecho 403).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Nolland: Observa que Mateus remove o título “Filho do Homem” da predição da paixão (presente em Marcos), preferindo usar “Jesus” ou “ele”, para evitar confusão imediata sobre o papel sofredor do Filho do Homem antes que a identidade messiânica esteja firme (Nolland, Trecho 400).
  • Carson: Destaca que a repreensão de Pedro (“Deus tenha misericórdia de ti, Senhor!”) usa uma linguagem (hileōs soi) que reflete uma forte expressão hebraica de proibição (ḥālîlâ - “Longe de ti!”), mostrando que Pedro estava tentando ativamente anular a vontade de Deus (Carson, Trecho 676).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A “Repreensão” de Pedro: Carson foca na teologia: Pedro rejeita o sofrimento porque ainda entende o Messias apenas em termos de triunfo político. Nolland foca na narrativa: Pedro tenta assumir o controle, “tomando Jesus à parte” (proslabomenos), uma inversão de papéis que Jesus rejeita imediatamente (Nolland, Trecho 401).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Isaías 8:14: Nolland vê uma alusão irônica onde Pedro encarna o lado negativo da metáfora da pedra (Trecho 403).

5. Consenso Mínimo

  • A compreensão messiânica de Pedro, embora correta na identificação (v. 16), é totalmente deficiente quanto à missão (o sofrimento é rejeitado como satânico).

📖 Perícope: Versículos 24-28 (O Caminho da Cruz)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Psyche (Vida/Alma): Usado em um jogo de palavras. Salvar a vida terrena resulta em perder a vida verdadeira.
  • Antallagma (Troca/Resgate): O que dará o homem em troca de sua alma? (v. 26).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Carson: Em relação ao difícil verso 28 (“alguns… não provarão a morte até que vejam o Filho do Homem vindo no seu reino”), Carson rejeita a “escatologia consistente” (que Jesus errou a data do fim) e o dispensacionalismo (que separa totalmente o reino). Ele propõe que a “vinda” refere-se à manifestação do governo régio de Jesus, que começa com a Transfiguração, passa pela Ressurreição e culmina na Parusia, sendo a Transfiguração uma “prévia” imediata (Carson, Trecho 703).
  • Nolland: Sugere uma ligação literária forte entre 16:28 e 20:21 (o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu para vê-lo “no seu reino”). Para Nolland, Mateus entende o governo régio de Jesus como prolepticamente visível na cruz e ressurreição, cumprindo a promessa de que alguns não morreriam antes de verem esse governo iniciar (Nolland, Trecho 410).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • O Cumprimento de 16:28:
    • Carson: Enfatiza a Transfiguração (imediata no texto) e a Ressurreição como o cumprimento principal.
    • Nolland: É mais aberto a ver múltiplos estágios de cumprimento, incluindo a destruição de Jerusalém (24:2) e a cruz como o paradoxo do reino (Nolland, Trecho 410).

4. Ecos do Antigo Testamento

  • Daniel 7:13-14: A “vinda do Filho do Homem” em glória é uma alusão clara à visão de Daniel.
  • Salmo 49 e 62: Carson nota que a linguagem de “troca” pela alma (v. 26) e recompensa pelas obras (v. 27) ecoa estes Salmos (Carson, Trecho 407, 702).

5. Consenso Mínimo

  • O discipulado exige uma reavaliação radical da vida (psyche), onde a auto-negação presente é a única garantia de vindicação futura no julgamento escatológico.