Análise Comparativa: Mateus 13

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Grand Rapids: Zondervan.
  • France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Grand Rapids: Eerdmans.
  • Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Grand Rapids: Eerdmans.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: France, R. T., The Gospel of Matthew .

    • Lente Teológica: Evangélica crítica com ênfase na teologia do cumprimento (fulfillment) e na narrativa literária.
    • Metodologia: Abordagem histórico-literária. Ele foca na estrutura narrativa ampla do Evangelho, vendo os discursos como pilares estruturais. Em relação ao capítulo 13, sua análise situa o discurso das parábolas como uma resposta narrativa natural às reações variadas a Jesus observadas nos capítulos 11 e 12, servindo como uma pausa para “reflexão sobre as implicações do anúncio do reino” (France).
  • Autor/Obra: Nolland, J., The Gospel of Matthew .

    • Lente Teológica: Acadêmica exegética com forte rigor filológico (atenção ao grego).
    • Metodologia: Crítica da Redação e análise sintática detalhada. Nolland examina minuciosamente como Mateus editou e adaptou suas fontes (especialmente Marcos) para criar estruturas quiásticas e ênfases teológicas distintas. Ele disseca a estrutura interna do capítulo 13, notando a divisão cuidadosa entre o ensino às multidões e a instrução privada aos discípulos (Nolland).
  • Autor/Obra: Carson, D. A., Matthew .

    • Lente Teológica: Evangélica Reformada / Conservadora erudita.
    • Metodologia: Exegese teológica e História da Redenção. Carson foca na coerência teológica, combatendo interpretações críticas que fragmentam o texto ou alegam anacronismos da igreja primitiva. Ele enfatiza a tensão entre a soberania divina e a responsabilidade humana na recepção das parábolas, bem como a natureza do Reino inaugurado (Carson).

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de France: O discurso das parábolas não é um arranjo aleatório, mas uma expansão deliberada de Marcos 4 que serve como um momento narrativo crucial para refletir sobre as respostas polarizadas a Jesus (fé vs. rejeição) apresentadas nos capítulos anteriores.

    • Argumento: France argumenta que Mateus 13 funciona como uma “oportunidade para reflexão sobre as implicações do anúncio do reino de Deus por Jesus e as respostas que ele encontrou” (France). Ele vê o capítulo servindo a um propósito literário de consolidar a impressão da autoridade de Jesus (estabelecida nos caps. 5-9) e processar a oposição crescente (caps. 11-12), fornecendo “alimento para o pensamento” antes que a narrativa prossiga para a rejeição em Nazaré.
  • Tese de Nolland: O capítulo 13 é uma composição altamente estruturada (possivelmente quiástica) que destaca a polarização entre o “de fora” (multidões) e o “de dentro” (discípulos), onde as parábolas revelam os mistérios do reino apenas àqueles a quem foi dado o entendimento.

    • Argumento: Nolland enfatiza a “estrutura mateana” onde “o movimento das multidões para os discípulos é fundamental para a dinâmica dos materiais” (Nolland). Ele identifica que o uso de parábolas marca as multidões como “ainda estranhas (outsiders) ao que Deus está fazendo atualmente”, enquanto os discípulos são os “privilegiados” a quem foi concedido discernimento divino (Nolland). Ele argumenta que Mateus utiliza fontes (Marcos e Q) mas cria uma síntese teológica própria, onde o entendimento é a chave para o discipulado frutífero.
  • Tese de Carson: As parábolas do Reino revelam a natureza do reino inaugurado (escatologia realizada mas não consumada) e operam simultaneamente para ocultar a verdade dos endurecidos e revelá-la aos discípulos, sem eliminar a responsabilidade humana ou a eleição divina.

    • Argumento: Carson contesta a visão dispensacionalista de que Jesus mudou para parábolas apenas como julgamento para esconder a verdade; ele afirma que as parábolas “apresentam as reivindicações do reino inaugurado… de tal maneira que suas implicações são explicadas para aqueles na audiência com olhos para ver” (Carson). Ele defende vigorosamente a autenticidade histórica das explicações das parábolas (como a do Semeador e do Joio), rejeitando a ideia de que sejam criações posteriores da igreja, e sustenta que os “mistérios” referem-se ao reino que já amanheceu na história antes do fim apocalíptico (Carson).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de France (NICNT)Visão de Nolland (NIGTC)Visão de Carson (REBC)
Hermenêutica da Parábola (Parabolē)Enfatiza a função narrativa; as parábolas são uma “oportunidade para reflexão” sobre a rejeição a Jesus nos caps. 11-12 e uma pausa antes da hostilidade aberta (France, Trecho).Enfatiza a estrutura de redação; o movimento das multidões para os discípulos é a chave. As parábolas marcam os de fora como “ainda estranhos” ao agir de Deus (Nolland, Trecho,).Enfatiza a teologia bíblica; as parábolas revelam o “reino inaugurado” e simultaneamente ocultam a verdade como julgamento divino e desafio à fé (Carson, Trecho).
Conceito de “Mistério” (Mysterion, 13:11)Visto como o conteúdo das implicações do anúncio do Reino, oferecendo “alimento para o pensamento” sobre a autoridade de Jesus (France, Trecho).Define como o conhecimento soberano e divino (alusão a Daniel 2:28) concedido aos privilegiados (discípulos) em contraste com a cegueira de Israel (Nolland, Trecho).Define especificamente como “a vinda do Reino na história antes de sua manifestação apocalíptica” (citando Ladd). O mistério não é apenas informação secreta, mas a escatologia inaugurada (Carson, Trecho).
Interpretação do Trigo e Joio (Zizania)Foca na resposta variada a Jesus. O discurso é uma expansão de Marcos 4 para processar a oposição crescente registrada nos capítulos anteriores (France, Trecho).Rejeita uma aplicação puramente eclesiológica; vê a parábola como a avaliação de Jesus sobre o estado do seu povo (Israel) e a mistura histórica na formação do povo de Deus (Nolland, Trecho).Refuta vigorosamente a interpretação de “disciplina eclesiástica” (igreja mista). Afirma que “o campo é o mundo” (13:38) e que a parábola trata de expectativa escatológica, não de deterioração eclesiológica (Carson, Trecho,).
Tom/EstiloLiterário-Narrativo: Preocupado com o fluxo da história e “padrões deliberados” na estrutura do Evangelho (France, Trecho).Técnico-Redacional: Focado em fontes, sintaxe grega e distinções entre tradição e redação mateana (Nolland, Trecho).Teológico-Polêmico: Engaja-se em debates doutrinários (ex: contra dispensacionalistas) e defende a coerência sistemática (compatibilismo) (Carson, Trecho).

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Nolland. Sua análise detalhada das fontes (comparação com Marcos e Q) e do grego (ex: a discussão sobre zizania e a sintaxe de synteleia aiōnos) fornece a base filológica mais robusta, situando o texto no ambiente literário e histórico do judaísmo do primeiro século e da redação do evangelho (Nolland, Trecho,).
  • Melhor para Teologia: Carson. Ele oferece a síntese doutrinária mais profunda, especialmente ao articular o conceito de Reino Inaugurado e ao resolver a tensão entre a soberania divina (eleição) e a responsabilidade humana na recepção das parábolas (o problema do hina vs. hoti em 13:13). Carson conecta magistralmente a cristologia de Mateus com a teologia da redenção (Carson, Trecho,).
  • Síntese: Para uma exegese completa de Mateus 13, deve-se utilizar France para situar o discurso dentro do fluxo narrativo do rejeição do Messias, Nolland para dissecar a estrutura interna e as nuances linguísticas das parábolas, e Carson para compreender as profundas implicações do Mistério do Reino e da Escatologia Inaugurada, evitando anacronismos eclesiológicos na interpretação do Trigo e do Joio.

Reino Inaugurado, Mistério do Reino, Escatologia Inaugurada e Compatibilismo são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: O Cenário e a Parábola do Semeador (13:1–9)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Parabolē (παραβολή): Carson argumenta que o termo grego reflete o hebraico māšāl, abrangendo um leque mais amplo que “parábola” em português, incluindo provérbios, enigmas e histórias com verdades incorporadas. Ele adverte contra definições restritivas que excluem materiais rotulados como parábolas pelos escritores do NT (Carson, “The setting”).
  • Kathēmai (κάθημαι - sentar-se): Nolland observa que a postura de Jesus “sentado” ao lado do mar (v. 1) e depois no barco (v. 2) é a postura clássica de um mestre, ecoando Mateus 5:1 (Nolland, “Textual Notes”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [France]: Destaca que Mateus 13 é uma expansão considerável de Marcos 4, servindo narrativamente como uma oportunidade para “reflexão sobre as implicações do anúncio do reino” após as respostas variadas a Jesus nos capítulos 11-12 (France, “NICNT - The Gospel of Matthew”).
  • [Carson]: Refuta a tese de Kingsbury de que a mudança do verbo “ensinar” (Marcos) para “dizer/falar” (Mateus 13:3) implica que Jesus parou de ensinar aos judeus após a rejeição no capítulo 12. Carson demonstra que Jesus continua ensinando as multidões e líderes judeus em passagens posteriores (ex: 22:16; 26:55) (Carson, “The setting”).
  • [Nolland]: Observa que a menção de Jesus saindo “da casa” (v. 1) estabelece uma continuidade cronológica estrita com 12:46-50, ligando a temática de fazer a vontade do Pai (fim do cap. 12) com o reino dos céus (foco do cap. 13) (Nolland, “Speaking to the Crowds”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Natureza da Audiência: Há um debate sobre se a distinção entre “multidões” e “discípulos” representa uma disjunção teológica entre Sinagoga e Igreja. Carson contesta essa visão (defendida por Wilkens e outros), argumentando que a linguagem não é específica o suficiente para tal conclusão e que o contraste real é entre fazer ou não a vontade do Pai (Carson, “The setting”).
  • Estrutura Literária: Enquanto alguns veem os versículos iniciais apenas como cenário, Nolland enfatiza a falha de Mateus em marcar explicitamente o retorno ao ensino público nos vv. 24-33, exigindo que o leitor infira que o discurso continua para as mesmas multidões com base no plural “parábolas” em 13:3 (Nolland, “Speaking to the Crowds”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Não há citações diretas do AT identificadas pelos autores nesta seção específica (v. 1-9), embora o conceito de māšāl (parábola) seja enraizado na tradição sapiencial e profética judaica (Carson).

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que a mudança de cenário para o mar e o uso do barco servem para acomodar as grandes multidões e iniciar um bloco distinto de ensino parabólico.

📖 Perícope: O Propósito das Parábolas (13:10–17)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Mysterion (μυστήριον): Nolland liga este termo a Daniel 2:28,44, referindo-se a segredos de Deus sobre o fim dos tempos que não podem ser conhecidos independentemente, mas são revelados divinamente (Nolland, “Why Parables?”).
  • Hoti (ὅτι) vs. Hina (ἵνα): O debate central no v. 13. Marcos usa hina (propósito: “para que não vejam”), enquanto Mateus usa hoti (causa: “porque não veem”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Nolland]: Destaca que a resposta de Jesus em 13:13 cria um quiasmo menor com 13:11-12: (A) Falta de insight (B) Retirada da comunicação direta; (B’) Uso de parábolas (A’) Falha em perceber. Ele vê a citação de Isaías como uma contribuição própria de Mateus para expandir a alusão de Marcos (Nolland, “Why Parables?”).
  • [Carson]: Defende uma visão compatibilista entre soberania divina e responsabilidade humana. Ele argumenta que Mateus, ao usar hoti (causa), não está contradizendo o hina (propósito) de Marcos, mas fornecendo a “razão humana” (embotamento espiritual) ao lado da eleição divina mencionada no v. 11 (“a vós é dado… a eles não”). Carson insiste que as parábolas ocultam a verdade dos endurecidos e desafiam os discípulos a ver (Carson, “On understanding parables”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A “Idealização” dos Discípulos: Carson combate a visão (de G. Barth e Kingsbury) de que Mateus idealiza os discípulos eliminando sua ignorância. Ele argumenta que, se eles entendessem tudo, não precisariam de explicações nos vv. 18-23 e 36. O foco não é a inteligência inata deles, mas a revelação dada por graça (Carson, “On understanding parables”).
  • Função de Isaías 6:9-10: Nolland sugere que Mateus abrevia a alusão no v. 13 (comparado a Marcos) propositalmente para preparar o terreno para a citação completa nos vv. 14-15, enfatizando que a cegueira do povo cumpre a profecia (Nolland, “Why Parables?”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Isaías 6:9-10: Ambos os autores concordam que esta é a chave hermenêutica. Carson nota que a fórmula introdutória da citação é comum na LXX e rejeita a ideia de que seja uma glosa tardia. Ele afirma que o texto estabelece que a divisão entre discípulos e multidões está na sucessão das divisões bíblicas entre remanescente fiel e apóstatas (Carson, “On understanding parables”).

5. Consenso Mínimo

  • É indisputável que as parábolas funcionam simultaneamente para revelar “mistérios” aos discípulos e ocultá-los (ou julgar a cegueira) daqueles “de fora”.

📖 Perícope: Explicação do Semeador (13:18–23)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Syniēmi (συνίημι - entender): Palavra-chave para Mateus. Carson observa que ocorre 9 vezes em Mateus (vs 5 em Marcos), sendo crucial para distinguir o discipulado frutífero (Carson, “Interpretation of the parable”).
  • Proskairos (πρόσκαιρος - temporário): Nolland define como algo que carece de permanência, durando apenas um tempo limitado, colapsando sob a “pressão” (thlipsis) da perseguição (Nolland, “Explanation of the Parable”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Nolland]: Nota uma mudança gramatical curiosa: a parábola usa linguagem coletiva, mas a explicação de Mateus foca no singular (“todo aquele que”, “este é o que”), individualizando a aplicação para forçar cada ouvinte a examinar seu próprio caso (Nolland, “Explanation of the Parable”).
  • [Carson]: Defende vigorosamente a autenticidade da explicação contra Jeremias (que a via como criação da igreja primitiva). Carson argumenta que nem todo ponto é alegorizado (ex: o semeador não é explicado) e que os pontos explicados emergem naturalmente da metáfora (Carson, “Interpretation of the parable”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Significado de “Raiz em si mesmo” (v. 21): Nolland sugere uma conexão com o Shema (Deut 6:5), onde a falta de raiz corresponde à falha em amar a Deus com toda a “alma/vida” (psychē), ligando as dimensões do eu à imagem do solo (Nolland, “Explanation of the Parable”).
  • A Compreensão dos Discípulos: Enquanto alguns veem o uso de “entender” (v. 23) como prova de que Mateus vê o entendimento como intelectual, Carson argumenta que “entender” aqui é existencial e frutífero, revertendo as categorias de Isaías 6:9-10 (Carson, “Interpretation of the parable”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Jeremias 4:3: Embora não explicitamente citado nos trechos, a metáfora de semear entre espinhos e a necessidade de solo bom tem ressonância profética geral reconhecida no tratamento da frutificação.

5. Consenso Mínimo

  • A frutificação é a única prova válida de que a palavra do reino foi verdadeiramente recebida e compreendida.

📖 Perícope: O Trigo e o Joio (13:24–30) e sua Explicação (13:36-43)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Zizania (ζιζάνια): Nolland explica que é uma transliteração, referindo-se a uma planta (provavelmente joio/darnel) que se parece superficialmente com trigo em seus estágios iniciais (Nolland, “The Parable of the Zizania”).
  • Synteleia aiōnos (συντέλεια αἰῶνος - consumação do século): Frase exclusiva de Mateus no NT (13:39, 40, 49; 24:3; 28:20), comum na literatura apocalíptica judaica (Nolland, “Explanation of the Parable”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Carson]: Refuta a interpretação de que o “campo” é a igreja (visão de Hendriksen e Agostinho). Ele insiste no texto: “o campo é o mundo” (v. 38). Portanto, a parábola não proíbe a disciplina eclesiástica, mas ensina sobre o julgamento escatológico no mundo (Carson, “Interpretation of the parable of the weeds”).
  • [Nolland]: Destaca a ironia do termo hebraico por trás de “preço” (yqr) em Zacarias, usado por Mateus na narrativa da paixão, mas aqui foca nos “filhos do reino” versus “filhos do maligno”. Ele nota que a explicação salta o período de crescimento (v. 26-29) e vai direto ao julgamento, mostrando que a explicação é “mais e menos” que a parábola (Nolland, “Explanation of the Parable”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Origem da Parábola: Alguns sugerem que é uma criação de Mateus baseada em Marcos 4:26-29. Carson rejeita isso, atribuindo as semelhanças ao cenário agrícola comum. Ele argumenta que a parábola e sua interpretação permanecem ou caem juntas como autênticas (Carson, “The parable of the weeds”).
  • Significado de “Reino”: Carson argumenta contra a visão de que a “colheita do reino” (v. 41) implica que os ímpios estavam “na” igreja. Ele afirma que o Reino inaugurado exerce reivindicações sobre todo o mundo, então a separação ocorre na esfera de domínio do Filho do Homem (Carson, “Interpretation of the parable of the weeds”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Daniel 12:3: Identificado por ambos (Carson e Nolland) como a fonte para “brilharão como o sol” (v. 43).
  • Sofonias 1:3: Possível eco na remoção das ofensas (skandala) (Carson/Nolland implícito).

5. Consenso Mínimo

  • A parábola ensina a coexistência do bem e do mal até o julgamento final, o qual será executado exclusivamente pelos anjos sob o comando do Filho do Homem, não pelos discípulos agora.

📖 Perícope: O Grão de Mostarda e o Fermento (13:31–33)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Zymē (ζύμη - fermento): Geralmente negativo na literatura judaica e NT (corrupção). Aqui usado surpreendentemente em sentido positivo ou de poder permeante.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Nolland]: Observa que semear uma única semente de mostarda (v. 31) não é uma prática agrícola normal; portanto, a “singularidade” já é um traço alegórico apontando para a singularidade do Reino/Rei (Nolland, “The Parable of the Mustard Seed”).
  • [Carson]: Rejeita vigorosamente a interpretação dispensacionalista de que o fermento representa a corrupção da igreja professa (ex: Walvoord). Ele argumenta que metáforas podem ter usos diversos (o leão simboliza Satanás e Jesus) e que o contexto de crescimento do reino exige um sentido de expansão permeante, não corrupção (Carson, “The parable of the yeast”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Tamanho da Semente: A afirmação de que é a “menor de todas” é retórica/popular, não botânica. O ponto para ambos (Carson e Nolland) é o contraste dramático entre o início minúsculo e o resultado massivo (“árvore”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Ezequiel 17:23 / Daniel 4:12: A imagem de pássaros aninhando-se nos ramos é vista como uma alusão a impérios ou reinos que oferecem proteção às nações (Gentios) (Carson, “The parable of the mustard seed”; Nolland, implicitamente).

5. Consenso Mínimo

  • Ambas as parábolas ilustram o contraste desproporcional entre o início insignificante do Reino na ministério de Jesus e sua consumação vasta e abrangente.

📖 Perícope: O Uso de Salmos e Cumprimento (13:34–35)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Ereuxomai (ἐρεύξομαι): Literalmente “arrotar” ou “jorrar”. Carson nota que Mateus escolhe este verbo forte (diferente da LXX phthenxomai) para capturar a força do hebraico nābaʿ (jorrar), indicando a riqueza da revelação (Carson, “Parables as fulfillment”).
  • Katabolēs (καταβολῆς - fundação): Refere-se à criação.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Carson]: Resolve o problema da atribuição ao “profeta” (quando o Salmo é de Asafe) sugerindo que Asafe é visto como um tipo profético que interpreta a história de redenção, assim como Jesus o faz (Carson, “Parables as fulfillment”).
  • [Nolland]: Destaca a competência multilíngue de Mateus. A primeira linha da citação segue a LXX, mas a segunda (“publicarei coisas ocultas”) é uma tradução independente do Texto Massorético, mostrando que Mateus trabalhava com o hebraico original (Nolland, “Jesus’ Parables Speak”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Coisas Ocultas: Como Jesus revela coisas ocultas “em parábolas” se parábolas ocultam? Carson resolve: As coisas eram ocultas no sentido de que não haviam sido reunidas nesse padrão antes (Messias Sofredor + Rei). Jesus revela “segredos” abertamente, mas eles permanecem “ocultos” para quem não tem olhos para ver (Carson, “Parables as fulfillment”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Salmo 78:2 (77:2 LXX): A fonte explícita. Carson nota que o Salmo recapitula a história de Israel, e Jesus, ao citá-lo, se coloca como aquele que traz o clímax dessa história (Carson, “Parables as fulfillment”).

5. Consenso Mínimo

  • O ensino por parábolas não é um acidente, mas um cumprimento das Escrituras que marca a revelação de verdades divinas preparadas desde a fundação do mundo.

📖 Perícope: O Tesouro, A Pérola e A Rede (13:44–50)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Sagēnē (σαγήνη - rede de arrasto): Diferente de amphiblēstron (rede de lançar). Arrastada por barcos, pega tudo indiscriminadamente.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Carson]: Sobre o Tesouro e a Pérola, rejeita alegorias eclesiológicas (ex: pérola = igreja). O foco é o “valor supremo do reino” que justifica qualquer sacrifício. Sobre a Rede, conecta a “fornalha de fogo” e o “choro e ranger de dentes” (v. 50) diretamente à explicação do Joio (v. 42), mostrando a consistência do julgamento (Carson, “The parable of the hidden treasure” e “The parable of the net”).
  • [Nolland]: Observa um quiasmo estrutural nos dois conjuntos de três parábolas. No primeiro conjunto (Semeador, Joio, Mostarda/Fermento), a explicação vem cedo. No segundo (Tesouro, Pérola, Rede), o par “gêmeo” (Tesouro/Pérola) vem antes da parábola que recebe explicação (Rede) (Nolland, “The Parable of the Treasure”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Ética da Descoberta: Sobre o homem que acha o tesouro e esconde de novo para comprar o campo (v. 44). Carson e Nolland não se detêm na moralidade da ação (se foi fraude), mas focam no ponto de comparação: a alegria e a disposição radical de vender tudo para obter o reino.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Não há citações diretas, mas a imagem do julgamento (separação) na parábola da Rede ecoa a teologia apocalíptica judaica geral.

5. Consenso Mínimo

  • O Reino vale qualquer custo (Tesouro/Pérola) e culminará num julgamento de separação inevitável (Rede), paralelo ao do Joio.

📖 Perícope: O Escriba do Reino e Conclusão (13:51–53)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Grammateus (γραμματεύς - escriba): Aqui usado positivamente para um discípulo instruído, contrastando com os escribas judeus opositores.
  • Mathēteutheis (μαθητευθείς - discipulado/instruído): Verbo passivo, indicando que o escriba foi treinado pelo Reino.

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • [Nolland]: Vê os vv. 51-52 como uma formulação de Mateus (pastiche de materiais anteriores) para fechar a seção. As “coisas novas e velhas” podem referir-se à compreensão renovada das Escrituras antigas à luz da nova revelação de Jesus (Nolland, “Conclusion: The Parable of the Landowner”).
  • [Carson]: Argumenta que “Coisas novas e velhas” refere-se a entender as Escrituras antecedentes (velhas) e como elas apontam para Jesus e o Reino (novas). Ele vê aqui a responsabilidade dos discípulos de ensinar, validando que eles entenderam “todas estas coisas” (v. 51), ao contrário da visão que duvida da compreensão deles (Carson, “On understanding parables”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Quem é o Escriba? Alguns sugerem que é uma auto-referência de Mateus (o evangelista). Carson não descarta, mas foca na aplicação a qualquer discípulo que compreende a revelação: eles têm acesso a tesouros que os escribas tradicionais não têm.

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Não aplicável diretamente, mas o conceito de “tesouro” liga-se à sabedoria judaica.

5. Consenso Mínimo

  • O verdadeiro entendimento do Reino capacita o discípulo a integrar a revelação antiga (AT) com a nova realidade trazida por Jesus.