Texto Interlinear (Grego/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Mateus 12
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
- Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans.
- Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Zondervan.
Análise dos Autores
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Autor/Obra: France, The Gospel of Matthew .
- Lente Teológica: Evangélica/Narrativa. O autor foca na estrutura literária e no desdobramento progressivo da revelação messiânica.
- Metodologia: Abordagem de Teologia Bíblica e Análise Literária. Baseado nos trechos disponíveis, France situa o capítulo 12 dentro de uma grande seção (4:12—16:20) designada como “A revelação do Messias em Palavra e Ação” (France, “II. GALILEE…”). Nota: A análise detalhada exegética de France para o capítulo 12 não consta nos trechos fornecidos, limitando-se à sua estrutura macro.
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Autor/Obra: Nolland, The Gospel of Matthew .
- Lente Teológica: Crítico-Histórica e Redacional. Nolland demonstra grande preocupação com a tradição dos manuscritos e a comparação sinótica (Q e Marcos).
- Metodologia: Exegese Gramatical rigorosa e Crítica das Fontes. Ele analisa minuciosamente as variantes textuais (ex: a omissão de “falsos testemunhos” em manuscritos específicos) e a adaptação que Mateus faz de Marcos, focando na intertextualidade com o Antigo Testamento, especialmente os profetas (Nolland, “Textual Notes”).
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Autor/Obra: Carson, Matthew .
- Lente Teológica: Evangélica Reformada e Apologética. Carson defende vigorosamente a historicidade dos relatos e a coerência teológica interna contra críticos liberais.
- Metodologia: Teologia Sistemática/Bíblica e Harmonização Histórica. Ele ataca o texto buscando a História da Redenção (Heilsgeschichte), focando em como Jesus cumpre os padrões do AT, e frequentemente refuta teorias que atribuem os textos à “comunidade de Mateus” em vez do Jesus histórico (Carson, “The historical and theological question”).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de France: O capítulo 12 insere-se na ampla revelação do Messias na Galiléia, onde Jesus é demonstrado como o cumprimento do propósito milenar de Deus, movendo-se em direção ao confronto com as autoridades (France, “II. GALILEE…”).
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Tese de Nolland: Mateus estrutura o capítulo 12 sob o tema do Conflito com os Fariseus, utilizando uma possível estrutura quiástica centrada na controvérsia do sábado, para apresentar Jesus não apenas como Senhor do Sábado, mas como o Servo Sofredor de Isaías que traz uma justiça mansa, em contraste com a estridência dos seus opositores.
- Nolland argumenta que Mateus molda as fontes para destacar a identidade messiânica de Jesus em contraste com a liderança judaica: “Conflito com os Fariseus será o motivo unificador do cap. 12” (Nolland, “A. ‘The Son of Man Is Lord of the Sabbath’”).
- Ele enfatiza a Cristologia da Sabedoria e do Espírito: Jesus é aquele cujas ações são empoderadas pelo Espírito, em cumprimento a Isaías 42, e cuja rejeição por “esta geração” sinaliza o julgamento (Nolland, “C. The Triumph of the Gentle…”).
- Sobre a controvérsia de Belzebu, Nolland sugere que a acusação dos fariseus é uma tentativa de evasão diante da evidência do poder de Deus, e que Mateus realça a autoridade do Filho do Homem sobre o reino de Satanás (Nolland, “D. By Beelzebul…”).
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Tese de Carson: Os capítulos 11 a 13 formam um bloco temático de Crescente Oposição, onde Jesus é apresentado como o Messias cujas reivindicações de autoridade sobre o Sábado e o Templo provocam a rejeição oficial, provando que o Reino de Deus inaugurado exige uma decisão radical contra a neutralidade.
- Carson foca na Autoridade Cristológica: Na controvérsia do sábado, o ponto central não é a halakah (regras de conduta), mas a reivindicação de Jesus de ser maior que o Templo e Senhor do Sábado. “A lei aponta para ele e encontra seu cumprimento nele” (Carson, “3. Sabbath conflicts”).
- Ele defende a Escatologia Inaugurada: Ao expulsar demônios pelo Espírito, Jesus prova que o Reino já chegou, embora a consumação seja futura. Carson rejeita a dicotomia entre a autoconsciência messiânica de Jesus e o poder do Espírito (Carson, “The divided kingdom”).
- Sobre o Sinal de Jonas, Carson insiste na historicidade da ressurreição prevista: “Jesus sabia com muita antecedência sobre sua morte, sepultamento e ressurreição”. Ele vê o “sinal” não apenas como a pregação, mas especificamente o livramento da morte (Carson, “The sign of Jonah”).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de R. T. France | Visão de J. Nolland | Visão de D. A. Carson |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Grego | ”Rejeição” / “Respostas Variadas” (Análise Literária). France foca na estrutura narrativa onde os caps. 11-12 formam uma seção de “respostas variadas” a Jesus, culminando em rejeição aberta (France, “II. GALILEE…”). | Ephthasen (12:28). Insiste que o verbo significa “chegou/veio sobre”, rejeitando a ideia de “antecipação”. O Reino de Deus está presente na expulsão de demônios, criando uma crise imediata para os opositores (Nolland, “D. By Beelzebul…”). | Meizon (12:6). Destaca o uso do neutro (“algo maior”) em vez do masculino. Jesus não é apenas maior que o templo pessoalmente, mas inaugura uma realidade (o Reino/Evangelho) que suplanta as estruturas cúlticas e o Sábado (Carson, “3. Sabbath conflicts”). |
| Problema Central do Texto | O problema é narrativo: Como Mateus organiza o material para demonstrar a transição da aclamação para a polarização e o confronto inevitável com as autoridades religiosas (France, “II. GALILEE…”). | O problema é a evasão farisaica. A acusação de Belzebu e o pedido de sinal são tentativas de evitar o confronto com o poder de Deus manifesto no Espírito. O “Sinal de Jonas” (v.40) é visto como um desenvolvimento interpretativo de Mateus sobre a tradição (Nolland, “F. Those to Be Condemned…”). | O problema é a neutralidade impossível. Carson argumenta contra leituras que veem Jesus apenas como um carismático; a questão central é a Cristologia do Filho do Homem e a impossibilidade de neutralidade diante dele (v.30) (Carson, “(3) Blasphemy against the Spirit”). |
| Resolução Teológica | Jesus é o Messias revelado em Palavra e Ação, cuja rejeição por Israel prepara o caminho para a formação da nova comunidade (Igreja) que compreende os mistérios (France, “II. GALILEE…”). | Cristologia do Espírito. Jesus é o Servo manso (Is 42) empoderado pelo Espírito. A blasfêmia contra o Espírito é a rejeição da própria fonte de poder que legitima o Reino. A parábola do espírito imundo (12:43-45) alerta sobre o perigo de tratar a libertação de Jesus como um ganho temporário sem arrependimento real (Nolland, “G. The Last State…”). | História da Redenção. Jesus cumpre e, portanto, transcende as instituições do AT (Sábado, Templo). Sobre Jonas, defende a autenticidade histórica do logion sobre os “três dias e três noites” (v.40) como uma tipologia intencional da morte e ressurreição, contra a visão de que seria uma adição tardia da igreja (Carson, “(2) The sign of Jonah”). |
| Tom/Estilo | Narrativo/Estrutural. Foca no fluxo do Evangelho e nos grandes blocos literários. | Técnico/Crítico-Textual. Analisa minuciosamente variantes gregas, paralelos com Q e Lucas, e a redação matena (ex: a inserção de “filhos” em 12:27). | Teológico/Apologético. Engaja-se em debates dogmáticos (ex: soberania divina vs. responsabilidade humana) e defende a coerência interna e histórica do texto contra críticos liberais. |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: John Nolland. Sua análise fornece o tratamento mais detalhado das variantes textuais (ex: a discussão sobre a omissão de versículos em manuscritos ocidentais) e do background intertextual, como a conexão entre a cura do endemoninhado cego e mudo (12:22) e os textos de Isaías, além de paralelos rabínicos sobre o Sábado.
- Melhor para Teologia: D. A. Carson. Ele excelentemente situa o capítulo 12 dentro da História da Redenção, explicando como Jesus não apenas “quebra” o Sábado, mas o “cumpre” como o verdadeiro descanso e o “algo maior” que o Templo. Sua defesa da unidade teológica entre o Jesus histórico e o Cristo da fé é robusta, especialmente na controvérsia de Jonas e na cristologia do Filho do Homem.
- Síntese: Para uma exegese completa de Mateus 12, recomenda-se iniciar com a estrutura macro de France para situar o conflito na narrativa da Galiléia. Em seguida, utilizar Nolland para a exegese versículo a versículo, especialmente para entender as nuances da tradução grega (como ephthasen) e a redação de Mateus em relação a Marcos e Q. Por fim, recorrer a Carson para a síntese teológica e aplicação, particularmente para compreender a Cristologia do Cumprimento, a Escatologia Inaugurada presente na controvérsia de Belzebu e a natureza da Blasfêmia contra o Espírito como uma rejeição definitiva da revelação messiânica.
Conflito Farisaico, Senhor do Sábado, Sinal de Jonas e Blasfêmia contra o Espírito são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: Senhor do Sábado (12:1-8)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Sabbata (Sábado): Nolland observa que o plural sabbata pode ter força singular (“sábado”), possivelmente baseado na terminação aramaica enfática em a (Nolland, “A. ‘The Son of Man Is Lord of the Sabbath’”).
- Meizon (Maior): Carson destaca que o termo em 12:6 é neutro (“algo maior”), não masculino. Embora possa referir-se a uma pessoa quando uma qualidade é enfatizada, a comparação primária é com o templo (instituição) (Carson, “a. Picking heads of grain”).
- Anaitioi (Inocentes): Termo forense usado para declarar a ausência de culpa dos discípulos (Carson, “a. Picking heads of grain”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Destaca que a frase “profanar o sábado” (v. 5) é deliberadamente provocativa, refletindo a fraseologia da LXX usada para descrever violações graves da aliança (Nolland, “A. ‘The Son of Man Is Lord of the Sabbath’”). Ele também sugere que a fome de Davi e seus companheiros é o ponto crucial, e que Mateus atenua o “nunca” de Marcos para um simples “não” (Nolland, “A. ‘The Son of Man Is Lord of the Sabbath’”).
- Carson: Argumenta que a fome dos discípulos não era uma questão de vida ou morte (o que justificaria a quebra do sábado pela lei rabínica), mas simplesmente “parte da história”. Ele refuta a ideia de que os discípulos estavam “abrindo caminho” para Jesus, explicando que os caminhos atravessavam os campos e colher grãos casualmente era um direito estabelecido em Deuteronômio 23:25 (Carson, “a. Picking heads of grain”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza do “Algo Maior” (v.6):
- Existe um debate sobre se o “algo maior” refere-se ao serviço/adoração a Deus (posição de Gerhardsson e Hill citada por Carson) ou ao próprio Jesus/Reino.
- Carson rejeita a visão de que se refere ao “serviço do templo”, argumentando que Jesus e os discípulos não estavam engajados em liturgia ao colher grãos. Ele insiste que a comparação é cristológica: Jesus em si é maior que o Templo (Carson, “a. Picking heads of grain”).
- Nolland sugere um leque mais amplo de possibilidades para o neutro: pode ser o Reino de Deus, o amor, ou a nova comunidade que substitui o templo (Nolland, “A. ‘The Son of Man Is Lord of the Sabbath’”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- 1 Samuel 21:1-6: Ambos citam o episódio de Davi comendo os pães da proposição.
- Números 28:9-10: Base para o argumento de que os sacerdotes “trabalham” no sábado (sacrifícios) e são inocentes.
- Oseias 6:6 (“Misericórdia quero, e não sacrifício”): Carson nota que esta citação é usada para mostrar que os fariseus, embora conhecedores da lei técnica, falharam em compreender a intenção misericordiosa de Deus, que tem precedência sobre o ritual (Carson, “a. Picking heads of grain”). Nolland conecta isso ao papel de Jesus em clarificar a Lei a partir de uma perspectiva profética (Nolland, “A. ‘The Son of Man Is Lord of the Sabbath’”).
5. Consenso Mínimo
- Os autores concordam que a questão central não é a permissão de colher grãos em si (permitido por Dt 23:25), mas a classificação dessa ação como “trabalho” (colheita) proibido no Sábado pela interpretação farisaica.
📖 Perícope: O Homem da Mão Ressequida (12:9-14)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Xēran (Ressequida/Seca): Nolland aponta que literalmente significa “seca”, implicando uma condição crônica e não uma emergência médica, o que é crucial para a objeção farisaica de curar no sábado (Nolland, “B. ‘It Is Permitted to Do Good on the Sabbath’”).
- Exeirai (Levantar/Tirar): Verbo usado para retirar a ovelha da cova.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Observa que Mateus altera a forma da pergunta de Marcos. Em Marcos, eles observam para ver se Jesus cura; em Mateus, eles perguntam diretamente “É lícito curar?”, transformando a cena em um debate legal direto (Nolland, “B. ‘It Is Permitted to Do Good on the Sabbath’”).
- Carson: Ressalta o argumento a fortiori (quanto mais vale um homem do que uma ovelha). Ele nota que, embora a seita de Qumran (CD 11:13-14) proibisse ajudar um animal no parto ou tirá-lo de um poço no sábado, Jesus assume que seus interlocutores fariseus iriam tirar a ovelha, expondo a hipocrisia de valorizar a propriedade mais que a pessoa (Carson, “b. Healing a man with a shriveled hand”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A “Armadilha” dos Fariseus:
- Nolland vê a pergunta como uma tentativa de obter uma “resposta errada” de Jesus para acusação legal (Nolland, “B. ‘It Is Permitted to Do Good on the Sabbath’”).
- Carson enfatiza que a cura realizada por Jesus (apenas por palavra, sem trabalho manual médico) tecnicamente poderia escapar da censura rabínica estrita de “trabalho”, mas o ponto de Jesus era mais fundamental: “é lícito fazer o bem” (Carson, “b. Healing a man with a shriveled hand”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Gênesis 1-2 / Salmo 8: Carson identifica que o argumento de Jesus sobre o valor do homem repousa na criação do ser humano à imagem de Deus, conferindo-lhe valor superior aos animais (Carson, “b. Healing a man with a shriveled hand”).
5. Consenso Mínimo
- A cura não era uma emergência de vida ou morte (o que seria permitido pela Halaká), tornando a ação de Jesus um desafio direto à autoridade interpretativa dos fariseus sobre o Sábado.
📖 Perícope: O Servo Escolhido (12:15-21)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Pais (Servo/Filho): Carson nota que o termo grego pais pode significar tanto “filho” quanto “servo”, permitindo uma ambiguidade cristológica que une a filiação divina ao papel do Servo Sofredor (Carson, “4. Jesus as the prophesied Servant”).
- Eis nikos (Para a vitória): Nolland argumenta que esta frase (lit. “para a vitória”) deve ser entendida como “com sucesso/sucessosamente”, indicando que o Servo trará a justiça com perseverança gentil (Nolland, “C. The Triumph of the Gentle…”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Destaca que esta é a citação mais longa de cumprimento em Mateus e que o texto grego é uma mistura: mais próximo do Texto Massorético (MT), mas com influências da LXX e possivelmente de tradições targúmicas na palavra apangelei (anunciará) (Nolland, “C. The Triumph of the Gentle…”).
- Carson: Enfatiza a cristologia do Espírito. A menção de que Deus colocou Seu Espírito sobre o Servo (v.18) conecta-se com o batismo de Jesus e prepara o leitor para a controvérsia de Belzebu, onde a expulsão de demônios é feita “pelo Espírito de Deus” (Carson, “4. Jesus as the prophesied Servant”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Identidade do Servo:
- Carson argumenta contra a ideia de que Mateus subsume o papel de Servo sob o de Filho. Ele vê Mateus omitindo “Filho de Deus” de Marcos 3:11 neste contexto para dar preeminência ao motivo do Servo (Carson, “4. Jesus as the prophesied Servant”).
- Nolland vê a citação como uma “camafeu” do ministério de Jesus, justificando sua localização pela conexão com a mansidão de Jesus (11:29) e sua retirada estratégica diante da hostilidade (Nolland, “C. The Triumph of the Gentle…”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Isaías 42:1-4: A citação direta. Ambos os autores concordam que Mateus usa uma versão do texto que não segue estritamente a LXX, indicando uma tradução independente ou uso de uma tradição textual distinta para enfatizar a “esperança dos gentios” (v.21).
5. Consenso Mínimo
- A citação de Isaías serve para redefinir o messianismo de Jesus: não como um conquistador estridente, mas como um Servo manso que trará justiça às nações através do Espírito.
📖 Perícope: A Controvérsia de Belzebu e o Espírito (12:22-32)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Ephthasen (Chegou/Veio sobre): Um termo crucial no v.28.
- Nolland: Insiste que significa “chegou” ou “veio sobre”, rejeitando a ideia de “chegou cedo” ou “antecipação”. Com a preposição epi, indica a chegada de uma nova realidade de poder (Nolland, “D. By Beelzebul…”).
- Carson: Concorda que o termo indica que o reino “já raiou” ou foi inaugurado pela presença do Espírito nas ações de Jesus (Carson, “(1) The divided kingdom”).
- Blasphēmia (Blasfêmia): Definida por Carson como “calúnia extrema”, envolvendo insulto à honra de Deus (Carson, “(3) Blasphemy against the Spirit”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Sugere que a justaposição dos versículos 27 (exorcistas judeus) e 28 (pelo Espírito de Deus) cria uma ambiguidade acidental, onde o leitor poderia inferir que os “filhos” dos fariseus também expulsam pelo Espírito, o que minaria a distinção de Jesus. Ele resolve isso notando que o argumento de Jesus foca na natureza do poder (Nolland, “D. By Beelzebul…”).
- Carson: Oferece uma explicação detalhada sobre a “Blasfêmia contra o Espírito”. Rejeita a visão de que é um pecado de cristãos (apostasia) ou rejeição de profetas da igreja primitiva. Define-a estritamente no contexto da vida de Jesus: é a rejeição consciente da obra do Espírito, atribuindo-a a Satanás, não por ignorância, mas por uma “disputa consciente do indiscutível” (Carson, “(3) Blasphemy against the Spirit”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- O Reino Dividido e a Natureza de Satanás:
- Nolland argumenta que a ideia de uma guerra civil satânica (v.26) só tem cogência se o exorcismo for manifestamente contra os interesses de Satanás, e não um estratagema (Nolland, “D. By Beelzebul…”).
- Carson vê a amarração do “homem forte” (v.29) como algo que já aconteceu, possivelmente ligando-o ao sucesso de Jesus nas tentações do deserto (4:1-11) ou à sua missão geral de “avançar com força” o Reino (Carson, “(2) The strong man’s house”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Isaías 49 / 53: Imagens do homem forte e despojos.
- Daniel 2:44: Contexto para o Reino de Deus esmagando outros reinos.
5. Consenso Mínimo
- A expulsão de demônios por Jesus é a prova empírica de que o Reino de Deus invadiu a história e que o poder de Satanás foi restringido (o homem forte foi amarrado).
📖 Perícope: O Sinal de Jonas (12:38-42)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Sēmeion (Sinal): Carson distingue isso de um simples milagre (dynameis). Os fariseus queriam uma prova apocalíptica ou cósmica sob comando para autenticar Jesus, o que ele recusa (Carson, “(1) Request for a sign”).
- Kētos (Monstro marinho): Termo grego usado em 12:40, citando a LXX de Jonas.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Sugere que Mateus constrói sobre a tradição de Lucas. Enquanto Lucas foca na pregação de Jonas, Mateus expande para incluir a experiência de quase-morte (o ventre do peixe) como o sinal, correlacionando-o especificamente com a morte de Jesus (Nolland, “F. Those to Be Condemned…”).
- Carson: Defende vigorosamente a autenticidade do versículo 40 (os três dias e três noites) contra críticos que o veem como uma adição tardia da igreja. Ele argumenta que Jesus sabia de sua morte e usou a tipologia de Jonas intencionalmente. Ele insiste que o “Sinal” não é a pregação, mas o livramento da morte que autentica a pregação (Carson, “(2) The sign of Jonah”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza do Sinal:
- Muitos críticos (citados por Carson e Nolland) veem o “Sinal de Jonas” apenas como a pregação de arrependimento.
- Carson e Nolland concordam que em Mateus o sinal é cristológico e tipológico: refere-se à morte e sepultamento (“coração da terra”). Carson é mais enfático na defesa histórica dessa previsão por Jesus.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Jonas 1:17 (LXX 2:1): Citação explícita dos “três dias e três noites”.
- 1 Reis 10: A Rainha do Sul (Sabá) e Salomão. Jesus é apresentado como “algo maior” que o profeta (Jonas) e o rei sábio (Salomão).
5. Consenso Mínimo
- A geração atual é condenada porque, tendo acesso a “algo maior” (Jesus) do que os gentios do passado (Nínive, Sabá) tiveram, ainda assim recusa-se a arrepender-se sem sinais adicionais.
📖 Perícope: O Retorno do Espírito Imundo e a Família de Jesus (12:43-50)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Scholazonta (Vazia/Desocupada): Termo chave no v.44.
- Nolland destaca que Mateus provavelmente adicionou esta palavra à tradição. Significa que a “casa” (pessoa/geração) foi limpa (pelos exorcismos de Jesus), mas não foi preenchida com a lealdade ao Reino, deixando-a vulnerável (Nolland, “G. The Last State…”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Interpreta a parábola dos espíritos (12:43-45) como uma advertência sobre o “benefício temporário”. Os contemporâneos de Jesus experimentaram os benefícios do Reino (curas), mas sem arrependimento real, o estado final deles (julgamento) será pior do que antes da vinda de Jesus (Nolland, “G. The Last State…”).
- Carson: Vê a parábola como uma condenação da neutralidade. A casa “varrida e adornada” mas “vazia” representa uma reforma moral ou religiosa sem a habitação positiva do Espírito e do discipulado. A neutralidade convida ao desastre demoníaco (Carson, “d. The return of the evil spirit”).
- Carson (sobre a Família): Observa que Mateus omite a motivação negativa da família encontrada em Marcos 3:21 (que diziam que ele estava “fora de si”), focando inteiramente na definição positiva de discipulado: a verdadeira família é aquela que faz a vontade do Pai (Carson, “6. Doing the Father’s will”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Aplicação da Parábola (v.45):
- A aplicação é individual ou nacional?
- Carson argumenta que, embora a ilustração seja individual (um homem possuído), a aplicação explicita de Jesus (“Assim também acontecerá a esta geração perversa”) torna-a uma condenação nacional/geracional da rejeição a Jesus.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Deuteronômio / Levítico: A linguagem de “geração perversa” ecoa as descrições de Israel no deserto.
5. Consenso Mínimo
- A mera limpeza (reforma ou alívio temporário trazido por Jesus) sem ocupação positiva (discipulado/compromisso com o Reino) leva a uma condição espiritual pior do que a inicial.