Texto Interlinear (Grego/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Mateus 11
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Zondervan.
- France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
- Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans.
Análise dos Autores
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Autor A: R. T. France
- Lente Teológica: Evangélica crítica com ênfase na crítica narrativa e literária.
- Metodologia: France aborda o texto focando na estrutura literária e no desenvolvimento do enredo de Mateus. Ele situa o capítulo 11 dentro de uma seção maior (4:12–16:20) que descreve o ministério na Galileia. Sua análise estrutural identifica os capítulos 11 e 12 como uma unidade temática focada nas “respostas variadas” ao anúncio do Reino por Jesus, servindo como prelúdio para o discurso das parábolas no capítulo 13 (France, “Galilee: The Messiah Revealed”).
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Autor B: John Nolland
- Lente Teológica: Acadêmica crítica, com forte rigor filológico e atenção à história da tradição.
- Metodologia: Nolland utiliza uma exegese gramatical detalhada (típica da série NIGTC). Ele segmenta o capítulo 11 sob o tema “Ver claramente e relacionar-se corretamente com a agenda atual de Deus” (Nolland, “Seeing Clearly”). Ele se concentra na interação entre as expectativas do Antigo Testamento (especialmente Isaías) e a realidade presente do ministério de Jesus, analisando cuidadosamente o texto grego e as variantes textuais.
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Autor C: D. A. Carson
- Lente Teológica: Evangélica Reformada/Conservadora, com foco na teologia bíblica e história da redenção.
- Metodologia: Carson ataca o texto com uma forte defesa da historicidade e coerência teológica. Ele agrupa os capítulos 11 a 13 sob o tema “Ensinando e Pregando o Evangelho do Reino: Oposição Crescente”. Sua exegese frequentemente debate contra interpretações críticas que fragmentam o texto (como a crítica das formas), buscando harmonizar as tensões teológicas, como a soberania divina e a responsabilidade humana em 11:25-30 (Carson, “Teaching and Preaching”).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de R. T. France: O capítulo 11 funciona como uma peça chave na narrativa de “respostas variadas” a Jesus, onde a estrutura literária prepara o leitor para a divisão entre discípulos e multidões.
- France argumenta que, após a demonstração de autoridade de Jesus (caps. 5-9) e o discurso missionário (cap. 10), Mateus constrói os capítulos 11 e 12 para demonstrar a recepção mista da mensagem do Reino. Ele observa que “embora alguns padrões deliberados e desenvolvimentos possam ser discernidos… há menos sinal de um design abrangente”, sugerindo que Mateus agrupa material aqui para ilustrar a rejeição e a incompreensão que precedem o discurso das parábolas, servindo a um propósito narrativo de transição (France, “Galilee: The Messiah Revealed”).
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Tese de John Nolland: O capítulo trata fundamentalmente da percepção cristológica e do alinhamento com a nova etapa da história da salvação, onde Jesus e João Batista são figuras centrais, mas distintas.
- Nolland define o tema da seção (11:2-30) como “ver claramente e relacionar-se corretamente com a agenda atual de Deus” (Nolland, “Seeing Clearly”). Ele destaca que as obras de Jesus são as “obras do Cristo” que cumprem as expectativas de Isaías (cf. Is 29:18; 35:5-6; 61:1), validando a identidade messiânica perante a dúvida de João Batista. Nolland enfatiza que “o desafio é prestar a devida atenção ao que está sendo dito… por causa de onde tal reconhecimento coloca o significado do ministério de Jesus” (Nolland, “My Messenger”). Ele interpreta a “Sabedoria” em 11:19 não como uma encarnação ontológica em Jesus, mas vê João e Jesus como “enviados da Sabedoria” (Nolland, “He Has a Demon”).
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Tese de D. A. Carson: O capítulo retrata a oposição crescente e a desilusão com a natureza do Reino, respondidas pela afirmação da autoridade soberana de Jesus e sua identidade como o “Filho” exclusivo.
- Carson une os capítulos 11 a 13 sob a temática da “maré crescente de desapontamento e oposição ao reino de Deus” (Carson, “Teaching and Preaching”). Ele defende vigorosamente a alta cristologia de 11:27, argumentando que “a filiação precede o messianismo e é, de fato, o fundamento para a missão messiânica” (Carson, “Because of the agency of the Son”). Contra interpretações que veem a dúvida de João Batista (11:2-6) como pedagógica, Carson afirma a historicidade da dúvida, causada pela discrepância entre as expectativas de julgamento iminente e o ministério de misericórdia de Jesus. Ele interpreta a violência do Reino em 11:12 como ataques de homens violentos (oposição externa) contra o Reino, rejeitando a interpretação de “zelo santo” (Carson, “John in redemptive history”).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de R. T. France | Visão de John Nolland | Visão de D. A. Carson |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave / Termo Grego | Tyre and Sidon (11:21). France foca na função narrativa dessas cidades como arquétipos de gentios que respondem melhor que Israel, servindo ao tema literário da “rejeição de Israel” e a subsequente missão aos gentios. | Biastai (11:12). Nolland analisa a tensão gramatical, sugerindo que João e Jesus representam as “forças avançadas” do Reino, lutando para abrir caminho; ele vê uma continuidade funcional onde ambos sofrem um destino brutal (Nolland, “My Messenger”). | Harpazousin (11:12). Carson define os biastai negativamente como “homens violentos” (opositores como Herodes e líderes judeus) que atacam e “saqueiam” o Reino, rejeitando a interpretação de zelo santo ou “homens de força” positiva (Carson, “John in redemptive history”). |
| Problema Central do Texto | A estrutura literária desconexa. France vê o capítulo como uma antologia de “respostas variadas” sem um design cronológico rígido, onde Mateus agrupa material para ilustrar a incredulidade crescente antes das parábolas (France, “Galilee: The Messiah Revealed”). | A identidade funcional. O problema é definir a relação precisa entre as expectativas de João (baseadas em Isaías e Malaquias) e a realidade presente das “obras do Cristo”, exigindo uma reavaliação da escatologia judaica (Nolland, “The Blind Are Seeing”). | O desapontamento messiânico. O problema é a discrepância entre a expectativa de um messias político/julgador e o ministério de misericórdia de Jesus, gerando a “ofensa” (11:6) e a necessidade de explicar o sofrimento dos justos (Carson, “John’s question”). |
| Resolução Teológica | Cristologia Narrativa. A resolução está no desenrolar da história onde a rejeição por “esta geração” valida a profecia e prepara o caminho para a nova comunidade de discípulos (a “família” de Jesus). | Sabedoria Envia. Interpreta 11:19 não como Jesus sendo a Sabedoria encarnada (contra a tendência atual), mas vendo Jesus e João como “enviados da Sabedoria”, cujas obras vindicam o plano de Deus (Nolland, “He Has a Demon”). | Teologia do Cumprimento. Jesus resolve a dúvida de João apontando para a realização tipológica das Escrituras (Isaías 35/61), onde o Reino avança “à força” apesar da oposição, e o descanso é dado via revelação soberana do Pai (Carson, “John’s question”). |
| Tom/Estilo | Literário-Crítico. Foca na composição do evangelho e no fluxo narrativo. | Técnico-Filológico. Rigoroso com variantes textuais (ex: 11:27) e paralelos com Qumran (4Q521) e LXX. | Polêmico-Histórico. Forte defesa da historicidade dos ditos de Jesus e debate com a crítica das formas. |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: John Nolland. Sua obra oferece o background histórico e linguístico mais denso, conectando frases específicas (como “o que há de vir” em 11:3 ou “jugo” em 11:29) com uma vasta gama de literatura intertestamentária (Qumran, Sirácida) e variantes textuais gregas, proporcionando uma compreensão técnica superior das nuances semíticas (Nolland, “The Blind Are Seeing”; “Come to Me”).
- Melhor para Teologia: D. A. Carson. Apresenta a síntese doutrinária mais robusta, especialmente na defesa da alta cristologia em 11:27 (“Ninguém conhece o Filho senão o Pai”). Ele integra a soberania divina e a responsabilidade humana (11:25-30) dentro de uma estrutura de história da redenção que harmoniza o AT e o NT sem alegorizações indevidas (Carson, “Because of the agency of the Son”).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Mateus 11, deve-se adotar a estrutura literária de France para situar o capítulo como o ponto de virada da rejeição em Israel; preencher essa estrutura com a análise léxica de Nolland, especialmente para evitar anacronismos na interpretação da “Sabedoria” e da relação João/Jesus; e finalmente aplicar a lente teológica de Carson para entender como o “Reino dos Céus” avança em meio à violência e como o “descanso” oferecido é o cumprimento escatológico das promessas do Antigo Testamento.
Reino dos Céus, Teologia do Cumprimento, Alta Cristologia e Sabedoria Personificada são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: Transição Narrativa (Versículo 11:1)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Suas cidades” (autōn): Um pronome possessivo plural ambíguo. O debate gira em torno de quem são os antecedentes deste “deles” — os discípulos ou os galileus em geral.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- R. T. France: Destaca que este versículo completa uma estrutura de moldura (framing) em torno do discurso da missão, ecoando Mateus 9:35 e 4:23. Ele observa que o versículo serve para marcar a natureza itinerante do ministério de Jesus após a seção estática do discurso (France, “Jesus’ Pattern of Ministry”).
- John Nolland: Argumenta que o antecedente mais natural para “suas cidades” são os “doze discípulos” mencionados na cláusula anterior. Ele sugere que Jesus está preparando o caminho para a missão dos próprios discípulos, visitando as cidades de onde eles vieram ou para onde iriam (Nolland, “Jesus’ Pattern of Ministry”).
- D. A. Carson: Adverte contra a leitura excessiva de significados teológicos no pronome “deles” (como uma distinção entre sinagogas cristãs e judaicas). Ele vê isso como um uso inócuo, possivelmente refletindo apenas a perspectiva geográfica de um escritor que não está na Galileia, ou simplesmente referindo-se às cidades da Galileia em geral (Carson, “Transitional conclusion”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A discordância é gramatical e contextual sobre o antecedente de “suas”. Nolland defende uma conexão específica com os discípulos, sugerindo uma estratégia missionária coordenada (Nolland, “Jesus’ Pattern of Ministry”). Carson, contudo, minimiza essa especificidade, tratando-a como uma frase de transição padrão que não deve ser sobrecarregada com teorias de distinção entre igreja e sinagoga (Carson, “Transitional conclusion”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Não há citações diretas do AT identificadas nesta transição narrativa pelos autores.
5. Consenso Mínimo
- O versículo funciona como uma fórmula de transição que encerra o Segundo Discurso e retoma a narrativa do ministério público de Jesus.
📖 Perícope: A Pergunta de João e a Resposta de Jesus (Versículos 11:2-6)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “As obras do Cristo” (ta erga tou Christou): Nolland observa que Mateus usa “Cristo” aqui como um título narrativo definido. As “obras” não são apenas milagres, mas a totalidade do ministério de palavra e ação (Nolland, “John the Baptist and Jesus”).
- “Aquele que havia de vir” (ho erchomenos): Um termo técnico para o Messias ou figura escatológica esperada.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- R. T. France: Conecta explicitamente 11:2 com 4:12 através da menção da prisão, criando um arco narrativo que traz João Batista de volta à cena para preparar o confronto de incredulidade que dominará os capítulos 11-12 (France, “Galilee: The Messiah Revealed”).
- John Nolland: Traz uma conexão textual única com 4Q521 de Qumran, onde as expectativas messiânicas incluem curar cegos e levantar mortos. Ele nota, contudo, que no texto de Qumran é Deus quem realiza as obras, enquanto em Mateus é Jesus quem as cumpre, validando sua identidade através de Isaías (Nolland, “The Blind Are Seeing”).
- D. A. Carson: Enfatiza a historicidade da dúvida de João Batista. Contra intérpretes que veem a pergunta como pedagógica (feita para o benefício dos discípulos de João), Carson insiste que a dúvida era real, causada pela discrepância entre o “Messias de juízo” que João pregava e o “Messias de misericórdia” que Jesus demonstrava ser (Carson, “John’s question”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- O debate centra-se na natureza da dúvida de João. Enquanto Nolland foca na função literária das “obras” para definir a cristologia (Nolland, “John the Baptist and Jesus”), Carson se preocupa em defender a integridade psicológica e teológica de João Batista, argumentando que a tensão escatológica (juízo vs. bênção) é a causa raiz da dúvida (Carson, “John’s question”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Isaías 29:18; 35:5-6; 61:1: Todos concordam que Jesus constrói sua resposta com um mosaico destes textos. Nolland aponta especificamente que a ordem “cegos e surdos” em Mateus reflete Isaías 29 (Nolland, “The Blind Are Seeing”).
5. Consenso Mínimo
- Jesus define sua messianidade não por títulos políticos, mas pelo cumprimento das profecias de Isaías sobre restauração e cura.
📖 Perícope: O Lugar de João na História da Redenção (Versículos 11:7-15)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Violência” (biazetai / biastai): O termo mais debatido. Pode ser voz média (“avança com força”) ou passiva (“sofre violência”).
- “Macios” (malakos): Referente às roupas em 11:8.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- R. T. France: Destaca a ironia na descrição das roupas “macias”, contrastando a robustez do deserto com a corte de Herodes, reforçando o papel profético de João (implícito na estrutura narrativa) (France, “Galilee”).
- John Nolland: Oferece uma análise detalhada de biazetai. Ele sugere que João e Jesus são “forças avançadas” do Reino que, por estarem na vanguarda, sofrem o impacto da oposição. Ele vê uma continuidade funcional onde ambos sofrem um destino brutal, ligando a violência à reação hostil das autoridades (Nolland, “My Messenger”).
- D. A. Carson: Argumenta vigorosamente que biazetai deve ser lido como voz média (“avança forçosamente”), indicando a expansão vigorosa do reino, enquanto biastai (os violentos) refere-se àqueles com “coragem e fé vigorosa” que se apoderam do reino, embora ele também permita a interpretação de que o reino sofre ataques. Ele resolve a tensão de 11:13 (“profetizaram até João”) insistindo que João é a linha divisória da história redentora (Carson, “John in redemptive history”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Teológica e Gramatical sobre 11:12: Carson tende a ver uma conotação positiva ou mista no “avanço” do Reino (o Reino rompe barreiras), enquanto Nolland foca na vitimização dos agentes do Reino (o Reino é atacado). Carson vê o versículo 13 como prova de que a era da Lei/Profetas terminou com João, inaugurando o Reino, enquanto Nolland vê João como uma figura transicional que pertence a ambos os lados (Nolland, “My Messenger”; Carson, “John in redemptive history”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Malaquias 3:1 e Êxodo 23:20: Nolland nota a fusão destes textos em 11:10. Ele destaca a alteração de “diante de mim” (TM de Malaquias) para “diante de ti” (Mateus), o que eleva o status de Jesus, colocando-o na posição de Yahweh a quem o caminho é preparado (Nolland, “My Messenger”).
5. Consenso Mínimo
- João Batista é o Elias profetizado e o ponto de culminância da era da Lei e dos Profetas, preparando imediatamente o caminho para o Reino.
📖 Perícope: A Geração Insatisfeita (Versículos 11:16-19)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Sabedoria” (Sophia): Personificação em 11:19.
- “Filho do Homem” (Huios tou anthrōpou): Auto-designação de Jesus.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- R. T. France: (Foca na estrutura literária desta rejeição como prelúdio para o cap. 13).
- John Nolland: Rejeita a identificação direta de Jesus com a “Sabedoria encarnada” neste texto. Ele argumenta que “suas obras” (v. 19) refere-se às obras da Sabedoria executadas através de seus enviados, João e Jesus. Ele vê ambos como mensageiros da Sabedoria, e não Jesus como a própria Sophia aqui (Nolland, “He Has a Demon”).
- D. A. Carson: Explica a parábola das crianças brincando: João tocou o “canto fúnebre” (ascetismo), e não choraram; Jesus tocou a “flauta” (casamento/alegria), e não dançaram. Carson vê o título “Filho do Homem” aqui não apenas como auto-referência, mas como uma alusão messiânica velada que contrasta com a acusação de ser um “glutão” (Carson, “The unsatisfied generation”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Cristologia da Sabedoria: Existe um debate teológico sobre 11:19. Muitos estudiosos modernos veem aqui uma Cristologia da Sabedoria (Jesus = Sophia). Nolland resiste a isso, mantendo uma distinção funcional (Jesus = Enviado da Sophia) (Nolland, “He Has a Demon”). Carson foca mais na coerência das “obras” que vindicam Jesus, alinhando-se com a ideia de que os resultados do ministério justificam o método divino, seja via ascetismo ou celebração (Carson, “The unsatisfied generation”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Tradição da Sabedoria (Provérbios, Sirácida). Nolland aponta para a personificação da Sabedoria na literatura intertestamentária (Sir 1 e 24; Bar 3-4) como fundo para a linguagem de “filhos” ou “obras” da Sabedoria (Nolland, “He Has a Demon”).
5. Consenso Mínimo
- Esta geração é irracional e impossível de satisfazer, rejeitando a mensagem de Deus independentemente do mensageiro ou do método.
📖 Perícope: Os Ais e a Revelação do Pai (Versículos 11:20-27)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Ai” (Ouai): Expressão de lamento e julgamento.
- “Pequeninos” (nēpioi): Literalmente “bebês”, mas usado metaforicamente para os sem instrução/simples.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- R. T. France: (Foca no tema da rejeição de Israel e a mudança para os gentios implícita em Tiro/Sidom).
- John Nolland: Em 11:25, conecta nēpioi com o termo hebraico pety (simples), sugerindo que não se trata de defeito mental, mas da falta de sofisticação “sábia” que bloqueia a revelação. Ele destaca o termo epiginōskei (conhece plenamente) em 11:27 como indicativo de uma intimidade familiar exclusiva, paralela à relação de Moisés com Deus (Nolland, “The Good Pleasure”).
- D. A. Carson: Defende a autenticidade do versículo 27 (o “raio vindo do céu joanino”) contra críticos que o consideram helenístico tardio. Ele argumenta que a linguagem de “conhecimento” e eleição é profundamente judaica e veterotestamentária. Ele vê a “soberania divina” e a “responsabilidade humana” justapostas sem contradição na condenação das cidades e na eleição dos pequeninos (Carson, “Because of the agency of the Son”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Histórica/Teológica: A colocação dos “ais” contra Corazim e Betsaida é vista por Nolland como “narratologicamente falsa” (um flashback), pois Mateus não narrou milagres nessas cidades específicas antes (Nolland, “Reproaching Privileged Towns”). Carson defende que isso mostra que Mateus não registrou todos os milagres e que a cronologia é temática, focada na crescente oposição (Carson, “The condemned”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Tiro, Sidom e Sodoma: Ecos de Isaías 23, Ezequiel 26-28 e Gênesis 19. Os autores concordam que o uso destas cidades gentias serve para envergonhar as cidades judaicas pela dureza de coração.
5. Consenso Mínimo
- A revelação de Deus é soberana e oculta aos arrogantes intelectuais, sendo acessível apenas através da auto-revelação do Filho.
📖 Perícope: O Grande Convite (Versículos 11:28-30)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Descanso” (anapausis): Termo escatológico e sapiencial.
- “Jugo” (zygos): Metáfora para submissão, lei ou discipulado.
- “Manso” (praus): Humilde, sem pretensão.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- John Nolland: Conecta explicitamente o convite com Sirácida 51:23-27, onde a Sabedoria convida homens a tomarem seu jugo. Contudo, ele nota que Jesus fala aqui como o Filho/Revelador, e não apenas como a Sabedoria personificada. Ele identifica praus (manso) como um atributo de Moisés (Nm 12:3), sugerindo uma tipologia onde Jesus é o novo e maior mediador (Nolland, “Come to Me”).
- D. A. Carson: Rejeita uma identificação simples com Sirácida 51. Ele argumenta que, ao contrário de Sirácida, onde o escritor convida leitores à Sabedoria, aqui Jesus convida para si mesmo. Ele enfatiza que o “descanso” não é o estudo da Torá, mas o descanso escatológico da salvação. O “jugo” é a submissão à autoridade exclusiva de Jesus em contraste com o jugo pesado do legalismo farisaico (Carson, “Because of the Son’s gentle invitation”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A natureza do “Jugo”: Nolland tende a ver o jugo dentro da tradição sapiencial de instrução e discipulado (Nolland, “Come to Me”). Carson é mais enfático no contraste polêmico com o “fardo” dos fariseus (mencionado em Mt 23:4), vendo o jugo de Jesus como a essência do discipulado que traz alívio imediato da opressão legalista (Carson, “Because of the Son’s gentle invitation”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Jeremias 6:16: “Encontrareis descanso para as vossas almas”. Ambos, Nolland e Carson, identificam este texto como o fundo primário para a promessa de descanso, indicando que Jesus oferece o que a antiga aliança prometeu mas o povo rejeitou.
5. Consenso Mínimo
- Jesus oferece um discipulado que, embora exija submissão (jugo), proporciona o verdadeiro descanso escatológico que a religião legalista não pode dar.