Texto Interlinear (Grego/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Mateus 10
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Carson, D. A. (2010). Matthew. Revised Expositor’s Bible Commentary (REBC). Zondervan.
- France, R. T. (2007). The Gospel of Matthew. New International Commentary on the New Testament (NICNT). Eerdmans.
- Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew. New International Greek Testament Commentary (NIGTC). Eerdmans.
Análise dos Autores
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Autor/Obra: France, R. T., The Gospel of Matthew .
- Lente Teológica: Evangélica Crítica/Redacional. France foca na estrutura narrativa e no cumprimento tipológico.
- Metodologia: Abordagem literária e teológica. Ele analisa grandes blocos narrativos para discernir o “design abrangente” de Mateus. Ele observa que a seção de Mateus 5-10 é uma construção cuidadosa destinada a aumentar a “impressão da autoridade de Jesus” antes do discurso das parábolas (France, “by his careful construction… Matthew has considerably enhanced the impression of Jesus’ authority”).
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Autor/Obra: Nolland, J., The Gospel of Matthew .
- Lente Teológica: Crítico-Histórica com ênfase na História da Tradição.
- Metodologia: Exegese detalhada do texto grego com forte foco em crítica das fontes (comparação com Marcos e Q) e crítica da redação. Nolland busca distinguir entre a tradição recebida e a mão editorial de Mateus, notando frequentemente onde Mateus abrevia ou expande suas fontes para fins teológicos, como na fusão de instruções missionárias com materiais escatológicos (Nolland, “Matthew sets out by drawing language again from Mk. 6:7… he will go on to merge… material from a separate mission charge”).
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Autor/Obra: Carson, D. A., Matthew .
- Lente Teológica: Evangélica Reformada/Conservadora.
- Metodologia: Histórico-Gramatical com forte defesa da historicidade e autenticidade dos ditos de Jesus. Carson frequentemente engaja com a crítica da redação para refutar conclusões céticas, argumentando que o discurso é um amálgama coerente de ensinamentos históricos aplicáveis à igreja pós-Pentecostes (Carson, “Matthew is a responsible historian”). Ele enfatiza a continuidade da história da redenção.
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
Tese do France, R. T. (NICNT)
Resumo: O capítulo 10 deve ser lido dentro do bloco maior (caps. 5–10) que estabelece a autoridade messiânica de Jesus em palavra e obra, preparando o cenário para as reações variadas que se seguem.
- Argumento: France situa o capítulo 10 como parte da primeira grande seção do ministério na Galileia (4:12–16:20). Ele argumenta que Mateus não apenas coleta material, mas o ordena para criar um efeito teológico específico: “Por sua construção cuidadosa da parte inicial da seção (caps. 5-10), Mateus aumentou consideravelmente a impressão da autoridade de Jesus” (France, “by his careful construction of the opening part…”). Este bloco fornece “mais alimento para reflexão” quando o discurso das parábolas (cap. 13) é alcançado.
Tese do Nolland, J. (NIGTC)
Resumo: Mateus funde instruções históricas com advertências escatológicas para apresentar a missão não apenas como um evento passado, mas como um paradigma contínuo para a igreja sob a sombra do julgamento iminente e do Filho do Homem.
- Argumento: Nolland destaca que Mateus mantém a missão histórica dos Doze “fora do palco” (offstage), pois não relata o retorno deles, sinalizando que as instruções visam a missão contínua da igreja (Nolland, “Matthew prefers to keep the mission offstage”). Ele observa um movimento no texto de instruções práticas para um “crescendo escatológico” de hostilidade, onde a vinda do Filho do Homem é o ponto final da perseverança (Nolland, “It pictures hostility as moving to an eschatological crescendo leading to the coming of the Son of Man”). Ele sugere que Mateus integrou materiais do discurso escatológico (Marcos 13) no capítulo 10 para fundir missão e martírio.
Tese do Carson, D. A. (REBC)
Resumo: O discurso é uma composição unificada que equilibra a especificidade histórica da missão pré-pascal com a realidade teológica de uma igreja que testemunha e sofre, validando a autoridade de Jesus sobre a história da salvação.
- Argumento: Carson defende vigorosamente que o discurso, embora possa ser um amálgama de ditos proferidos em várias ocasiões, reflete a ipsissima vox de Jesus. Ele argumenta que a inclusão de restrições temporárias (não ir aos gentios em 10:5-6) ao lado de avisos sobre perseguição futura prova que Mateus não está inventando fatos, mas preservando distinções da história da redenção: “O próprio fato de Mateus incluir tanto o que é historicamente específico… quanto o que é historicamente relevante apenas para a igreja pós-Pentecostes apoia fortemente a autenticidade do seu material” (Carson, “The very fact that Matthew includes… strongly supports his material’s authenticity”). Ele vê o capítulo como a definição de uma “igreja testemunha e sofredora” (Carson, “a witnessing and suffering church”).
Comparação Crítica de Tópicos Chaves em Mateus 10
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A Restrição da Missão (10:5-6):
- Nolland: Vê a restrição (“não entreis em cidade de samaritanos”) como uma instrução que Mateus preserva, mas cuja tensão com a Grande Comissão (28:19) é suavizada pelo reconhecimento de que a morte de Jesus marca uma conclusão e um novo começo. Ele nota que a linguagem “no caminho dos gentios” é idiomática (Nolland, “in the direction of [the] Gentiles”).
- Carson: Usa este trecho para combater a ideia de que Mateus está apenas projetando a situação de sua comunidade no texto. Para Carson, isso prova que Mateus é um “historiador responsável” que não cai em anacronismo, preservando uma distinção que só fazia sentido antes da Cruz (Carson, “Matthew is a responsible historian”).
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A Vinda do Filho do Homem (10:23):
- Nolland: Identifica este versículo como uma inserção mateana baseada em material escatológico (semelhante a Marcos 13), sugerindo que ele reflete um clímax escatológico originalmente ligado ao discurso do Monte das Oliveiras. Ele vê o versículo como parte de uma estrutura de “crescendo” de perseguição (Nolland, “best explained as… drawn from a second form of the Mk. 13 materials”).
- Carson: Classifica este como “entre os mais difíceis no cânon do NT”. Ele rejeita a ideia de que se refere apenas à reunião de Jesus com os discípulos na missão histórica. Ele argumenta que o versículo deve ser lido no contexto da missão pós-ressurreição, onde a “vinda” refere-se à Parusia, e a urgência reflete a natureza incompleta da missão judaica antes do fim (Carson, “Jesus envisaged an extended time of witness in the midst of persecution”).
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A Natureza da Autoridade Apostólica:
- Nolland: Enfatiza a conexão entre os atos de Jesus (caps. 8-9) e os atos delegados aos discípulos (cap. 10). O “trabalhador é digno do seu alimento” (10:10) é ligado teologicamente a Deus como o provedor da colheita (Nolland, “working for God as a harvest gatherer”).
- Carson: Destaca que a autoridade dada (10:1) é uma extensão direta da autoridade de Jesus demonstrada anteriormente. Ele refuta a ideia de que a recepção dos discípulos (10:40-42) se refere a uma classe especial de profetas cristãos itinerantes, argumentando que se aplica a todos os discípulos como “pequeninos” (Carson, “refers to righteous men of earlier generations… not Christian contemporaries of Matthew”).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de France, R. T. (NICNT) | Visão de Nolland, J. (NIGTC) | Visão de Carson, D. A. (REBC) |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Grego | Exousia (Autoridade). Foca na construção narrativa onde Mateus aumenta a “impressão da autoridade de Jesus” (France, “impression of Jesus’ authority”). | Telos (Fim/Objetivo). Associa a perseguição a um “crescendo escatológico” (eschatological crescendo) que leva à vinda do Filho do Homem (Nolland, “leading to the coming of the Son of Man”). | Huios tou Anthrōpou (Filho do Homem). Define como título apocalíptico referente à Parusia, rejeitando visões que o limitam a uma circumlocução para “eu” (Carson, “apocalyptic Son of Man who comes at the end”). |
| Problema Central do Texto | A falta de um “design abrangente” óbvio no material narrativo após 4:11, que parece apenas agrupado (France, “less sign of an overarching design”). | A tensão entre a missão histórica restrita (apenas Israel) e a abertura universal posterior, além da fusão de instrução missionária com material apocalíptico de Marcos 13 (Nolland, “merge… material from a separate mission charge”). | A defesa da historicidade do discurso contra críticos que veem a mistura de horizontes temporais (presente e futuro) como invenção da igreja pós-pascal (Carson, “presuppositions… that the Gospels must be read as church documents”). |
| Resolução Teológica | Propõe que os capítulos 5–10 formam um bloco literário intencional para estabelecer a autoridade messiânica em palavras e obras antes da crise das parábolas no cap. 13 (France, “careful construction… enhanced the impression”). | Vê a missão em Mateus 10 como um paradigma contínuo (“offstage”) para a igreja, onde as restrições temporais dão lugar a uma realidade escatológica pós-ressurreição (Nolland, “Matthew prefers to keep the mission offstage”). | Resolve as tensões através da História da Salvação. O discurso é unificado porque Jesus prepara os discípulos para uma missão contínua que começa agora e se estende até o fim, com distinções claras de “antes e depois” da cruz (Carson, “salvation-historical… contrast”). |
| Tom/Estilo | Literário-Narrativo. Foca na arquitetura do texto e no efeito acumulativo sobre o leitor. | Técnico-Crítico. Foca na análise minuciosa das fontes (Q, Marcos), crítica textual e história da tradição. | Apologético-Teológico. Polêmico contra a crítica cética, defendendo a coerência interna e a autoria apostólica. |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Nolland, J. (NIGTC). Este autor oferece o exame mais detalhado das camadas da tradição, comparando minuciosamente com Marcos e Q, e explorando o background judaico e linguístico (ex: a análise de kēthēsethe vs. airō para o equipamento missionário e as conexões com textos apocalípticos como 4Q521) (Nolland, “differences are mainly to be ascribed to Luke”; “4Q521… juxtaposes the role of the messiah”).
- Melhor para Teologia: Carson, D. A. (REBC). Carson fornece a estrutura teológica mais robusta para harmonizar as dificuldades do capítulo (como a restrição aos gentios em 10:5 vs a Grande Comissão), utilizando a categoria de História da Salvação para validar a autenticidade das instruções de Jesus como preparatórias para uma “igreja sofredora e testemunha” (Carson, “witnessing and suffering church”).
- Síntese: Para uma exegese completa de Mateus 10, deve-se começar com France para entender a localização estratégica do capítulo na demonstração da autoridade de Jesus (caps. 5-10); prosseguir com Nolland para dissecar as nuances filológicas e a fusão de horizontes escatológicos no texto grego; e concluir com Carson para uma aplicação teológica que integra a missão histórica dos Doze com a missão contínua da igreja sob perseguição.
História da Salvação, Crescendo Escatológico, Crítica da Redação e Autoridade Messiânica são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: Os Doze Apóstolos e a Autoridade Delegada (10:1-4)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Apostolōn (Apóstolos): Nolland observa que esta é a única utilização desta palavra no Evangelho de Mateus, introduzida para preparar o envio (apesteilen) no versículo 5 (Nolland, “the one use of the word ‘apostle’… to be found in this Gospel”).
- Kananaios (Cananeu/Zelote): Nolland destaca a variação textual e a transliteração do semítico qan’ana (zeloso), observando que em Atos 1:13 é traduzido como “Zelote” (Nolland, “transliterated ‘Cananaean’ as ‘zealot’ in Acts 1:13”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- France: Enfatiza a estrutura quiasmática maior (4:12–11:1), onde a missão dos discípulos é central. Ele vê a lista não apenas como nomes, mas como a autorização de agentes para a “missão messiânica” (France, “messianic mission to be launched”).
- Nolland: Identifica um padrão rítmico na lista dos Doze: “Quatro, três, dois, um” (Quatro nomes com informações adicionais, três nomes simples, dois nomes com descrições, um nome final com a traição) (Nolland, “Four, three, two, one is suggestive of patterning”). Ele também sugere que a inclusão de “o cobrador de impostos” ao lado de Mateus serve para ligar teologicamente esta seção a Mateus 9:9 (Nolland, “bridges to Mt. 9:9”).
- Carson: Argumenta contra a visão de que Mateus seria “anti-escriba” ou sectário. A escolha dos Doze e suas instruções mostram que a divisão não é institucional, mas cristológica; todos são pesados pela resposta a Jesus (Carson, “all people… must be weighed according to their response to him”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Os Nomes na Lista (Tadeu vs. Lebeu):
- Nolland aborda a variante textual em 10:3, onde alguns manuscritos ocidentais leem “Lebeu”. Ele sugere que isso pode ser “influência da tradição oral” ou uma tentativa de harmonização com Lucas 6:16 (Judas filho de Tiago). Ele deixa em aberto se representam a mesma pessoa ou uma “diferença genuína” nas tradições (Nolland, “represents a genuine difference or an alternative name”).
- Carson (implicitamente, ao tratar da harmonia) tende a ver as variações como preservações de tradições autênticas de nomes múltiplos comuns na época, sem assumir erro ou contradição.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Nolland conecta o número “Doze” e a falta de pastor (9:36) diretamente a Números 27:17 (Josué sucedendo Moisés) e Ezequiel 34:5 (Israel disperso por falta de pastor) (Nolland, “Israel was scattered because there was no (functioning) shepherd”).
5. Consenso Mínimo
- Os três autores concordam que a seleção dos Doze é um ato fundacional de constituição do novo Israel e que a autoridade (exousia) conferida a eles é uma extensão direta da autoridade de Jesus demonstrada nos capítulos 8 e 9.
📖 Perícope: A Missão Restrita e as Instruções (10:5-15)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Eis hodon ethnōn (Pelo caminho dos gentios): Nolland define a preposição eis aqui não como “dentro”, mas como “na direção de” (idiomatismo hebraico le’orah), traduzindo como “Não tomeis a estrada para terras gentílicas” (Nolland, “Do not take the road to Gentile lands”).
- Ktasēsthe (Adquirir/Procurar): Carson discute a nuance de mē ktēsēsthe (v. 9). Ele argumenta que significa “não adquirir” (para a viagem), o que resolve a aparente contradição com Marcos 6:8 (que permite levar cajado/sandálias que já se possui), enquanto Mateus proíbe a aquisição de novos itens (Carson, “Do not procure… with a view to [filling your belts]”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Destaca que a proibição de levar sacola (pēran) pode se referir a uma “sacola de mendigo” (beggar’s bag), sugerindo que os discípulos não deveriam agir como filósofos cínicos itinerantes ou mendigos profissionais (Nolland, “Cynic… beggar’s bag”). Ele também nota que a saudação de “paz” (v. 12-13) não é um mero cumprimento, mas uma “paz do Reino” quase substantiva que pode “retornar” se a casa não for digna (Nolland, “peace of the kingdom… hovering ready to be summoned back”).
- Carson: Enfatiza a historicidade da restrição aos gentios. Ele vê isso como prova de que Mateus é um “historiador responsável” que não anacroniza a missão universal pós-pascal na vida de Jesus pré-pascal. Para Carson, essa distinção é “histórico-salvífica” (Carson, “salvation-historical… distinction”).
- France: Vê a estrutura de 4:12 a 16:20 como a “Galileia” teológica, onde o foco em Israel é crucial para definir a rejeição que virá depois.
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza da Proibição (v. 10 - Sandálias e Bordões):
- Carson: Harmoniza com Marcos/Lucas sugerindo que Mateus proíbe adquirir extras, enquanto Marcos permite levar o que já se tem (Carson, “Matthew and Luke agree… on the grammatical construction”).
- Nolland: É menos preocupado com a harmonização mecânica e sugere que a proibição visa tornar visível a “confiança em Deus” através da pobreza extrema, onde a própria aparência dos discípulos é uma mensagem (Nolland, “travelling in an impoverished state that will make visible a trust in God”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Nolland cita 2 Reis 4:29 (Eliseu instruindo Geazi) como paralelo para a urgência da missão e a falta de saudações prolongadas (implícito na pressa).
- Carson conecta a “paz” à saudação hebraica shalom, mas carregada de poder messiânico.
5. Consenso Mínimo
- A missão é urgente, depende inteiramente da providência divina (o obreiro é digno do seu salário) e, nesta etapa, é teologicamente restrita às “ovelhas perdidas da casa de Israel”.
📖 Perícope: Perseguição e a Vinda do Filho do Homem (10:16-23)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Akeraios (Símplices/Puros): Nolland traduz como “integridade” ou “sem mistura” (unmixed), ligando ao uso em Romanos 16:19. É a inocência associada ao exercício de uma integridade consistente (Nolland, “innocence associated with the exercise of a consistent integrity”).
- Huios tou Anthrōpou (Filho do Homem): Carson lista as ocorrências e defende que aqui é um título apocalíptico referente à Parusia, rejeitando a visão de Vermès de que seria apenas uma circumlocução para “eu” (Carson, “apocalyptic Son of Man who comes at the end”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Nolland: Propõe que o v. 23 (“não acabareis de percorrer as cidades de Israel…”) pode ser um fragmento textual deslocado de uma versão perdida do discurso escatológico de Marcos 13, sugerindo que Mateus fundiu a missão presente com o clímax escatológico (Nolland, “drawn from a second form of the Mk. 13 materials”).
- Carson: Oferece uma lista exaustiva de 7 interpretações para o “v. 23” (o versículo mais difícil). Ele rejeita a visão de Schweitzer (que Jesus errou a profecia) e adota a visão de que a “vinda” refere-se ao julgamento contra os judeus (culminando em 70 d.C.) como uma etapa da Parusia final. Ele argumenta que o julgamento sobre Israel é tipo do julgamento final (Carson, “coming of the Son of Man refers to his coming in judgment against the Jews”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- O Significado de “Não acabareis de percorrer… até que venha o Filho do Homem” (10:23):
- Problema: A missão histórica dos Doze terminou e Jesus não “veio” em glória apocalíptica naquele momento.
- Nolland: Vê como uma fusão de horizontes. A hostilidade é retratada como movendo-se para um “crescendo escatológico”. O texto não é sobre a missão galileia, mas sobre a missão da Igreja até o fim (Nolland, “eschatological crescendo leading to the coming”).
- Carson: Concorda que se refere à missão da igreja, mas especifica o “fim” como o julgamento de Jerusalém (70 d.C.), argumentando que “vinda do Filho do Homem” e “vinda do Reino” são complementares. Ele vê uma aplicação teológica onde a rejeição de Jesus por Israel leva à destruição nacional (Carson, “culminating in the sack of Jerusalem”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Nolland liga a astúcia da serpente (v. 16) a Gênesis 3:1 e a inocência da pomba a Cânticos 5:2; 6:9 (“minha pomba, minha perfeita”) (Nolland, “lover’s address ‘my dove, my perfect one’”).
- Carson vê em “ovelhas no meio de lobos” uma inversão das expectativas messiânicas de triunfo fácil.
5. Consenso Mínimo
- O sofrimento e a perseguição não são acidentes, mas partes integrantes e inevitáveis da missão apostólica, exigindo uma combinação de prudência e pureza.
📖 Perícope: Discipulado Radical e Recompensas (10:24-42)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Beelzeboul: Carson nota a variação textual e etimológica (“Senhor da Casa” vs. “Senhor das Moscas”). Ele liga “Senhor da Casa” (oikodespotēs) no v. 25 ao título de Jesus, criando um jogo de palavras irônico: se chamam o verdadeiro Senhor da Casa de Belzebu, quanto mais os domésticos (Carson, “If the head of the house has been called Beelzebub”).
- Psychē (Alma/Vida): Nolland argumenta que no v. 39 (“quem achar a sua vida…”), psychē significa “vida” no sentido de “ter sucesso na vida” ou “arranjar-se na vida” (making it), contrastando com a vida eterna (Nolland, “making it/being successful in life”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Carson: Analisa profundamente o v. 41 (“quem recebe um profeta…”). Ele refuta a ideia de que “profeta” e “justo” sejam ofícios técnicos na igreja de Mateus. Para Carson, “pequeninos” (v. 42) é o termo abrangente para todos os discípulos. Receber um profeta porque ele é profeta de Cristo é o ponto chave (Carson, “receive a prophet because he is a prophet… presupposes… he is Christ’s prophet”).
- Nolland: Destaca a estrutura quiasmática e o paralelismo em 10:26-33 (confissão/negação), notando como Mateus “aperta” o paralelismo frouxo de Lucas para criar um efeito retórico mais forte de julgamento (Nolland, “tightly structured double parallelism”). Ele também observa que homologēsei en emoi (confessar em mim) é um aramaísmo (Nolland/Carson concordam aqui).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Espada e a Paz (10:34):
- Nolland: Vê a “espada” (machaira) como uma imagem de divisão social e familiar, ligada a Miqueias 7:6. A lealdade a Jesus “relativiza” os laços naturais (Nolland, “ties that bind are relativized”).
- Carson: Concorda com a divisão, mas enfatiza que a paz que Jesus não trouxe é a paz política ou a paz sem conflito espiritual. A espada é o resultado inevitável da proclamação do evangelho em um mundo hostil (Carson, “advance of the kingdom was divisive”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Miqueias 7:6: Ambos, Nolland e Carson, identificam este texto como a base explicita para os versículos 35-36 (o filho contra o pai, a nora contra a sogra). Nolland nota que isso reflete a angústia dos “dores de parto do Messias” na tradição judaica (Nolland, “messianic woes”).
- Carson conecta a “cruz” (v. 38) não apenas à crucificação romana literal, mas à prática de condenados carregarem o patibulum, tornando-se uma metáfora para a morte total do eu (Carson, “death to self”).
5. Consenso Mínimo
- A identificação com Jesus é absoluta. O tratamento dado aos discípulos (“pequeninos”) é contado por Deus como tratamento dado ao próprio Jesus e ao Pai que o enviou.