Análise Comparativa: Gênesis 7

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Wenham, G. J. (1987). Genesis 1-15. Word Biblical Commentary (WBC). Waco: Word Books.
  • Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis: Chapters 1-17. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
  • Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). Downers Grove: InterVarsity Press.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: Wenham, G. J., Genesis 1-15 (WBC).

    • Lente Teológica: Crítico-Literária e Estruturalista. Wenham adota uma postura que, embora consciente da crítica das fontes (J e P), prioriza a forma final do texto canônico, buscando a coerência literária e teológica da redação final.
    • Metodologia: O autor emprega uma análise retórica sofisticada, focando na estrutura quiástica (palistrófe) da narrativa do Dilúvio. Ele argumenta que a sintaxe e a repetição não são meros resquícios de fontes díspares, mas dispositivos literários deliberados para criar simetria teológica. Ele observa: “A estrutura literária assemelha-se muito à estrutura profunda do evento que está sendo descrito” (Wenham, “Ancient Parallels”).
  • Autor/Obra: Steinmann, A. E., Genesis (TOTC).

    • Lente Teológica: Evangélica Conservadora e Confessional. Steinmann posiciona-se firmemente contra a fragmentação do texto, defendendo a unidade autoral e a historicidade do relato.
    • Metodologia: Sua abordagem é sincrônica e polêmica contra a Hipótese Documentária. No capítulo 7, ele se dedica a harmonizar aparentes discrepâncias (como o número de animais puros e impuros) e a refutar a divisão entre fontes Javista e Sacerdotal, argumentando que o texto é uma “composição literária única e finamente elaborada” (Steinmann, “Additional note on Noah”).
  • Autor/Obra: Hamilton, V. P., The Book of Genesis (NICOT).

    • Lente Teológica: Evangélica Moderada com ênfase em Filologia Semítica. Hamilton equilibra a teologia bíblica com uma sensibilidade aguçada para o contexto do Antigo Oriente Próximo.
    • Metodologia: Foca na análise léxico-gramatical e na teologia comparada. Ele contrasta a narrativa bíblica com épicos mesopotâmicos (como Gilgamesh e Atrahasis) para destacar a singularidade ética do monoteísmo hebraico, especialmente a motivação moral de Deus, argumentando que “O Deus do AT nunca age arbitrariamente; ele não governa seu mundo amoralmente” (Hamilton, p. 5). Nota: A análise de Hamilton baseia-se na seção introdutória ao Dilúvio (6:5-10) fornecida nas fontes, que estabelece a premissa para o capítulo 7.

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de Wenham: O capítulo 7 é parte integrante de uma estrutura palistrófica (quiástica) monumental que retrata o Dilúvio como uma descreação da ordem cósmica, onde a repetição cronológica e temática serve para conduzir o leitor ao clímax teológico da intervenção divina (8:1).

    • Argumento: Wenham demonstra que a cronologia e a estrutura narrativa (entrada na arca, subida das águas) espelham a saída e a descida das águas na segunda metade do relato. Ele argumenta que “A estrutura da superfície da narrativa espelha a estrutura profunda do evento sendo descrito” (Wenham, “Ancient Parallels”). Ele identifica que o caos aquoso retorna a Gênesis 1:2, desfazendo a separação das águas, e que a cronologia dos “sete dias” e “quarenta dias” faz parte de um padrão literário intencional para sublinhar a simetria de “subida e queda” do dilúvio (Wenham, “The Story of Noah”).
  • Tese de Steinmann: O relato de Gênesis 7 é um texto historicamente coerente e unificado que rejeita a teoria das fontes (J/P), apresentando o Dilúvio não apenas como julgamento, mas como um prelúdio para uma nova criação baseada na obediência fiel de Noé e na preservação providencial das espécies.

    • Argumento: Steinmann ataca diretamente a ideia de que Gênesis 7:2 (sete pares de animais limpos) contradiz 6:19 (um par), argumentando que o capítulo 7 fornece instruções específicas e expandidas para sacrifício e sobrevivência, não uma contradição de fontes. Ele afirma que “Não há necessidade de explicar a diferença nesses versículos como uma contradição… aqui Deus está dando as instruções gerais, e mais tarde… ele esclareceria e expandiria essas instruções” (Steinmann, “i. God’s revelation to Noah”). Ele enfatiza que a estrutura do texto é uma “composição literária única e finamente trabalhada” e não uma colcha de retalhos editorial (Steinmann, “Additional note on Noah”).
  • Tese de Hamilton: A narrativa do Dilúvio destaca-se pela motivação moral de Yahweh e pela universalidade do pecado, contrastando a justiça divina com o capricho dos deuses do Antigo Oriente Próximo, e estabelecendo que o julgamento (a “descreação” descrita no cap. 7) é uma resposta dolorosa, mas necessária, à corrupção humana.

    • Argumento: Hamilton foca na teologia da dor divina e na justiça. Ao comentar o preâmbulo do dilúvio, ele estabelece que o julgamento que se desenrola no capítulo 7 não é arbitrário: “Ninguém receberá este julgamento divino simplesmente porque é humano. Deus é movido à ira pelas violações deliberadas do homem” (Hamilton, p. 5). Ele ressalta a antropopatia divina (dor no coração de Deus) e defende que termos como “toda a terra” indicam uma “condição universal em vez de local” (Hamilton, p. 39), justificando a escala cataclísmica das águas descrita no capítulo 7.

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de Wenham (WBC)Visão de Steinmann (TOTC)Visão de Hamilton (NICOT)
Palavra-Chave/Termo HebraicoMabbul (Dilúvio). Wenham destaca que este termo técnico, usado apenas em Gênesis 6–11 e Salmo 29:10, refere-se à “fase destrutiva inicial” e ecoa a reversão da criação, ligando-se ao caos aquoso primordial (Wenham, “7:17”).Tahôr / Lo tahôr (Puro / Não puro). Steinmann foca na distinção ritual introduzida em 7:2, argumentando que a diferenciação visa o sistema sacrificial pós-dilúvio, e não a dieta, já que a carne só seria permitida em Gênesis 9 (Steinmann, “ii. Noah and his family enter the ark”).Kol-hāʾāreṣ (Toda a terra). Hamilton analisa a extensão do termo em 7:3 e contextos adjacentes, argumentando que, embora ʾereṣ possa significar “terra local”, a fraseologia do dilúvio aponta para uma “condição universal em vez de local” (Hamilton, p. 39).
Problema Central do TextoA Repetição Cronológica. Para Wenham, o problema é a aparente redundância e a complexidade das datas (ex: 40 dias vs. 150 dias), que a crítica das fontes tradicionalmente divide entre J e P (Wenham, “Sources in Gen 6–9”).A “Contradição” Numérica. O problema central é a suposta discrepância entre a ordem de levar um par de animais (6:19) e sete pares de animais limpos (7:2), usada por críticos para alegar múltiplas fontes (Steinmann, “i. God’s revelation to Noah”).A Tensão Teológica (Teodiceia). O problema é conciliar a justiça de Deus com a destruição em massa. Hamilton lida com a questão de se o julgamento é arbitrário ou uma resposta necessária à violação moral humana (Hamilton, p. 5).
Resolução TeológicaEstrutura Palistrófica (Quiasmo). A repetição não é torpeza editorial, mas um dispositivo retórico deliberado que cria uma estrutura de espelho (ABC…C’B’A’), onde a “lembrança de Deus” (8:1) é o eixo central que reverte a descreação (Wenham, “Form/Structure/Setting”).Harmonização Progressiva. A diferença numérica reflete uma instrução geral seguida de uma específica. 6:19 estabelece a preservação das espécies (pares), enquanto 7:2 provê extras para sacrifício, sem contradição de fontes (Steinmann, “ii. Noah and his family enter the ark”).Motivação Moral. A resolução reside na distinção ética de Yahweh. Ao contrário de Enlil (épico de Atrahasis) que destrói por capricho (barulho), Yahweh age por dor moral e justiça, preservando o “remanescente justo” (Hamilton, p. 38, 41).
Tom/EstiloEstruturalista e Literário. Foca na arquitetura do texto e na sintaxe como veículos de significado teológico.Apologético e Narrativo. Foca na coerência interna, na defesa da unidade autoral e na historicidade do relato.Comparativo e Teológico. Foca nas nuances léxicas e no contraste ético com os mitos do Antigo Oriente Próximo.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Wenham oferece o melhor background literário e estrutural. Sua análise da palistrófe (estrutura quiástica) é essencial para compreender como a cronologia do Dilúvio funciona não apenas como registro de tempo, mas como um mecanismo teológico de “subida e descida” da tensão narrativa, espelhando a realidade do evento (Wenham, “Form/Structure/Setting”).
  • Melhor para Teologia: Hamilton aprofunda melhor as implicações doutrinárias da natureza de Deus (Teologia Própria). Ao contrastar a “dor no coração” de Yahweh (antropopatia) com a impaciência dos deuses mesopotâmicos, ele estabelece a base ética para o julgamento descrito no capítulo 7, evitando uma leitura de Deus como um tirano caprichoso (Hamilton, p. 43).
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 7, deve-se adotar a estrutura literária de Wenham para navegar a complexidade textual e cronológica, preenchendo-a com a sensibilidade ética e léxica de Hamilton para justificar o caráter divino no julgamento. A contribuição de Steinmann serve como um corretivo necessário contra a fragmentação excessiva do texto, lembrando ao exegeta que as aparentes discrepâncias (como o número de animais) servem a propósitos narrativos unificados (preservação vs. sacrifício) dentro da economia do pacto divino.

Descreação, Palistrófe, Antropopatia e Harmonização são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: A Entrada na Arca e Instruções Finais (7:1-10)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Tahôr / Lōʾ ṭāhōr (Puro / Não puro): A distinção ritual é introduzida aqui pela primeira vez na Bíblia. Steinmann observa que a distinção entre animais puros e impuros neste estágio “tinha a ver com sacrifícios, não com a distinção posterior de animais que os israelitas poderiam comer”, visto que a carne só seria permitida em Gênesis 9 (Steinmann, “ii. Noah and his family enter the ark”). Wenham concorda, notando que sem os pares extras, o sacrifício subsequente (8:20) teria levado à extinção das espécies puras (Wenham, “7:2–3”).
  • Šibʿâ šibʿâ (Sete sete / Sete pares): A instrução hebraica é duplicada. Steinmann corrige traduções que sugerem apenas sete animais, insistindo que o texto diz “sete, sete, macho e fêmea”, indicando claramente “sete pares” para permitir a descendência (Steinmann, “ii. Noah and his family enter the ark”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Steinmann: Destaca uma nuance teológica crucial na justiça de Noé. Enquanto em 6:9 Noé era justo entre seus contemporâneos, em 7:1 Deus diz que ele é justo perante Mim (lepāney). Steinmann argumenta: “Ele não diz que Noé era justo para seus contemporâneos… ele era justo diante de Deus pela fé” (Steinmann, “ii. Noah and his family enter the ark”).
  • Wenham: Analisa a estrutura temporal, notando que a menção de “sete dias” (7:4, 10) faz parte de uma sequência palistrófica (quiástica) de contagem de dias (7, 7, 40, 150…) que estrutura toda a narrativa do dilúvio, sublinhando a simetria da subida e descida das águas (Wenham, “Form/Structure/Setting”).
  • Hamilton: Embora foque no capítulo 6, Hamilton utiliza 7:3 para definir a extensão do Dilúvio. Ele nota que a referência aos animais de kol-hāʾāreṣ (toda a terra) em 7:3 “argumenta a favor de um entendimento de ʾereṣ em outros lugares na narrativa do Dilúvio como ‘terra’ [global] em vez de ‘terra’ [local]”, contrastando com o uso limitado em outros textos (Hamilton, p. 39).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A “Contradição” Numérica (2 vs. 7):
    • Críticos das fontes alegam contradição entre 6:19 (um par) e 7:2 (sete pares).
    • Wenham e Steinmann concordam na resolução, mas com ênfases diferentes. Steinmann é mais polêmico contra a Hipótese Documentária, afirmando que “não há necessidade de explicar a diferença… como uma contradição”, pois 6:19 é a instrução geral e 7:2 a específica para sacrifício (Steinmann, “i. God’s revelation to Noah”). Wenham foca na função literária, sugerindo que as instruções mais detalhadas em 7:2 preparam o leitor para o sacrifício pós-dilúvio, algo que a narrativa assume que Noé, como homem justo, já sabia ser necessário (Wenham, “7:2–3”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Steinmann conecta a ordem de “sete dias” (7:4) e a obediência de Noé aos avisos de destruição e à obediência de Moisés em Êxodo (Steinmann, “i. God’s revelation to Noah”).
  • Wenham vê um eco reverso da criação: a distinção entre animais puros/impuros e a preservação da “semente” (descendência) ecoam a linguagem de Gênesis 1, traçando as instituições religiosas fundamentais até os tempos primordiais (Wenham, “7:2–3”).

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que a distinção de animais “puros” em 7:2 visa provisão para o sistema sacrificial, não dieta, e que Noé é retratado como o modelo de obediência fiel.

📖 Perícope: O Início do Dilúvio e a Descreação (7:11-16)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Maʿyĕnōt tĕhôm rabbâ (Fontes do grande abismo): Wenham identifica esta frase como poética e técnica, indicando água jorrando incontrolavelmente de um oceano subterrâneo, revertendo a separação de Gênesis 1:9 (Wenham, “7:11”).
  • Arubbōt (Janelas/Comportas): Steinmann nota que este termo metafórico é usado em Isaías 24:18 e Malaquias 3:10, e que o uso de verbos passivos (“foram rompidas”, “foram abertas”) aponta para a atividade direta de Deus (Steinmann, “iii. The flood (7:11–24)”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Wenham: Aplica a técnica de “escrita em painel” (panel writing) para analisar 7:11-16. Ele nota como a narrativa alterna entre datação, a vinda do dilúvio e a entrada na arca de forma repetitiva para dar “peso e solenidade” ao evento, marcando o dia em que “a velha criação morreu” (Wenham, “7:5–16”).
  • Steinmann: Oferece uma precisão teológica sobre a preservação divina em 7:16. Ao notar que Deus “fechou a porta” (sāgar), Steinmann enfatiza a preservação da vida em contraste com a resolução de destruir “toda carne” (6:12-13), destacando a ação divina direta de proteção (Steinmann, “iii. The flood (7:11–24)”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Cronologia e Fontes:
    • A precisão das datas (ano 600, mês 2, dia 17) é frequentemente atribuída à Fonte Sacerdotal (P).
    • Wenham argumenta que, embora a análise de fontes seja comum, a estrutura atual exibe um padrão coerente e unificado, onde as repetições não são duplicatas desajeitadas, mas um estilo épico hebraico deliberado (Wenham, “Sources in Gen 6–9”).
    • Steinmann é mais agressivo, argumentando que a coerência da estrutura (quiasmo) “argumenta que não é o resultado de uma costura editorial de fontes díspares… mas uma composição literária única” (Steinmann, “Additional note on Noah”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Wenham identifica a ruptura das fontes do abismo e das janelas do céu (7:11) como a “descreação”, onde a terra volta ao estado de Gênesis 1:2 (caos aquoso), desfazendo os atos de separação de Gênesis 1 (Wenham, “7:11”).
  • Steinmann concorda, vendo a inundação como uma “reversão da obra de Deus no terceiro dia” (Steinmann, “iii. The flood (7:11–24)”).

5. Consenso Mínimo

  • É indisputável que a linguagem de 7:11 descreve uma reversão cósmica da ordem da criação estabelecida em Gênesis 1, e que o fechamento da porta da arca (7:16) é um ato exclusivo de Deus, não de Noé.

📖 Perícope: O Triunfo das Águas e a Morte (7:17-24)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Gābar (Prevalecer / Triunfar): Wenham destaca que este é um termo militar para sucesso em batalha (ex: Ex 17:11). As águas não apenas sobem; elas “triunfam” sobre a terra em uma conquista hostil (Wenham, “7:18”).
  • Gāwaʿ vs. Mût (Expirar vs. Morrer): Wenham observa a nuance em 7:21-22. Gāwaʿ significa o “momento de transição da vida para a morte”, enquanto Mût indica a condição após esse momento. O uso espaçado desses termos marca o clímax narrativo (Wenham, “7:21–23”).
  • Nišmat rûaḥ ḥayyîm (Fôlego do espírito de vida): Steinmann nota que esta frase expandida em 7:22 é provavelmente sinônima do “fôlego de vida” dado na criação (2:7), enfatizando a perda total daquilo que Deus soprou (Steinmann, “iii. The flood (7:11–24)”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Wenham: Foca na aliteração e na fonética do texto hebraico. Ele nota a preponderância da letra mem (m) e labiais (b) nesta seção (ex: mayim, mabbul), sugerindo que o som do texto evoca o “rolar das águas do dilúvio ao redor da arca” e a atmosfera de desolação (Wenham, “7:17–24”).
  • Steinmann: Realiza um cálculo técnico sobre o calado da arca em 7:20. Se as águas cobriram os montes por 15 côvados e a arca tinha 30 côvados de altura, ele deduz que o “calado da arca era de 15 côvados”, significando que ela flutuava com metade de sua altura submersa, segura acima do pico mais alto (Steinmann, “iii. The flood (7:11–24)”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Duração do Dilúvio (40 vs. 150 dias):
    • O texto menciona chuva por 40 dias (7:12) e águas prevalecendo por 150 dias (7:24).
    • Steinmann harmoniza explicitamente: “Isso provavelmente inclui os quarenta dias de chuva… As águas subiram por quarenta dias, atingiram o pico e depois desceram por 110 dias” para perfazer os 150 dias até a arca repousar (Steinmann, “iii. The flood (7:11–24)”).
    • Wenham concorda com a inclusão cronológica, mas enfatiza que a menção dos números serve à simetria literária do quiasmo (palistrófe) tanto quanto à cronologia (Wenham, “Form/Structure/Setting”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Hamilton (via análise contextual de 6:5-10 e 7:3) reforça que a descrição da morte de “toda carne” em 7:21-23 deve ser lida como universal, ecoando a extensão total da depravação humana que exigiu tal julgamento (Hamilton, p. 39).
  • Wenham liga 7:22 (“tudo o que tinha fôlego… morreu”) diretamente a Gênesis 2:7. “Deus, o doador da vida, agora a está tirando” (Wenham, “7:22”).

5. Consenso Mínimo

  • Os autores concordam que 7:17-24 retrata o retorno da terra ao estado de caos primordial pré-criação, onde a vida humana e animal fora da arca é totalmente extinta.