Análise Comparativa: Gênesis 28

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Wenham, G. J. (1987). Genesis 16-50. Word Biblical Commentary (WBC). Vol. 2. Dallas: Word Books.
  • Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis: Chapters 18-50. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Grand Rapids: Eerdmans.
  • Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). Vol. 1. Downers Grove: InterVarsity Press.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: Wenham, G. J., Genesis (WBC).

    • Lente Teológica: Crítico-Histórica (Moderada/Conservadora) com forte ênfase na Análise Literária. Wenham engaja profundamente com a hipótese documental (fontes J, E, P), mas frequentemente argumenta a favor da unidade literária e da coerência final do texto canônico, desafiando a fragmentação excessiva proposta por críticos anteriores.
    • Metodologia: Utiliza uma abordagem estruturalista, focando na palistrófe (quiastmo) do ciclo de Jacó para explicar a localização das perícopes. Sua exegese é técnica, focada na crítica das formas (Formgeschichte) e na estrutura retórica do texto hebraico (Wenham, “Form/Structure/Setting”).
  • Autor/Obra: Hamilton, V. P., The Book of Genesis (NICOT).

    • Lente Teológica: Evangélica Erudita. Hamilton mantém uma postura conservadora em relação à historicidade e teologia do texto, buscando conexões com o Novo Testamento e a teologia bíblica mais ampla.
    • Metodologia: Combina exegese léxica detalhada (análise de raízes hebraicas) com estudos comparativos do Antigo Oriente Próximo (paralelos com Nuzi, Mari, etc.). Ele foca na continuidade da aliança e na dinâmica dos personagens dentro da narrativa da história da salvação (Hamilton, “III. THE ISAAC/JACOB CYCLE”).
  • Autor/Obra: Steinmann, A. E., Genesis (TOTC).

    • Lente Teológica: Confessional/Teológica. Steinmann apresenta uma leitura cristocêntrica e devocional, focada na aplicação teológica do texto para a comunidade de fé.
    • Metodologia: Prioriza a Teologia Bíblica e a Análise Narrativa. Ele tende a ler o texto de forma sincrônica, focando na motivação dos personagens (graça versus mérito) e nos contrastes temáticos intra-textuais (ex: Betel vs. Babel), com menos ênfase na crítica das fontes do que Wenham (Steinmann, “Yahweh’s promise to Jacob at Bethel”).

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de Wenham (Autor A): A narrativa de Betel é o ponto de virada estrutural e teológico que reafirma as promessas patriarcais a um fugitivo, funcionando dentro de uma estrutura palistrófica (quiástica) maior que unifica o ciclo de Jacó.

    • Argumento: Wenham argumenta contra a divisão radical de fontes (J e E) em Gênesis 28:10-22, defendendo que a narrativa é uma unidade coesa onde o sonho e o voto são elementos complementares e típicos de incubação em santuários antigos. Ele destaca que a promessa divina de “estar com” Jacó (28:15) é característica central do ciclo, e vê o voto de Jacó não como uma barganha, mas como uma resposta litúrgica apropriada de fé baseada nas promessas divinas, citando paralelos como Jefté e Ana (Wenham, “Jacob Meets God at Bethel”).
  • Tese de Hamilton (Autor B): Gênesis 28 marca a transição de Jacó de um manipulador em conflito familiar para um recipiente da graça eletiva, onde a revelação noturna (teofania) estabelece uma continuidade pessoal direta com o “Deus de Abraão e Isaque”.

    • Argumento: Hamilton destaca que a bênção de Isaque em 28:3-4 transmite conscientemente a “bênção de Abraão” a Jacó, legitimando sua partida. Na teofania de Betel, ele enfatiza que Deus não inicia nada novo, mas perpetua o que começou com Abraão, identificando-se como o Deus dos pais. Ele nota a ironia de Jacó, que agiu com duplicidade, agora recebendo uma revelação de pura promessa sem condições prévias, contrastando a “visão da escada” com as práticas divinatórias mesopotâmicas (Hamilton, “The Oath Between Isaac and Abimelech” [contextual] e “The Isaac/Jacob Cycle”).
  • Tese de Steinmann (Autor C): O encontro em Betel é uma demonstração da graça soberana de Deus que busca Jacó em sua fuga, contrastando a iniciativa divina de “descer” até o homem com a tentativa humana de “subir” aos céus (como em Babel).

    • Argumento: Steinmann foca na motivação de Jacó, argumentando que sua resposta e voto são motivados “não por quaisquer exigências de Deus, mas pela graça de Deus”. Ele faz um contraste teológico agudo: enquanto em Babel (Gn 11) os humanos tentaram construir uma torre para alcançar o céu e encontraram julgamento, em Betel, Deus graciosamente revela um portal e desce para abençoar. Ele interpreta a “escada” (sullām) como um portal ou rampa para os anjos, enfatizando a mediação divina sobre o esforço humano (Steinmann, “Yahweh’s promise to Jacob at Bethel”).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de Wenham (Autor A)Visão de Hamilton (Autor B)Visão de Steinmann (Autor C)
Palavra-Chave/Termo HebraicoSullām (Escada/Rampa). Wenham sugere que pode ser uma rampa ou escadaria, possivelmente com influência da imagética egípcia ou babilônica, mas enfatiza funcionalmente a ligação entre terra e céu e os anjos como “guarda-costas invisíveis” de Jacó (Wenham, Gen 28:12).Sullām (Escadaria/Rampa). Hamilton argumenta contra a ideia de uma “escada” de degraus (ladder), preferindo uma estrutura tipo rampa ou zigurate, baseando-se na etimologia e iconografia do Antigo Oriente Próximo, onde os deuses descem para se comunicar (Hamilton, Gen 28:12).Sullām (Escadaria/Portal). Steinmann interpreta como um portal para os anjos, mas foca no contraste teológico: uma revelação divina graciosa versus a tentativa humana de alcançar o céu, como a “escada” ou torre de Babel em Gênesis 11 (Steinmann, Gen 28:12).
Problema Central do TextoO medo e a solidão de Jacó. O foco está na ansiedade do fugitivo que deixa a terra da promessa e na necessidade de segurança física e espiritual durante o exílio (Wenham, Gen 28:10-15).O caráter de Jacó versus a santidade do encontro. A tensão reside em como um enganador (Jacó) pode receber uma teofania tão direta e como interpretar a condicionalidade (“Se Deus for comigo…”) de seu voto (Hamilton, Gen 28:20-22).A passividade e ignorância de Jacó. O problema é que Jacó não estava buscando a Deus; ele foi “surpreendido” pela graça. O texto destaca que Jacó desconhecia a santidade do local até a revelação (Steinmann, Gen 28:10-11).
Resolução TeológicaA visão confirma a presença protetora (I am with you). A promessa não é apenas sobre a terra futura, mas sobre a proteção imediata no exílio. O voto é visto como adoração genuína, não barganha (Wenham, Gen 28:15).A reafirmação da Aliança Patriarcal. Deus se identifica como o Deus de Abraão e Isaque para validar a sucessão. O voto é uma resposta litúrgica apropriada, onde a pedra (maṣṣēbâ) funciona como testemunha e casa de Deus (Hamilton, Gen 28:13).A primazia da Graça Eletiva. Deus desce até o homem (ao contrário de Babel). O voto de Jacó é condicionado não para coagir Deus, mas como uma promessa de gratidão baseada na fidelidade prévia de Deus (Steinmann, Gen 28:20-22).
Tom/EstiloEstruturalista/Literário. Foca na estrutura quiástica (palistrófe) do ciclo de Jacó e na análise crítica das fontes (J e E) (Wenham, Form/Structure/Setting).Exegético/Comparativo. Rico em dados linguísticos, etimológicos e paralelos culturais do Antigo Oriente Próximo (Hamilton, Gen 28:12).Teológico/Didático. Foca na aplicação doutrinária, conectando o evento com a teologia bíblica mais ampla e a antítese graça/obras (Steinmann, Meaning).

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto: Hamilton (Autor B). Oferece a análise mais robusta sobre o termo sullām e o significado cultural das pedras erigidas (maṣṣēbâ), conectando eficazmente o texto com as práticas religiosas do Antigo Oriente Próximo sem perder a especificidade bíblica.
  • Melhor para Teologia: Steinmann (Autor C). Destaca-se ao articular a teologia da graça soberana, estabelecendo um contraste brilhante e necessário entre a “escada” de Betel (iniciativa divina descendo) e a Torre de Babel (esforço humano subindo), iluminando a motivação interna de Jacó.
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 28, deve-se adotar a estrutura literária de Wenham, que situa Betel como o contraponto do Peniel (Gn 32), preenchendo-a com a precisão lexical de Hamilton sobre a natureza da revelação (o sullām como acesso ao divino), e aplicando a lente teológica de Steinmann que transforma o voto de Jacó de uma barganha comercial em uma resposta de fé à graça preveniente.

Teofania, Sullām (Escada de Jacó), Voto Patriarcal e Graça Eletiva são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: A Partida e a “Bênção de Abraão” (28:1-9)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • El Shaddai (Deus Todo-Poderoso): Em 28:3, Isaac invoca El Shaddai para abençoar Jacó. Wenham observa que este título divino é característico da era patriarcal em Gênesis, sempre associado à onipotência divina para cumprir promessas de fertilidade e descendência, ligando este momento a Gênesis 17:1 e 35:11 (Wenham, Genesis 16-50, “Comment”). Steinmann concorda, notando que este nome, revelado primeiramente a Abraão, é usado mais frequentemente em associação com Jacó do que com qualquer outro patriarca (Steinmann, Genesis, “B. Jacob leaves for Paddan-aram”).
  • Qehal ‘ammim (Multidão de povos): A bênção para que Jacó se torne uma “multidão de povos” (28:3) utiliza um fraseado raro. Wenham destaca que esta frase específica só ocorre aqui e em Gênesis 48:4, sugerindo uma terminologia técnica de promessa que liga o destino de Jacó diretamente à expansão nacional (Wenham, Genesis 16-50, “Comment”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Wenham (Autor A): Destaca a estrutura literária onde a narrativa de Esaú (26:34-35 e 28:6-9) forma uma “moldura” em torno da decepção de Jacó e sua fuga. Ele nota especificamente que a obediência de Jacó em ir a Padan-Aram (28:7) é apresentada de forma a contrastar com a autonomia anterior de Esaú, mas sugere que a narrativa de 28:1-9 pode pressupor o conhecimento da inimizade (caps. 27), embora não a mencione explicitamente para focar na transmissão teológica da bênção (Wenham, Genesis 16-50, “Form/Structure/Setting”).
  • Steinmann (Autor C): Foca na psicologia de Esaú nos versículos 6-9. Ele observa que Esaú tenta “imitar as instruções de seu pai” casando-se com a família de Ismael, buscando uma bênção através de obras tardias. Steinmann traz o detalhe genealógico de que Ismael já teria morrido há cerca de treze anos (cf. 25:17), então Esaú foi à família de Ismael, casando-se com a irmã de Nebaiote (Steinmann, Genesis, “Comment 8-9”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Natureza da Bênção (Consciente vs. Inconsciente):
    • Existe uma tensão implícita na narrativa sobre como Isaac abençoa Jacó aqui (voluntariamente) versus no capítulo 27 (enganado).
    • Steinmann argumenta que a rivalidade continua, mas a bênção real permanece com Jacó, o servo escolhido de Deus, a quem Isaac agora envia conscientemente com a “bênção de Abraão” (Steinmann, Genesis, “Context”).
    • Wenham aborda a questão crítica das fontes (J vs. P). Ele refuta a ideia de que 28:1-9 ignora a inimizade do capítulo 27 (uma visão comum na crítica das fontes que atribui 28:1-9 à fonte P, que supostamente desconhecia o engano). Wenham argumenta literariamente que o texto pressupõe a tensão, evidenciada pela menção de que Esaú percebeu que as cananeias desagradavam seu pai (Wenham, Genesis 16-50, “Form/Structure/Setting”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Gênesis 17 e 22: Ambos os autores concordam que Isaac está transferindo explicitamente a aliança abraâmica. Steinmann lista exaustivamente os paralelos: a bênção repete promessas dadas a Abraão em 12:2-3, 15:7-8, 17:1-8 e 22:17 (Steinmann, Genesis, “Comment 3-4”).
  • Deuteronômio 7:3: A proibição de casar com mulheres cananeias (Gn 28:1) ecoa a lei posterior de não se misturar com as nações da terra (Wenham, Genesis 16-50, “Comment”).

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que a bênção conferida em 28:3-4 (“a bênção de Abraão”) legitima Jacó como o verdadeiro herdeiro da promessa da terra e da descendência, independentemente das maquinações anteriores.

📖 Perícope: O Sonho em Betel (28:10-15)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Sullām (Escada/Rampa): O termo hebraico hapax legomenon em 28:12 é central.
    • Wenham discute se é uma escada ou uma rampa/escadaria (como em um zigurate). Ele observa que o termo liga terra e céu e que os anjos “subindo e descendo” sugerem um tráfego contínuo entre as esferas divina e humana (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 12”).
    • Steinmann nota que a Septuaginta traduz como klimax (escada), mas reconhece sugestões modernas de “rampa” ou “colina”. Ele enfatiza a função teológica: um “portal” para os anjos (Steinmann, Genesis, “Comment 12”).
  • Hinnēh (Eis que/Viu que): Wenham aponta que o uso repetido de hinnēh seguido de particípios (“eis uma escada… anjos subindo… o SENHOR estava”) é característico de relatórios de sonhos no Antigo Oriente Próximo, apresentando a cena através dos olhos do sonhador (Wenham, Genesis 16-50, “Notes 12.a”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Wenham (Autor A): Oferece uma interpretação funcional para os anjos: os que sobem são os responsáveis pela terra de Canaã (que Jacó está deixando), e os que descem são os responsáveis pela terra estrangeira, garantindo assim a proteção contínua. Ele também destaca a conexão estrutural com Gênesis 13:14-16, notando que a promessa de expansão para “oeste, leste, norte e sul” (28:14) é um paralelo textual direto com a promessa feita a Abraão em Betel (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 12-14”).
  • Steinmann (Autor C): Faz um contraste teológico agudo com a Torre de Babel (Gn 11). Enquanto em Babel os humanos tentaram construir uma torre para alcançar o céu e encontraram julgamento, em Betel Deus graciosamente revela um acesso ao céu. Ele destaca que Jacó foi “surpreendido” por Deus, não estava buscando essa revelação (Steinmann, Genesis, “Comment 16-17”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Posição de Deus (Nitzav alav):
    • A preposição alav em 28:13 pode significar “sobre ela” (a escada) ou “ao lado dele” (Jacó).
    • Wenham defende “sobre ela” (no topo da escada), argumentando que os sufixos anteriores referem-se à escada e que a imagem de Yahweh no topo, soberano sobre os anjos, forma um clímax teológico apropriado (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 13”).
    • Steinmann concorda com a imagem de Deus como “soberano da terra, estando no topo da subida dos anjos” (Steinmann, Genesis, “Comment 13-15”).
  • Natureza da Promessa:
    • Wenham ressalta que a promessa de “estar com” (immākh) é distintiva do ciclo de Jacó (28:15; 31:3), diferindo ligeiramente das promessas a Abraão, focando na proteção pessoal durante o exílio (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 15”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Gênesis 12:3: A frase “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (28:14) é uma citação verbatim da promessa a Abraão, confirmando a sucessão (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 13b-14”).
  • Salmo 91 e 121: Wenham conecta a promessa “eu te guardarei” (shamar) com a linguagem dos Salmos de proteção, sugerindo que os anjos do sonho podem ser vistos como “guarda-costas invisíveis” (Wenham, Genesis 16-50, “Explanation”).

5. Consenso Mínimo

  • A visão confirma que a aliança não está restrita à terra de Canaã; Deus acompanhará Jacó no exílio, garantindo seu retorno e segurança.

📖 Perícope: A Reação e o Voto (28:16-22)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Maṣṣēbâ (Coluna/Pilar): Em 28:18, Jacó ergue a pedra como uma maṣṣēbâ.
    • Wenham nota que, embora a lei mosaica posterior proíba maṣṣēbôt (Dt 16:22), aqui ela é um ato piedoso. Ele argumenta que isso prova a antiguidade da tradição patriarcal, anterior à proibição levítica. O ato de ungir com óleo consagra a pedra não apenas como memorial, mas como “casa de Deus” (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 18”).
    • Steinmann observa que Jacó usa pedras consistentemente para marcar encontros divinos (como em 35:14 e 31:45), e que a unção é um ato de adoração (Steinmann, Genesis, “Comment 18-19”).
  • Bayit Elohim (Casa de Deus): A etimologia de Betel. Steinmann diferencia o local exato onde Jacó dormiu (base da colina) da cidade cananeia de Luz (topo da colina), sugerindo uma distinção geográfica preservada em Josué 16:2 (Steinmann, Genesis, “Comment 18-19”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Wenham (Autor A): Analisa a estrutura do voto (vv. 20-22). Ele refuta a ideia de que o voto mostra falta de fé (condicional “Se Deus for comigo…”). Pelo contrário, Wenham argumenta que o voto é uma resposta litúrgica padrão à aflição, citando paralelos com Jefté e Ana. O “se” é a base da oração, e a promessa do dízimo imita a ação de Abraão em Gênesis 14 (Wenham, Genesis 16-50, “Explanation”).
  • Steinmann (Autor C): Enfatiza que a motivação de Jacó não é coagir Deus, mas demonstrar gratidão. Ele destaca a ironia de que Jacó não percebeu que estava em um lugar santo até acordar, sublinhando a graça não solicitada (Steinmann, Genesis, “Comment 20-22”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • O Dízimo (Ma’aser):
    • Steinmann nota que esta é a segunda menção de dízimo na Bíblia (após Gn 14:20), estabelecendo um padrão de resposta à bênção material com generosidade (Steinmann, Genesis, “Comment 20-22”).
    • Wenham observa que o dízimo e a adoração exclusiva (“O SENHOR será o meu Deus”) são o clímax do voto, sugerindo que Jacó está assumindo a fé de seus pais como sua própria fé pessoal pela primeira vez (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 21b-22”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • 1 Samuel 1 e Juízes 11: O formato do voto de Jacó (Prótase: Se Deus fizer X; Apódose: Eu farei Y) é identificado por Wenham como o modelo padrão de votos bíblicos feitos em tempos de angústia (Wenham, Genesis 16-50, “Comment 20-22”).

5. Consenso Mínimo

  • A ereção da pedra e a nomeação de “Betel” funcionam como uma etiologia sagrada para um dos santuários mais importantes de Israel, transformando um local pagão (Luz) em um lugar de revelação monoteísta.