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Análise Comparativa: Gênesis 18
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Wenham, G. J. (1987). Genesis. Word Biblical Commentary (WBC). Thomas Nelson.
- Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Eerdmans.
- Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). InterVarsity Press.
Análise dos Autores
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Autor/Obra: Wenham, G. J., Genesis (WBC).
- Lente Teológica: Evangélica-Crítica. Wenham opera dentro de um quadro que respeita a forma final do texto (abordagem sincrônica), embora dialogue extensivamente com a crítica das fontes (J, E, P), frequentemente argumentando a favor da coerência literária onde outros veem fragmentação.
- Metodologia: Crítica Literária e Análise Estrutural. O autor foca intensamente na estrutura retórica do texto, identificando quiasmos e “palistrófes” (estruturas concêntricas) para revelar a teologia da narrativa. Ele examina Gênesis 18 em estreita conexão literária com o capítulo 19, tratando a destruição de Sodoma como uma unidade coesa ligada à promessa de Isaque (Wenham, “The Overthrow of Sodom and Gomorrah”).
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Autor/Obra: Hamilton, V. P., The Book of Genesis (NICOT).
- Lente Teológica: Evangélica Conservadora / Teologia Bíblica. Hamilton enfatiza a continuidade canônica, conectando frequentemente os eventos patriarcais com a teologia do Novo Testamento e a história da redenção.
- Metodologia: Exegese Canônica e Intertextual. Nos trechos fornecidos, sua abordagem destaca a apropriação do texto pelo Novo Testamento (Mateus, Lucas, Pedro) e as conexões temáticas (motivos literários) entre os capítulos 18, 19 e 20, focando menos na crítica das fontes e mais na aplicação teológica e tipológica (Hamilton, “Gen. 18:16-19:38 and Matt. 24:37-39”).
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Autor/Obra: Steinmann, A. E., Genesis (TOTC).
- Lente Teológica: Confessional (Luterana) / Conservadora. O autor mantém uma alta visão da historicidade e foca na revelação do caráter divino (atributos de Deus) e na piedade dos patriarcas.
- Metodologia: Exposição Narrativa e Doutrinária. Steinmann divide o texto em cenas claras (A promessa do filho / A súplica por Sodoma), focando na teofania e na defesa da onisciência e justiça divinas frente às dúvidas humanas. Ele rejeita a fragmentação das fontes em favor de uma leitura unificada da mão autoral (Steinmann, “A. Abraham’s three visitors”).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de Wenham: A narrativa de Gênesis 18 deve ser lida como a primeira parte de um díptico estrutural (18-19) que contrasta a hospitalidade e a justiça de Abraão com a depravação de Sodoma, estabelecendo Abraão como um profeta admitido no conselho divino.
- Argumento Expandido: Wenham argumenta que a visita em Mamre e a destruição de Sodoma formam uma unidade literária organizada “concentricamente em torno do anúncio angélico” do julgamento. Ele destaca que a intercessão de Abraão (18:22-33) não é uma adição tardia, mas parte integral da trama que revela a intimidade profética do patriarca com Deus: “É característico do verdadeiro profeta ter acesso aos segredos divinos” (Wenham, “Comment 17”). Wenham também enfatiza paralelos verbais deliberados com a narrativa do Dilúvio, sugerindo que Abraão atua como um “terceiro Adão” ou um novo Noé, cuja intercessão (ao contrário do sacrifício de Noé) salva o justo Ló (Wenham, “Explanation”).
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Tese de Hamilton: Gênesis 18 funciona como um paradigma escatológico e tipológico, onde o julgamento divino sobre Sodoma e a distinção entre justos e ímpios prefiguram o julgamento final e a preservação dos fiéis.
- Argumento Expandido: Hamilton foca em como o Novo Testamento interpreta este evento. Ele observa que, em contextos escatológicos, Jesus compara a “vinda do Filho do Homem” aos dias de Ló, onde a catástrofe irrompe subitamente sobre a rotina humana (Hamilton, “Gen. 18:16-19:38 and Matt. 24:37-39”). Ele também destaca a teodiceia implícita na intercessão de Abraão, observando que o patriarca desafia Deus baseando-se na justiça, um tema que ecoa (e se inverte) nos capítulos seguintes, onde Abraão deixa de ser o intercessor para se tornar o alvo de repreensão moral por Abimeleque (Hamilton, “I. ABRAHAM AND SARAH IN GERAR”).
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Tese de Steinmann: O capítulo 18 é o clímax das promessas divinas, revelando Yahweh simultaneamente como o Juiz onisciente que investiga o pecado humano e o Deus gracioso que reafirma a aliança através do nascimento miraculoso de Isaque.
- Argumento Expandido: Steinmann divide o capítulo em duas partes teológicas: a promessa do filho (repreendendo a incredulidade de Sara) e a súplica por Sodoma (revelando o caráter de Deus). Ele defende que a investigação divina (“descerei e verei”, 18:21) não nega a onisciência, mas demonstra Deus assumindo “o papel de juiz com o propósito de revelar suas ações a Abraão” (Steinmann, “ii. Abraham pleads for Sodom”). Steinmann enfatiza que a intercessão de Abraão é motivada pela compaixão pelos justos, provando que ele aprendeu “o caminho do Senhor para fazer o que é justo e direito” (Steinmann, 18:17–19).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de Wenham (WBC) | Visão de Hamilton (NICOT) | Visão de Steinmann (TOTC) |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Hebraico | Yāda’ (Conhecer/Escolher). Wenham destaca o uso pactual em 18:19 (“Eu o escolhi”), ligando a eleição à responsabilidade ética de ensinar a justiça (Wenham, Comment 19). | Pālā’ (Ser difícil/maravilhoso). Foca em 18:14, “Acaso existe algo demasiado difícil para o Senhor?”, enfatizando a onipotência divina frente à esterilidade biológica (Hamilton, 18:14). | Wayyērā’ (Apareceu). Enfatiza a natureza da teofania em 18:1, onde Deus assume forma humana para interagir tangivelmente com o patriarca (Steinmann, 18:1). |
| Problema Central do Texto | A retribuição divina. O conflito reside na tensão entre a justiça de Deus (não destruir o justo com o ímpio) e a realidade da depravação total de Sodoma, onde não há nem dez justos (Wenham, Comment 23-25). | A incredulidade humana frente à promessa e ao juízo. Contrasta o riso cético de Sara com a intercessão ousada de Abraão, questionando como a promessa messiânica subsiste (Hamilton, 18:12-15). | A onisciência divina versus a investigação. O problema é teológico: Como um Deus onisciente precisa “descer para ver” (18:21) o clamor de Sodoma? (Steinmann, 18:20-21). |
| Resolução Teológica | Abraão atua como um profeta admitido no conselho divino. A intercessão não muda a mente de Deus, mas revela o caráter de Deus ao profeta, estabelecendo o padrão de justiça para Israel (Wenham, Comment 17). | Uma Cristofania ou tipo de Encarnação. A visita divina com refeição (18:8) prefigura a comunhão de Deus com a humanidade, validando a historicidade e a tangibilidade da promessa (Hamilton, 18:1-8). | Antropomorfismo Judicial. Deus assume o papel de um juiz humano que investiga provas não por ignorância, mas para demonstrar a Abraão a justiça processual e a misericórdia (Steinmann, 18:21). |
| Tom/Estilo | Estruturalista e Literário. Foca intensamente na estrutura quiástica (palistrófe) que une os capítulos 18 e 19. | Canônico e Tipológico. Conecta constantemente os eventos com paralelos no Novo Testamento (ex: Lucas 17, Hebreus 11). | Doutrinário e Expositivo. Preocupado em defender a coerência dos atributos de Deus (justiça e onisciência). |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Wenham (WBC). Sua análise da estrutura literária (o quiasmo entre a visita em Mamre e a destruição de Sodoma) e o tratamento das fórmulas de hospitalidade no Antigo Oriente Próximo fornecem o melhor enquadramento literário-cultural para entender a unidade da narrativa.
- Melhor para Teologia: Steinmann (TOTC). Embora Hamilton seja forte na teologia bíblica (conexões NT), Steinmann lida melhor com as dificuldades dogmáticas imediatas do texto, como a “investigação divina” e a teodiceia implícita na negociação de Abraão, oferecendo uma defesa robusta dos atributos divinos.
- Síntese: Para uma exegese completa de Gênesis 18, deve-se adotar a estrutura literária de Wenham para delimitar as perícopes, utilizando a sensibilidade doutrinária de Steinmann para explicar os antropomorfismos de Yahweh, e concluir com a perspectiva canônica de Hamilton, que liga a promessa do filho impossível à cristologia e a destruição de Sodoma à escatologia do Novo Testamento.
Teofania Antropomórfica, Intercessão Profética, Teodiceia Patriarcal e Aliança Abraâmica são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: A Visita em Mamre (Versículos 1-8)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Wayyērā’ (Apareceu): Wenham observa que o uso da forma Niphal de rā’â no versículo 1 reflete a perspectiva do narrador (“O SENHOR apareceu”), alertando o leitor sobre a natureza do encontro, enquanto o versículo 2 mostra a perspectiva de Abraão (“três homens”). Isso cria uma “lacuna na narrativa” sobre quando Abraão percebe a divindade dos visitantes (Wenham, Comment 1-2).
- Adonay (Senhor/Meu Senhor): Existe um debate sobre a vocalização massorética em 18:3. Wenham nota que o TM aponta como ’ădōnāy (divino), implicando que Abraão reconheceu Deus imediatamente, mas o contexto de hospitalidade sugere ’ădōnî (senhor/sir), um tratamento de respeito humano (Wenham, Comment 3). Steinmann concorda que Abraão se dirige a quem ele percebe ser o líder, chamando-o de “Meu senhor”, uma forma polida de tratamento (Steinmann, 18:2–5).
- Pat leḥem (Bocado de pão): Wenham destaca o “understatement” (eufemismo de modéstia) oriental de Abraão no v. 5. Ele oferece um “bocado de pão”, mas prepara um banquete real com “três seahs de flor de farinha” (aprox. 20 litros) e um novilho inteiro, o que demonstra generosidade heroica (Wenham, Comment 5-6).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham: Destaca a estrutura quiástica da ação frenética de Abraão nos versículos 6-7 (“Abraão correu… correu Abraão”), sugerindo que ele fazia tudo quase simultaneamente para honrar os hóspedes (Wenham, Note 6.a-a). Ele também observa que a “flor de farinha” (sōlet) é termo usado no Pentateuco para ofertas de cereais no santuário, sugerindo que Abraão, sem saber, estava oferecendo um sacrifício adequado a Deus (Wenham, Comment 8).
- Steinmann: Foca nos detalhes culturais e logísticos da hospitalidade. Ele nota que o anfitrião masculino não lavava os pés dos hóspedes, mas fornecia a água para que eles mesmos o fizessem, uma distinção importante em relação à lavagem dos pés no NT (Steinmann, 18:2–5).
- Hamilton: (Embora seus trechos foquem mais no julgamento posterior, Hamilton conecta a hospitalidade de Abraão em contraste direto com a falta de hospitalidade de Sodoma e a “hospitalidade” pervertida de Ló, que é disposto a sacrificar as filhas).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Identidade dos Visitantes:
- Wenham argumenta que a identidade é “envolta em mistério”. Abraão começa tratando-os como homens, e a revelação é gradual. A ambiguidade é deliberada para expressar a dificuldade da compreensão humana do mundo divino (Wenham, Comment 22).
- Steinmann é mais direto, afirmando que o texto apresenta “Yahweh e dois anjos”, embora pareçam homens. Para ele, o narrador informa o leitor imediatamente no v. 1, criando uma ironia dramática onde o leitor sabe o que Abraão ainda não sabe (Steinmann, 18:2–5).
- Veredito: Wenham apresenta o argumento literário mais forte, mostrando como a gramática (alternância entre singular e plural no tratamento) reflete a percepção progressiva de Abraão.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Juízes 6 & 13: Wenham conecta este episódio às teofanias de Gideão e Manoá, onde visitantes sobrenaturais aparecem como homens, aceitam comida (ou a transformam em sacrifício) e desaparecem, revelando sua identidade tardiamente (Wenham, Comment 2).
- Levítico: A terminologia da comida (“flor de farinha”, “novilho tenro”) ecoa as leis sacrificiais, sugerindo um culto implícito (Wenham, Comment 6-8).
5. Consenso Mínimo Todos concordam que Abraão demonstra o ideal de hospitalidade do Oriente Próximo, agindo com extrema generosidade e rapidez antes de saber a verdadeira identidade divina dos hóspedes.
📖 Perícope: A Promessa e o Riso (Versículos 9-15)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Kā‘ēt ḥayyâ (Neste tempo de vida / Daqui a um ano): Wenham traduz como “ano que vem”, baseando-se em paralelos acadianos (ana balat), indicando um tempo preciso para o nascimento (Wenham, Comment 10). Steinmann concorda, chamando-o de uma expressão idiomática hebraica literal “como o tempo de viver”, usada apenas aqui e em 2 Reis 4:16-17 para promessas de filhos (Steinmann, 18:9–10).
- Yippālē’ (Demasiado difícil/Maravilhoso): Do verbo pālā’ (Niphal). Hamilton e Steinmann destacam este termo no v. 14 como um desafio retórico à descrença: “Acaso existe algo impossível para o Senhor?” (Steinmann, 18:13–14).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham: Observa a sutileza da onisciência divina. O mensageiro pergunta “Onde está Sara?” não por ignorância, mas para direcionar a promessa. Mais importante, o Senhor sabe que Sara riu “dentro de si” (bqsirbāh), mesmo estando de costas para ela e ela dentro da tenda, o que prova sua divindade (Wenham, Comment 13).
- Steinmann: Explica o eufemismo “o costume das mulheres havia cessado” (18:11) como a cessação da menstruação (menopausa), e interpreta a palavra de Sara “prazer” (’ednâ) no v. 12 especificamente como prazer sexual, notando que a palavra é cognata de “Éden” (Steinmann, 18:11–12).
- Hamilton: (Via referências cruzadas em Gen 21) Conecta o riso cético de Sara aqui (
yiṣḥaq) com o nome da criança Isaac e o riso de celebração em Gen 21:6, criando um arco teológico do riso de dúvida para o riso de fé (Hamilton, 21:3, 6-7).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza do Riso:
- Wenham sugere que o riso de Sara não é de arrogância, mas de desesperança (“worn out”). A repreensão divina é “suave” porque Deus entende a amargura de sua esterilidade prolongada (Wenham, Comment 12).
- Steinmann vê o riso e a negação subsequente (“Não ri”) como uma quebra de etiqueta e uma mentira motivada pelo medo, mas nota a misericórdia de Deus em não puni-la, apenas corrigindo os fatos firmemente (Steinmann, 18:15).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- 2 Reis 4: Tanto Wenham quanto Steinmann citam a promessa de Eliseu à mulher sunamita (“por este tempo da vida abraçarás um filho”) como o paralelo exato para a fórmula de anúncio de nascimento usada em Gênesis 18 (Steinmann, 18:9–10).
5. Consenso Mínimo Os autores concordam que o conhecimento sobrenatural dos pensamentos de Sara e a reiteração da promessa impossível servem para revelar inequivocamente a identidade de Yahweh na narrativa.
📖 Perícope: O Diálogo sobre Sodoma (Versículos 16-33)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Yāda’ (Conhecer/Escolher): No v. 19 (“Eu o escolhi”), Wenham argumenta que yāda’ tem o sentido de eleição pactual, como em Amós 3:2, ligando a escolha de Abraão à responsabilidade ética de ensinar “justiça e direito” (Wenham, Comment 19).
- Za‘ăqat (O Clamor): Wenham define como o protesto legal das vítimas de injustiça, comparável ao sangue de Abel clamando da terra (Gen 4:10), exigindo intervenção divina (Wenham, Comment 20-21).
- Tišpōt / Šōpēṭ (Julgar/Juiz): A raiz jurídica domina o v. 25 (“Não fará justiça o Juiz de toda a terra?”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Steinmann: Oferece uma defesa teológica detalhada do v. 21 (“descerei e verei”). Ele argumenta contra a visão de que isso nega a onisciência de Deus. Para Steinmann, Deus assume antropomorficamente o papel de um juiz humano que deve investigar as evidências (“clamor”) antes de passar a sentença, demonstrando a Abraão o processo da justiça divina (Steinmann, 18:20–21).
- Wenham: Analisa a estrutura retórica da intercessão de Abraão como um modelo profético. Ele observa que Abraão não pede misericórdia (perdão do pecado), mas justiça (distinção entre justos e ímpios). Abraão argumenta que matar o justo com o ímpio seria uma violação do caráter de Deus (Wenham, Comment 23-25).
- Hamilton: (Na análise de Gen 19 e paralelos) Observa que a intercessão de Abraão é baseada puramente em princípios éticos (“destruirás o justo com o ímpio?”), contrastando com a preocupação de Ló, que é puramente de autopreservação e conveniência (Hamilton,).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A “Emenda dos Escribas” (Tiqqune sopherim) no v. 22:
- O Texto: O TM diz “Abraão permaneceu em pé diante do SENHOR”. A tradição diz que o original era “O SENHOR permaneceu em pé diante de Abraão”, mas foi alterado por reverência (para não sugerir que Deus servia a Abraão).
- Wenham discute isso detalhadamente, sugerindo que a leitura original (“O SENHOR permaneceu”) se encaixa melhor no contexto onde os homens partem e Deus fica para dialogar (Wenham, Note 22.b-b).
- Steinmann menciona que os massoretas acreditavam na alteração, mas argumenta que o texto massorético atual (“Abraão diante do Senhor”) pode ter sido o original desde o início, citando apoio da LXX e de Gen 19:27 (Steinmann, 18:22–25).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- O Dilúvio (Gênesis 6-9): Wenham faz uma conexão estrutural e vocabular maciça entre Sodoma e o Dilúvio. Ambos envolvem destruição universal (local vs global), a salvação de um justo (Ló/Noé), verbos de destruição (šāḥat) e a frase “Deus se lembrou de…” (Gen 19:29 / Gen 8:1). Ele vê Abraão agindo como um “terceiro Adão” ou novo Noé, cuja intercessão (ao contrário do silêncio de Noé) tenta salvar o mundo (Wenham, Explanation).
- Jeremias e Ezequiel: Hamilton e Wenham notam que a doutrina da responsabilidade individual e a intercessão profética aqui antecipam os debates em Ezequiel 18 e Jeremias 15:1 (Wenham, Form/Structure).
5. Consenso Mínimo Os autores concordam que o diálogo estabelece o princípio da teodiceia bíblica: o Juiz de toda a terra opera com justiça discriminativa, não punindo o justo junto com o ímpio, e que Abraão é elevado aqui ao status de profeta que tem acesso aos conselhos divinos.