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Análise Comparativa: Gênesis 14
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Eerdmans.
- Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). InterVarsity Press.
- Wenham, G. J. (1987). Genesis. Word Biblical Commentary (WBC). Thomas Nelson.
Análise dos Autores
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Autor/Obra: Wenham, G. J., Genesis.
- Lente Teológica: Crítico-Evangélica. Wenham opera dentro de uma estrutura que respeita a forma final do texto canônico, mas dialoga profundamente com a crítica das fontes (J, E, P), buscando identificar a unidade literária e a antiguidade das tradições subjacentes.
- Metodologia: Sua abordagem é fortemente marcada pela análise literária e estrutural, focando em quiasmos, inclusões e padrões narrativos. Ele também utiliza a filologia comparativa para argumentar contra a datação tardia do texto, defendendo que Gênesis 14 baseia-se em uma fonte arcaica pré-israelita (Wenham, “The Historicity of Genesis 14”).
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Autor/Obra: Hamilton, V. P., The Book of Genesis.
- Lente Teológica: Evangélica Conservadora. Hamilton tende a defender a historicidade e a unidade do texto contra a fragmentação da crítica das fontes clássica, enfatizando a coerência interna da narrativa patriarcal.
- Metodologia: Utiliza uma abordagem histórico-gramatical com forte ênfase em paralelos do Antigo Oriente Próximo (Ebla, Mari, Nuzi) para validar a autenticidade dos nomes e costumes. Ele foca na exegese detalhada das palavras hebraicas e suas cognatas semíticas para elucidar o texto (Hamilton, “1. Four Kings Against Five”).
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Autor/Obra: Steinmann, A. E., Genesis.
- Lente Teológica: Confessional (Luterana/Reformada). Steinmann apresenta uma leitura cristocêntrica e tipológica, focada na teologia da graça e na soberania de Deus na eleição dos patriarcas.
- Metodologia: Sua abordagem é de teologia bíblica e narrativa. Ele se preocupa menos com a reconstrução histórica detalhada (embora a aceite) e mais com a função do texto na progressão da promessa divina, destacando temas como a separação do crente e a natureza imerecida da bênção (Steinmann, “Meaning”).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de Wenham: O capítulo representa uma unidade literária substancial baseada em fontes arcaicas, servindo teologicamente para demonstrar o cumprimento inicial das promessas de proteção e engrandecimento do nome de Abraão, e contrastando a fé através das reações opostas dos reis de Salém e Sodoma.
- Argumento: Wenham argumenta que Gênesis 14 não é um midrash tardio, mas contém “muitas características arcaicas que sugerem que uma antiga fonte fundamenta a versão atual” (Wenham, “The Historicity of Genesis 14”). Ele destaca a estrutura quiástica da narrativa, especialmente no encontro final, onde “as atitudes dos dois reis contrastam de forma marcante” (Wenham, “Explanation”). Para Wenham, a função do capítulo é mostrar que Abraão, embora um “hebreu” (estrangeiro/marginal), já começa a ser uma fonte de bênção para as nações, conforme prometido em Gênesis 12:3, validado pelo reconhecimento sacerdotal de Melquisedeque (Wenham, “19”).
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Tese de Hamilton: Gênesis 14 apresenta um retrato único do “Abraão Militante” que, embora destoe da imagem nômade pacífica usual, serve para documentar a operação das promessas divinas (proteção e maldição aos inimigos) mesmo na ausência de intervenção verbal direta de Deus.
- Argumento: Hamilton enfatiza que este capítulo é singular (“único no ciclo de Abraão”) porque o patriarca assume o papel de guerreiro e não há revelação divina direta (audição), mas a narrativa prova que as promessas funcionam: “Abraão é abençoado e aqueles que o amaldiçoam (ou capturam Ló) são amaldiçoados” (Hamilton, “31”). Ele defende vigorosamente a antiguidade do texto contra a crítica das fontes, sugerindo que os nomes dos reis e a geografia refletem um contexto histórico real do 2º milênio a.C. (Hamilton, “30”). Teologicamente, ele destaca que Melquisedeque reconhece que foi El Elyon quem entregou os inimigos na mão de Abraão, confirmando a soberania divina na vitória militar (Hamilton, “C. Melchizedek blesses Abram”).
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Tese de Steinmann: A narrativa funciona como uma ponte teológica que testa a separação de Abraão de sua antiga parentela (Ló) e ilustra a doutrina da graça, onde a bênção divina é concedida sem mérito humano, prefigurando a salvação pela fé.
- Argumento: Steinmann foca na tensão da separação. Ele argumenta que a guerra serve como “um teste da verdadeira separação de Abraão de Ló”, notando que, embora Abraão resgate Ló, ele mantém distância e não o traz de volta para Canaã, respeitando a escolha de Ló por Sodoma (Steinmann, “B. Abram rescues Lot”). No encontro com Melquisedeque, Steinmann destaca que a bênção enfatiza a “obra de Deus e não menciona nenhum mérito da parte de Abraão”, servindo como um lembrete de que as maiores bênçãos vêm “sem qualquer mérito de nossa parte”, uma clara ênfase na teologia da Sola Gratia (Steinmann, “Meaning”). Ele também nota o contraste agudo entre a “falta de graciosidade” do rei de Sodoma e a generosidade de Melquisedeque (Steinmann, “Meaning”).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de Wenham | Visão de Hamilton | Visão de Steinmann |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave / Termo Hebraico | El Elyon / qānâ: Wenham defende que “Criador (qānâ) dos céus e da terra” é uma frase antiga e autêntica, argumentando que El era visto como criador em Ugarit, refutando a ideia de que seja uma inserção teológica tardia (Wenham, “Comment”). | ḥănîk (homens treinados): Hamilton destaca este termo raro (v. 14) conectando-o aos Textos de Execração egípcios e cartas de Taanque, usando-o como prova filológica primária para a antiguidade da narrativa (Hamilton, “199”). | mōhar / mattān: Embora foque em Gênesis 34, em Gênesis 14 Steinmann destaca a recusa de toda a propriedade (v. 23), contrastando a ganância de Sodoma com a fé de Abraão na provisão de El Elyon (Steinmann, “C. Melchizedek blesses Abram”). |
| Problema Central do Texto | Descontinuidade Literária: O problema principal é a singularidade estilística do capítulo dentro do ciclo de Abraão. Wenham luta para provar que, apesar de parecer uma “inserção”, o texto possui laços literários (palavras-chave) que o integram à narrativa de Ló-Sodoma (Wenham, “Form/Structure/Setting”). | Identificação Histórica: Hamilton foca na dificuldade de correlacionar os quatro reis orientais (Amraphel, Chedorlaomer, etc.) com registros extrabíblicos, admitindo a obscuridade mas defendendo a plausibilidade do cenário do 2º milênio a.C. (Hamilton, “1. Four Kings Against Five”). | O Teste da Separação: Para Steinmann, o conflito central não é militar, mas ético-espiritual: a guerra serve para testar se Abraão manterá sua separação de Ló (o último vestígio da casa de seu pai) e se confiará na terra prometida (Steinmann, “B. Abram rescues Lot”). |
| Resolução Teológica | Tipologia Real e Sacerdotal: Vê Melquisedeque e a vitória de Abraão como prefiguração da monarquia davídica (Sl 110) e da bênção universal, onde os gentios reconhecem a mão de Deus em Israel (Wenham, “Explanation”). | Fidelidade Silenciosa: A teologia reside na demonstração prática de que as promessas de Gênesis 12:3 (abençoar e amaldiçoar) funcionam empiricamente na história, mesmo sem uma nova revelação verbal direta de Deus neste episódio (Hamilton, “31”). | Sola Gratia (Apenas a Graça): Enfatiza que a bênção de Melquisedeque foca exclusivamente na obra de Deus (“que entregou teus inimigos”), excluindo qualquer mérito humano de Abraão, servindo como modelo de salvação pela graça (Steinmann, “Meaning”). |
| Tom/Estilo | Crítico-Literário: Analítico, focado na estrutura do texto final e conexões intertextuais. | Histórico-Apologético: Preocupado com dados arqueológicos, onomástica e defesa da historicidade. | Teológico-Narrativo: Pastoral, focado no desenvolvimento do caráter de Abraão e aplicações doutrinárias. |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Hamilton. Sua análise detalhada sobre a onomástica dos reis (identificando raízes elamitas, hititas e hurritas) e a geografia da rota dos reis (Estrada Real) fornece o background histórico mais robusto para situar a narrativa no Antigo Oriente Próximo (Hamilton, “1. Four Kings Against Five”).
- Melhor para Teologia: Wenham. Ele oferece a visão mais abrangente ao conectar Gênesis 14 não apenas ao ciclo imediato de Abraão, mas à teologia bíblica mais ampla, ligando o sacerdócio de Melquisedeque ao Salmo 110 e à escatologia do Novo Testamento, demonstrando a função canônica do texto (Wenham, “Explanation”).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 14, deve-se combinar a defesa da historicidade de Hamilton, que ancora o texto na realidade geopolítica do 2º milênio a.C., com a análise literária de Wenham, que explica como este episódio militar “estranho” serve teologicamente para validar Abraão como fonte de bênção internacional. Finalmente, a leitura de Steinmann é essencial para aplicar o texto à vida de fé, destacando o contraste moral entre a generosidade da graça (Melquisedeque/Abraão) e a ganância mundana (Rei de Sodoma/Ló).
Guerra Justa, El Elyon, Tipologia Sacerdotal e Fé vs. Mérito são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: A Guerra dos Reis (14:1–12)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Goyim (v. 1): O termo hebraico para “nações” é aplicado a Tidal. Hamilton observa a imprecisão deliberada, ligando-o à frase acadiana Umman-Manda (“muita gente”), usada para hordas de guerreiros do norte, como cimérios (Hamilton, “35”). Steinmann considera uma “designação incomum” para o reino de Tidal (Steinmann, “1-4”). Wenham sugere uma possível federação indo-europeia (hitita/luvita) ou uma equivalência hebraica para Umman-Manda (Wenham, “1”).
- Siddim (v. 3): Wenham nota que a etimologia é obscura, sugerindo significados como “profundo”, “campos” ou até “demônios”, mas destaca a aliteração com “Sodoma” como recurso literário chave (Wenham, “3”).
- Rephaim (v. 5): Steinmann identifica-os como habitantes de Basã que sobreviveram até o tempo de Ogue (Dt 3:11), notando a continuidade histórica (Steinmann, “5-7”). Wenham aprofunda a conexão ugarítica, discutindo a relação complexa entre estes habitantes gigantes e as “almas dos mortos” também chamadas Rephaim (Wenham, “5”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Hamilton: Fornece a defesa mais detalhada da onomástica histórica, ligando Arioque ao nome Ar-ri-wu-uk nos arquivos de Mari (séc. XVIII a.C.) e Nuzi, e sugerindo que Amrafel pode ser ligado ao amorreu Amudpiel através de uma mudança fonética de d para r (Hamilton, “33-34”).
- Steinmann: Destaca a ironia teológica nos nomes dos reis de Sodoma e Gomorra: Bera (“no mal”) e Birsa (“na perversidade”), sugerindo que Moisés pode ter modificado os nomes propositalmente para refletir o caráter moral das cidades (Steinmann, “1-4”).
- Wenham: Observa que a estrutura “quatro reis contra cinco” (v. 9) e as sequências de tempo (servir 12 anos, rebelar no 13º) não são meramente poéticas, mas imitam o estilo dos anais de campanha reais assírios e babilônicos (Wenham, “4” e “8-9”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Os Poços de Betume (v. 10): O texto diz que os reis de Sodoma e Gomorra “caíram” (wayyippelû) nos poços.
- O Problema: Como o rei de Sodoma reaparece vivo no v. 17?
- Steinmann argumenta que o verbo hebraico napal denota também “baixar-se deliberadamente” ou esconder-se, citando paralelos como descer de um camelo (Steinmann, “8-12”).
- Hamilton concorda, traduzindo como “esconderam-se” e citando Jeremias 38:19 onde o verbo significa “fugir para” (Hamilton, “43”).
- Wenham é mais nuançado, sugerindo que “cair” pode ser um comentário geral sobre as tropas perecendo, enquanto o rei escapou, mantendo a ambiguidade do texto massorético (Wenham, “10”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Hamilton conecta a coalizão de cinco reis com Josué 10:5 (cinco reis amorreus) e Josué 13:3 (cinco governantes filisteus), sugerindo um padrão de resistência cananeia fútil (Hamilton, “42”).
- Steinmann liga os Refains e Emins (v. 5) diretamente a Deuteronômio 2:10-12, 20-23, estabelecendo a narrativa como um prelúdio histórico para a conquista israelita (Steinmann, “5-7”).
5. Consenso Mínimo
- Os três autores concordam que o capítulo preserva tradições históricas antigas e nomes autênticos do segundo milênio a.C., rejeitando a ideia de que seja uma ficção tardia exílica.
📖 Perícope: A Campanha de Abraão (14:13–16)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Ha‘ibrî (O Hebreu) (v. 13): Wenham destaca que este termo é usado apenas por não-israelitas ou em contextos internacionais, ligando-o à classe social dos Habiru (mercenários/marginalizados) dos textos de Amarna, o que se ajusta ao papel militar de Abraão aqui (Wenham, “13”). Steinmann foca na derivação genealógica de Éber (10:24), vendo-o como um marcador étnico distintivo em contraste com Mamre, o amorreu (Steinmann, “13-16”).
- Ḥănîk (Homens Treinados) (v. 14): Um hapax legomenon (ocorre apenas aqui). Hamilton e Steinmann concordam que o termo aparece nos Textos de Execração egípcios (séc. XIX a.C.) referindo-se a servos armados de chefes palestinos, uma prova forte de antiguidade (Hamilton, “199”; Steinmann, “13-16”). Wenham adiciona que a raiz hebraica implica “dedicar/treinar” (Wenham, “14”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham: Nota uma coincidência numérica curiosa: 318 é o valor numérico (gematria) do nome Eliezer (15:2), o herdeiro de Abraão, embora considere isso provavelmente uma coincidência e não a origem do número, dada a antiguidade do relato (Wenham, “14”). Ele também compara a tática noturna de divisão de tropas (v. 15) com a de Gideão em Juízes 7 (Wenham, “15”).
- Hamilton: Enfatiza a natureza “nobre e cativante” de Abraão ao recusar o espólio, contrastando este comportamento ético elevado com a imagem passiva do patriarca em Gênesis 12 (Hamilton, “44”).
- Steinmann: Identifica explicitamente o uso de “Dã” (v. 14) como uma atualização pós-mosaica de um topônimo (originalmente Laís), evidenciando a edição editorial para leitores posteriores (Steinmann, “13-16”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza da Vitória:
- Wenham vê a vitória de apenas 318 homens contra quatro reis imperiais como surpreendente, sugerindo que a campanha oriental foi mais um “ataque rápido” (raid) do que uma conquista em grande escala (Wenham, “14”).
- Hamilton foca no aspecto teológico, onde a vitória documenta a eficácia da promessa divina de proteção, mesmo sem intervenção verbal de Deus (Hamilton, “31”).
- Steinmann destaca a tática militar (“ataque noturno”) como a explicação racional para a vitória de uma força menor sobre uma maior (Steinmann, “13-16”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Hamilton traça um paralelo estrutural com Gênesis 12: Sarai foi “tomada” (lāqaḥ) no Egito; Ló foi “capturado” (lāqaḥ) em Sodoma. Ambos são libertados quando Abraão age (ou Deus age por ele), reforçando o tema do “justo em perigo” (Hamilton, “44”).
5. Consenso Mínimo
- Todos concordam que o termo ḥănîk (nascidos em casa/treinados) é uma evidência filológica crucial que aponta para uma tradição antiga subjacente ao texto.
📖 Perícope: Melquisedeque e o Rei de Sodoma (14:17–24)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- El Elyon (Deus Altíssimo) (v. 18): Hamilton nota que os patriarcas frequentemente usam El com um descritor (Shaddai, Olam), e aqui Melquisedeque o usa num contexto cananeu monoteizante (Hamilton, “203”). Wenham cita R. Lack e F.M. Cross para argumentar que Elyon é um epíteto antigo do próprio deus El cananeu, não uma divindade separada (Wenham, “18”).
- Qānâ (Criador/Possuidor) (v. 19): Steinmann menciona que o verbo hebraico normalmente significa “adquirir”, mas baseado no ugarítico, defende o significado de “criar” neste contexto litúrgico (Steinmann, “18-20”). Wenham concorda, citando J.C. de Moor, que El era visto como criador em Ugarit, refutando a ideia de que a teologia da criação seja tardia em Israel (Wenham, “19”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Steinmann: Oferece uma leitura cristológica e devocional forte, vendo na bênção de Melquisedeque (que não menciona méritos de Abraão) um modelo da graça: “Deus não o chamou por causa de qualquer coisa que ele tivesse feito” (Steinmann, “Meaning”). Ele também destaca a recusa de Abraão até de um “fio ou correia de sandália” como prova total de dependência de Deus (Steinmann, “21-24”).
- Wenham: Sugere que “pão e vinho” (v. 18) não é apenas uma refeição comum, mas “comida real” que acompanha sacrifícios, indicando um banquete pactual formal oferecido por Melquisedeque (Wenham, “18”).
- Hamilton: Observa que ao jurar, Abraão identifica Yahweh com El Elyon (v. 22), fazendo uma distinção teológica crucial que separa sua fé da religiosidade cananeia geral, embora use a terminologia local (Hamilton, “203”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Unidade do Texto (vv. 18-20):
- Wenham aborda diretamente a visão crítica de que os versículos sobre Melquisedeque são uma inserção tardia. Ele defende a unidade literária argumentando que a estrutura quiástica e os links de palavras (como “entregou” e “dízimo”) integram a passagem perfeitamente à confrontação com Sodoma (Wenham, “Form/Structure/Setting”).
- Steinmann trata a passagem como uma unidade narrativa contínua que serve para contrastar a ingratidão de Sodoma com a generosidade de Melquisedeque, sem levantar dúvidas sobre a integridade textual (Steinmann, “Meaning”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Salmo 110: Todos os autores conectam Melquisedeque ao Salmo 110:4. Wenham é o mais explícito em ver aqui a base para a teologia do rei davídico como sacerdote (Wenham, “Explanation”).
- Steinmann conecta a recusa de Abraão em aceitar bens de Sodoma com a lei de Deuteronômio 23, que proíbe trazer o “preço de uma prostituta” ou “lucro de cão” para a casa de Deus, estendendo o princípio à riqueza “suja” de Sodoma (Steinmann, “21-24”).
5. Consenso Mínimo
- É indisputável entre os três que a função primária desta seção é contrastar a piedade e generosidade de Melquisedeque com a grosseria e materialismo do Rei de Sodoma, validando o direito de Abraão à bênção divina superior.