Texto Interlinear (Hebraico/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Gênesis 47
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis: Chapters 18-50. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Grand Rapids: Eerdmans.
- Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). Downers Grove: InterVarsity Press.
- Wenham, G. J. (1987). Genesis 16-50. Word Biblical Commentary (WBC). Nashville: Thomas Nelson.
Análise dos Autores
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Autor A: Wenham, G. J. (WBC)
- Lente Teológica: Evangélica Crítica/Acadêmica. Wenham opera dentro de uma estrutura que respeita a forma final do texto (crítica canônica/redacional), embora engaje profundamente com a crítica das fontes clássica (J, E, P) para refutá-la ou reinterpretá-la em favor da unidade literária.
- Metodologia: Sua abordagem é fortemente marcada pela análise literária e estrutural. Ele foca na estrutura de cenas, quiasmos e palavras-chave para demonstrar a coesão teológica da narrativa. No capítulo 47, ele analisa a política agrária de José não apenas como dado histórico, mas como cumprimento teológico da promessa de bênção às nações.
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Autor B: Hamilton, V. P. (NICOT)
- Lente Teológica: Evangélica Conservadora. Hamilton mantém uma postura de alta criticidade textual, mas com compromisso confessional quanto à historicidade e inspiração do texto.
- Metodologia: O autor emprega uma exegese filológica e comparativa rigorosa. Ele frequentemente recorre a paralelos do Antigo Oriente Próximo (AOP) — como costumes egípcios de longevidade e práticas de juramento — para iluminar o texto. Sua análise gramatical do hebraico é detalhada, focando em nuances semânticas de verbos específicos (ex: yāšab vs. gûr).
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Autor C: Steinmann, A. E. (TOTC)
- Lente Teológica: Confessional (Luterana)/Evangélica. Steinmann tende a uma leitura que busca a aplicação teológica direta e conexões tipológicas com o Novo Testamento.
- Metodologia: Utiliza uma abordagem de teologia bíblica e narrativa. Ele foca menos na reconstrução das fontes e mais no fluxo da narrativa como um todo unificado, defendendo a ética dos patriarcas contra críticas modernas e traçando paralelos intertextuais (ex: José e Daniel; José e Jesus).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de Wenham (Autor A): A narrativa de Gênesis 47 não é uma interpolação tardia, mas parte integrante que demonstra a providência divina operando através de José para preservar a vida, cumprindo a promessa abraâmica de que as nações seriam abençoadas, mesmo sob um sistema de servidão.
- Argumento: Wenham argumenta contra a visão moderna de que as medidas de José foram exploratórias. Ele defende que, no contexto do AOP, a centralização da terra nas mãos do Faraó foi vista como um ato de salvação (“You have saved our lives”). Ele destaca a inversão de papéis onde Jacó, o patriarca exilado, abençoa o Faraó, o governante supremo, indicando que “Jacob is the bearer of divine blessing” (Wenham, “So Jacob blessed the Pharaoh and left his presence”). Wenham também enfatiza a estrutura literária que une a fome no Egito com a provisão divina para a família da aliança (Wenham, “Joseph’s relief measures… shows how divine blessing came to Egypt”).
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Tese de Hamilton (Autor B): O capítulo destaca a inversão irônica e teológica onde os egípcios perdem sua liberdade e terras devido à fome, enquanto a família de Jacó, embora estrangeira, adquire propriedades (ʾăḥuzzâ) e prospera, garantindo a sobrevivência da semente prometida.
- Argumento: Hamilton foca na terminologia de posse da terra. Ele nota que o relato da aquisição de terras pelo Faraó é “bracketed” (cercado) por referências à família de José recebendo propriedades. Ele observa a mudança verbal de gûr (peregrinar) para yāšab (assentar-se), indicando uma permanência inesperada que, paradoxalmente, exige um juramento de não-sepultamento no Egito para manter viva a esperança de Canaã. Ele detalha a importância do juramento “mão sob a coxa” como um ato de lealdade suprema (ḥeseḏ) exigido por Jacó (Hamilton, “Jacob appeals to Joseph’s sense of loyalty”).
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Tese de Steinmann (Autor C): Gênesis 47 serve como um contraste teológico entre a segurança providencial do povo de Deus e a dependência desesperada das nações, validando a sabedoria divina de José e preparando o cenário para o Êxodo através da preservação miraculosa de Israel em Gósen.
- Argumento: Steinmann defende vigorosamente a ética de José, argumentando que a taxa de 20% imposta aos egípcios era “very generous offer” comparada a outros códigos do AOP, como o de Hamurabi. Ele enfatiza que a bênção de Jacó sobre o Faraó demonstra a superioridade espiritual do patriarca (“implies that Jacob assumed a position superior to Pharaoh”). Steinmann conecta a prosperidade em Gósen diretamente ao cumprimento das promessas patriarcais de fecundidade, contrastando a fome geral com a abundância de Israel (Steinmann, “God’s overwhelming blessings on Israel in contrast to his lesser blessings on other nations”).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de Wenham (Autor A) | Visão de Hamilton (Autor B) | Visão de Steinmann (Autor C) |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Hebraico | Bārak (Abençoar). Wenham foca na inversão de papéis onde Jacó, o patriarca exilado, abençoa o Faraó, cumprindo a promessa de que as famílias da terra seriam abençoadas nele (Wenham, p. 448). | ʾĂḥuzzâ (Propriedade/Posse). Hamilton destaca o uso deste termo jurídico para contrastar a aquisição de terra pelos israelitas com a perda de terra pelos egípcios (Hamilton, p. 610). | Gûr (Peregrinar/Residir como estrangeiro). Steinmann enfatiza a natureza temporária e escatológica da estadia, conectando-a com Hebreus 11 (Steinmann, p. 339). |
| Problema Central do Texto | A moralidade das medidas econômicas de José. Como conciliar a “exploração” aparente com a benevolência? Wenham argumenta que no contexto, Joseph age para “preservar a vida” (Wenham, p. 452). | A tensão histórica/geográfica do termo “Terra de Ramessés” (47:11) e a logística do juramento de sepultamento. Ele trata Ramessés como uma glosa escriba posterior (Hamilton, p. 611). | A severidade da fome e a ética da servidão imposta aos egípcios. Steinmann defende que a taxa de 20% era generosa comparada a outros códigos do AOP (Steinmann, p. 343). |
| Resolução Teológica | Teologia da Bênção Universal. A narrativa serve para mostrar que a eleição de Israel não é isolacionista; através de José e Jacó, a vida flui para as nações gentias (Wenham, p. 449). | Fidelidade à Promessa da Terra. O juramento “mão sob a coxa” (47:29) sinaliza que, apesar da prosperidade em Goshen, a esperança final reside em Canaã, não no Egito (Hamilton, p. 622). | Providência Distintiva. Deus faz uma distinção clara: enquanto o mundo (Egito) perde sua liberdade para sobreviver, o povo da aliança prospera e adquire propriedades (Steinmann, p. 344). |
| Tom/Estilo | Literário-Teológico. Foca na estrutura narrativa e conexões intertextuais com o resto do Pentateuco. | Técnico-Linguístico. Foca na precisão filológica, costumes do AOP e análise crítica das fontes. | Apologético-Narrativo. Foca na coerência da trama e na defesa ética dos personagens bíblicos. |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Hamilton (Autor B). Sua análise fornece o melhor background histórico e linguístico, especialmente ao tratar dos costumes egípcios de longevidade, das nuances legais da posse de terra (ʾăḥuzzâ) e dos detalhes culturais do juramento patriarcal (Hamilton, p. 621). Ele navega bem entre a crítica das fontes e a análise cultural.
- Melhor para Teologia: Wenham (Autor A). Wenham aprofunda melhor as doutrinas ao conectar o capítulo 47 com a macroestrutura de Gênesis. Sua visão de que Jacó é o “portador da bênção divina” diante do Faraó oferece uma perspectiva missiológica robusta que transcende o simples relato histórico (Wenham, p. 448).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 47, deve-se integrar a defesa ética de Steinmann, que valida a administração de José como justa dentro de seu contexto econômico, com a precisão filológica de Hamilton sobre a inversão da posse da terra. No entanto, é a estrutura teológica de Wenham que amarra esses elementos, demonstrando que a sobrevivência física provida por José é um veículo para a bênção espiritual abraâmica, onde a morte iminente de Jacó não é um fim, mas um ato de fé na promessa do retorno a Canaã.
Providência Divina, Ética Administrativa, Teologia da Terra e Bênção Patriarcal são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: A Audiência com Faraó e a Instalação em Gósen (47:1-12)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Gûr (גּוּר): O termo usado pelos irmãos em 47:4 para descrever sua intenção (“habitar/peregrinar”). Wenham observa que este termo cumpre a profecia de Gênesis 15:13, indicando uma estadia temporária e status de estrangeiro (Wenham, “The use of the term gûr… is suggestive”). Hamilton contrasta gûr com yāšab (habitar/assentar-se) usado mais tarde (v. 27), sugerindo uma mudança de expectativa de temporário para permanente (Hamilton, “The shift in verbs from gûr… to yāšab”).
- ʾĂḥuzzâ (אֲחֻזָּה): Traduzido como “propriedade” ou “posses”. Hamilton destaca que José concede aos irmãos uma ʾăḥuzzâ (47:11), o que significa que eles desfrutam de mais direitos do que o imigrante típico (gēr), possuindo uma herança permanente no Egito (Hamilton, “They thus enjoy more rights than the typical immigrant”).
- Bārak (בָּרַךְ): “Abençoar”. Usado para descrever a ação de Jacó em relação ao Faraó (v. 7, 10).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (Autor A): Nota a sutileza diplomática na apresentação. Embora Faraó tenha convidado a família (45:16-20), José precisa anunciar formalmente a chegada. Wenham sugere que a ênfase de José na ocupação de pastor (uma “abominação”) foi uma estratagema calculada para garantir que Faraó os designasse para a terra marginal de Gósen, isolando-os da cultura egípcia, em vez de integrá-los à corte (Wenham, “His ploy succeeded”).
- Hamilton (Autor B): Observa uma discrepância entre a ordem de Faraó e a execução de José. Faraó manda estabelecer em Gósen (v. 6), mas José os estabelece na “terra de Ramessés” (v. 11). Hamilton argumenta que “terra de Ramessés” é uma designação posterior para a mesma área, antecipando Êxodo 1:11 (Hamilton, “is apparently another designation of Goshen”). Ele também destaca a ironia de Jacó descrevendo sua vida como “poucos e maus” (130 anos) em comparação ao ideal egípcio de 110 anos (Hamilton, “Jacob’s life exceeds that limit by thirty-seven years”).
- Steinmann (Autor C): Enfatiza a superioridade teológica de Jacó. Ao abençoar o Faraó tanto na chegada quanto na saída, Jacó assume uma posição superior ao rei do Egito, possivelmente devido ao seu status de ancião patriarcal (Steinmann, “implies that Jacob assumed a position superior to Pharaoh”). Ele também vê a oferta de Faraó para tornar os irmãos “chefes do gado” (v. 6) como uma forma de torná-los administradores reais com proteções legais (Steinmann, “be officers of the crown and thus will enjoy legal protection”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A “Terra de Ramessés” (47:11):
- Steinmann e Hamilton concordam que se trata de um anacronismo ou “glosa escriba” para ajudar leitores posteriores a identificar a localização, já que a cidade de Pi-Ramessés foi construída séculos depois (Steinmann, “appears to be a later scribal gloss”).
- A concordância aqui é histórica/redacional.
- A atitude dos irmãos diante do Faraó:
- Wenham vê a resposta dos irmãos (“somos pastores”) como uma adesão estrita ao treinamento de José para assegurar isolamento (Wenham, “Joseph… carefully coaches his brothers”).
- Steinmann observa que eles foram além do instruído: José disse para falarem da profissão (46:34), mas os irmãos explicitamente pediram para viver em Gósen (47:4), algo que José não havia instruído diretamente no discurso anterior (Steinmann, “asked to be allowed to live in Goshen”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Gênesis 15:13: Wenham e Steinmann conectam o termo gûr (peregrinar) em 47:4 diretamente à profecia dada a Abraão de que seus descendentes seriam peregrinos em terra alheia.
- Êxodo 1: Hamilton conecta o crescimento em Gósen (47:27) com a explosão demográfica que causará temor no futuro Faraó.
5. Consenso Mínimo
- Todos concordam que a instalação em Gósen foi uma medida providencial para preservar a identidade distinta de Israel e garantir sua sobrevivência física durante a fome.
📖 Perícope: A Política Agrária de José (47:13-26)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Lāhâ (לָהָה): Traduzido como “desfalecer” ou “languir” (v. 13). Hamilton nota que é um termo raro, usado apenas aqui e em Provérbios 26:18 (onde significa “louco”), indicando o desespero extremo da fome (Hamilton, “languished”).
- Gĕwiyyâ (גְּוִיָּה): “Corpos” ou “cadáveres” (v. 18). Os egípcios oferecem seus próprios corpos em servidão.
- Ḥōq (חֹק): “Porção designada” ou “estatuto” (v. 22). Refere-se à provisão real que isentou os sacerdotes de venderem suas terras.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (Autor A): Oferece uma análise estrutural detalhada das três fases da fome:
- Troca de dinheiro por grãos (vv. 13-14).
- Troca de gado por grãos (vv. 15-17).
- Troca de terra e liberdade pessoal por grãos (vv. 18-26). Wenham defende vigorosamente José contra leituras modernas que o veem como explorador, argumentando que no contexto antigo, a escravidão era uma forma de “segurança no emprego” e os egípcios viram isso como salvação (“You have saved our lives”) (Wenham, “Modern readers find it difficult to regard Joseph’s measures as benevolent… But this is to misread the account”).
- Hamilton (Autor B): Traz um detalhe zoológico interessante: 47:17 é a primeira menção de cavalos (sûs) na Bíblia Hebraica. Ele nota que camelos não são mencionados na lista de gado egípcio trocado, pois eram raros no Egito nessa época, pertencendo mais aos patriarcas e ismaelitas (Hamilton, “camels were not considered among the livestock in Egypt”).
- Steinmann (Autor C): Faz uma análise comparativa econômica. Ele argumenta que a taxa de 20% (um quinto) imposta por José era “muito modesta” (Steinmann, “quite modest”) em comparação com outros códigos do Antigo Oriente Próximo, como o Código de Hamurabi, onde taxas de arrendamento chegavam a 33% ou 50% (Steinmann, “interest rates… were often as high as one-third”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A moralidade das ações de José:
- Existe uma tensão latente sobre se José escravizou o povo.
- Steinmann e Wenham atuam como apologistas, contextualizando a “escravidão” como servidão feudal benevolente que salvou vidas.
- Hamilton foca mais no resultado teológico: José adquire toda a terra para o Faraó, exceto a dos sacerdotes, enquanto Israel adquire terra (v. 27). A ironia é o foco de Hamilton: os egípcios tornam-se servos em sua própria terra, enquanto os hebreus se tornam proprietários (Hamilton, “As the Egyptians lost their property, Israel acquired holdings”).
- Divergência Textual (v. 21):
- O Texto Massorético (MT) diz que José “removeu o povo para as cidades” (heʿĕbîr ʾōtô leʿārîm).
- A Septuaginta (LXX) e o Pentateuco Samaritano dizem que ele “os fez escravos” (heʿĕbîd ʾōtô laʿăbādîm).
- Steinmann prefere a leitura da LXX/Samaritano (“fez escravos”), argumentando que despovoar o campo não faria sentido agrário (Steinmann, “Most probably the reading in sp, lxx and the Vulgate is correct”).
- Wenham discute a dificuldade do MT, notando que mover para cidades poderia ser para facilitar a distribuição, mas reconhece a variante textual.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Levítico 25 (Jubileu): Wenham contrasta a política de José com a Lei do Jubileu posterior. Em Israel, a terra vendida por dívida retornava ao dono original após 50 anos; no Egito de José, a transferência para o Faraó foi perpétua (“estatuto até o dia de hoje”) (Wenham, “In Israel… given their land or freedom back in the year of Jubilee. Apparently, the Pharaoh was not so generous”).
5. Consenso Mínimo
- Os três autores concordam que a narrativa serve para contrastar a desapropriação dos egípcios com a crescente prosperidade e posse de terra dos israelitas em Gósen.
📖 Perícope: O Juramento de Jacó (47:27-31)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Śîm nāʾ yādekā taḥat yĕrēkî (שִׂים־נָא יָדְךָ תַּחַת יְרֵכִי): “Põe a tua mão debaixo da minha coxa”.
- Ḥeseḏ weʾĕmet (חֶסֶד וֶאֱמֶת): “Bondade e fidelidade” ou “Lealdade verdadeira”. A fórmula usada por Jacó para pedir o favor a José (v. 29).
- Mīṭṭâ (מִטָּה) vs. Maṭṭeh (מַטֶּה): “Cama” vs. “Bordão”. O texto hebraico (MT) lê que Jacó se inclinou sobre a cabeceira da cama. A LXX e Hebreus 11:21 leem bordão.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Hamilton (Autor B): Explora o eufemismo da “mão sob a coxa”. Ele sugere que a coxa (fêmur) refere-se aos genitais. O juramento invoca a posteridade (os que saíram da coxa de Jacó, cf. 46:26) e a aliança da circuncisão como testemunhas. Se José quebrasse o juramento, ele estaria amaldiçoado diante da semente de Abraão (Hamilton, “thigh (genitals?)”).
- Wenham (Autor A): Destaca o paralelo estrutural com Gênesis 24, onde Abraão pede o mesmo juramento ao servo. Jacó está conscientemente imitando seu avô para garantir o cumprimento das promessas da aliança (enterrar na Terra Prometida) (Wenham, “Jacob appears consciously to be imitating his grandfather here”).
- Steinmann (Autor C): Foca na frase “Se achei favor aos teus olhos” (v. 29). Steinmann nota que Jacó usa uma linguagem de subordinação para com o filho, reconhecendo que José detém o poder político necessário para cumprir o desejo (Steinmann, “treat Joseph as a superior”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A “Cama” vs. O “Bordão” (v. 31):
- O texto diz hammiṭṭâ (cama). A LXX leu as consoantes como hammaṭṭeh (bordão).
- Hamilton observa que a LXX foi seguida por Hebreus 11:21. Ele mantém o MT (“cama”), conectando com o fato de Jacó estar acamado por velhice/doença (Hamilton, “Jacob bowed at the head of his bed”).
- Steinmann também nota a divergência, mas explica a ação no MT como um cumprimento do sonho de José: Jacó se inclina (adoração/respeito) diante de José ou de Deus, na cabeceira da cama onde estava confinado (Steinmann, “Israel bowed at the head of his bed. This was another fulfilment of Joseph’s dream”).
- Natureza da Inclinação (Yištāḥû):
- Jacó adorou a Deus ou se curvou a José?
- Wenham deixa a ambiguidade aberta: pode ser um gesto de gratidão a Deus ou o cumprimento final do sonho de José onde o “sol” (pai) se curva (Wenham, “The narrative does not explain exactly why he did… gesture of gratitude or prayer”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Gênesis 24: Todos os autores conectam o gesto da “mão sob a coxa” com o juramento de Abraão e seu servo, estabelecendo uma continuidade patriarcal na preocupação com a terra de Canaã.
- Gênesis 15: A morte iminente de Jacó e o desejo de não ser enterrado no Egito reafirmam a promessa de que a estadia no Egito é um interlúdio, não o destino final (conforme profetizado a Abraão).
5. Consenso Mínimo
- É indisputável que o pedido de Jacó para ser enterrado em Canaã é uma declaração teológica de fé na promessa da terra, rejeitando o Egito como lar permanente, apesar de sua morte ocorrer lá.