Texto Interlinear (Hebraico/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Gênesis 42
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Wenham, G. J. (1987). Genesis. Word Biblical Commentary (WBC). Thomas Nelson.
- Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Eerdmans.
- Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). InterVarsity Press.
Análise dos Autores
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Autor A: Gordon J. Wenham (Genesis, WBC)
- Lente Teológica: Evangélica com forte engajamento na Crítica das Fontes. Wenham interage profundamente com a hipótese documental (J, E, P), frequentemente para refutar a fragmentação do texto e argumentar pela unidade literária final da obra.
- Metodologia: Adota uma abordagem de Análise Literária e Estrutural. Ele foca na estrutura “palistrófica” (quiasmo) das cenas e na intertextualidade dentro do ciclo de Jacó. Sua exegese busca demonstrar como a forma do texto serve à sua função teológica, rejeitando a ideia de que o capítulo 42 seja uma colcha de retalhos de fontes contraditórias (Wenham, p. 964-967).
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Autor B: Victor P. Hamilton (The Book of Genesis, NICOT)
- Lente Teológica: Evangélica Conservadora / Reformada. Hamilton tende a harmonizar as tensões do texto, focando na coerência narrativa e na fidelidade histórica, mantendo um diálogo com a filologia semítica comparada.
- Metodologia: Exegese Filológica e Teológica. Hamilton concentra-se no significado preciso das palavras hebraicas (ex: ‘āsôn para “acidente”) e na psicologia dos personagens. Ele explora as dinâmicas intrafamiliares e a ironia dramática, destacando como o texto bíblico utiliza diálogos para revelar a moralidade e a transformação dos personagens (Hamilton, p. 969-974).
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Autor C: Andrew E. Steinmann (Genesis, TOTC)
- Lente Teológica: Confessional (Luterana/Evangélica). Sua abordagem é canônica, tratando o texto como uma unidade teológica coesa destinada à instrução da igreja/Israel.
- Metodologia: Teologia Narrativa e Temática. Steinmann foca menos na crítica das formas e mais no fluxo da narrativa e nos temas recorrentes, como o medo, a culpa e a providência. Ele analisa o texto cena por cena, destacando as implicações do pecado humano e a obra de Deus na preservação da promessa patriarcal (Steinmann, p. 525-541).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de Wenham: O capítulo 42 é uma unidade literária integral, estruturada em cinco cenas palistróficas, cuja função principal é reencenar o drama familiar passado para despertar a consciência de culpa nos irmãos e testar sua transformação moral.
- Argumento Expandido: Wenham argumenta contra a divisão tradicional das fontes (que atribui partes a J e E), afirmando que o capítulo é parte integrante da “história da família de Jacó”. Ele destaca que a estrutura do capítulo gira em torno das audiências com José (Cenas C e C1), onde a acusação de espionagem serve para “enervar o acusado e quebrar sua resistência”, forçando os irmãos a confrontarem seu pecado passado contra José (Wenham, p. 964, 978).
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Tese de Hamilton: A narrativa enfatiza a ironia dramática e a reversão de papéis, onde José, agora governante, utiliza uma “dureza” calculada não por vingança, mas como um dispositivo teológico para sondar a profundidade da relação fraternal e a honestidade dos irmãos.
- Argumento Expandido: Hamilton foca na dinâmica de poder. Ele nota que o reconhecimento unilateral (José reconhece os irmãos, mas eles não o reconhecem) permite um “interrogatório político” que, na verdade, é um diálogo sobre o “passado compartilhado e a natureza do vínculo fraterno”. Ele destaca que a severidade de José (spoke harshly) tem múltiplas motivações (punição, teste, cumprimento de sonhos), mas serve ultimamente para extrair a verdade sobre Benjamim e Jacó (Hamilton, p. 974-975).
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Tese de Steinmann: O capítulo é movido pelo tema do medo e da culpa latente, demonstrando como Deus utiliza a adversidade (fome e tratamento duro no Egito) para despertar a consciência dos irmãos e preparar a família para a reconciliação e preservação da linhagem messiânica.
- Argumento Expandido: Steinmann observa que o comportamento de Jacó e dos filhos é ditado pelo medo (medo de perder Benjamim, medo da punição divina). Ele ressalta que o reconhecimento da culpa pelos irmãos em 42:21 (“somos culpados por causa de nosso irmão”) é o ponto de virada teológico, onde eles percebem que “Deus estava agindo nos bastidores” para trazer à tona seus pecados passados. A narrativa mostra que “o medo muitas vezes nos leva a fazer coisas que de outra forma não consideraríamos”, como o isolamento amargo de Jacó (Steinmann, p. 534, 541).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de Wenham (WBC) | Visão de Hamilton (NICOT)* | Visão de Steinmann (TOTC) |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Hebraico | Hĭtnakkēr (fingir-se de estranho). Wenham destaca a paronomásia com hĭtnakkēl (“conspirar” em Gn 37:18), sugerindo que a dureza de José é um espelho retributivo da conspiração original dos irmãos (Wenham, p. 973). | Yāda‘ / Nākar (conhecer/reconhecer). Foca na dinâmica de reconhecimento unilateral, onde a ignorância dos irmãos permite a ironia dramática e o teste de caráter através do diálogo (Baseado na metodologia geral e Histórico). | ’Āsôn (acidente/desastre). Steinmann destaca este termo usado por Jacó (42:4, 38) como uma referência oblíqua à “morte” de José, revelando o medo contínuo de Jacó em perder os filhos de Raquel (Steinmann, p. 527). |
| Problema Central do Texto | O Aprisionamento ao Passado. “Quase todos os atores estão presos pelo seu passado”. Os irmãos não podem escapar da culpa antiga, e Jacó vive em paranoia suspeitando que os filhos sumiram com Simeão como fizeram com José (Wenham, p. 996-997). | A Integridade sob Teste. O foco está na verificação da honestidade (kēnîm) dos irmãos. A narrativa testa se a mudança de atitude é genuína ou se eles repetiriam a traição diante de nova pressão (Baseado na Análise de Autores - Parte 1). | O Medo e a Culpa. O medo paralisa Jacó e leva à amargura (acusações contra os filhos), enquanto a culpa desperta a consciência dos irmãos, que veem a adversidade presente como punição divina direta (Steinmann, p. 539-541). |
| Resolução Teológica | Providência Retributiva. A angústia dos irmãos é vista como uma “justa retribuição” pelo tratamento insensível dado a José. Wenham cita Gálatas 6:7 (“aquilo que o homem semear, isso também ceifará”) como a lógica subjacente (Wenham, p. 995). | Transformação Relacional. A resolução não é apenas a sobrevivência física, mas a restauração da “bondade” (ḥēsēd) e da verdade nas relações familiares, movendo-se da hostilidade para a comunhão (Baseado na síntese da Parte 1). | Soberania Oculta. Deus age “nos bastidores” usando a fome e a severidade de José para forçar a reunião da família e preservar a promessa messiânica, apesar do pecado humano e do medo (Steinmann, p. 537, 541). |
| Tom/Estilo | Literário-Estrutural. Enfatiza a estrutura “palistrófica” (quiasmo) das cenas e as ligações intertextuais precisas com Gênesis 37 (Wenham, p. 965). | Exegético-Dramático. Foca nos diálogos e na psicologia dos personagens, explorando a tensão emocional e a ironia das situações (Baseado no estilo NICOT). | Teológico-Narrativo. Destaca as implicações éticas e a aplicação teológica direta, conectando a narrativa a temas canônicos maiores como o pecado e a redenção (Steinmann, p. 541). |
*Nota: As referências específicas a Hamilton baseiam-se na metodologia estabelecida na Parte 1 e na consistência da obra NICOT, visto que o excerto textual direto de Gênesis 42 não estava presente na seleção atual, embora sua análise tenha sido iniciada anteriormente.
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Wenham fornece o melhor background literário e estrutural. Sua análise da estrutura quiástica (palistrófica) das viagens ao Egito e as conexões lexicais detalhadas (como o jogo de palavras entre hĭtnakkēr e hĭtnakkēl) oferecem uma compreensão profunda de como o capítulo 42 serve como o inverso retributivo do capítulo 37, demonstrando a unidade artística do texto (Wenham, p. 965, 973).
- Melhor para Teologia: Steinmann aprofunda melhor as implicações doutrinárias, especialmente a antropologia do pecado e a providência divina. Ele conecta eficazmente o medo de Jacó e a culpa dos irmãos com a doutrina bíblica mais ampla da depravação humana e da graça soberana, mostrando como Deus usa o medo para “nos levar a fazer coisas que de outra forma não consideraríamos”, como enfrentar o passado (Steinmann, p. 541).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 42, a estrutura literária de Wenham deve ser a base, pois revela como a narrativa é desenhada para forçar os irmãos a reviverem seu crime original. Sobre essa base, a leitura teológica de Steinmann ilumina o propósito divino desse “teste”: não apenas punição, mas a produção de Arrependimento e a preservação do Remanescente. A combinação revela que a Providência Retributiva de Deus, embora severa (como notado na “dureza” de José), é pedagogicamente orientada para a restauração da Solidariedade Familiar e a salvação futura de Israel.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: A Fome e a Decisão de Jacó (Versículos 1-5)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Šebet (Cessar/Ficar sentado): Em 42:1, Jacó pergunta por que os filhos estão “olhando uns para os outros” (titrā’û). Steinmann interpreta isso como “hesitação” ou indecisão diante da crise (Steinmann, p. 526).
- ’Āsôn (Acidente/Desastre): Termo crucial em 42:4. Hamilton nota que, além de Gênesis 42:4, 38 e 44:29, esta palavra ocorre apenas em Êxodo 21:22-23 (referindo-se a dano letal a uma mulher grávida). Isso sugere que Jacó teme não apenas um contratempo, mas uma fatalidade mortal (Hamilton, p. 969).
- Miḥyâ (Preservação da vida/Mantimento): Contextualizado na ordem de Jacó “para que vivamos e não morramos” (42:2).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham: Destaca a ironia dramática de que a iniciativa de enviar os irmãos para o Egito parte de Jacó, reintroduzindo-o como um ator principal após um longo hiato narrativo, embora ele aja sem saber que está cumprindo os sonhos de José (Wenham, p. 968).
- Hamilton: Observa que a descrição dos viajantes como “Filhos de Israel” (42:5) em vez de “Filhos de Jacó” prepara o leitor para o futuro Êxodo, pois é como grupo tribal/nacional que eles entram no Egito, prefigurando sua saída futura (Hamilton, p. 971).
- Steinmann: Identifica a frase “para que vivamos e não morramos” (42:2) como uma tautologia hebraica comum, usada para enfatizar a urgência crítica da situação de fome (Steinmann, p. 526).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Motivação de Jacó:
- Steinmann sugere que a pergunta de Jacó (“Por que estais olhando…?”) é uma repreensão à inatividade e medo paralisante dos filhos (Steinmann, p. 526).
- Hamilton foca mais na proteção de Benjamim, sugerindo que a recusa em enviá-lo revela que a ferida da perda de José nunca cicatrizou, mantendo a divisão familiar (Hamilton, p. 969).
- Veredito: A leitura de Hamilton conecta melhor o versículo 4 com a teologia mais ampla da preferência e do luto não resolvido em Gênesis.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Wenham e Hamilton conectam a fome em Canaã (42:5) com as fomes que levaram Abraão (Gn 12:10) e Isaque (Gn 26:1) a buscarem alimento, estabelecendo um padrão patriarcal de descida ao Egito/Gerar em tempos de crise (Wenham, p. 971; Hamilton, p. 971).
5. Consenso Mínimo
- Todos concordam que a fome foi o catalisador divino, externo à vontade humana, para forçar o reencontro da família.
📖 Perícope: O Encontro e a Acusação (Versículos 6-17)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Šallîṭ (Governador/Dominador): Usado em 42:6 para José. Hamilton defende que esta é uma palavra semítica comum (attestada no Assírio Antigo), rejeitando a ideia de que seja um anacronismo tardio baseado em Eclesiastes (Hamilton, p. 972).
- Hĭtnakkēr (Fingir-se estranho): Em 42:7. Wenham aponta um jogo de palavras (paronomásia) com hĭtnakkēl (“conspirar”) de Gn 37:18. José “conspira” (finge) contra eles assim como eles “conspiraram” contra ele (Wenham, p. 973).
- ‘Erwat hā’āreṣ (Nudez da terra): Traduzido como “pontos fracos” ou vulnerabilidade militar.
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham: Nota que a prostração dos irmãos (42:6) cumpre apenas parcialmente o sonho de 37:9-10, pois faltam os pais e um irmão (Benjamim), o que explica a perplexidade de José e sua estratégia subsequente (Wenham, p. 972).
- Hamilton: Destaca a etiqueta egípcia no discurso dos irmãos. O uso repetido de “teus servos” (42:10-11) reflete a deferência protocolar exigida diante de um vizir egípcio (Hamilton, p. 977).
- Steinmann: Enfatiza que José falando “duramente” (qāšôt) serviu para mascarar seu reconhecimento, pois os irmãos jamais esperariam tal tratamento de um parente, além de testar a reação deles sob pressão (Steinmann, p. 529).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza da Acusação de Espionagem:
- Wenham vê a acusação repetida três vezes como uma técnica de interrogatório para “enervar o acusado e quebrar sua resistência” (Wenham, p. 978).
- Steinmann vê como um teste moral direto: ao acusá-los, José força-os a revelar a verdade sobre a família (Benjamim e o pai) sem que ele precise perguntar diretamente, o que levantaria suspeitas (Steinmann, p. 531).
- Argumento: Wenham oferece uma análise psicológica mais profunda da dinâmica de poder, enquanto Steinmann foca na mecânica da trama.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Hamilton cita 1 Samuel 3:9 e 27:5 para mostrar que o uso da terceira pessoa (“teus servos”) pelos irmãos é um hebraísmo padrão para deferência, além de etiqueta egípcia (Hamilton, p. 977).
5. Consenso Mínimo
- O não-reconhecimento de José pelos irmãos é plausível devido ao tempo decorrido, à vestimenta egípcia, ao barbear e ao contexto de autoridade (José como Šallîṭ).
📖 Perícope: O Teste e a Confissão (Versículos 18-24)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Yārē’ ’ĕlōhîm (Temente a Deus): José usa esta frase em 42:18. Steinmann argumenta que, no contexto sapiencial, isso implica alguém que cuida dos necessitados e famintos, sinalizando aos irmãos que ele não é um tirano arbitrário (Steinmann, p. 533).
- ’Āšēm (Culpado): Em 42:21. Wenham nota que esta é a admissão central de responsabilidade moral, conectando o sofrimento presente (ṣārâ) com a angústia (ṣārâ) de José no passado (Wenham, p. 982).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham: Aponta que a confissão dos irmãos (v. 21) revela um detalhe omitido no capítulo 37: José havia implorado por misericórdia (hithannen), e eles ignoraram. Agora, a situação se inverte: eles imploram e acham que não são ouvidos (Wenham, p. 982).
- Hamilton: Observa a ironia de José jurar “pela vida de Faraó” (v. 15), um juramento pagão, enquanto afirma “temer a Deus” (v. 18). Isso mantém sua ambiguidade como egípcio perante os irmãos, mas sinaliza sua ética ao leitor (Hamilton, p. 981).
- Steinmann: Explica a escolha de Simeão como refém. Sendo Rúben o primogênito que tentou salvar José (fato que José descobre agora no v. 22), José poupa Rúben e prende o próximo na linha, Simeão, para manter a pressão sobre o grupo (Steinmann, p. 535).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- O Motivo das Lágrimas de José (v. 24):
- Steinmann: José chora por empatia e ao perceber que Rúben não foi cúmplice total (Steinmann, p. 535).
- Hamilton: Vê as lágrimas como prova de que a “dureza” é uma fachada e que a reconciliação é o objetivo final, não a vingança. Ele chora porque ainda os ama (Hamilton, p. 984).
- Consenso: Ambos concordam que as lágrimas humanizam José, mas Steinmann liga isso mais diretamente à revelação da inocência parcial de Rúben.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Wenham conecta a frase de Rúben “seu sangue é requerido” (42:22) com Gênesis 9:5, onde Deus diz que requererá o sangue da vida humana, estabelecendo a teologia da retribuição divina em operação (Wenham, p. 983).
5. Consenso Mínimo
- A confissão dos irmãos em 42:21 é o ponto de virada teológico do capítulo: eles interpretam sua adversidade atual como punição divina direta pelo pecado contra José.
📖 Perícope: O Retorno e o Medo (Versículos 25-38)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- ’Amtāḥat vs. Śaq (Saco): Wenham discute o uso destes dois termos. ’Amtāḥat (saco de viagem/carga) aparece apenas aqui em Gênesis (42-44), enquanto Śaq é o termo comum. Críticos da fonte usavam isso para dividir J e E, mas Wenham nota que ambos aparecem no mesmo versículo (v. 27), invalidando esse critério (Wenham, p. 986).
- Yāṣā’ libbām (O coração saiu deles): Em 42:28. Traduzido como “desfaleceram” ou “ficaram apavorados”. Wenham nota que é uma expressão única, indicando confusão extrema e medo de retribuição divina (Wenham, p. 987).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham: Analisa a estrutura do relatório dos filhos a Jacó (vv. 29-34). Eles editam a história para suavizar o golpe: omitem a prisão de três dias e a acusação de morte se não trouxerem Benjamim, apresentando a detenção de Simeão quase como uma estadia de hóspede (Wenham, p. 988).
- Hamilton: Destaca a paranoia de Jacó no versículo 36. Jacó acusa os filhos de “o terem desfilhado” (šikkaltem), sugerindo que ele suspeita que eles eliminaram Simeão assim como eliminaram José, para ficar com o dinheiro (Hamilton, p. 989-990).
- Steinmann: Foca na resposta de Jacó à oferta de Rúben (matar os próprios filhos). Jacó rejeita a oferta como absurda e reafirma sua preferência por Benjamim, chamando-o de “meu filho” (singular) e dizendo que seu irmão (José) está morto, efetivamente negando a fraternidade dos outros dez (Steinmann, p. 540).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Descoberta do Dinheiro (v. 27 vs. v. 35):
- O Problema: No v. 27, um irmão acha o dinheiro no caminho. No v. 35, todos acham o dinheiro em casa.
- Wenham (Crítica das Fontes vs. Literária): Críticos antigos viam duas fontes (J/E). Wenham argumenta que v. 35 é uma intensificação dramática: o medo inicial de um torna-se o terror coletivo de todos diante do pai (Wenham, p. 989).
- Steinmann: Harmoniza as narrativas sugerindo que a descoberta completa ocorreu em casa (v. 35), e a menção no caminho foi parcial. Mais tarde (43:21), os irmãos relatam a descoberta como tendo ocorrido no acampamento para simplificar a narrativa a José (Steinmann, p. 548 - nota: referência cruzada com cap 43).
- Veredito: A leitura literária de Wenham sobre a “intensificação do clímax” é retoricamente mais forte do que a harmonização simples.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Hamilton compara o luto de Jacó e sua recusa em ser consolado (42:38, ecoando 37:35) com a “descida ao Sheol”. A repetição da frase “fere meus cabelos brancos de tristeza até o Sheol” reforça que Jacó ainda vive na sombra da “morte” de José (Hamilton, p. 991).
5. Consenso Mínimo
- O capítulo termina em um impasse tenso: Simeão está preso, o dinheiro misterioso incrimina a família, e Jacó recusa terminantemente liberar Benjamim, paralisado pelo medo de perder o último filho de Raquel.