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Análise Comparativa: Gênesis 39
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Wenham, G. J. (1987). Genesis 16-50. Word Biblical Commentary (WBC). Thomas Nelson.
- Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis: Chapters 18-50. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Eerdmans.
- Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). InterVarsity Press.
Análise dos Autores
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Autor A: Victor P. Hamilton (The Book of Genesis)
- Lente Teológica: Evangélica Conservadora com forte ênfase Filológica e de Teologia Bíblica.
- Metodologia: Hamilton realiza uma exegese técnica detalhada, focada na semântica hebraica, etimologias egípcias (ex: nome de Potifar) e análise literária (quiasmas, repetições de palavras-chave). Ele compara extensivamente o texto com paralelos do Antigo Oriente Próximo, como o “Conto dos Dois Irmãos”, mas mantém a integridade teológica da narrativa canônica, focando na presença de Yahweh como o motor da história.
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Autor B: Gordon J. Wenham (Genesis)
- Lente Teológica: Crítico-Evangélica com ênfase na Crítica da Forma e Análise Estrutural.
- Metodologia: Wenham aborda o texto analisando sua estrutura literária macro (o tríptico dos capítulos 39-41) e micro (cenas individuais). Ele dialoga fortemente com a crítica das fontes (J e E), defendendo a unidade da narrativa contra a fragmentação. Sua leitura destaca conexões com a Literatura de Sabedoria (Provérbios) e a teologia da aliança abraâmica (bênção às nações).
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Autor C: Andrew E. Steinmann (Genesis)
- Lente Teológica: Confessional (Luterana/Evangélica) com foco Pastoral e Tipológico.
- Metodologia: Steinmann adota uma abordagem narrativa que busca a aplicação teológica e ética imediata. Ele foca na experiência humana de José (tentação, injustiça, sofrimento) e na fidelidade de Deus. Sua análise é menos técnica filologicamente que a de Hamilton ou Wenham, priorizando a coerência narrativa e a conexão intertextual com outras histórias de exílio (como Daniel).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de Hamilton (Autor A): A presença de Yahweh é o tema teológico determinante que permeia a humilhação e exaltação de José, sendo a única garantia de sucesso em meio à vulnerabilidade humana.
- Hamilton argumenta que o narrador intencionalmente utiliza o tetragrama Yahweh apenas neste capítulo (dentro do ciclo de José) para enfatizar que, no momento mais precário da vida de José, ele não estava sozinho. Ele destaca a repetição da frase “Yahweh estava com José” (v. 2, 21) como uma moldura teológica (Hamilton, “NICOT”). Ele também nota a ironia de Potifar confiar tudo a José, exceto sua comida (eufemismo para esposa), enquanto a esposa tenta tomar a única coisa proibida (Hamilton, “NICOT”). Hamilton sugere que a sentença de prisão, em vez de morte, indica que Potifar “não está totalmente convencido da acusação de sua esposa” (Hamilton, “NICOT”).
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Tese de Wenham (Autor B): Gênesis 39 apresenta José como o modelo ideal do sábio que teme a Deus, cuja retidão moral e sucesso administrativo cumprem a promessa patriarcal de bênção às nações.
- Wenham posiciona o capítulo 39 como o primeiro painel de um tríptico que leva à ascensão de José. Ele enfatiza que a recusa de José à esposa de Potifar é baseada em argumentos éticos e teológicos sólidos, refletindo a sabedoria de Provérbios sobre evitar a “mulher estranha” (Wenham, “WBC”). Ele refuta a dependência literária direta do “Conto dos Dois Irmãos”, argumentando que o motivo da mulher desprezada é universal. Wenham destaca que através de José, “todas as famílias da terra começam a encontrar bênção”, visto que a bênção de Yahweh repousava sobre a casa do egípcio (Wenham, “WBC”).
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Tese de Steinmann (Autor C): A narrativa demonstra que a providência divina acompanha os fiéis mesmo através da injustiça e do sofrimento, preparando-os através da adversidade para propósitos maiores.
- Steinmann foca na tensão entre o favor de Deus e a realidade do sofrimento. Ele observa que “o favor de Deus sobre José não removeu o problema e a injustiça de sua vida”, mas usou essas dificuldades como oportunidades (Steinmann, “TOTC”). Ele destaca a progressão ética na recusa de José, que culmina no argumento de que o adultério seria um “pecado contra Deus”. Steinmann também traça paralelos tipológicos fortes entre José e Daniel, notando que ambos serviram em cortes estrangeiras e prosperaram devido à fidelidade a Deus (Steinmann, “TOTC”).
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de Victor P. Hamilton (Autor A) | Visão de Gordon J. Wenham (Autor B) | Visão de Andrew E. Steinmann (Autor C) |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Hebraico | YHWH (Yahweh). Enfatiza que o narrador usa o tetragrama sagrado (5 vezes em 39:2-5 e 23) para afirmar teologicamente que, no momento mais precário, José não está sozinho, contrastando com o uso de Elohim nos diálogos (Hamilton, “NICOT”). | Bāraḵ (Abençoar). Foca na conexão com Gn 12:3. A bênção de Yahweh repousa sobre a casa do egípcio por causa de José, mostrando o transbordamento da graça pactual para os gentios (Wenham, “WBC”). | Ypēh-tō’ar (Formoso de porte). Destaca a descrição física de José, paralela à de sua mãe Raquel, como um “sinal de alerta” de que ele pode sofrer por ter dotes em excesso (Steinmann, “TOTC”). |
| Problema Central do Texto | A vulnerabilidade extrema de José como escravo estrangeiro sujeito ao poder absoluto de seus donos e a ironia de ser acusado justamente pelo crime que se recusou a cometer (Hamilton, “NICOT”). | O arquétipo da “mulher estrangeira/estranha” (cf. Provérbios 1-9) que tenta seduzir o sábio. O problema é a ameaça moral à integridade do herói e ao cumprimento da promessa (Wenham, “WBC”). | A tensão entre o favor de Deus e a realidade da injustiça. O problema é como conciliar a afirmação “Yahweh estava com José” com a realidade de ele ser lançado em uma prisão (Steinmann, “TOTC”). |
| Resolução Teológica | A Presença Divina é a garantia de sucesso (ṣālaḥ). A prosperidade de José não é mérito administrativo intrínseco, mas um ato de ḥesed (lealdade) divina que o acompanha do poço à prisão (Hamilton, “NICOT”). | A Providência Oculta. O sofrimento injusto e a prisão são preparações necessárias (preliminares) para a glória futura e para a preservação da vida de muitos, prefigurando o sofrimento do justo (Wenham, “WBC”). | A Fidelidade na Adversidade. Deus usa as circunstâncias adversas (como a prisão real, bêṯ hassōhar) para posicionar José estrategicamente, transformando o mal humano em oportunidade divina (Steinmann, “TOTC”). |
| Tom/Estilo | Filológico e Exegético. Analisa etimologias egípcias (ex: Potifar, Saris) e faz comparações detalhadas com o Conto dos Dois Irmãos (Hamilton, “NICOT”). | Literário e Estrutural. Foca na análise da estrutura narrativa (cenas, diálogos) e nas conexões intertextuais com a Literatura de Sabedoria e o restante do Pentateuco (Wenham, “WBC”). | Narrativo e Pastoral. Enfatiza a aplicação teológica imediata e a coerência da trama, destacando a ironia das situações (ex: José fugindo nu vs. a esposa com a roupa) (Steinmann, “TOTC”). |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Victor P. Hamilton (NICOT). Oferece a análise mais robusta sobre o background histórico-cultural, discutindo detalhadamente os títulos egípcios (como a distinção de saris significando oficial/cortesão e não necessariamente eunuco neste contexto) e as nuances legais do Antigo Oriente Próximo sobre o adultério e a escravidão (Hamilton, “NICOT”).
- Melhor para Teologia: Gordon J. Wenham (WBC). Aprofunda melhor as doutrinas ao conectar Gênesis 39 com a teologia da Aliança Abraâmica (a bênção às nações) e a Literatura de Sabedoria. Ele demonstra como a narrativa funciona paradigmaticamente para ensinar sobre a tentação e a providência divina na história da salvação (Wenham, “WBC”).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 39, deve-se combinar a precisão filológica de Hamilton, que fundamenta a historicidade e os termos técnicos, com a sensibilidade literária de Wenham, que estrutura o texto como um modelo de sabedoria e cumprimento pactual. Steinmann contribui vitalmente ao ancorar essas verdades na realidade pastoral do sofrimento injusto. A narrativa revela que a Presença de Yahweh (Hamilton) manifesta-se não apenas no sucesso, mas na capacitação ética para resistir à “mulher estranha” (Wenham), transformando a prisão injusta em um passo soberano para a preservação da vida (Steinmann).
Providência Divina, Integridade Ética, Teologia da Presença e Tipologia do Justo Sofredor são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: Versículos 1-6 (Ascensão na Casa de Potifar)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Sārîs (Oficial/Eunuco): Hamilton discute extensivamente este termo. Embora frequentemente traduzido como “eunuco”, ele argumenta que em textos do segundo milênio a.C. (como o acadiano ša-rēš-šarri), o termo significava “cortesão” ou “oficial”. No primeiro milênio, o significado estreitou-se para eunuco. Dado que Potifar era casado, Hamilton sustenta o significado funcional de oficial (Hamilton, “NICOT”).
- ’îš maṣlîaḥ (Homem próspero/bem-sucedido): Hamilton nota que a raiz ṣālaḥ (prosperar) é usada intransitivamente para descrever o estado de José e depois transitivamente para descrever a ação de Deus (Hamilton, “NICOT”).
- Ypēh-tō’ar (Formoso de porte): Steinmann e Wenham destacam que a descrição dupla da beleza de José (“formoso de porte e formoso de semblante”) é idêntica à descrição de sua mãe Raquel em Gênesis 29:17. Eles observam que são as duas únicas pessoas no AT a receberem este elogio duplo (Steinmann, “TOTC”; Wenham, “WBC”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- [Hamilton]: Observa uma nuance irônica na declaração de que Potifar “deixou tudo na mão de José” (v. 6) exceto o “pão que comia”. Hamilton cita uma tradição rabínica (Gen. Rabbah 86:6) sugerindo que “pão” é um eufemismo para a esposa de Potifar, similar ao uso em Provérbios 30:20, embora reconheça a possibilidade de separação ritual alimentar (Hamilton, “NICOT”).
- [Wenham]: Enfatiza a estrutura teológica, notando que este capítulo é a “peça de entrada teológica” para a história de José, emoldurada pela afirmação “Yahweh estava com José” (vv. 2, 21). Ele destaca que a bênção sobre a casa do egípcio (v. 5) é uma concretização da promessa abraâmica de Gênesis 12:3, onde as famílias da terra seriam abençoadas através da descendência de Abraão (Wenham, “WBC”).
- [Steinmann]: Propõe uma datação específica, sugerindo que José foi vendido por volta de 1899 a.C. e serviu na casa de Potifar até c. 1889 a.C. Ele interpreta a restrição sobre o “pão” (v. 6) literalmente, ligando-a ao costume egípcio de não comer com estrangeiros, conforme visto posteriormente em Gênesis 43:32, rejeitando a interpretação eufemística (Steinmann, “TOTC”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Identidade de Potifar: Existe um debate sobre o nome e título. Hamilton e Wenham concordam que Potifar é uma forma abreviada de Potiphera (“Aquele a quem Rá deu”), mas notam que esta forma nominal é atestada apenas muito mais tarde (Dinastia XXI). Steinmann sugere que o nome pode ter sido atualizado por um editor posterior (como Moisés) a partir de uma forma mais antiga (Di’di-Re).
- O “Pão” (v. 6): Hamilton inclina-se para o eufemismo sexual (pão = esposa), o que prepararia o cenário para o versículo 7. Steinmann e Wenham preferem a leitura cultural/literal de tabus alimentares egípcios, argumentando que o texto explicita a exceção da esposa apenas no versículo 9.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Wenham conecta a “bênção” (bāraḵ) sobre a casa de Potifar diretamente com a promessa patriarcal de Gênesis 12:3.
- Steinmann conecta a beleza de José com a de Davi, Abigail e Ester, sugerindo que a beleza física no AT frequentemente precipita crises ou resoluções notáveis na trama.
5. Consenso Mínimo
- Todos concordam que o sucesso de José não é atribuído às suas habilidades administrativas inatas, mas explicitamente à presença e favor de Yahweh, que é o verdadeiro agente de prosperidade na narrativa.
📖 Perícope: Versículos 7-12 (A Tentação e a Fuga)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Šiḵeḇâ ‘immî (Deita-te comigo): Hamilton e Wenham notam a brevidade e o caráter imperativo direto da fala da mulher. É um comando cru, refletindo luxúria nua, sem preliminares românticas (Hamilton, “NICOT”; Wenham, “WBC”).
- Ḥaṭṭā’t (Pecado): José define o adultério como um “pecado contra Deus” (Elohim). Hamilton observa que José usa o termo genérico Elohim em vez de Yahweh ao falar com uma egípcia, apelando para uma moralidade universal teísta (Hamilton, “NICOT”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- [Hamilton]: Destaca a sutileza na recusa de José no v. 10: ele se recusa a “deitar-se ao lado dela” (eṣlāh), sugerindo que ele evitava qualquer proximidade física, não apenas o ato sexual. Hamilton sugere que a mulher pode ter moderado sua demanda para “apenas estarmos juntos/ao lado”, mas José rejeitou até isso (Hamilton, “NICOT”).
- [Wenham]: Faz uma análise comparativa detalhada com o “Conto dos Dois Irmãos” egípcio. Ele refuta a dependência literária direta, argumentando que, embora o motivo da esposa infiel seja comum, os diálogos e detalhes (como o rio de crocodilos no conto egípcio) são vastamente diferentes. Ele vê José como o modelo do “sábio” de Provérbios que resiste à “mulher estranha” (Wenham, “WBC”).
- [Steinmann]: Foca na progressão lógica do argumento ético de José nos vv. 8-9: começa com a vocação de servo (autoridade delegada), passa para a vocação de mordomo (limite da propriedade alheia) e culmina na responsabilidade moral teológica (pecado contra Deus) (Steinmann, “TOTC”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza do “Brincar/Zombar” (ṣāḥaq): No v. 14, a esposa acusa José de ter vindo para leṣaḥeq bānû.
- Hamilton: Vê uma ambiguidade deliberada. Pode significar “fazer amor” (conotação sexual) ou “zombar/insultar”.
- Wenham: Argumenta que, para os servos, ela usa o termo no sentido de “insultar” (para incitar xenofobia), mas para o marido (v. 17), o contexto sexual é implícito.
- Steinmann: Concorda com a ambiguidade sexual, ligando o termo a Êxodo 32:6 e Isaac “brincando” com Rebeca em Gênesis 26:8.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Hamilton nota o uso da palavra beged (veste/manto). Ele conecta o termo bəbigdô (pela sua veste) no v. 12 com a raiz bāgad (agir traicoeiramente/infidelidade), sugerindo um jogo de palavras onde a veste simboliza a quase-traição ou a vulnerabilidade à traição (Hamilton, “NICOT”).
5. Consenso Mínimo
- Os três autores concordam que a recusa de José é fundamentada teologicamente e não apenas pragmaticamente; ele vê o adultério primariamente como uma ofensa contra Deus, demonstrando integridade moral absoluta.
📖 Perícope: Versículos 13-23 (Acusação e Prisão)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Bêṯ hassōhar (Cárcere/Prisão): Wenham e Hamilton notam que esta expressão é exclusiva da história de José (39:20-23; 40:3, 5). Hamilton traduz literalmente como “casa redonda” ou “fortaleza”, sugerindo uma estrutura específica egípcia, possivelmente parte do complexo real (Hamilton, “NICOT”; Wenham, “WBC”).
- Ḥesed (Lealdade/Bondade): No v. 21, Deus estende ḥesed a José. Wenham destaca que este termo pactual é crucial aqui; é a lealdade de Deus que sustenta José na desgraça (Wenham, “WBC”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- [Hamilton]: Nota a habilidade retórica da esposa de Potifar ao mudar os detalhes da história. Para os servos (v. 14), José veio para “zombar de nós” (solidariedade de classe). Para o marido (v. 17), José é o “servo hebreu” (preconceito étnico e de status) que ele (o marido) trouxe (transferência de culpa). Hamilton também observa que a ira de Potifar (v. 19) não tem um objeto especificado no hebraico, sugerindo ambiguidade sobre se ele estava bravo com José ou com a esposa (Hamilton, “NICOT”).
- [Wenham]: Ressalta a repetição da frase “deixou sua veste” (wayyaʿazōb bigdô). A esposa altera a preposição de “na minha mão” (fato real) para “ao meu lado” (na narrativa dela), insinuando que José se despiu voluntariamente para o ato, em vez de ter a roupa arrancada à força (Wenham, “WBC”).
- [Steinmann]: Argumenta que a prisão onde José foi colocado era para “prisioneiros do rei” e estava sob a autoridade do capitão da guarda (Potifar). Steinmann vê isso como evidência de que Potifar, duvidando da esposa, protegeu José da execução colocando-o sob sua própria custódia indireta na prisão real (Steinmann, “TOTC”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Sentença de Potifar:
- Wenham: Considera a prisão uma pena “inesperadamente leve”, visto que estupro (ou tentativa) por um escravo contra a senhora merecia morte. Ele atribui isso à providência divina e à dúvida de Potifar.
- Hamilton: Concorda que a prisão em vez de morte sinaliza que Potifar não estava “totalmente convencido”.
- Steinmann: É mais enfático ao dizer que Potifar usou a prisão real (onde ele tinha influência) para manter José vivo, pois sabia da índole da esposa.
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Wenham vê um paralelo tipológico com o “Servo Sofredor” e com o Salmo 105:18, onde a aflição de José é lembrada. Ele também conecta a falsa acusação com os temas sapienciais de Provérbios sobre a mulher adúltera que “caça a vida preciosa” (Pv 6:26) (Wenham, “WBC”).
5. Consenso Mínimo
- É indisputável entre os autores que a prisão de José, embora injusta, serviu como o próximo passo necessário na providência divina para elevá-lo, e que a presença de Deus (Yahweh) não o abandonou na prisão, garantindo seu sucesso mesmo lá.