Análise Comparativa: Gênesis 37

1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes

  • Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis: Chapters 18-50. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Grand Rapids: Eerdmans.
  • Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). Downers Grove: InterVarsity Press.
  • Wenham, G. J. (1987). Genesis 16-50. Word Biblical Commentary (WBC). Dallas: Word Books.

Análise dos Autores

  • Autor/Obra: Victor P. Hamilton, The Book of Genesis (NICOT).

    • Lente Teológica: Evangélica Conservadora com forte interação Crítica. Hamilton mantém uma alta visão da Escritura, mas dialoga extensivamente com a Alta Crítica (hipóteses documentais J/E) para refutá-las ou reinterpretá-las com base na análise literária final.
    • Metodologia: Sua abordagem é marcada por uma exegese filológica rigorosa e estudos comparativos do Antigo Oriente Próximo (AOP). Em Gênesis 37, ele foca na integridade literária do texto, argumentando contra a fragmentação das fontes e utilizando dados arqueológicos e linguísticos (como a análise de ketonet passim) para iluminar o texto.
  • Autor/Obra: Andrew E. Steinmann, Genesis (TOTC).

    • Lente Teológica: Confessional Luterana/Evangélica. Foca na teologia narrativa e na aplicação canônica do texto.
    • Metodologia: Adota uma abordagem de Teologia Bíblica e análise narrativa sincrônica. Steinmann preocupa-se menos com a filologia técnica comparada (embora a utilize) e mais com o desenvolvimento do caráter dos personagens (José, Judá, Rúben) e a teologia da providência divina dentro da estrutura da aliança patriarcal.
  • Autor/Obra: Gordon J. Wenham, Genesis (WBC).

    • Lente Teológica: Crítico-Evangélica. Wenham é conhecido por equilibrar a erudição crítica moderna (Form Criticism) com uma leitura teológica robusta que respeita a forma final do texto.
    • Metodologia: Utiliza a Crítica da Forma e a análise retórica. Ele enfatiza a estrutura das tôlĕdôt (gerações/história familiar) e busca padrões literários, quiasmos e ironias narrativas que unem a história de José ao restante do Pentateuco, focando no cumprimento parcial das promessas divinas.

2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)

  • Tese de Hamilton (NICOT): A narrativa de Gênesis 37 é uma unidade literária coesa onde a hostilidade fraterna é exacerbada por falhas humanas e não por tradições conflituosas, demonstrando a preservação divina através de detalhes históricos plausíveis.

    • Argumento expandido: Hamilton desafia a divisão clássica das fontes J (Javista) e E (Eloísta) que críticos usam para explicar a presença de “Ismaelitas” e “Midianitas” na venda de José. Ele argumenta filologicamente que os termos são intercambiáveis para caravaneiros nômades, sugerindo que “Ismaelita” é o termo genérico e “Midianita” o étnico específico, preservando a unidade do texto sem recorrer a redatores desajeitados (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”). Ele também destaca a ironia do engano: Jacó, que enganou seu pai com peles de cabrito, é agora enganado por uma túnica mergulhada em sangue de bode (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
  • Tese de Steinmann (TOTC): Gênesis 37 não é apenas a “História de José”, mas a continuação da história da família da aliança de Jacó, onde a imaturidade humana e o favoritismo ameaçam a promessa, exigindo a intervenção soberana e silenciosa de Deus.

    • Argumento expandido: Steinmann enfatiza que o foco narrativo está na família de Jacó e no cisma causado pelo favoritismo. Ele caracteriza o jovem José não apenas como inocente, mas como “imprudente e imaturo” ao gabar-se de seus sonhos, o que, combinado com o doting (mimo excessivo) de Jacó, cria uma mistura combustível (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”). Sua leitura teológica ressalta que, embora Deus não seja mencionado explicitamente no capítulo (exceto indiretamente), Sua mão é vista trabalhando através das falhas morais de Judá e da inveja dos irmãos para preservar a semente de Abraão (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).
  • Tese de Wenham (WBC): O capítulo 37 inaugura a “História da Família de Jacó” (tôlĕdôt ya‘ăqōb), funcionando como uma análise teológica e psicológica da desintegração familiar que prepara o cenário para a providência divina e o cumprimento das promessas patriarcais.

    • Argumento expandido: Wenham argumenta que chamar esta seção de “História de José” é um erro, pois o cabeçalho bíblico (37:2) foca em Jacó. Ele destaca a retribuição irônica e a dinâmica familiar: o ódio dos irmãos é apresentado em um crescendo retórico (ódio, não falar pacificamente, inveja). Wenham vê os sonhos não apenas como previsões, mas como motores teológicos que, paradoxalmente, levam os irmãos a ações que garantem o cumprimento desses mesmos sonhos (Wenham, “The Joseph Story (37:2—50:26)”). Ele conecta a venda de José ao tema maior do Pentateuco: o cumprimento parcial das promessas em meio à responsabilidade humana e ao pecado (Wenham, “Explanation”).

3. Matriz de Diferenciação

CategoriaVisão de Hamilton (NICOT)Visão de Steinmann (TOTC)Visão de Wenham (WBC)
Palavra-Chave: Ketonet Passim (37:3)Traduz como “long colorful tunic” (túnica longa e colorida). Associa a murais de Mari (séc. XVIII a.C.) e argumenta que indica um manto cerimonial ou ornamentado, marcando José como superior/chefe (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).Traduz preferencialmente como “robe with long sleeves” (manto com mangas compridas). Liga o termo pas a extremidades (mãos/pés), indicando que José não precisava trabalhar como os outros (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).Traduz como “special tunic” (túnica especial). Destaca a incerteza filológica, mas nota a conexão com a veste de princesas em 2 Sm 13, servindo como um lembrete perpétuo do favoritismo de Jacó (Wenham, “The Joseph Story (37:2—50:26)”).
Problema Central do TextoA escalada da hostilidade. Identifica três causas: a calúnia de José (dibbâ), o favoritismo de Jacó e a arrogância dos sonhos. O problema é a falha humana generalizada, não fontes literárias conflitantes (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).O cisma familiar como comportamento aprendido. A rivalidade entre as mães (Raquel e Leia) foi transferida para os filhos. O problema é a imprudência de José e a cegueira de Jacó quanto ao ódio dos irmãos (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).A ruptura do Shalom familiar. Os irmãos não podiam falar “pacificamente” (lĕšālōm) com José. O texto analisa a dinâmica do ódio fratricida que ameaça a promessa patriarcal (Wenham, “The Joseph Story (37:2—50:26)”).
Resolução do Enigma Ismaelitas/MidianitasSolução Etnográfica/Genérica: Argumenta que “Ismaelita” é o termo genérico para nômades caravaneiros, enquanto “Midianita” é o termo étnico específico. Rejeita a divisão de fontes J/E (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).Concordância com a visão genérica: Aceita que os termos se sobrepõem e são usados de forma intercambiável, possivelmente com Ismaelita sendo o descritor geral para tribos nômades do Levante (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).Identidade Literária: Vê os termos como designações alternativas para o mesmo grupo, apoiado por Jz 8:24. A variação obedece a regras de análise do discurso (repetição de nomes vs. pronomes) (Wenham, “The Joseph Story (37:2—50:26)”).
Tom/EstiloFilológico e Arqueológico: Foca em paralelos do Antigo Oriente Próximo (Mari, Nuzi) e análise lexical detalhada para defender a historicidade e unidade do texto.Teológico-Narrativo: Foca no desenvolvimento do caráter moral dos personagens (José, Judá, Rúben) e na aplicação canônica da providência divina.Literário-Estrutural: Analisa padrões retóricos, quiasmos e a estrutura de cenas para demonstrar a arte narrativa e a teologia da promessa.

4. Veredito Acadêmico

  • Melhor para Contexto Histórico: Hamilton (NICOT). Sua análise é superior ao conectar termos difíceis como ketonet passim e sārîs com dados arqueológicos de Mari e Nuzi, além de fornecer uma explicação robusta para a questão geográfica de Dotã e as rotas de caravanas, defendendo a plausibilidade histórica da narrativa (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
  • Melhor para Teologia: Wenham (WBC). Ele oferece a visão mais profunda sobre como Gênesis 37 se encaixa no tema maior do Pentateuco (o cumprimento parcial das promessas). Sua análise de como a “história de Jacó” funciona como uma teologia da providência oculta e da responsabilidade humana é inigualável, mostrando como o pecado humano (o ódio dos irmãos) paradoxalmente avança os propósitos divinos (Wenham, “The Joseph Story (37:2—50:26)”).
  • Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 37, a exegese deve começar com a estrutura literária de Wenham, que identifica o capítulo não como uma história isolada de José, mas como a crise central da tôlĕdôt de Jacó, onde a ameaça à eleição divina é interna. Deve-se então integrar a análise de Steinmann sobre o “comportamento aprendido” e a imaturidade de José para evitar a hagiografia do patriarca, reconhecendo a culpa compartilhada. Finalmente, a defesa da unidade textual de Hamilton, que resolve as aparentes contradições sobre os mercadores (Ismaelitas/Midianitas) através de nuances filológicas, fornece a base histórica necessária para pregar o texto como um evento real de providência soberana, onde Deus atua silenciosamente através das falhas morais de uma família disfuncional para preservar a linhagem da aliança.

Providência Divina, Dinâmica Familiar Patriarcal, E) e Tipologia de José são conceitos chaves destacados na análise.


5. Exegese Comparada

📖 Perícope: Versículos 1-11 (A Túnica e os Sonhos)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Termo-Chave: Ketonet Passim (37:3): A tradução desta veste é altamente debatida.
    • Wenham nota que a Septuaginta (LXX) e a Vulgata traduzem como “túnica de muitas cores”, mas sugere que, com base no cognato aramaico pas (palma da mão/pé), pode ser uma veste longa com mangas (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”).
    • Hamilton aprofunda-se, ligando o termo ao acadiano kitu pišannu (veste cerimonial com ornamentos de ouro) ou aos murais de Mari (séc. XVIII a.C.), preferindo a ideia de uma “túnica ornamentada” que marca status superior (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
    • Steinmann concorda com a tradução de “robe with long sleeves”, conectando a pas (extremidades), sugerindo que quem a vestia não realizava trabalho manual (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).
  • Termo-Chave: Dibbâ (37:2):
    • Hamilton define como “sussurro hostil” ou calúnia, comparando com o relatório maligno dos espias em Num 13-14 (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
    • Steinmann traduz como “bad report” (relatório ruim), associando a fofoca maliciosa, citando Provérbios 10:18 (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Hamilton: Observa uma possibilidade sintática no versículo 2 (“Joseph was shepherding his brothers”), sugerindo que, gramaticalmente, o texto pode antecipar o futuro governo de José sobre os irmãos, onde o objeto direto do verbo “pastorear” seriam os irmãos, não as ovelhas (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
  • Wenham: Destaca o padrão de “repreensão” (gā‘ar) no versículo 10. Ele nota que é uma palavra rara e forte, geralmente usada para Deus repreendendo o mar ou nações, indicando que Jacó sentiu que a autoridade paterna estava sendo ameaçada teologicamente (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”).
  • Steinmann: Foca na sociologia da família, argumentando que a divisão entre os irmãos é um “comportamento aprendido” (learned behaviour) herdado das rivalidades entre Lia e Raquel, e exacerbado pela cegueira de Jacó (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • A Natureza dos Sonhos:
    • Wenham e Hamilton veem os sonhos como revelações divinas genuínas que garantem o cumprimento futuro (o par de sonhos indica certeza, conforme 41:32).
    • Steinmann, embora não negue a providência, enfatiza mais a imprudência e imaturos de José ao contá-los. Para ele, o texto destaca a falta de sabedoria de José (um “adolescente de 17 anos”) ao se gabar, criando uma mistura combustível com o favoritismo de Jacó (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • 2 Samuel 13:18: Todos os três autores conectam a ketonet passim à veste de Tamar, filha de Davi, indicando realeza ou status nobre (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”; Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
  • Números 13:32: Hamilton conecta o termo dibbâ (relatório ruim) usado por José ao relatório dos espias, sugerindo um ato de fala destrutivo (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).

5. Consenso Mínimo

  • É indisputável que o favoritismo de Jacó (manifestado na túnica) e os relatos dos sonhos de José foram os catalisadores primários para o ódio fratricida.

📖 Perícope: Versículos 12-24 (A Conspiração em Dotã)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Termo-Chave: Ba‘al hahălōmôt (37:19):
    • Hamilton traduz como “master dreamer” (mestre dos sonhos), argumentando que é um título sarcasticamente pejorativo na boca dos irmãos, mas ironicamente profético (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
    • Wenham mantém o tom de escárnio, notando que eles planejam matar o “sonhador” para matar os “sonhos” (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”).
  • Termo-Chave: Šālaḥ yād (37:22):
    • Hamilton observa que a expressão “estender a mão” geralmente significa “ferir”, mas Rúben a usa no contexto de proteção/resgate (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Hamilton: Oferece a análise geográfica mais detalhada, explicando a rota do Vale de Hebrom a Siquém (50 milhas) e depois a Dotã (mais 13 milhas), defendendo a plausibilidade histórica contra críticos que veem confusão de fontes (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
  • Wenham: Nota que o verbo usado para “despir” (pāšaṭ) José no v. 23 é o mesmo usado em Levítico 1:6 para “esfolar” animais sacrificiais, sugerindo a violência do ataque (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”).
  • Steinmann: Ressalta a ironia de Rúben tentar assumir a liderança positiva aqui (para salvar José) como uma tentativa de redimir sua liderança falha anterior (incesto com Bila em 35:22) (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • O Papel de Rúben vs. Judá:
    • Críticos das fontes (citados por Hamilton e Wenham) frequentemente atribuem a intervenção de Rúben à fonte E e a de Judá à fonte J.
    • Hamilton e Wenham argumentam pela unidade literária. Hamilton vê Rúben agindo como o primogênito responsável (mas falho), enquanto Steinmann vê a ação de Rúben como parte do desenvolvimento do caráter moral, preparando o cenário para sua liderança futura em Gênesis 42 (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • 2 Reis 6:13: Hamilton e Steinmann notam que Dotã é mencionada apenas aqui e na história de Eliseu, outro “vidente” que foi cercado por inimigos (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).

5. Consenso Mínimo

  • Todos concordam que a cisterna (bôr) estava vazia de água, o que evitou o afogamento imediato de José mas o deixou exposto à fome e sede.

📖 Perícope: Versículos 25-36 (A Venda e o Luto)

1. Análise Filológica & Termos-Chave

  • Debate Crucial: Ismaelitas vs. Midianitas (37:25, 28, 36):
    • Hamilton: Argumenta filologicamente que os termos são intercambiáveis (baseado em Juízes 8:24). “Ismaelita” é o termo genérico (nômade/beduíno) e “Midianita” o termo étnico específico. Ele rejeita a teoria de duas fontes conflitantes (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
    • Wenham: Concorda, observando que a variação obedece a regras de discurso para evitar repetição excessiva de pronomes ou nomes (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”).
    • Steinmann: Aceita a sobreposição, sugerindo que “Ismaelita” descrevia tribos nômades do Levante em geral (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).

2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)

  • Hamilton: Destaca o paralelo do preço de venda: 20 siclos de prata. Ele nota que este era o preço médio de um escravo no período Antigo Babilônico (séc. XVIII a.C.) e corresponde à avaliação de um jovem varão em Levítico 27:5, defendendo a antiguidade do texto (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
  • Wenham: Foca na intensidade do luto de Jacó. A frase “descerei ao Sheol em luto” (v. 35) indica não apenas tristeza, mas a crença de que a morte de José foi um julgamento divino que condenava Jacó a um destino infeliz no além (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”).
  • Steinmann: Caracteriza Judá como “cinicamente oportunista” no v. 26. Ao propor a venda, Judá argumenta que não haveria lucro (beṣa‘) em matá-lo. Steinmann vê isso como o ponto mais baixo do caráter de Judá antes de sua transformação (Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).

3. Fricção Interpretativa (O Debate)

  • Quem vendeu José?
    • A sintaxe do v. 28 (“passaram mercadores midianitas; tiraram e alçaram a José… e venderam”) cria ambiguidade.
    • Hamilton sugere que foram os irmãos que puxaram José e o venderam aos Midianitas/Ismaelitas que passavam. Ele argumenta que esta leitura mantém a unidade da narrativa e faz mais sentido com a confissão posterior dos irmãos em 45:4 (“a quem vendestes”) (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).
    • Wenham concorda, rejeitando a ideia de que os Midianitas “roubaram” José sem o conhecimento dos irmãos (uma visão comum em exegeses críticas que tentam separar J e E) (Wenham, “Joseph Is Sold into Egypt”).

4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)

  • Gênesis 27: Hamilton e Steinmann enfatizam fortemente o paralelo da decepção. Jacó enganou Isaac com peles de cabrito (‘ōrōt hā‛izzîm); agora seus filhos o enganam com o sangue de um bode (śe‘îr ‘izzîm) na túnica. O enganador é enganado pelo mesmo meio (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”; Steinmann, “22. THE FAMILY OF JACOB”).
  • Levítico 27:5: Hamilton conecta o preço de 20 siclos à tabela de votos do santuário para um homem jovem (Hamilton, “IV. THE JOSEPH STORY”).

5. Consenso Mínimo

  • Há consenso absoluto de que a venda de José para o Egito, embora motivada pela maldade humana, serve como o mecanismo inicial para o cumprimento geográfico dos sonhos de José e a preservação da família (providência).