Texto Interlinear (Hebraico/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Gênesis 36
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
Wenham, G. J. (1987). Genesis. Word Biblical Commentary (WBC). Thomas Nelson. Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Eerdmans. Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). InterVarsity Press.
Análise dos Autores
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Autor A: Wenham (WBC)
- Lente Teológica: Crítico-Histórica moderada com sensibilidade à Teologia Bíblica e à forma final do texto. Wenham foca na estrutura redacional e na função teológica das genealogias dentro do cânon.
- Metodologia: Realiza uma análise detalhada da crítica das fontes (discutindo as camadas P e inserções posteriores) e crítica da forma. Ele investiga a etimologia dos nomes edomitas e horitas, e compara as listas genealógicas com dados arqueológicos e históricos, ponderando sobre a datação do texto final (possivelmente davídica).
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Autor B: Steinmann (TOTC)
- Lente Teológica: Confessional e Cristocêntrica. Steinmann lê o texto com uma hermenêutica de “promessa e cumprimento”, focando na antítese entre a linha messiânica (Jacó) e a linha rejeitada (Esaú).
- Metodologia: Adota uma abordagem de crítica narrativa e teológica. Ele tende a harmonizar as discrepâncias dos nomes das esposas de Esaú e busca extrair lições morais e espirituais (a falta de fé de Esaú) diretamente do texto, evitando especulações complexas sobre fontes documentais.
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Autor C: Hamilton (NICOT)
- Lente Teológica: Evangélica conservadora com ênfase na estrutura literária.
- Metodologia: O autor foca na análise literária dos ciclos narrativos. Nota: Nos excertos fornecidos, o texto exegético específico de Hamilton sobre o capítulo 36 é escasso, limitando-se à estrutura macro do ciclo de Isaque/Jacó, enquanto a análise detalhada versículo a versículo não está presente nos arquivos.
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de Wenham (WBC): O capítulo funciona como um reconhecimento da relação fraternal entre Israel e Edom, onde a inclusão da história de Esaú valida o cumprimento parcial das promessas divinas a Abraão, antecipando a futura incorporação das nações ao povo de Deus.
- Argumento expandido: Wenham argumenta que a estrutura de Tôlĕdôt (história da família) segue o padrão de apresentar a linhagem não eleita (Esaú) antes da eleita (Jacó), mas sugere que a seção 36:9–43 pode ser uma inserção posterior, possivelmente da época de Davi, refletindo a subjugação de Edom (Wenham, “The Family History of Esau”). Ele destaca que a genealogia prova que “Esaú tornou-se uma nação”, cumprindo a promessa feita a Rebeca, e que a lista de reis edomitas que reinaram “antes que houvesse rei em Israel” (Gn 36:31) demonstra que “o mais velho serviu ao mais novo” ao ser incorporado ao império davídico (Wenham, “Explanation”). Wenham vê nas listas uma justaposição teológica: a rejeição presente de Esaú e sua “reincorporação final ao povo de Deus” (Wenham, “Explanation”).
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Tese de Steinmann (TOTC): O registro genealógico de Esaú serve como um contraste teológico negativo, demonstrando como o desprezo de Esaú pela primogenitura resultou em sua saída da Terra Prometida e na assimilação pagã, preparando o palco para a preservação da linhagem messiânica através de Jacó.
- Argumento expandido: Steinmann enfatiza a geografia teológica: a mudança de Esaú para Seir é atribuída ao seu desejo de se afastar de Jacó e da terra da promessa, comparável à separação de Ló e Abraão (Steinmann, “Comment 6-7”). Ele argumenta que a lista de reis de Edom serve para justificar a profecia de Isaque de que Esaú viveria pela espada, mas que, em última análise, “é o povo de Deus que reinará sobre o mundo”, tornando a conquista de Edom por Davi uma antevisão do reino futuro (Steinmann, “Meaning”). Steinmann também observa a ironia de que, embora Esaú tivesse reis muito antes de Israel, sua linhagem está fora da aliança, tratando a seção como um interlúdio necessário antes de retornar à “linha principal de descendência” em Gênesis 37 (Steinmann, “Context”).
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Tese de Hamilton (NICOT): A história de Esaú (Gênesis 36) é estruturalmente posicionada para encerrar o “Ciclo de Isaque/Jacó”, equilibrando a narrativa dos filhos de Isaque antes de iniciar a história exclusiva de José e seus irmãos.
- Argumento expandido: Hamilton identifica a estrutura literária maior, observando que “a história dos filhos de Isaque se espalha por 25:19-36:43”, com uma divisão clara onde o bloco final (36:1-43) é dado a Esaú, enquanto o bloco anterior (25:19-35:29) foi dedicado a Jacó (Hamilton, “III. THE ISAAC/JACOB CYCLE”). Embora o comentário detalhado do capítulo não esteja disponível nas fontes, a ênfase de Hamilton recai sobre a simetria narrativa onde a Tôlĕdôt de Esaú encerra uma seção principal, permitindo que a narrativa foque exclusivamente na eleição divina na próxima seção.
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de Wenham (WBC) | Visão de Steinmann (TOTC) | Visão de Hamilton (NICOT)* |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo | ’allûp (Chefe/Líder). Define como líder de um ’elep (clã/milhar), rejeitando a tradução simples de “clã” e associando ao termo ugarítico ulp (Wenham, “Comment 15–19”). | Horites (Horitas). Argumenta que são um povo semita, rejeitando a identificação acadêmica do séc. XX com os Hurritas (indo-europeus), baseando-se na onomástica semítica da lista (Steinmann, “B. Seir’s sons”). | Tôlĕdôt (História das Gerações). Enfatiza a estrutura literária onde a história de Esaú (36:1-43) encerra formalmente o “Ciclo de Isaque/Jacó” antes de iniciar a história de José (Hamilton, “III. THE ISAAC/JACOB CYCLE”). |
| Problema Central do Texto | A duplicidade do cabeçalho tôlĕdôt (v. 1 e v. 9) e a lista de reis “antes que houvesse rei em Israel” (v. 31), indicando heterogeneidade de fontes e redação posterior. | A inconsistência dos nomes das esposas de Esaú comparados a Gênesis 26 e 28, e a implicação teológica da mudança geográfica de Esaú para Seir. | A transição narrativa. Como a narrativa descarta a linhagem não-eleita para focar exclusivamente na eleita, seguindo o padrão de Ismael/Isaque (baseado na estrutura do esboço fornecido). |
| Resolução Teológica | Propõe que 36:9–43 é uma inserção posterior (possivelmente da era de Davi) para refletir a incorporação política de Edom ao império israelita, sem rancor, reconhecendo a consanguinidade (Wenham, “Explanation”). | Harmoniza os nomes das esposas (apelidos ou novos casamentos) e interpreta a mudança para Seir como o abandono voluntário da primogenitura e da fé, contrastando com a permanência de Jacó em Canaã (Steinmann, “Meaning”). | Resolve-se na estrutura: a genealogia serve como um “colofão” ou fechamento necessário do ciclo anterior, permitindo que a narrativa avance para o “Ciclo de José” (37:1) sem pontas soltas. |
| Tom/Estilo | Crítico-Redacional. Foca na estratificação do texto, análise filológica de nomes e datas de composição. | Teológico-Harmonístico. Defende a coerência interna do texto e extrai lições morais sobre a eleição e a rejeição da aliança. | Literário-Estrutural. (Nota: Os excertos fornecidos para Hamilton carecem de exegese detalhada do cap. 36, focando na macroestrutura). |
*Nota sobre Hamilton: A análise baseia-se na estrutura de tópicos fornecida nos metadados e introduções de seção, pois o texto exegético detalhado do capítulo 36 não consta nos excertos.
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Wenham (WBC). É insuperável na análise dos dados brutos, oferecendo detalhes sobre a etimologia dos nomes edomitas e horitas, a geografia de Seir e as conexões com listas reais do Antigo Oriente Próximo. Sua discussão sobre a datação da lista de reis (possivelmente davídica) fornece o melhor Sitz im Leben histórico para a forma final do texto.
- Melhor para Teologia: Steinmann (TOTC). Enquanto Wenham foca na redação, Steinmann extrai o significado teológico do movimento geográfico. Ele articula claramente como a genealogia demonstra o cumprimento das profecias de Isaque (Esaú vivendo pela espada) e estabelece um contraste espiritual vital: Esaú busca prosperidade imediata em Seir, enquanto Jacó herda a promessa em Canaã.
- Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 36, deve-se utilizar a estrutura literária de Hamilton para situar o capítulo como o fechamento do ciclo de rivalidade fraternal, preenchendo o conteúdo com a análise histórica de Wenham para entender a formação das listas genealógicas e reais. Finalmente, a leitura teológica de Steinmann é essencial para pregar ou ensinar o texto, pois ela conecta a aridez das listas de nomes à doutrina da Eleição Divina e à preservação da linhagem messiânica em contraste com a secularização de Edom. O capítulo, portanto, não é apenas um arquivo morto, mas um testemunho da Fidelidade da Aliança de Deus para com Abraão, abençoando até mesmo a linhagem não escolhida (Esaú), enquanto prepara o palco para a história da redenção através de Jacó.
Toledot, Edom, Eleição Divina e Crítica das Fontes são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: Versículos 1-8 (A Família de Esaú e a Migração)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Tôlĕdôt (תּוֹלְדֹת): Ambos os autores reconhecem este termo como o marcador estrutural padrão de Gênesis.
- Wenham destaca a anomalia da repetição deste título em 36:1 e 36:9, sugerindo que 36:9-43 pode ser uma inserção posterior no livro, enquanto 36:1-8 formava a “história da família” original e mais breve (Wenham, “Form/Structure/Setting”).
- Steinmann observa que esta é a mais curta das seções principais de tôlĕdôt em Gênesis e serve para contrastar a linhagem não eleita antes de passar para a eleita (Steinmann, “Context”).
- Nomes das Esposas:
- O Problema: Os nomes em Gênesis 36 (Ada, Oolibama, Basemate) diferem de Gênesis 26:34 e 28:9 (Judite, Basemate, Maalate).
- Wenham vê isso como evidência de “diferentes tradições” que não foram harmonizadas por um redator, sugerindo que os nomes podem ter mudado ou Esau teve mais esposas (Wenham, “Comment 2-5”).
- Steinmann propõe uma harmonização: Basemate (Gen 26) poderia ser um apelido para Ada (Gen 36); e sugere que Esau pode ter tomado uma quarta esposa (Oolibama) após a morte de uma anterior sem filhos, totalizando quatro esposas como Jacó (Steinmann, “Context”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (WBC): Nota que o vocabulário descrevendo a mudança de Esaú (v. 6-8) — “tomou suas esposas… gado… bens que havia adquirido… e foi para uma terra” — ecoa deliberadamente a separação de Ló e Abrão em Gênesis 13:6. Para Wenham, isso marca Esaú saindo da “história da salvação” assim como Ló (Wenham, “Comment 6-8”).
- Steinmann (TOTC): Destaca a geografia teológica: a lista de pessoas e bens enfatiza que Esau levou “tudo” o que era seu para Seir, indicando um abandono total da terra da promessa. Ele interpreta a mudança para Seir como uma confirmação de que Esau “desprezou sua primogenitura” (Steinmann, “Meaning”).
- Hamilton (NICOT): [Nota: O texto exegético detalhado de Hamilton sobre Gênesis 36 não consta nos arquivos fornecidos, limitando-se aos títulos estruturais.]
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Identidade de Oolibama:
- Wenham sugere que o nome Oholibamah pode ser de origem hurrita ou o nome de uma divindade da Anatólia, notando a complexidade de sua genealogia (“filha de Aná, filha de Zibeão”) (Wenham, “Comment 2”).
- Steinmann foca na distinção entre os vários “Anás” no texto para clarificar a linhagem de Oolibama, argumentando que ela é neta de Zibeão e filha de Aná (o irmão de Zibeão, não o filho), tentando resolver a aparente confusão genealógica sem recorrer a divindades (Steinmann, “Comment 2-3”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Wenham identifica um paralelo estrutural com Gênesis 13:6 (“a terra não podia sustentá-los”), sugerindo que o autor moldou a partida de Esaú para espelhar a de Ló, ambos saindo devido ao excesso de riqueza que impedia a coabitação (Wenham, “Comment 6-8”).
- Steinmann conecta a lista de descendentes a 1 Crônicas 1, notando onde o Cronista abrevia ou altera grafias (ex: Alvã vs. Aliã), usando o texto posterior para esclarecer variantes textuais (Steinmann, “Comment 23”).
5. Consenso Mínimo
- Esaú estabeleceu-se permanentemente na região montanhosa de Seir, e seus casamentos com mulheres cananéias (ou filhas de Ismael) solidificaram sua separação da linhagem da aliança.
📖 Perícope: Versículos 9-19 (Filhos e Chefes de Edom)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- ’Allûp (אַלּוּף): Traduzido comumente como “Chefe” ou “Líder”.
- Wenham argumenta contra a tradução “clã”. Baseando-se no termo ugarítico ulp, ele insiste que significa o “líder” de um elep (milhar/clã). Ele nota que o termo é especificamente edomita (Ex 15:15), usado arcaicamente para a Judá em Zacarias (Wenham, “Comment 15-19”).
- Amaleque (Amalek):
- Wenham observa que Amaleque nasce de uma concubina (Timna), o que pode indicar um status inferior dessa tribo dentro da liga edomita, refletindo o desprezo posterior de Israel por este inimigo (Wenham, “Comment 12”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (WBC): Destaca a estrutura redacional meticulosa: a seção 9-43 é dividida em três partes, cada uma com uma lista de filhos seguida por uma lista de chefes. Ele sugere que isso não é uma compilação aleatória, mas um documento editado para mostrar a organização política (chefes) versus a linhagem biológica (filhos) (Wenham, “Form/Structure/Setting”).
- Steinmann (TOTC): Foca na onomástica (estudo dos nomes). Ele identifica significados teológicos ou descritivos para os netos de Esaú, como Reuel (“amigo de Deus”) e Elifaz (“Deus é ouro fino”), sugerindo que, apesar da apostasia, vestígios de piedade ou cultura semita permaneciam nos nomes (Steinmann, “Comment 4-5”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Status de Corá (Korah):
- O Texto: Corá aparece como filho de Oolibama (v. 18), mas também é listado entre os chefes filhos de Elifaz em algumas versões (v. 16).
- Wenham nota que o Pentateuco Samaritano omite Corá no v. 16, sugerindo que sua inclusão ali no Texto Massorético pode ser um erro de escriba ou uma glosa indicando que o clã de Corá foi assimilado por Elifaz. Ele afirma: “é certo que duas tribos não tinham o mesmo nome” (Wenham, “Comment 16”).
- Steinmann não problematiza a duplicação, tratando-a como parte da lista de chefes sem assumir erro, implicando que a estrutura do clã permitia tais sobreposições ou que o nome era comum (Steinmann, “Comment 4-5”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Ambos os autores conectam os nomes listados (Temã, Quenaz) a referências proféticas e históricas posteriores. Wenham cita Jeremias 49:7 para associar Temã à sabedoria edomita e Jó 2:11 para conectar Elifaz à tradição sapiencial (Wenham, “Comment 11”).
5. Consenso Mínimo
- A genealogia demonstra o cumprimento da promessa de Deus a Abraão de que “nações” e “reis” (vistos na próxima seção) viriam também de sua descendência, mesmo fora da linha de Isaque/Jacó.
📖 Perícope: Versículos 20-30 (Os Filhos de Seir, o Horita)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Horites (Horitas) vs. Hivites (Heveus):
- Steinmann rejeita enfaticamente a identificação dos Horitas bíblicos com os Hurritas (povo indo-europeu não-semita), argumentando que os nomes listados (Lotã, Sobal, Zibeão) são puramente semitas. Ele vê os Horitas como habitantes preexistentes de Seir que foram deslocados ou absorvidos por Esaú (Steinmann, “B. Seir’s sons”).
- Wenham concorda que estes Horitas não são os Hurritas históricos, citando a etimologia semita dos nomes. Ele menciona a visão antiga de que “Horita” significava “habitante das cavernas”, mas a considera incerta (Wenham, “Comment 20”).
- Yemim (v. 24):
- O Debate: Aná encontrou yemim no deserto.
- Wenham: Discute a tradução da Vulgata “fontes termais” versus a tradição judaica de “mulas” (híbridos proibidos). Ele prefere “fontes” (ou água), sugerindo uma metatese de mayim (água), mas reconhece a dificuldade (Wenham, “Comment 24”).
- Steinmann: Adota “fontes termais” (hot springs) sem muita hesitação, notando que isso distingue este Aná de seu tio homônimo (Steinmann, “Comment 24”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (WBC): Analisa a estrutura social implícita. Ele observa que a lista de “chefes” (v. 29-30) é idêntica à lista de filhos (v. 20-21), diferentemente da lista de Esaú onde havia variações. Isso sugere uma estrutura tribal mais estática ou antiga entre os Horitas nativos antes da chegada dominadora de Esaú (Wenham, “Comment 20-30”).
- Steinmann (TOTC): Ressalta a função literária da lista: demonstrar quem eram os “habitantes da terra” (v. 20) que foram deslocados pelos edomitas, conforme confirmado mais tarde em Deuteronômio 2:12. Isso legitima a posse da terra por Edom como um paralelo à posse de Canaã por Israel (Steinmann, “B. Seir’s sons”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Relação com Gênesis 36:2: O texto diz que a esposa de Esaú, Oolibama, era filha de Aná, filho de Zibeão.
- Steinmann gasta tempo explicando a genealogia para evitar contradições: Aná (pai de Oolibama) é filho de Zibeão (v. 24), não o Aná irmão de Zibeão (v. 20). Ele vê o texto sendo cuidadoso em distinguir indivíduos com o mesmo nome (Steinmann, “Comment 24”).
- Wenham foca mais na possível corrupção textual entre “Horita” e “Heveu” no verso 2, sugerindo que Zibeão deveria ser lido como Horita em ambos os lugares para consistência (Wenham, “Notes 2.b”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Steinmann conecta a lista de nomes a clãs israelitas posteriores, notando que nomes como “Sobal” aparecem em 1 Crônicas 2 (Judá), sugerindo possível intercasamento ou fluidez onomástica entre os povos vizinhos (Steinmann, “Comment 23”).
5. Consenso Mínimo
- Os Horitas eram os habitantes indígenas de Seir, com uma estrutura de clãs organizada, que foram eventualmente subjugados ou integrados pelos descendentes de Esaú.
📖 Perícope: Versículos 31-43 (Os Reis de Edom)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- “Antes que reinasse rei sobre os filhos de Israel” (v. 31):
- Wenham admite que esta frase aponta para uma redação durante a monarquia israelita (possivelmente davídica). Ele rejeita a ideia de que sejam reis pré-mosaicos baseada apenas em Num 20:14, preferindo ver a lista como uma atualização arquivística após a conquista de Davi (Wenham, “Comment 31-39”).
- Steinmann concorda que a lista é provavelmente um “apêndice posterior” da época de Davi (c. 1000 a.C.), inserido para mostrar que a profecia de Isaque (Esaú viveria pela espada) se cumpriu na formação de um estado monárquico antes de Israel (Steinmann, “C. The kings of Edom”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (WBC): Observa a natureza não-dinástica da realeza edomita. Nenhum rei é filho do anterior, e a capital muda com cada rei. Ele compara isso ao período dos Juízes em Israel, sugerindo que eram líderes carismáticos ou eleitos, não uma monarquia hereditária estabelecida (Wenham, “Comment 31-39”).
- Steinmann (TOTC): Oferece uma datação específica para o início da monarquia edomita (c. 1096 a.C.), calculando retroativamente a partir de Davi. Ele também nota que o último rei, Hadade (v. 39), poderia ser o adversário de Salomão mencionado em 1 Reis 11, sugerindo uma continuidade histórica direta (Steinmann, “Comment 35, 39”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Identidade de Hadade (v. 35) vs. Hadar/Hadade (v. 39):
- Wenham discute a variante textual no v. 39 (Hadar no MT vs. Hadade no Samaritano/LXX). Ele prefere “Hadade”, o nome do deus da tempestade semita, sugerindo que o escriba confundiu as letras hebraicas dalet e resh (Wenham, “Notes 39.a”).
- Steinmann aceita a leitura “Hadade” para o oitavo rei e sugere que a menção detalhada de sua esposa e sogra (Meetabel, Matrede) pode indicar que a lista foi finalizada durante seu reinado, tornando-o contemporâneo do redator ou da fonte (Steinmann, “Comment 39”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Balaão e Beor: Ambos notam que o primeiro rei, “Belá, filho de Beor” (v. 32), tem um nome patronímico idêntico ao de Balaão (Num 22:5). Wenham adverte que isso é “insuficiente para provar identidade”, mas a coincidência é notável (Wenham, “Comment 32”).
- Jó: Steinmann conecta o rei “Jobabe” (v. 33) e a região de “Temã” (v. 34) ao contexto do livro de Jó, sugerindo que Uz (v. 28) era uma região em Edom, situando Jó neste ambiente cultural (Steinmann, “Comment 28, 33”).
5. Consenso Mínimo
- Edom desenvolveu uma monarquia funcional muito antes de Israel, mas era uma monarquia eletiva ou instável, sem sucessão dinástica clara, que eventualmente caiu sob o domínio de Israel conforme a profecia de Gênesis 25:23 (“o maior servirá ao menor”).