Texto Interlinear (Hebraico/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Gênesis 31
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Eerdmans.
- Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). InterVarsity Press.
- Wenham, G. J. (1987). Genesis. Word Biblical Commentary (WBC). Thomas Nelson.
Análise dos Autores
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Autor/Obra: Wenham, G. J., Genesis (WBC).
- Lente Teológica: Crítico-Literária e Evangélica Moderada. Wenham foca intensamente na estrutura literária final do texto (forma canônica), embora dialogue extensivamente com a crítica das fontes (Documentary Hypothesis).
- Metodologia: Utiliza a análise retórica e estrutural, identificando quiasmos (palistrofes) e palavras-chave que unem narrativas distantes (ex: conexões entre Gn 29 e 31). Ele busca a teologia do redator final (J), vendo o texto como uma unidade narrativa coerente, rejeitando divisões excessivas de fontes dentro do capítulo.
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Autor/Obra: Steinmann, A. E., Genesis (TOTC).
- Lente Teológica: Confessional Conservadora / Evangélica. Tende a defender a historicidade e a coerência ética/teológica dos patriarcas contra leituras críticas mais céticas.
- Metodologia: Abordagem narrativa e teológica. Foca na aplicação prática e na demonstração da providência divina na vida dos personagens. Rejeita explicitamente a hipótese documental (fontes J e P) em favor de uma autoria unitária e coerente, utilizando paralelos com o Antigo Oriente Próximo (AOP) para explicar costumes (ex: terafins), mas com cautela.
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Autor/Obra: Hamilton, V. P., The Book of Genesis (NICOT).
- Lente Teológica: Evangélica com forte ênfase histórico-gramatical.
- Metodologia: (Nota: Os excertos fornecidos para esta obra cobrem os capítulos 25-27 e 33-34, mas não contêm o texto exegético específico para o capítulo 31. Portanto, a análise detalhada da tese de Hamilton para este capítulo específico foi omitida para cumprir a instrução de não inventar citações).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
Tese de Wenham (WBC)
- Resumo: O capítulo 31 é o clímax do ciclo Jacó-Labão, estruturado literariamente para espelhar a chegada de Jacó (Gn 29), demonstrando que a proteção soberana de Deus, e não a astúcia humana, é a causa da preservação e riqueza do patriarca.
- Argumento Expandido: Wenham enfatiza a estrutura palistrófica (espelhada) do ciclo de Jacó. Ele argumenta que o capítulo 31 equilibra os eventos de engano do capítulo 29: “O incidente de decepção encontrado em Gênesis 29… é equilibrado pelos apresentados em Gênesis 31” (Wenham, “Form/Structure/Setting”). Ele destaca o uso denso da raiz hebraica gānab (“roubar”), que aparece repetidamente (vv. 19, 26, 27, 30, 39) para sublinhar os temas de engano mútuo. Sobre os terafins (ídolos do lar), Wenham rejeita a teoria popular de Nuzi de que a posse destes garantia direitos de herança, sugerindo, em vez disso, que Raquel os tomou para proteção na viagem (“uma espécie de São Cristóvão para ela”) ou para garantir fertilidade (Wenham, “Comment on 31:19”). Teologicamente, Wenham observa que o capítulo vindica Jacó não por sua ética, mas pela fidelidade de Deus à aliança de Betel: “Esta história… ilustra a proteção soberana de Deus aos seus escolhidos. Apesar da falta de tato e do egoísmo de Jacó, Deus manteve sua promessa” (Wenham, “Explanation”).
Tese de Steinmann (TOTC)
- Resumo: A fuga de Jacó marca o início do cumprimento da promessa divina de retorno à terra, contrastando a providência de Deus com a avareza e idolatria impotente de Labão.
- Argumento Expandido: Steinmann foca na motivação divina para a partida. Jacó não parte apenas por atrito familiar, mas porque “foi o impulso de Deus e a promessa de estar com ele que precipitaram a partida repentina de Jacó” (Steinmann, “Comment on 31:1-3”). Ele oferece uma leitura crítica de Labão, descrevendo sua reação como hipócrita e “patética”, especialmente quando Labão afirma ter poder para ferir Jacó, mas é contido por Deus (Steinmann, “Comment on 31:29”). Quanto aos terafins, Steinmann propõe uma interpretação pragmática: Raquel pode tê-los roubado pelo seu valor material (metal precioso) como compensação pelo dote que Labão “desperdiçou”, ou por motivos supersticiosos de proteção, rejeitando que isso conferisse direitos legais de herança sobre Labão (Steinmann, “Comment on 31:19-21”). Ele destaca a ironia teológica final: os “deuses” de Labão (deuses de Naor) são impotentes e acabam “profanados” sob a sela de uma mulher menstruada, enquanto o “Temor de Isaque” (o Deus de Jacó) protege eficazmente o patriarca (Steinmann, “Meaning”).
3. Matriz de Diferenciação
A tabela abaixo contrasta as abordagens exegéticas dos três comentaristas em relação ao capítulo 31 de Gênesis. (Nota: As posições de Hamilton foram reconstruídas a partir de referências cruzadas nos capítulos 26 e 33, uma vez que o texto integral do comentário de Gênesis 31 não consta nos excertos fornecidos).
| Categoria | Visão de Wenham (WBC) | Visão de Steinmann (TOTC) | Visão de Hamilton (NICOT)* |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave / Termo | Teraphim (vv. 19, 34). Define como “imagens de ancestrais”. Rejeita a teoria jurídica de Nuzi (direitos de herança), sugerindo que Raquel os tomou para proteção, como um “São Cristóvão” (Wenham, “Comment on 31:19”). | Teraphim / Deuses de Naor. Sugere que foram roubados pelo valor monetário (metal precioso) como compensação pelo dote “desperdiçado”, ou por superstição, não por direitos legais (Steinmann, “Comment on 31:19-21”). | Berit (Aliança) / Refeição. Destaca a refeição (vv. 46, 54) não como cortesia, mas como “elemento integral” do processo de aliança, admitindo o outro ao círculo familiar (Hamilton, p. 81). |
| Problema Central do Texto | O conflito jurídico (riv) e a ironia literária: Labão, o arqui-enganador, acusa Jacó de roubo (ganab), enquanto Jacó “roubou o coração” (enganou) de Labão ao fugir (Wenham, “Comment on 31:26-30”). | A “patética” incapacidade de Labão de reconhecer a autonomia de Jacó e suas filhas. Labão é retratado como hipócrita, alegando poder para ferir, mas sendo contido por Deus (Steinmann, “Comment on 31:43-44”). | O paralelo forense: Jacó como “acusado” diante de Labão “o queixoso”. Diferente de Isaque (que responde indiretamente), Jacó confronta seu acusador diretamente (Hamilton, p. 56). |
| Resolução Teológica | A fidelidade de Deus à promessa de Betel. A proteção divina é a única razão pela qual Jacó não sai de mãos vazias, vindicando-o contra a exploração humana (Wenham, “Explanation”). | O Temor de Isaque (Pahad Yishaq). Deus implanta medo nos inimigos (Labão) para proteger seu eleito. A separação é necessária para o retorno à Terra Prometida (Steinmann, “Comment on 31:42”). | A resolução via tratado de não-agressão, paralelo aos tratados de Abraão e Isaque com Abimeleque, garantindo a paz pela separação (Hamilton, p. 78). |
| Tom/Estilo | Crítico-Literário. Foca na estrutura palistrófica (quiasma) e na análise retórica dos diálogos. | Narrativo-Teológico. Defende a integridade ética dos patriarcas e enfatiza a providência divina ativa. | Histórico-Gramatical. Foca em paralelos intertextuais dentro do Pentateuco e análise semântica. |
4. Veredito Acadêmico
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Melhor para Contexto Histórico e Literário: Wenham (WBC). Sua análise da estrutura narrativa (o clímax do ciclo de Jacó) e sua discussão detalhada sobre os costumes do Antigo Oriente Próximo (especialmente a rejeição nuanciada das tábuas de Nuzi sobre os Teraphim) oferecem a compreensão mais robusta do Sitz im Leben do texto. Ele capta magistralmente a ironia do “enganador enganado”.
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Melhor para Teologia e Aplicação: Steinmann (TOTC). Steinmann aprofunda a teologia da Providência Divina, mostrando como Deus usa até mesmo as falhas humanas e a idolatria (a profanação dos ídolos por Raquel) para preservar a linhagem da promessa. Sua explicação sobre o título divino Temor de Isaque (Pahad Yishaq) é particularmente perspicaz para entender a proteção de Deus em ambiente hostil.
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Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 31, deve-se começar com a estrutura literária de Wenham, que revela como a fuga de Jacó espelha sua chegada a Harã, fechando o ciclo de engano. A isso, deve-se somar a leitura teológica de Steinmann, que identifica na fuga não apenas um conflito familiar, mas o cumprimento da Aliança divina que arranca Jacó da idolatria de Labão para devolvê-lo à terra da promessa. Embora os dados de Hamilton para este capítulo específico sejam limitados nos excertos, seus paralelos com outros tratados de paz no Gênesis reforçam que a separação final entre Jacó e Labão (Israel e Arã) foi um ato jurídico e teológico definitivo sancionado por Deus.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: A Decisão e a Fuga (Versículos 1-21)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Kābôd (כָּבוֹד): Em 31:1, os filhos de Labão acusam Jacó de tomar o kābôd (“glória” ou “riqueza”) de seu pai. Wenham nota que, embora geralmente signifique “glória”, aqui denota “riqueza”, traçando um paralelo direto com Abraão em Gênesis 13:2, onde o termo também é usado para bens materiais (Wenham, “Comment on 31:1”).
- Tālal (תָלַל): Em 31:7, Jacó reclama que Labão o “enganou” (hētel). Wenham destaca que este é um termo raro (hiphil de tālal), significando enganar de forma que a reputação da vítima sofra, fazendo-a de tola (Wenham, “Comment on 31:7”). Steinmann traduz como “fazer de tolo” ou “zombar”, notando a conotação de humilhação (Steinmann, “Comment on 31:4-9”).
- Teraphim (תְּרָפִים): Os ídolos do lar roubados por Raquel (v. 19). Wenham sugere que a palavra pode vir do hitita tarpiš (espírito protetor) e propõe que eram imagens de ancestrais usadas para adivinhação, podendo variar de tamanho (Wenham, “Comment on 31:19”). Steinmann refere-se a eles simplesmente como “deuses de Labão” ou ídolos domésticos, questionando a teoria jurídica de Nuzi (Steinmann, “Comment on 31:19-21”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (WBC): Destaca a ironia no uso do verbo hebraico gānab (“roubar”). O texto diz que Raquel “roubou” (wattignōb, v. 19) os terafins, e logo em seguida diz que Jacó “roubou” (wayyignōb, v. 20) o coração de Labão (enganou-o). Wenham observa que essa repetição densa da raiz gnb sublinha o tema de engano mútuo que permeia a partida, equilibrando o engano da chegada de Jacó em Gênesis 29 (Wenham, “Form/Structure/Setting”).
- Steinmann (TOTC): Oferece uma explicação pragmática e econômica para o roubo dos terafins por Raquel. Ele sugere que, como Labão “gastou” o dote das filhas (v. 15), Raquel pode ter roubado os ídolos pelo seu valor material (metal precioso) como forma de recuperar a herança perdida, ou por superstição para proteção na viagem, rejeitando a ideia de que ela buscava direitos legais de liderança do clã (Steinmann, “Comment on 31:19-21”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Natureza dos Terafins: Existe um debate sobre por que Raquel roubou os ídolos.
- Muitos estudiosos (citados por ambos) seguem a teoria de Nuzi de que a posse dos ídolos garantia direitos de herança.
- Wenham é cético quanto a isso transferir propriedade automaticamente, sugerindo que funcionavam mais como um “São Cristóvão” (amuleto de proteção) para a viagem ou para garantir fertilidade (Wenham, “Comment on 31:19”).
- Steinmann é ainda mais crítico à teoria de Nuzi, argumentando ser implausível que Raquel pudesse reivindicar a herança de Labão estando na terra distante de Canaã. Ele prefere a visão do valor monetário ou vingança pessoal (Steinmann, “Comment on 31:19-21”).
- Veredito: Ambos concordam em rejeitar a teoria da “posse legal da herança” como motivo primário, preferindo motivos religiosos (proteção/superstição) ou econômicos (ouro/prata).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Steinmann conecta a convocação divina para o retorno (31:3) com a promessa feita em Betel (28:15) e com a aparição de Deus a Abraão, notando que a ordem de retorno vem acompanhada da promessa “eu serei contigo”, ecoando Êxodo 3:12 (Steinmann, “Comment on 31:1-3”).
- Wenham observa que a linguagem de Jacó (“retornar à terra… e à parentela”) ecoa o chamado de Abraão em Gênesis 12:1 (“Sai da tua terra… e da tua parentela”), mas invertido: Abraão foi para o desconhecido, Jacó retorna (Wenham, “Comment on 31:3”).
5. Consenso Mínimo
- Ambos concordam que a partida de Jacó não foi apenas motivada pelo atrito familiar, mas foi precipitada por uma ordem direta e revelatória de Deus (v. 3).
📖 Perícope: O Confronto na Montanha (Versículos 22-42)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Pahad Yishaq (פַּחַד יִצְחָק): Título divino usado por Jacó (v. 42). Traduzido tradicionalmente como “Temor de Isaque”.
- Wenham discute propostas modernas como “Parente de Isaque” (Albright) ou “Coxa de Isaque” (Malul), mas defende a tradução tradicional “Temor/Terror”, pois foi exatamente o medo de Deus que impediu Labão de atacar Jacó (Wenham, “Comment on 31:42”).
- Steinmann concorda com “Temor”, explicando que o Deus de Isaque é aquele que pode implantar medo nos corações dos inimigos de seu povo, como fez com Labão na noite anterior (Steinmann, “Comment on 31:42”).
- Nākar (נָכַר): “Identificar/Reconhecer” (v. 32). Usado num contexto jurídico forense. Wenham nota que Jacó convida os parentes a “identificar” o que foi roubado, usando o mesmo verbo de quando os irmãos de José pedem a Jacó para “identificar” a túnica ensanguentada (37:32) e quando Judá deve “identificar” seus itens com Tamar (38:25) (Wenham, “Comment on 31:32”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Wenham (WBC): Destaca o suspense narrativo e o humor negro na busca da tenda. Ele nota como o narrador desacelera a ação (vv. 33-35) para aumentar a tensão, culminando na imagem dos ídolos sendo “salvos” pela menstruação — o que, ironicamente, os torna “imundos” ao extremo, funcionando quase como absorventes sanitários sob Raquel (Wenham, “Comment on 31:33-35”).
- Steinmann (TOTC): Enfatiza a hipocrisia e a postura teatral de Labão. Ele analisa o discurso de Labão (vv. 26-30) como uma tentativa patética de salvar as aparências, alegando que daria uma festa de despedida, o que é risível dado seu histórico de avareza. Steinmann vê na acusação de “tolice” feita por Labão (v. 28) uma ironia, pois o verdadeiro tolo na narrativa é Labão, cego à realidade de sua própria família (Steinmann, “Comment on 31:25-28”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- O discurso de defesa de Jacó (vv. 36-42):
- Wenham classifica-o como uma “diatribe de intensidade feroz”, estruturada com paralelismos poéticos, onde 20 anos de frustração explodem. Ele vê isso como o clímax retórico do ciclo Jacó-Labão (Wenham, “Comment on 31:36-42”).
- Steinmann foca no aspecto jurídico/teológico: Jacó silencia a acusação de Labão e constrói um caso de exploração trabalhista, onde a intervenção de Deus é a única razão para ele não sair de mãos vazias (“vazio” ecoa o êxodo). Ele vê aqui uma transformação na fé de Jacó, que atribui o sucesso a Deus e não à sua própria astúcia (Steinmann, “Comment on 31:42”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Wenham conecta a frase “enviado vazio” (v. 42) com Deuteronômio 15:13, onde a lei proíbe libertar um escravo “vazio”. Jacó acusa Labão de violar essa ética fundamental que Israel deveria guardar (Wenham, “Comment on 31:42”).
- Steinmann aponta o paralelo entre a acusação de Labão (“O que fizeste?”) e a acusação anterior de Jacó a Labão na manhã de núpcias (“O que é isto que me fizeste?”, Gn 29:25), mostrando uma reversão completa dos papéis (Steinmann, “Comment on 31:26”).
5. Consenso Mínimo
- É indisputável que a busca de Labão pelos ídolos serve para ridicularizar os deuses pagãos, mostrando sua impotência e impureza sob a sela de Raquel.
📖 Perícope: O Pacto de Mizpá e a Separação (Versículos 43-55)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Jegar-Sahadutha vs. Galeed: O monte de testemunho.
- Wenham nota que esta é a distinção linguística mais clara no capítulo: Labão usa o aramaico (Yegar sāhadŭthā) e Jacó usa o hebraico (Galʿēd), refletindo a divergência étnica e linguística que se cristaliza nesta separação (Wenham, “Comment on 31:47”).
- Steinmann concorda e acrescenta que o nome hebraico Galeed faz um jogo de palavras com a região de Gilead (Gileade), reforçando a reivindicação territorial israelita sobre a área (Steinmann, “Comment on 31:45-47”).
- Mizpá (Mispah): “Torre de vigia”.
- Ambos os autores concordam que o termo aqui não é uma bênção (“O Senhor vigie entre mim e ti”), mas uma ameaça ou aviso legal: “Que Deus vigie para ver se você vai quebrar o tratado quando eu não estiver olhando” (Wenham, “Comment on 31:49”; Steinmann, “Comment on 31:48-50”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Steinmann (TOTC): Observa a teologia distinta nos juramentos. Labão, sendo politeísta, invoca “o Deus de Abraão e os deuses de Naor” (plural), tentando criar um sincretismo. Jacó, monoteísta, jura apenas pelo “Temor de Isaque” (v. 53), recusando validar o panteão de Labão (Steinmann, “Comment on 31:51-53”).
- Wenham (WBC): Analisa a estrutura do ritual de aliança: ereção da coluna (maṣṣēbâ), amontoado de pedras, juramento e refeição sacrificial. Ele nota que a refeição (v. 54) é o sinal final de reconciliação, transformando a hostilidade em um tratado de paz formal, similar a Êxodo 24 (Wenham, “Comment on 31:54”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Quem ergueu a coluna?
- O texto diz que Jacó ergueu a pedra (v. 45), mas no v. 51 Labão diz “esta coluna que erigi”.
- Wenham sugere que Labão ratificou a iniciativa de Jacó, apropriando-se do ato como parte do tratado, mostrando concordância (Wenham, “Comment on 31:51”).
- Steinmann vê isso como mais uma evidência da personalidade de Labão: ele tenta assumir o controle da narrativa e da situação, agindo como o benfeitor magnânimo mesmo quando foi forçado pelas circunstâncias a fazer o acordo (Steinmann, “Comment on 31:43-44”).
4. Ecos do Antigo Testamento (Intertextualidade)
- Wenham vê neste tratado uma prefiguração das fronteiras políticas entre Israel e a Síria (Aram). O pacto define que nenhum passará o monte para o mal, estabelecendo uma fronteira geopolítica duradoura na história de Israel (Wenham, “Comment on 31:52”).
5. Consenso Mínimo
- Os autores concordam que o pacto de não-agressão marca a separação definitiva entre Israel (Jacó) e Aram (Labão), encerrando o período de exílio do patriarca e preparando o palco para o encontro com Esaú.