Texto Interlinear (Hebraico/Inglês - BibleHub)
Análise Comparativa: Gênesis 26
1. Mapeamento Hermenêutico das Fontes
- Hamilton, V. P. (1990). The Book of Genesis: Chapters 18-50. New International Commentary on the Old Testament (NICOT). Eerdmans.
- Steinmann, A. E. (2019). Genesis. Tyndale Old Testament Commentaries (TOTC). InterVarsity Press.
- Wenham, G. J. (1987). Genesis 16-50. Word Biblical Commentary (WBC). Thomas Nelson.
Análise dos Autores
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Autor A: Victor P. Hamilton (NICOT)
- Lente Teológica: Evangélica Conservadora com forte rigor acadêmico filológico.
- Metodologia: Adota uma abordagem de Exegese Histórico-Gramatical, focando intensamente na sintaxe hebraica, etimologia e paralelos do Antigo Oriente Próximo (como textos de Nuzi e Mari). Ele analisa a estrutura literária, observando como o capítulo 26 funciona como um interlúdio que reflete temas de engano e bênção divina, mas mantém um foco detalhado na análise versículo por versículo.
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Autor B: Andrew E. Steinmann (TOTC)
- Lente Teológica: Confessional (Luterana/Evangélica), com ênfase na unidade canônica e tipologia.
- Metodologia: Utiliza uma abordagem de Teologia Bíblica e Narrativa. Ele rejeita explicitamente a Hipótese Documentária (divisão em fontes J e P), tratando o texto como uma unidade literária coesa desenhada para ensinar sobre a graça divina. Seu foco está menos na filologia técnica e mais nas implicações teológicas do comportamento humano (pecado) versus a fidelidade de Deus.
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Autor C: Gordon J. Wenham (WBC)
- Lente Teológica: Crítica-Evangélica com ênfase em Análise Literária Estrutural.
- Metodologia: Ataca o texto através da Crítica da Forma e Análise Estrutural. Wenham é famoso por identificar estruturas quiásmicas (palistrofes). Ele vê Gênesis 26 não apenas como uma narrativa histórica, mas como um componente estrutural vital que liga os ciclos de Abraão e Jacó, servindo como um contraponto temático ao capítulo 34 (o incidente de Diná).
2. Tese Central e Ênfases (Síntese Executiva)
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Tese de Hamilton (NICOT): O capítulo funciona como uma ponte onde Isaac, embora repetindo os erros paternos de engano, torna-se o receptor legítimo da aliança divina, demonstrando que a bênção de Yahweh prevalece sobre a hostilidade humana.
- Argumento Expandido: Hamilton destaca a ironia de Isaac, o “decepador”, que mais tarde será enganado (Cap. 27). Ele observa que o capítulo “fornece uma ilustração pungente de uma reversão de fortunas para Isaac” (Hamilton, “NICOT_009…”). Ele enfatiza a teologia da presença divina, notando que a promessa “Eu estarei contigo” aparece aqui pela primeira vez nas narrativas patriarcais (Hamilton, “NICOT_009…”). Hamilton também foca na reconciliação política, sugerindo que o tratado com Abimeleque pode ser uma renovação do tratado de Abraão, e não meramente uma duplicata literária crítica.
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Tese de Steinmann (TOTC): Gênesis 26 retrata Isaac como o “verdadeiro filho de seu pai”, cuja vida espelha a de Abraão para ensinar que a graça de Deus é concedida a pecadores apesar de suas falhas morais, e não devido ao mérito.
- Argumento Expandido: Steinmann argumenta contra a visão crítica de que este é apenas um variante literário das histórias de Abraão. Ele vê a repetição (fome, engano da esposa-irmã, disputas por poços) como intencional para mostrar a continuidade da promessa. Para ele, o texto demonstra que “o favor de Deus é dado apesar do terrível mau comportamento dessas pessoas para ensinar que a graça de Deus é dada livremente aos pecadores” (Steinmann, “TOTC_057…”). Ele destaca que a prosperidade de Isaac (colheita de cem por um) durante a fome é a prova final da fidelidade da aliança (Steinmann, “TOTC_057…”).
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Tese de Wenham (WBC): O capítulo é uma peça estrutural deliberada que “trava” os ciclos de Abraão e Jacó, contrastando o caráter pacífico e passivo de Isaac com a natureza conflituosa de seus filhos, servindo como um interlúdio teológico sobre a bênção em meio à hostilidade.
- Argumento Expandido: Wenham foca na macroestrutura. Ele identifica paralelos estruturais onde Gênesis 26 equilibra Gênesis 34 no ciclo de Jacó: ambos lidam com temas de engano e relações com os cananeus/filisteus (Wenham, “WBC_016…”). Ele argumenta que a posição do capítulo não é caprichosa, mas serve para convidar o leitor a “refletir sobre as semelhanças e diferenças entre as carreiras de Abraão e de Isaac” (Wenham, “WBC_016…”). A ênfase recai sobre como a promessa da terra e descendência é ratificada a Isaac, garantindo a continuidade da história da salvação.
3. Matriz de Diferenciação
| Categoria | Visão de Hamilton (NICOT) | Visão de Steinmann (TOTC) | Visão de Wenham (WBC) |
|---|---|---|---|
| Palavra-Chave/Termo Hebraico | ‘āšām (v. 10). Hamilton define não apenas como “culpa”, mas como “retribuição” ou responsabilidade por reparação, argumentando que a tradução padrão é fraca demais para o contexto jurídico do AOP (Hamilton, “NICOT_009…“). | šākan (v. 2). Destaca a instrução de “acampar” ou habitar, contrastando a obediência de Isaque em permanecer na terra durante a fome com a fuga de Abraão para o Egito (Steinmann, “TOTC_056…“). | mṣḥq (v. 8). Salienta o jogo de palavras (trocadilho) com o nome de Isaque (yiṣḥāq). Traduz como “brincando” ou intimidade conjugal, funcionando como uma chave literária para a descoberta da identidade (Wenham, “WBC_016…”). |
| Problema Central do Texto | A relação entre as narrativas de “esposa-irmã” (Gn 12, 20, 26). Para ele, o problema é histórico e jurídico: trata-se de uma renovação de tratado entre vassalos e suseranos, e não mera duplicação literária (Hamilton, “NICOT_009…”). | O problema moral da duplicidade do patriarca. Como Deus pode abençoar alguém que mente e coloca a esposa em risco? O foco está na tensão entre o caráter falho humano e a fidelidade divina (Steinmann, “TOTC_057…”). | A localização do capítulo no ciclo de Jacó. Para ele, o problema é estrutural: o capítulo parece um “apêndice deslocado” da história de Abraão, interrompendo o fluxo narrativo entre Gn 25 e 27 (Wenham, “WBC_016…”). |
| Resolução Teológica | Teologia da Presença. A solução é a promessa “Eu estarei contigo” (v. 3), que aparece aqui pela primeira vez aos patriarcas, garantindo proteção divina onde a astúcia humana falha (Hamilton, “NICOT_009…”). | Graça Imerecida. A resolução é que a bênção (cem por um na colheita) é dada apesar do mau comportamento, para ensinar que a eleição divina não depende de mérito moral, mas da promessa (Steinmann, “TOTC_057…”). | Tipologia e Estrutura. Resolve-se vendo o capítulo como um quiasma que equilibra Gn 34 (Diná). Teologicamente, a vida de Isaque prefigura o Êxodo e a posse da terra, reafirmando a continuidade da aliança (Wenham, “WBC_016…”). |
| Tom/Estilo | Filológico e Histórico. Foca em paralelos com Nuzi, sintaxe hebraica precisa e implicações jurídicas dos termos. | Confessional e Narrativo. Preocupa-se com a coerência interna da narrativa e a aplicação doutrinária da graça contra a crítica das fontes. | Literário-Estrutural. Foca na análise da forma, padrões quiásmicos e na função editorial do texto dentro do Pentateuco. |
4. Veredito Acadêmico
- Melhor para Contexto: Hamilton (NICOT). Ele fornece o background histórico mais robusto, especialmente ao conectar os termos jurídicos e costumes matrimoniais com paralelos do Antigo Oriente Próximo (textos de Nuzi e Mari), explicando a lógica por trás dos tratados e juramentos (Hamilton, “NICOT_009…”).
- Melhor para Teologia: Steinmann (TOTC). Embora Wenham seja forte em teologia bíblica, Steinmann aprofunda melhor a doutrina da graça e a soteriologia dentro da narrativa, confrontando diretamente a questão ética da mentira de Isaque e demonstrando como a providência divina opera soberanamente através de instrumentos humanos falhos (Steinmann, “TOTC_057…”).
- Síntese: Para uma compreensão holística de Gênesis 26, deve-se utilizar a estrutura de Wenham para entender a função do capítulo como um interlúdio que espelha os conflitos de Jacó (Wenham, “WBC_016…”), preenchendo essa estrutura com a análise filológica de Hamilton sobre os termos do tratado e a natureza da culpa (‘āšām) (Hamilton, “NICOT_009…”), e finalmente aplicando a lente teológica de Steinmann para perceber como a preservação de Isaque, apesar de sua “fome de verdade”, ratifica a aliança abraâmica baseada puramente na fidelidade eletiva de Yahweh (Steinmann, “TOTC_057…”).
Aliança Divina, Estrutura Quiásmica, Graça Imerecida e Proteção Providencial são conceitos chaves destacados na análise.
5. Exegese Comparada
📖 Perícope: A Fome e a Renovação da Promessa (Versículos 1-6)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- ‘ărāṣōt (terras): O uso do plural “estas terras” (hā’ărāṣōt) no versículo 3 e 4 é debatido. Steinmann nota que este plural é único entre as promessas patriarcais, sugerindo que a herança incluiria não apenas Canaã, mas também o território filisteu onde Isaac residia temporariamente (Steinmann, “The plural these lands…”). Hamilton observa que a promessa é condicional à obediência de permanecer na terra, usando o verbo šākan (acampar/habitar) em contraste com yāšaḇ (assentar-se), sugerindo uma residência temporária ou precária (Hamilton, “Three verbs are used…”).
- Mishmeret (mandato/obrigação): No versículo 5, a obediência de Abraão é descrita com termos legais. Hamilton aponta que mishmeret (mandato) é dividido em mandamentos, estatutos e leis, uma sequência que antecipa a linguagem deuteronômica (Hamilton, “keeping my mandate…”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Hamilton (NICOT): Destaca a estrutura da bênção. Diferente de Abraão, onde a promessa precedeu a bênção (Gn 12:2; 24:1), para Isaac a ordem é invertida: Deus abençoou Isaac (25:11) antes da articulação verbal da promessa “Eu te abençoarei” em 26:3. Ele argumenta que isso ocorre no contexto de luto e adversidade (fome) (Hamilton, “In the Abraham story…”).
- Steinmann (TOTC): Traz uma perspectiva agrícola única, notando que Isaac é o único patriarca descrito cultivando grãos, o que prepara o leitor para a colheita milagrosa no versículo 12 (Steinmann, “Isaac is the only one…”).
- Wenham (WBC): Foca na teologia do mérito derivado. Ele observa que, embora a promessa cite Gn 22:16-18, o mérito que Isaac herda não é baseado em sua própria obediência (sua disposição no sacrifício não é mencionada), mas exclusivamente na prontidão de seu pai Abraão em oferecê-lo (Wenham, “the merit Isaac inherits…”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- Relação com Gênesis 12 e 20:
- Wenham vê uma comparação literária deliberada: a fome e a proibição de ir ao Egito (v. 2) ecoam intencionalmente os “primeiros e últimos grandes testes da vida de Abraão” (Gn 12:1 e 22:2) para mostrar que Isaac deve seguir o pai espiritualmente, mas não geograficamente (Wenham, “Prohibited from following…”).
- Hamilton enfatiza a distinção histórica. Ele argumenta que o Abimeleque de Gênesis 26 não pode ser o mesmo de Gênesis 20 devido à cronologia (separados por pelo menos 75 anos), sugerindo que “Abimeleque” e “Ficol” podem ser nomes dinásticos ou títulos reais, como “Faraó” (Hamilton, “The Abimelech of ch. 20…”).
- Veredito: Hamilton apresenta o argumento histórico mais convincente para a distinção das personagens, enquanto Wenham domina a análise da função literária dos paralelos.
4. Ecos do Antigo Testamento
- Os autores concordam que Gênesis 26:5 (“porque Abraão obedeceu à minha voz…”) é um eco direto de Gênesis 22:18 (o Aqedah). Hamilton adiciona que a terminologia legal (mandamentos, estatutos) antecipa Deuteronômio 11:1 e 1 Reis 2:3, modelando Abraão como o protótipo da obediência à Torá (Hamilton, “close to the sequence…”).
5. Consenso Mínimo
- É indisputável que a fome serve como um teste de fé e que a proibição divina de ir ao Egito estabelece a condição para a bênção subsequente de Isaac na terra.
📖 Perícope: O Engano em Gerar (Versículos 7-11)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Mṣḥq (brincando/acariciando): No versículo 8, Abimeleque vê Isaac “brincando” com Rebeca.
- Hamilton nota que é a única vez que o Piel de ṣāḥaq tem conotação sexual explícita, traduzindo como “fondling” (acariciando), argumentando que se fosse apenas conversa, o rei não teria descoberto a verdade (Hamilton, “This verse may be the only…”).
- Wenham concorda que é um eufemismo para intimidade conjugal, mas destaca o trocadilho com o nome de Isaac (yiṣḥāq), conectando a identidade do patriarca (“aquele que ri”) com a revelação da verdade (Wenham, “play on Isaac’s name…”).
- Steinmann concorda com o jogo de palavras, traduzindo como “caressing” (acariciando) (Steinmann, “The verb caressing…”).
- ‘Āšām (culpa): No versículo 10, Abimeleque teme trazer ‘āšām sobre o povo.
- Hamilton argumenta que “culpa” é uma tradução muito fraca. Ele insiste em “retribuição” ou responsabilidade legal por reparação, citando paralelos em Jeremias 51:5 e Ezequiel 25:12 (Hamilton, “translation… by ‘guilt’… is too weak”).
- Wenham especifica que ‘āšām frequentemente denota a “oferta pela culpa” (Lv 5:15), um sacrifício custoso exigido para pecados sérios como adultério (Wenham, “denotes the guilt offering”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Hamilton (NICOT): Observa uma nuance gramatical na pena de morte. Deus, em Gn 20:7, usa a forma ativa (Qal) “morrerás”, implicando agência divina. Abimeleque, em Gn 26:11, usa a forma passiva causativa (Hophal) “será morto”, implicando execução humana/judicial (Hamilton, “God uses the Qal… Abimelech uses the Hophal”).
- Steinmann (TOTC): Destaca a ironia missiológica: Isaac foi chamado para ser uma bênção para as nações (26:4), mas através de seu engano, ele quase trouxe uma maldição e culpa sobre os filisteus (Steinmann, “Isaac was to be God’s instrument…”).
- Wenham (WBC): Foca na geografia do medo. Isaac teme os “homens do lugar” (anshey hammāqôm), termo vago que sugere que Isaac os via como uma quantidade moralmente desconhecida, esquecendo a promessa de proteção do versículo 3 (Wenham, “Isaac’s suspicions about them”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Natureza do Perigo:
- Hamilton sugere que o perigo para Rebeca era “mais imaginado do que real”, visto que eles viveram lá “muito tempo” sem incidentes antes da mentira ser descoberta (Hamilton, “danger to Rebekah was more imagined…”).
- Steinmann, contudo, argumenta que a desconfiança de Isaac não era infundada, dado o comportamento invejoso e contencioso subsequente dos filisteus (Steinmann, “assumption… is not without foundation”).
- Veredito: Steinmann oferece uma leitura mais integrada com o restante do capítulo, mostrando que a hostilidade filisteia era real, mesmo que a ameaça sexual imediata fosse exagerada por Isaac.
4. Ecos do Antigo Testamento
- Hamilton conecta a defesa da verdade por Abimeleque com o papel dos profetas posteriores (como Natã diante de Davi), onde a realeza gentia paradoxalmente age como a consciência moral do patriarca eleito (Hamilton, “Abimelech here is like the later prophets”).
5. Consenso Mínimo
- Os três concordam que Isaac repete o pecado de Abraão motivado pelo medo, e que a preservação da matriarca ocorre devido à intervenção providencial e à integridade do rei pagão, não pela astúcia de Isaac.
📖 Perícope: Conflito, Prosperidade e Aliança (Versículos 12-33)
1. Análise Filológica & Termos-Chave
- Ahuzzath e Phicol (v. 26):
- Hamilton e Steinmann notam que Ahuzzath parece um nome próprio, mas sua função é debatida. Hamilton, citando Safren, sugere uma conexão com o acadiano merhu (supervisor de pastagens), tornando Ahuzzath um título funcional ou oficial de polícia, e Phicol um título para comandante militar, similar a “Faraó” (Hamilton, “Ahuzzath… main civilian officer”).
- Wenham concorda com a conexão acadiana proposta por Safren, traduzindo merē‘a como “chefe de polícia” ou oficial que controla direitos de pastagem, o que se encaixa perfeitamente no contexto de disputas por poços (Wenham, “supervisor of the pastorages”).
- Hē‘āḥăzû (adquirir propriedade - v. 10/contexto geral): Steinmann nota o uso deste termo niphal imperativo na oferta de Hamor em Gn 34, mas conecta filologicamente ao verbo ’āhaz (agarrar) usado no nascimento de Jacó (25:26), sugerindo um tema recorrente de tomada de posse/poder (Steinmann, “acquire property…”).
2. A Lupa dos Comentaristas (Contribuições Exclusivas)
- Hamilton (NICOT): Oferece uma explicação detalhada sobre o vandalismo dos poços (v. 15). Ele explica que encher poços com terra não era apenas vandalismo, mas uma tática militar e territorial séria para impedir que forasteiros (Isaac) estabelecessem direitos de posse permanente, citando paralelos legais de Nuzi onde a posse da terra estava ligada ao uso da água (Hamilton, “Stopping them up…”).
- Steinmann (TOTC): Observa que a colheita de “cem por um” (v. 12) é o máximo que se poderia esperar na Palestina (cf. Mt 13:8), enfatizando o caráter miraculoso da bênção em tempo de fome (Steinmann, “harvest… was most likely the maximum”).
- Wenham (WBC): Analisa a estrutura do tratado de paz. Ele nota que a refeição (v. 30) ocorre depois das negociações, o que foge ao padrão oriental de hospitalidade (comer primeiro, negociar depois), indicando a profundidade da alienação que precisava ser superada antes de qualquer comunhão (Wenham, “Oriental hospitality should have dictated…”).
3. Fricção Interpretativa (O Debate)
- A Causa da Expulsão (v. 16):
- Hamilton: Argumenta que Abimeleque expulsa Isaac não pela mentira anterior, mas especificamente por sua prosperidade econômica (“tornaste-te muito mais poderoso que nós”). É o sucesso divino que torna Isaac persona non grata (Hamilton, “it is Isaac’s prosperity… that makes him persona non grata”).
- Wenham: Concorda, mas adiciona que a inveja (v. 14) é o motor emocional, comparando a linguagem de Abimeleque (“Afasta-te de nós”) com a do Faraó no Êxodo, vendo Isaac como um tipo de Israel no Egito (Wenham, “The Egyptian Pharaoh would later say…”).
- Veredito: Ambos concordam na causa (poder/inveja), mas Wenham aprofunda a tipologia do Êxodo de forma mais convincente.
4. Ecos do Antigo Testamento
- Tipologia do Êxodo: Wenham identifica forte tipologia: Isaac é “mais poderoso” (‘āṣam) que os locais (v. 16), termo usado em Êxodo 1:9 para descrever a ameaça israelita. A expulsão e a peregrinação em busca de água prefiguram a experiência nacional de Israel (Wenham, “looks to the experiences of Israel expelled from Egypt”).
- Salmos: Wenham sugere que o Salmo 37 (os mansos herdarão a terra) poderia ser um comentário sobre este capítulo, dado o comportamento passivo e não-agressivo de Isaac (Wenham, “Ps 37… could be a commentary”).
5. Consenso Mínimo
- Todos concordam que a renovação do tratado e a descoberta de água em Berseba (v. 32-33) funcionam como a vindicação divina de Isaac: Deus forçou os inimigos a reconhecerem a bênção sobre o patriarca e garantiu sua permanência na terra.